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1ª REFERÊNCIA:
GRACE PASSÔ
“Tem bala aí. E tem gatilho.” - Mata teu Pai.
* Foto do diário físico;
“Seria um absurdo não começar este diário com a Grace. Só podia ser com ela.” Fragmentos do diário.
Assim começo meu registro de referências, que de fato, não poderia ser diferente, levando em consideração toda a transformação que vivenciei e todos os novos olhares adquiridos sobre o teatro que me foram possíveis com a leitura, e principalmente com o debate, gerado por suas obras, durante a matéria de Interpretação II, ministrada pela professora Nieve Matos (outra artista gigante que também é uma referência para mim), no semestre anterior. Nieve nos apresentou a dramaturga Grace Passô, na qual três de suas obras serviram de base para a construção de um exercício cênico chamado “Fábrica de Desajustados”, são elas: Por Elise, Amores Surdos e Mata teu Pai.
“Após a leitura das três obras, ao percebermos a ausência paterna em todas, decidimos falar sobre a paternidade brasileira. No início do processo me senti muito triste e incomodada, porque falar da paternidade com certeza mexe com quase todas as pessoas, e comigo não foi diferente. Mas, me ajudou quando, após desabafarmos coletivamente sobre nossas questões e inseguranças, conversamos com a Nieve, e ela nos sugeriu o exercício do Rasa Box, de distanciamento, justamente para trabalharmos esse olhar mais crítico, menos sentimental e emotivo, em cima do que estávamos querendo denunciar. Quando ela nos disse para não psicologizarmos a obra, me senti mais potente para pensar e denunciar a paternidade ausente e defeituosa brasileira, e que não se tratava de denunciar o meu pai, e sim a instituição paternidade.” Fragmentos do diário.
Me encantou o processo de “Fábrica de Desajustados”, que de certa forma foi uma direção colaborativa da turma, com - muita - orientação e diálogo com a professora.
Posso dizer, sem arrependimentos, que foi a partir deste momento que comecei, de fato, a gostar de estudar artes cênicas e a estética do Teatro Épico, já que finalmente estava construindo uma peça com temáticas que eu gosto e me identifico, e me pulsa a veia. Não só isso, como também comecei a me enxergar exercendo a docência, além de atentar meu olhar para uma didática criativa, que não cala, mas dialoga.
Então, para além do contato com a obra em si, foi a partir do encontro com uma nova turma, com uma nova professora, com novas relações, e com elas, o surgimento de novos afetos -alguns inclusive dolorosos-, que senti a necessidade de seguir meus estudos neste rumo.
* Fotos de Fábrica de Desajustados. Maioria das cenas do ato 3- Mata Teu Pai. Por: Julio Gabriel.










