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ស្នេហា
Estudo do Paganismo #1
Estou dando continuidade a meu estudo do Paganismo. É um terreno desconhecido para mim, no sentido que não sei ao certo o que posso encontrar, mas aceito o desafio de enfrentar esse desconhecido, sabendo que posso me enriquecer com isso independente do resultado.
Nota: Vejo nesse estudo uma predominância do platonismo, que é justamente um pensamento que constrasta as ideias de outros estudos que faço. Me pergunto se o processo vai levar para isso, na continuação desse conflito entre opostos.
Pintura das Deusas Clementia, Justitia e Prudentia por Amédée van Loo
Na mitologia romana, Clementia era a Deusa da clemência, do perdão e da misericórdia. Seu nome significa “gentileza”, “misericórdia” e “tolerância”. Ela também era muito invocada em casos que envolviam penitência, redenção, absolvição e salvação.
Ela era a contraparte romana da Deusa Eleos, a deusa grega da misericórdia e do perdão.
Nas imagens tradicionais, Cementia é representada em pé, segurando um bastão, galho (possivelmente de oliveira) ou lança na mão esquerda e uma tigela pequena ou com uma patera (um prato usado em sacrifícios) na mão direita. Ela também foi mostrada sentada e podia segurar um ramo de louro, um símbolo da vitória, da paz que a vitória traz; ou um ramo de oliveira, que também simbolizava paz e suavidade.
Clementia estátua do séc. IV aeC.
Mitologia
Não há uma história específica sobre esta Deusa. Acredita-se que Ela foi deificada como uma virtude célebre de Júlio César, que era famoso por sua tolerância, especialmente após a guerra civil de César com Pompeu, de 49 aeC.
Porém há um trecho trecho do poema “Tebadia“, escrito por Públio Papínio Estácio (45-96 dC) que fala de um templo. Diz ele que havia no meio da cidade um altar que não pertencia a nenhum Deus pois era a gentil Clementia tinha lá o seu lugar. Os miseráveis a tornaram sagrada; nunca lhe faltou um novo suplicante e ela nunca condenou ou recusou suas orações. Tudo o que lhe pediam era ouvido, noite e dia, alguém podia se aproximar e conquistar o coração da Deusa apenas com suas queixas. Nenhum ritual caro deveria ser ofertado à Ela; Ela não aceita chama de incenso, nem oferendas de sangue. Para ela, apenas as lágrimas fluem sobre seu altar, tristes ofertas de madeixas de cabelos cortados e roupas velhas. Ao redor é um bosque de árvores suaves, marcadas por oferendas de louro entrelaçado com lã e árvores de oliveira. Não há nenhuma imagem no local, nenhum metal contem suas formas, ela habita apenas os em corações e mentes de quem necessita seus favores. Os angustiados estão sempre perto dela, seu recinto está sempre cheio de gente carente, apenas os prósperos desconhecem seu templo.
Escultura das Deusas Iustitia e Clemetia
Culto
Não há muita informação sobre o culto de Clementia; acredita-se que, diferente de sua contraparte romana Eleos, Clementia era vista como uma abstração de uma virtude ao invés de uma Deusa de fato. Ela era reverenciada como parte de um conjunto de valores referidos à César e ao estado romano. Clementia seria palavra latina para “humanidade” ou “tolerância”, traços desejados por líderes. Isso se opõe a “Saevitia” que era a selvageria e o derramamento de sangue.
Acredita-se que Clementia tinha um templo em conjunto com Júlio César, chamado “Aedes Clementia Caesaris” (“Templo da Clemência de César”) que foi decretado pelo Senado em 44 AEC, em comemoração à misericórdia que César havia mostrado a seus muitos inimigos derrotados. Nesse templo, Clementia e César estavam retratados de mãos dadas, como iguais. O local deste templo não é mais conhecido e talvez nunca tenha existido.
Em uma carta do filósofo romano Cícero a seu amigo Atticus, Cícero está discutindo sobre a virtude da Clementia/Clemência de César: “Você dirá que eles estão assustados. Ouso dizer que sim, mas serei obrigado a dizer que eles tem mais medo de Pompeu do que de César. Eles estão extasiados com a misericórdia de um enquanto temem a ira do outro”. Novamente em “Pro rege Deiotaro” (um conjunto de textos para o rei Deiótaro), Cícero discute a virtude de César em relação à Clementia.
“Sim, você, Caio César, é o único conquistador cuja hora de triunfo não mata os combatentes. Nós, homens livres nascidos no clima mais justo da liberdade, longe de encontrar um tirano, vimos em você um líder misericordioso e sem limites no momento da vitória.
Em 28 EC houve um altar dedicado à Clementia juntamente ao o segundo imperador de Roma, Tibério, sendo nomeado de “Clemência de Tibério”.
Ilustração de 1600 da Deusa Clementia por Giovanni Lanfranco
Epítetos da Deusa Clementia:
A pomba do céu
A Senhora do silêncio
A Deusa tranquila
Parentesco
Filha de Nox, Deusa da noite, e Érebo, Deus da escuridão
Deusas com atributos semelhantes
Mitologia Budista: Kuan Yin, Deusa da misericórdia
Mitologia Grega: Eleos, Deusa da misericórdia e Deusas ligadas à justiça tais como Astréia, Diké, Têmis e Prudentia
Guia rápido de Correspondências:
Invoque Clementia para: clemência, perdão, misericórdia. gentileza, tolerância, penitência, redenção, absolvição e salvação.
Animais: pombos
Aromas e ervas: louro e oliveira
Bebida e comidas: óleo de olivas, azeitonas
Cores: branco, cru
Elemento: terra
Face da Deusa: Mãe
Fase da Lua: minguante
Símbolos: lã, galho, ramos de oliveira, louro
Ilustração de Clementia
Estátua de Clementia segurando uma pomba
Moeda com figura de Clementia gravada
Ilustração romana de uma estátua de Deusa desconhecida que acredita-se ser Clementia.
Fontes: https://enacademic.com/dic.nsf/enwiki/51351 https://learninggoddessblog.wordpress.com/2015/09/17/clementia/ http://www.thaliatook.com/OGOD/clementia.php https://www.theoi.com/Daimon/Eleos.html
Clementia, a Deusa romana da misericórdia e do perdão Na mitologia romana, Clementia era a Deusa da clemência, do perdão e da misericórdia. Seu nome significa "gentileza", "misericórdia" e "tolerância".
Arcus
Arcus é a Deusa romana do Arco-Íris porém pouco se sabe sobre Ela. Muitas das deidades romanas descendem da sua raiz grega, portanto se Arcus é a contraparte romana da Íris grega, então pode ser considerada uma Deusa que faz a ligação entre o céu e o mar, além de ser mensageira dos Deuses com os seres humanos.
Para uma visão mais completa visite Íris, Deusa do céu, da água e do arco-íris.
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Deus…
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Têmis (em grego Θέμις, Thémis) é uma titânide que personifica as leis divinas ratificadas pelo Costume e pela Lei (themistes), em contraste com a justiça humana (papel realizado pela Deusa Diké, sua filha) e as leis e decretos humanos (nomos). Era também associada aos oráculos que revelavam a vontade dos Deuses. Presidia, em especial, sobre as relações adequadas entre homem e mulher, base da família bem ordenada e os juízes eram frequentemente chamados themistopóloi, “servos de Têmis”.
Ela também é guardiã dos juramentos dos homens, considerada a personificação da ordem e do direito divinos, tanto que era costumeiro invocar Têmis nos julgamentos perante os magistrados.
Esta Deusa também preside a profética dos oráculos mais antigos, incluindo Delfos. Neste papel, ela foi a voz divina que primeiro instruiu a humanidade nas leis primordiais da justiça e da moralidade, tais como os preceitos de piedade, as regras da hospitalidade, a boa governação, o comportamento da sociedade e ofertas de devotos aos Deuses.
Têmis empunha a balança, com que equilibra a razão com o julgamento, e/ou uma cornucópia; mas não raras vezes é representada segurando uma espada, deixando essa versão armada para sua correspondente Romana Iustitia.
Vale lembrar que na Grécia Clássica a Deusa não era representada com a venda que podemos observar em suas representações modernas. A faixa que lhe cobre os olhos foi introduzida no século XVI por artistas alemães, com o fim de que se atribuísse à Justiça a idéia de imparcialidade. O que estes não perceberam é que a venda lhe prejudica, pois arranca sua capacidade de enxergar.
Um dos atributos de Têmis é sua grande beleza, além do poder de atração de sua dignidade.
Seu nome significa “aquela que é posta, colocada”.
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Genealogia
Segundo a Teogonia de Hesíodo, Têmis era uma titânide filha de Urano e Gaia e, como segunda esposa de Zeus, foi mãe dasdas Horais Diké (Deusa da Justiça), Eunomia (Deusa da Disciplina) e Irene (Deusa da Paz). Estas são as Horai mais velhas e estão ligadas a legislação e ordem natural, sendo uma extensão dos atributos de Têmis. Esta última está relacionada com a representação da divindade da justiça. Têmis e Dike elucidam o lado ético do instinto, a voz miúda e calma no seio do impulso.
Existem mais nove Horai que são guardiãs da ordem natural, do ciclo anual de crescimento da vegetação e das estações climaticas anuais: Talo, Carpo, Auxo, Acme, Anatole, Dysis,Dicéia, Eupória e Gymnásia
Há uma versão errada, que diz as Moiras eram filhas de Têmis, o que gerou esta confusão, possivelmente foi uma confusão com as Horais; que também agem nas energias cíclicas da natureza, assim como as Moiras (ciclos vitais da vida, nascer, crescer, etc).
Na tragédia grega Prometeu Acorrentado, Ésquilo a chama mãe do titã Prometeu. Normalmente, no entanto, este era um Titan, filho do Asie Titanis ou Klymene.
Higino lhe atribui a maternidade das Horais e das ninfas o rio Erídano, que ensinaram a Héracles o caminho para o Jardim das Hespérides. Arato, o pseudo-Higino e Ovídio a consideram mãe de Astréia, sempre com Zeus.
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Mitologia
Quando ainda criança, foi entregue por Gaia, aos cuidados de Nix, que acabara de gerar Nêmesis. O objetivo de Gaia, era proteger Têmis do enlouquecimento de Urano. Porém Nix estava cansada, pois gerara incessantemente seus filhos. Então Nix entrega sua filha Nêmesis, e a sobrinha Têmis aos cuidados de suas mais velhas filhas, as Moiras (Cloto, Laquésis e Atropo, Deusas do destino dos homens e dos Deuses, suas decisões não podem ser transgredidas por ninguém).
As Moiras criam as duas Deusas infantes, e lhes ensinam tudo sobre a ordem cósmica e natural das coisas; e a importância de zelar pelo equilibrio. Assim surgem as semelhanças das duas Deusas criadas como irmãs, Têmis a Deusa da justiça e Nêmesis, a Deusa da retribuição.
Quando Têmis é desconsiderada, Nêmesis traz em breve uma irada retribuição, razão pela qual Têmis compartilhava o Nemesion, templo de Nêmesis em Ramnonte, na Ática. Mas a própria Têmis não é representada como colérica: no canto XV da Ilíada, é de Têmis “das belas faces”, que Hera aceita uma taça de néctar quando ela retorna ao Olimpo, perturbada pelas ameaças de Zeus.
Quando Zeus veio a tomar o Olimpo dos Titãs, matando seu pai, o Titã Cronos e castigando alguns dos outros Titãs (a exemplo de Prometeu, que foi acorrentado a um rochedo do Cáucaso, enquanto tinha o fígado eternamente devorado por um abutre, e de Atlas, que foi condenado a suportar em suas costas o peso do mundo) não tratou Têmis de forma semelhante: tomou-a por esposa, sendo que esta passou a sentar-se ao lado de Zeus, pois era sua conselheira. Têmis foi sua segunda esposa, depois de Métis e antes de Hera. Além de esposa e conselheira, Têmis também foi mentora de Zeus. Em um mito ela aparece como ama de leite de Zeus bebê, ensinando-o a respeitar a justiça. O casamento de Zeus e Têmis não foi de total doce harmonia, pois embora transitasse sabedoria entre eles, os ditames de um e do outro, sempre tinham um preço muito elevado, pois nada possui solução definitiva
Em outra versão após Zeus devorar Métis grávida, as Moiras levam Têmis até Zeus para se tornar a segunda esposa, e as Moiras profetizam que Zeus precisa e tem muito a aprender com Têmis, que é tão sábia quanto Métis.
Ajudou Deucalião e Pirra a formar a humanidade após o dilúvio enviado como castigo por Zeus, profetizando que ambos deveriam “jogar os ossos de sua mãe para trás das costas”. Pirra ficou temerosa de cometer algum sacrilégio ao profanar os ossos de sua mãe, não captando o sentido da profecia. Deucalião, porém, entendeu tratar-se de pedras os ossos da deusa-Terra, mãe de todos os seres. Assim ele atirou pedras para trás e delas surgiram homens.
Como personificação da justiça ou Lei Eterna, Têmis aconselhou Zeus, na luta contra os Gigantes, a cobrir o escudo, que passou a denominar-se Égide, com a pele da cabra Amalteia.
A profecia sobre Tétis
Zeus e Poseidon eram rivais para conseguir a mão de Tétis, mas quando Têmis profetizou que o filho nascido de Tétis seria mais poderoso do que seu pai, eles desistiram da disputa e Tétis se casou com Peleus, dando à luz Aquiles.
Têmis e os Titãs
Quando o titã Prometeu foi acorrentado ao Monte Cáucaso, Têmis profetizou que ele seria libertado. Sua profecia se concretizou quando Héracles (ou Hércules), salvou-o do seu castigo.
Têmis também advertiu Atlas que um filho de Zeus (Héracles) arrancaria os pomos de ouro do Jardim das Hespérides (Deusas primaveris).
Têmis dos Juramentos
Têmis era considerada guardiã dos juramentos dos homens, e por essa razão ela também é chamada Deusa dos juramentos. Ela vive no Olimpo perto de Zeus, que é descrito como o verdadeiro “Senhor do todo” enquanto sussurra palavras de sabedoria para Themis quando ela está sentada próximo a ele. Mas alguns afirmam que é graças a Têmis que Zeus governa no Olimpo.
Senhora dos Oráculos
Têmis era a senhora do oráculo de Delfos, omais famoso de todos os templos oraculares da Grécia Antiga. Ele pertencia originalmente a Gaia, que o passou a filha Têmis. Depois disso, ele foi de Febe e só no fim foi tomado por Apolo que, ainda criança, chegou a cidade e matou a serpente Píton que guardava o santuário profético, clamando assim seu direito sobre o local.
Sendo Apolo um Deus dos oráculos, isso o liga a Têmis desde seu nascimento pois, segundo um hino homérico, Têmis estava ao lado de Leto entre as Deusas presentes ao nascimento de Apolo e Ártemis, que incluíam também Dione, Reia, Icnaia e Anfitrite. Diz-se que Leto não deuseu peito a Apolo quando ele nasceu; Mas Têmis, que estava lá, derramou Néctar e Ambrosia com suas próprias mãos para que ele provasse. Também foi ela quem foi ela quem, segundo uma tradição, ensinou a Apolo as técnicas da capacidade de prever o futuro de modo extra-racional.
Têmis não representa a matéria em si, como sua mãe Gaia, mas uma qualidade da terra, ou seja, sua estabilidade, solidez e imobilidade. Ela é uma Deusa que fala com os homens através dos oráculos. Portanto, Têmis tinha máxima ligação com a questão das previsões oraculares e, no fundo, representa a boca oracular da terra, a própria voz da Terra, ou seja, Têmis é a terra falando.
Os oráculos dados por Têmis, não profetizavam só o futuro, mas eram ainda, mandamentos das leis da natureza às quais os homens deveriam obedecer. A Deusa nos fala de uma ordem e de uma lei naturais que precedem as noções culturalmente condicionadas da organização e das regras derivadas das necessidades de uma sociedade.
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Lugares de Culto
O culto de Têmis foi estabelecido em Tebas (no Egito) e nas cidades gregas de Olympia, Atenas, Tanagra e Troezene, onde um altar foi dedicado à Themides. Acredita-se que as ninfas filhas de Zeus e Têmis viveram em uma caverna no rio Eridanus.
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Epítetos
Euboulos – Boa Conselheira
Orthoboulos – Reta Conselheira
Sôteira – Salvadora
Hiera – Sagrada
Aidoios – Reverenda, Augusta
Eugenês – Bem-nascida
Titanis – Titânide
Parentesco:
Filha e Urano e Gaia
Segunda esposa de Zeus
Mãe de Astréia e das Horais.
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Deusas com os atributos semelhantes:
Mitologia Grega: Astréia, Diké, Deméter Thesmophoros (“Mensageira da Lei “) e Gaia, especialmente por ter o título de “Voz Oracular da Terra”.
Mitologia Romana: Iustitia
Guia rápido de Correspondências:
Invoque Têmis para: consciência coletiva, ordem social, paz, ajuste de divergências, justiça divina, encontros sociais, juramentos, sabedoria, profecia, ordem, nascimentos e trabalhos artísticos. Animais: serpente Aromas e ervas: Manjerona Face da Deusa: Mãe Dia: Segunda e Quinta-feira Elemento: terra Planeta: mercúrio Signos relacionados: Virgem e Libra Símbolos: Balança, cornucópia, lâmpada, serpentes.
Fontes: Theoi: www.theoi.com/Titan/TitanisThemis.html Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Têmis
Têmis, a Deusa da justiça divina Têmis (em grego Θέμις, Thémis) é uma titânide que personifica as leis divinas ratificadas pelo Costume e pela Lei (
Um pouco sobre Amizade
O que é a amizade? Dela depende a pólis escreveria Cícero[1]. Na famosa obra de Hesíodo, Os trabalhos e os dias (Ερϒα και εμεραι) em seus versos (342-360)[2] sobre o auxílio entre vizinhos cuja relação estaria fundada na utilidade, na qual os vizinhos por estarem mais próximos socorrem mais rapidamente que os parentes consanguíneos que às vezes se encontram longe, e no prazer, isto é, fundada também na relação mais rara entre os homens, e fundamental para a existência da própria sociedade. Cícero diz então que não há coisa no mundo comparável à amizade, por mais rico que o homem possa ser, a riqueza têm uma utilidade: ser gasto.
Entretanto a amizade ao contrário, tem-se por outro motivo, reside no prazer de mantê-la, no poder compartilhar os bens conquistados, ou perdidos, a história em comum, a verdade, é que a amizade, tal como a cultura, me utilizando aqui de um conceito reducionista do arqueólogo Robert C. Dunell[3], é um fenômeno observável somente pelos seus efeitos no mundo tal qual a gravidade no sentido em que vemos objetos sendo forçados em direção ao solo, mas não conseguimos observar a força em-si, existe, há no mundo, mas como conceito abstrato só vemos ou a sentimos através das representações dela no mundo, isto é, seus efeitos. Concomitantemente é difícil esclarecer a própria função da amizade para o ser humano como indivíduo.
Para os clássicos a amizade então possui esse tom supernal, o tesouro mais precioso. Quais os fundamentos da amizade? O que faz dos homens amigos? Cícero comenta que as palavras amar e amigo, e, portanto, amizade são originários do mesmo termo amor, em algum momento na história da língua latina houve a cisão dos conceitos e em consequência exigiu-se também que tais conceitos fossem classificados com palavras distintas. Esse conceito anterior à cisão então não seria o responsável por confundir as pessoas, colocá-las em dúvida a respeito de seus sentimentos quando na realidade é o mesmo conceito que conecta a ambas as palavras? Talvez o retorno a tais temas clássicos na sociedade contemporânea possam viabilizar uma reflexão sobre o assunto, principalmente em uma sociedade onde um simples clique aceita uma solicitação de amizade, Cícero está se remoendo no túmulo.
Ainda sobre a formação de amizade Aristóteles dita a regra geral: a amizade só subexistiria entre os bons e iguais em virtude (da Ética a Nicômaco retirado do estudo de Mantovaneli), paradoxo ver entre tantas pessoas díspares compartilhando um gosto específico, uma mesma mensagem, mas a amizade é somente um conjunto de gostos que se compartilha com outra pessoa, pode-se gostar de cinema iraniano, e nem por isso alguém que tenha esse mesmo gosto conseguirá angariar o sentimento tratado no parágrafo anterior. A relação de utilidade entre amigos então, unidos aos gostos e modos comportamentais dos indivíduos teriam efeito essencial para amizade, concordando com o dito pelos Clássicos. Dessa forma a amizade nas escolas e instituições de ensino, ao nivelarem os alunos, os põe em uma situação propícia ao nascimento da amizade, apesar das diferentes origens e culturas no interior das famílias.
Pensar sobre a amizade parece pertinente em uma sociedade como a nossa neoliberalista tradicionalmente marcada pela desigualdade, recém-democratizada marcada por maior liberdade individual, e consequentemente uma perda de direção, ao fazermos parte dos centros de decisão coletivos e particulares, para tal os textos dos antigos clássicos auxiliam a meditação ou, ao menos, nos levantam inquietudes.
[1] Saber Envelhecer: seguido de A amizade. Cícero, Marco Túlio. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 1999. (Recomendo muito ambos os textos, o tempo não os pode vencer, e fico feliz que a obra tenha sobrevivido, aprendi muito com ela, melhor que muitos livros de auto-ajuda sobre o assunto)
[2]Os trabalhos e os dias. Hesíodo. Tradução, estudo e notas: Luiz Otávio de Figueiredo Mantovaneli. São Paulo: Odysseus Editora, 2011. Coleção Kouros. (O estudo que acompanha a tradução é um dos textos em que eu retiro grande força para este trabalho)
[3] Classificação em arqueologia. Dunell, Robert C. São Paulo: Edusp, 2007. (Mais especificamente o capítulo 5)
Texto por Sartigo