Linda Martini magnânimos em noite em que cantamos “Bohemian Like You” - Dia 2 do Rock no Rio Febras 2025 | Reportagem Completa
Cláudia Guerreiro dos Linda Martini em palco | mais fotos clicar aqui
A segunda jornada do Rock no Rio Febras na Quinta da Ponte, em São Salvador de Briteiros foi mais longa tendo-se iniciado duas horas mais cedo comparativamente ao dia anterior. Neste passado sábado, dia 26 de julho, tivemos temperaturas bem acima dos 30º graus o que fez com que as pessoas fossem chegando mais ao tipo de “conta-gotas” Efetivamente a maioria das pessoas chegou ao recinto mais ao início da noite.
Entre a abertura de portas às 16 horas até perto das 17:30h os comandos da mesa ficaram entregues a Jorge Vieira & Guilherme Estevão em representação do Batô, mítica discoteca de Leça da Palmeira.
Ambiente no recinto durante a tarde | mais fotos clicar aqui A primeira banda a pisar o palco, às 17:30h, foram os Zamora. Banda com 5 elementos sendo que apresentaram-se todos vestidos de negro. Estes portugueses misturam rock, metal e som alternativo, com letras originais em inglês. Numa tarde de bafo calorento, a fazer lembrar paisagens de deserto, não foram muitos os que arriscaram a ver o primeiro concerto. Em parte da plateia, a metade mais perto da cabine de som, da relva artificial ainda estava exposta ao sol.
"Siren" e "Tree of Hope" foram dois dos temas interpretados. Esta última citada uma composição que fala da esperança que podemos encontrar na natureza. Outros dos temas que também soaram bem foram “Hand Of The Rebel” e “Echoes”. Uma prestação bem segura e positiva desta banda que desconhecia.
Quarteto Growing Circles em palco | mais fotos clicar aqui André Oliveira (bateria), Paulo Guimarães (baixo) e Ricardo Meira (guitarra) são os membros fundadores dos Growing Circles. A eles juntou-se o vocalista David Cunha em 2022, dez anos depois do início, numa fase de mutação de projeto. A banda é oriunda da região de Guimarães.
Eram já 18:37h quando a banda vimaranense começou a sua atuação. Nessa altura a plateia já estava bem mais preenchida e a zona frontal ao palco já toda à sombra.
A banda tocou na primeira edição do Rock no Rio Febras e revelaram toda a sua admiração com o crescimento rápido do evento em apenas 4 anos.
"Let Me Go" primeiro single já disponível nas plataformas de streaming foi devidamente tocado. Estes Growing Circles navegam nas ondas do indie rock e deixaram uma boa imagem do que pode ser o seu projeto musical.
Ricardo Meira dos Growing Circles | mais fotos clicar aqui Um dos momentos que eu mais esperava era a atuação dos Indignu, uma das minhas bandas portuguesas favoritas. Entraram 15 minutos depois da hora marcada, a atuação anterior também não cumpriu o horário e a transição demorou igualmente um bocadinho mais.
Início com Afonso Dorido a tocar guitarra a solo, com o tema “Prólogo” enquanto os últimos retoques eram finalizados. Entretanto Graça Carvalho (violino e sintetizador), Ivo Correia (bateria) e Pedro Sousa (baixo) fizeram a sua aparição e o concerto dos Indignu “mudou de mudança”. Uma entrada serena e melancólica que prendeu a atenção do público. Adesão em bom número, até com pessoas sentadas na relva sintética a desfrutar do som.
Afonso e Pedro num momento bem elétrico dos Indignu | mais fotos clicar aqui Afonso Dorido revelou-se o fio condutor, a sua conhecida emocionante trepidação durante os seus acordes deu uma vivacidade sublime à performance.
“urge decifrar no céu” e “Levitação do Sahara” não faltaram no alinhamento e são dois temas essenciais da sua discografia.
Já vi algumas vezes ao vivo os Indignu e são, sem margem para dúvida, uma das minhas bandas lusitanas preferidas. A intensidade do seu post-rock é qualquer coisa de impressionante. Um concerto deles é como andar numa montanha russa sonora em que a excitação emocional tem altos e baixos. Sonoramente resulta tudo de forma plenamente complementar.
Quarteto Indignu em palco | mais fotos clicar aqui A banda Paraguaii já encontra-se bem consolidada em formato trio com Rolando Ferreira como baterista. Ele juntou-se, serenamente e de forma natural, aos camaradas Giliano Boucinha (voz, sintetizador e guitarra) e Zé Pedro Caldas (voz, sintetizador e baixo) que são os mentores do projeto.
Esta formação vimaranense proporcionou uma viagem à sua discografia pré-pandemia na qual passeou por três álbuns: ‘Scope’ de 2016; ‘Dream About The Things You Never Do’ de 2017 e ‘Kopernikus’ de 2019.
A primeira faixa foi “Why Should We Think”, pelo meio tocaram “Straight Or Gay” e “Indian Man” tendo fechado o seu set com “Venom”.
Trio Paraguaii em palco | mais fotos clicar aqui Debateram-se com problemas técnicos, em momentos diferentes do concerto, e a longa experiência que têm serviu para manterem-se calmos e focados no desempenho. Até conseguiram elevar a performance para um nível de excelência pese embora as contrariedades.
Caldas o mais expansivo e arrojado a manejar o seu baixo, puxou pelo público diversas vezes e este foi respondendo positivamente. Boucinha também ele com um olhar para a audiência, direi meio sedutor, enquanto debitava os seus acordes. Já Ferreira sempre compenetrado é uma espécie de pendulo do tridente, a fornecer as batidas certas.
Não foi uma performance fácil por motivos técnicos. A vontade dos músicos estava em alta e por isso aos membros dos Paraguaii devo dar um mérito extra. Conseguiram dar um salpicado da sua discografia menos recente que já conta com 10 anos de caminho.
Zé Caldas dos Paraguaii em palco | mais fotos clicar aqui Esteve muita gente espalhada pelo recinto durante os Paraguaii e mesmo assim foram brindados com atenção particular por muitas das pessoas presentes.
Após este concerto houve lugar a um DJ set por Rafaello em representação do Route 66 de Freamunde. Para mim não teve muito sentido no meio dos concertos. Certo é que foi aproveitado por muita gente para reabastecer o copo personalizado do festival ou mesmo para o jantar.
Ao som de “Vitamin C”, tema de 1972 dos Can, entraram em palco os The Dandy Warhols cujo nome é um jogo de palavras com o nome do artista pop Andy Warhol. Este foi o último concerto da tournée europeia da banda norte americana e o único realizado em Portugal.
Zia dos The Dandy Warhols em palco | mais fotos clicar aqui The Dandy Warhols são um quarteto oriundo de Portland (Oregon) formado por Courtney Taylor-Taylor e além de ser o vocalista toca guitarra; Peter Holmström é o baixista; Brent DeBoer é o baterista e Zia McCabe é multi-instrumentista pois toca baixo, teclado e percussão.
Intenso e esquizofrénico jogo de luzes em alguns temas, sobretudo na primeira metade do alinhamento. Nesse sentido foi o mais vibrante de todos os concertos do festival.
Esta atuação dos The Dandy Warhols começou bem morna porém subiu bastante de intensidade e interesse. Pela plateia existiam fãs desta banda que veio este verão à Europa na comemoração dos seus 30 anos de existência. A maioria só reconheceu “Bohemian Like You”, foi uma das últimas a ser tocada. Este tema ficou célebre em Portugal pois foi utilizado num spot publicitário de uma operadora de comunicações para televisão em 2002.
Courtney Taylor-Taylo dos The Dandy Warhols em palco | mais fotos clicar aqui Claro que em “Bohemian Like You” a plateia virou pista de dança frenética com as habituais lives para as redes sociais.
Em “Every Day Should Be a Holiday” ficaram em palco apenas Taylor-Taylor e Holmström numa interpretação gira desse tema. Durante cerca de 1:30h tocaram músicas viajando um pouco pelo seu repertório de uma maneira muito abrangente.
Por exemplo, tocaram “Ride” do álbum ‘Dandys Rule OK’ de 1995; "Pete International Airport" do álbum ‘...The Dandy Warhols Come Down’ de 1997 ou ‘Distortland’ do álbum ‘de 2016. Do mais recente registo discográfico ‘ROCKMAKER’ de 2024 interpretaram “Summer Of Hate”.
Brent DeBoer dos The Dandy Warhols em palco | mais fotos clicar aqui Além de um jogo de luzes bastante proeminente, houve também em diversos temas apoio visual através de vídeos mostrados no ecrã principal. Tudo muito bem pensado e executado ajudaram a uma performance bem sólida e positiva desta formação de rock alternativo que saiu de palco ao som de “Ring of Fire” de Johnny Cash.
Os Linda Martini entraram em palco à 1:03h, apenas 3 minutos depois da hora agendada. Logo aí o público mostrou-se bastante entusiástico com a entrada dos quatro músicos.
Tal como no concerto de apresentação do mais recente LP ‘Passa-Montanhas’ no Hard Club este ano, o último a que assisti, o dress code foi igualmente black & white. Toda de branco esteve Cláudia Guerreiro. No centro consigo teve Rui Carvalho todo de negro. Nas margens tiveram Hélio Morais à esquerda e André Henriques à direita, eles que alternaram nas cores: Morais todo de branco e Henriques de negro.
Hélio Morais dos Linda Martini em palco | mais fotos clicar aqui Devo dizer que o som neste concerto não esteve devidamente apurado, efetivamente deveria ter tido uma qualidade mais digna desta brutal banda. Coincidência ou não, depois da interpretação de “Rádio Comercial” e “Super Fixe”, ao terceiro tema em “Corações Rápidos” houve uma falha no sistema sonoro durante uns segundos e não se conseguiu ouvir nada. Pareceu-me que a banda deu conta disso mesmo, vi Hélio virar-se imediatamente para a mesa de som no final do tema. Ele que não é muito fã de falhas…
Henriques deu conta que “tentaram estar presentes em 2024” só que não foi possível. Felizmente compareceram em 2025 e deram um concertaço.
Para gáudio da jovem e ávida frontline "Boca de Sal" foi um tema extremamente bem recebido. Já em "Horário de Verão" o pessoal acompanhou com palmas bem ritmadas.
Linda Martini em palco | mais fotos clicar aqui Ao contrário da anterior atuação que tinha visto, desta vez as luzes foram completamente diferentes: só foi utilizado o amarelo até ao bis, inclusive o ecrã de palco estava totalmente amarelado. No bis foi utilizado o azul.
Não tocavam “Gravidade” há muito tempo e escolheram o Rock no Rio Febras para a retoma. Seguiram-se os temas “Eu Nem Vi”, “Putos Bons” e “Dá-me a Tua Melhor Faca”. Para o encore, espécie de encore que a banda nem saiu de palco, guardaram “Cem Metros Sereia”. Um final verdadeiramente apoteótico.
Em jeito de balanço final desta minha primeira vez no Rock no Rio Febras devo dizer que tive uma experiência muito positiva. Houve coisas que gostei bastante, outras nem tanto.
André Henriques dos Linda Martini em palco | mais fotos clicar aqui Uma das coisas que adorei foi o recinto, uma espécie de bosque encantado do rock onde senti-me num refúgio do calor aonde pude desfrutar de algumas das melhores bandas nacionais e ver pela primeira vez os The Dandy Warhols.
Pela parte menos positiva devo referir o som: na sexta-feira, mesmo a utilizar protetores de ouvido, achei que estava demasiado elevado. Já no sábado é impossível não referir os problemas técnicos que existiram bem como a qualidade não estar no devido ponto.
Relativamente à organização da Casa do Povo de Briteiros e ao apoio que tiveram de cerca de 200 voluntários devo dizer que fizeram um excelente trabalho. Com toda a certeza não terá corrido tudo como pensaram, foi um enorme desafio passar a dois dias e a um aumento significativo de público, agora não posso retirar-lhes o mérito pela coragem que tiveram.
Oxalá a receita que angariaram tenha sido significativa para que os seus objetivos solidários sejam atingidos com maior facilidade.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
Graça e Pedro dos barcelenses Indignu | mais fotos clicar aqui Texto: Edgar Silva Fotografia: Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)











