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Faceclaim: 4kina - Modelo. OOC: +18, ela/dela.
Nome completo e gênero: Bae Mirae, cisfemale.
Data de nascimento e idade: 20/03/1999, 23 anos.
Local de nascimento e etnia: Hong Kong, China + chinesa.
Curso e período: Primeira graduação em Arquitetura e Urbanismo, 2º período.
Clube ou esporte: Boxe.
Moradia: República Shrimp, quarto 6.
Personalidade: Impulsiva, explosiva, organizada e esforçada.
Biografia.
Trigger Warning: abandono parental.
Era uma noite chuvosa, talvez uma das mais chuvosas naquele ano. A sala estava rodeada de pessoas vestidas de branco, aparelhos, e falas estranhas. "Empurre, você consegue", dizia um dos médicos que participava do parto; fazia bastante frio quando o primeiro choro ecoou na sala de cirurgia. Nascida em um pequeno hospital em Hong Kong no dia 20 de Março de 1999, essa pequena e linda garotinha foi abandonada na frente de uma igreja ainda recém-nascida, sua mãe biológica a deixou lá por não ter condições de criá-la, segundo as freiras bondosas que a acolheram. A mãe da garota havia se envolvido com um rapaz, os dois jovens demais para assumir qualquer responsabilidade. Então, o destino da garotinha de cabelos escuros e pele clarinha foi esse. Ning foi acolhida pelas freiras locais e encaminhada para o orfanato municipal, tendo o nome lhe dado pelas próprias irmãs da igreja. Para quem lhe recebeu nos braços, a menina provavelmente seria adotada em poucas semanas por uma família misericordiosa e teria um local para chamar de seu, já que ainda era um bebê e os casais pareciam ter preferências por bebês. Era o que todo mundo achava.
Finalmente, esta profecia não demorou à acontecer; o primeiro casal a conseguir a papelada foram recém casados que estavam fantasiosos com a vida a dois, talvez até mesmo precipitados demais, afinal, criar uma criança tão pequena não era lá somente flores. Contudo, não demorou três meses para que a devolvessem falando que a adaptação não havia sido das melhores e que haviam cometido um erro. E isso se parecia com um ciclo vicioso, de maneira onde passou por várias casas e no final, sempre retornava com uma mochilinha cheia de roupas, um ursinho de pelúcia na mão e com os olhos marejados para os braços das assistentes sociais; Ning fora crescendo nesse mesmo triste ciclo que durou cerca de dez anos. E achava que sua vida não iria mais mudar, afinal, ninguém gostava de adotar crianças já maiores… Todos os dias ela pensava nisso, no quanto iria ficar em orfanatos até que completasse a maior idade. Ning, como ainda era chamada, adorava costurar. Desde cedo aprendeu a costurar no orfanato, quando lhe davam tarefas para fazer e, nesse meio, encontrou algo que gostava muito. Sonhava em ser uma grande estilista, ainda sem conhecer o mundo lá fora. Queria costurar, desenhar roupas, sempre estava pela casa com outras meninas compartilhando de seu sonho de ser uma grande "fazedora de roupas", como chamava naquela idade.
E, foi aí que, em meio a tantos pensamentos e maré de azar, sua sorte mudou. Ao que parece um rico casal de juízes, que moravam em outro país, a Coréia, casados por cerca de oito anos, haviam decidido adotá-la. Estavam na China à negócios e mesmo assim decidiram adotar uma criança… Vai saber o que se passou na cabeça deles, mas a garotinha ficou grata por ter mais uma chance. A esperança parecia nunca morrer, sempre em busca de um futuro brilhante para suas ideias mirabolantes. O motivo pelo qual preferiram uma criança de certa idade se baseava na falta de tempo devido ao trabalho; queriam o sentimento de paternidade, mas talvez não todos os cuidados necessários, apesar de se esforçarem como podiam. Com toda a papelada pronta, só faltava uma coisa antes que pudessem voltar para sua nova casa: mudar o nome da criança. Ning agora era conhecida como Bae Miyoung, depois da papelada oficializada pelos novos pais da criança. Após isso, puderam voltar para casa, na Coréia. Ansiosa pela sua nova fase, mal esperava chegar em casa e poder realmente ser uma criança normal. O trajeto durou algum tempo, mas, finalmente a garotinha estava pronta para ter sua nova vida, dar início a, finalmente, um capítulo feliz. Precisou se adaptar novamente, é claro, mas aquilo era o de menos comparado ao que tinha agora em suas mãos. Os pais pareciam ser exigentes quanto aos estudos dela, fazia aula de coreano e inglês. E eles ainda a colocaram em aulas de piano, a garota mal tinha tempo para respirar. Mas, ter uma família ainda era melhor que o orfanato, de fato. O sonho antigo ainda vivia em Miyoung, mas era tratado como hobby por sua mãe, que apesar de lhe dar amor, era também rigorosa com o futuro da garota.
Com o tempo, Miyou aprendeu que os pais tinham trabalho demais para que pudessem fazer parte de sua vida na maioria das vezes, eles compensavam isso com presentes caros, roupas, sapatos, dinheiro, no final das contas, mas não parecia ser tão suficiente assim; esse, inclusive, foi um dos motivos pela adolescência da garota ter sido meio complicada: a necessidade de chamar atenção dos pais se fazia presente várias vezes, e a rebeldia fez parte de sua vida algumas vezes, no ensino fundamental fora seu pico de problemas, sempre estava metida em encrencas. Mas, de acordo com que crescia e se tornava mais compreensiva, a garota acabou tomando rumo no ensino médio, onde se tornou uma aluna com notas boas, não totalmente exemplar, mas fazia sua parte na escola. Notas sempre agradáveis… Mas, quem não gosta de uma encrenca vez ou outra, certo? Ela precisava de sua diversão e não abria mão disso. Mas, nunca era nada muito sério, afinal, não gostaria de manchar sua ficha, visava um pouco de futuro também. Agora, já dominava o inglês e o coreano, tudo tão bem que mal se lembrava de onde tinha vindo ou de sua língua natal. Mantinha algumas amigas por perto, mesmo não sendo rodeada de pessoas, valorizava as que tinha consigo. E uma delas era a Zaia, uma amiga que estava com Miyoung desde o começo do ensino primário. Ela acompanhava os sonhos, decepções, tudo que Bae passava e a família de Zaia a recebia sempre com muito amor, Zaia e Miyoung eram irmãs mesmo que não fossem de sangue.
Tendo acesso ao que queria, quando tinha tempo para isto, Miyoung sempre corria atrás de melhorar suas habilidades com roupas e desenhos; tendo isto em mente, a jovem começou a se empenhar ainda mais, achando que conseguiria o que queria. Passara horas e horas livres vendo tudo o que podia sobre, e aprendendo tudo o que podia também. Ela sonhava em fazer parte daquele mundo, em ser o que aquelas pessoas que ela tanto via eram, ela queria se tornar a melhor. Até que viu que as coisas não seriam bem como imaginava. Os pais pareciam ter tudo planejado para ela, desde aquele momento em que fora adotada… Sendo assim, seus pais queriam que a filha seguisse o caminho da arquitetura, era o sonho deles que a filha fosse uma grande arquiteta de renome e sucesso. Aquilo realmente não era para Miyoung. Desenhar e planejar prédios? Não cogitava a ideia nem por um momento e seus pais não gostaram daquilo. Mas, a menina sabia que devia muito à eles, devia literalmente sua vida aos pais. Se não fosse por eles, não sabia onde estaria atualmente. Então era o mínimo que devia fazer para retribuir tudo que eles haviam feito.
Ela não queria aquilo, era óbvio, estava internamente furiosa no primeiro momento, como sempre ficava. Se sentia triste, sem vontade. Mas, sabia muito bem que conversar de cabeça quente não a levaria à lugar nenhum, e que também tentar fazê-los mudar de ideia não seria tão fácil. Então, deixou alguns dias passarem, pesquisou mais sobre o curso de Arquitetura para tentar se afeiçoar. Era difícil, ela sabia que, talvez, empurraria aquilo com a barriga. Era necessário, no entanto. E foi aí que os pais a matricularam na Soraepo University, estando agora no seu segundo semestre de Arquitetura e Urbanismo. Ela, sem saber muito bem o que fazer, resolveu escolher boxe como seu esporte, achando que conseguiria descontar toda sua tristeza e frustração enquanto ainda empurrava o curso que fazia com a barriga.












