E quedou silencioso. O velho mundo, Das suas crenças antigas, num momento, Viu-o sumir exausto, moribundo, Nos abismos sem fundo Do temeroso mar do Pensamento.
Guerra Junqueiro

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E quedou silencioso. O velho mundo, Das suas crenças antigas, num momento, Viu-o sumir exausto, moribundo, Nos abismos sem fundo Do temeroso mar do Pensamento.
Guerra Junqueiro
Sobre a exploração da morte de Mariele é um poema de Guerra Junqueira
Morena
Não negues, confessa Que tens certa pena Que as mais raparigas Te chamem morena.
Pois eu não gostava, Parece-me a mim, De ver o teu rosto Da cor do jasmim.
Eu não... mas enfim É fraca a razão, Pois pouco te importa Que eu goste ou que não.
Mas olha as violetas Que, sendo umas pretas, O cheiro que têm! Vê lá que seria, Se Deus as fizesse Morenas também!
Tu és a mais rara De todas as rosas; E as coisas mais raras São mais preciosas.
Há rosas dobradas E há-as singelas; Mas são todas elas Azuis, amarelas, De cor de açucenas, De muita outra cor; Mas rosas morenas, Só tu, linda flor.
E olha que foram Morenas e bem As moças mais lindas De Jerusalém. E a Virgem Maria Não sei... mas seria Morena também.
Moreno era Cristo. Vê lá depois disto Se ainda tens pena Que as mais raparigas Te chamem morena!
Guerra Junqueiro, in 'A Musa em Férias'
Fotografia: Роман Филиппов
Manhã de junho ardente. Uma encosta escavada seca, deserta e nua, à beira de uma estrada Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha bebendo o sol, comendo o pé, mordendo a rocha.
Guerra Junqueiro