♡ apoiou as mãos na base de onde estava sentada e impulsionou o corpo para saltar do muro, estava mais alto do que se lembrava, o que acabava sendo ridículo visto que havia subido lá de alguma forma. quem sabe fosse o álcool ingerido que mudou a percepção, em todo caso, foi barulhento e quase a fez colidir com @hcsmunt na queda. recuou dois, três passos até se tornar uma distância aceitável. “calma, eu... eu só tava aqui.” tentava explicar a aproximação repentina, apontando com o indicador para trás. procurou o local que se referia ao virar o rosto e o percebeu um pouco longe. era até suspeito, para dizer o mínimo. ela certamente estranharia se alguém surgisse do nada, principalmente à noite. “ali.” passou a olhá-lo, erguendo significativamente o queixo para isso, ainda acreditando ter oferecido uma justificativa rasa.
“não sei se te assustei, mas sinto muito. eu sou inofensiva. não tão inofensiva, mas você entendeu o que eu quero dizer.” buscava expor que não o faria mal, mas que se protegeria se precisasse. era um rosto familiar, frequentemente se esbarravam, mas acabavam só trocando algumas frases estranhas — por parte dela, é claro —, nina não continha os ímpetos de passar aquela impressão. inicialmente planejara estar sozinha e esteve por algumas horas, agora ela não estava mais. por conta disso e talvez pelo o que tinha bebido, conversar sem ter a absoluta certeza que o outro lado também desejava tornou-se admissível.
“você tá fazendo o que por aqui?” uniu as sobrancelhas, notando depois da fala como era uma pergunta desagradável. “é só... conversa fiada, você não precisa me responder se não quiser.” disse em um tom ameno, comum de sua personalidade. a mania de esclarecer suas intenções estava viva e, apesar de ser óbvio, ela demorou muito tempo para descobrir que possuía o poder de decisão, portanto o dizia, assim, sem perceber. “você se importa se eu fumar?” esperava que ele não negasse, pois realmente era um desejo no momento, o pedido vindo por respeitar espaços, sabendo que muitos se incomodariam. “sei que é um hábito péssimo e contradiz tudo que eu faço, mas é meio um daqueles segredos que guardamos por muito tempo, então...” suspirou ao colocar as mãos nos bolsos, todos eles, um de cada vez, primeira os da calça e depois os da blusa. não achou o maço em lugar nenhum, somente o isqueiro. “ah, você sozinho é inútil...” murmurou frustrada, recolhendo os ombros. “você, por acaso, tem um?”









