Hinário
Hino Órfico à Afrodite (tradução por Daniel Faria):
55. À Afrodite Celestial e sorridente Afrodite, adorada em muitos hinos, Nascida do mar, Deusa sagrada e geradora, você se deleita com os festivais noturnos, E com os casais juntos durante a noite, Ó Deusa mãe do desejo. Tudo vem de você; você uniu o mundo e você controla todas as dimensões. Você deu à luz a tudo: tudo o que é celeste, tudo o que vem da terra fértil, E tudo o que está nas profundezas do mar, Ó venerável acompanhante de Dionísio. Você se delicia nos festivais, Ó mãe dos Erotes, Ó vontade da qual a alegria está na cama do amor, doadora secreta da graça, Visível e invisível, lindamente trançada filha de um pai nobre. Acompanhante nupcial dos Deuses, loba portadora do cetro, Amada e amante, doadora do nascimento e da vida, Com seus amuletos apaixonantes você une os mortais E todas as raças de animais em uma paixão descontrolada. Venha, Ó Deusa nascida em Chipre quer esteja no Olympo, Ó Rainha, Triunfando com a beleza de seu rosto, ou quer esteja vagando pela Síria, terra do Olíbano, Ou ainda, quer esteja passeando com sua carruagem dourada pelas planícies, Você que reina sobre o fértil leito do rio do Egito. Venha, quer esteja passeando na sua carruagem puxada por cisnes sobre as ondas do mar, Se divertindo com as criaturas das profundezas enquanto elas dançam em círculos, Ou quer esteja se deliciando na companhia das ninfas de rosto negro sobre a terra, Com pés velozes que brincam sobre as praias arenosas. Venha, Senhorita, mesmo que esteja em Chipre que lhe acolhe, Onde belas donzelas e ninfas castas cantam sobre você durante o ano inteiro, Ó abençoada, e sobre o puro e imortal Adônis. Venha, Ó linda e atraente Deusa. Eu a invoco com palavras sagradas e alma devota.
Hino de Safo a Afrodite
canção em mp3
No trono Afrodite imortal Filha de Zeus, que tece ardis, Não me dê tristes desejos, senhora do coração. Mas, antes, vem para perto agora S'alguma vez ouviste minha voz de longe, Me atendeste e deixaste o teu pai no lar dourado. Em tua carruagem de belas aves, Sobre a terra negra os pardais Voam rápido pelo céu nebuloso, no meio do ar. Eles chegam e tu, ó abençoada, Me sorris com teu rosto imortal, Me perguntas por que de novo sofro E por que a chamo. E o qu'eu mais quero que me aconteça Neste coração, 'a quem persuadir novamente, Safo, e a ti conduzir? Quem te injustiça?' 'Pois se ela foge, logo te segue Se recusa algo, logo te dá Se não ama, logo ela amará Mesmo sem querer.' Vem me libertar da dificuldade E aquilo que o meu coração anseia Realizar, deusa, realiza. Sê minh'aliada.
Hino Órfico 54
Celeste (Urânia), ilustre rainha de risada amorosa, nascida do mar, amante da noite, de um modo terrível; astuciosa, de quem a necessidade [Anankê] primeiro veio, senhora produtora e noturna, dama que a todos conecta; teu é este mundo para se unir com harmonia, pois todas as coisas brotam de ti, ó poder divino. Os triplos Destinos [Moiras] são regidos por teu decreto, e todas as produções se rendem semelhantemente a ti: o que quer que os céus circundem e contenham, toda a produção dos frutos da terra, e o alto-mar tempestuoso, a ti o balanço confessa e obedece a teu aceno, o atendente terrível do brumal Deus [Baco]: Deusa do casamento, charmosa à visão, mãe dos Amores [Erotes], que se delicia em banquetes; fonte de persuasão [Peitho], secreta, rainha favorável, ilustremente nascida, aparente e não-vista: esposa, lupercal, e inclinada a homens prolíficos, a mais desejada, doadora de vida, gentil: a grande portadora do cetro dos Deuses, a quem os mortais em necessidade tendem a se juntar; e toda tribo de monstros selvagens horrendos em correntes mágicas amarras, através do desejo insano. Venha, nascida em Chipre, e incline-se à minha prece, se exaltada nos céus tu brilhas, ou satisfeita com o templo em Síria presides, ou sobre as planícies egípcias teu carro guias, enfeitada de ouro; e perto dessa enchente sagrada, fértil e conhecida por fixar teu domicílio santificado; ou se rejubilando nos litorais cerúleos, próxima a onde o mar com seus rugidos espumantes ondula, os coros de mortais que circundam tuas delícias, ou as belas ninfas, com olhos de brilhante azul cerúleo, satisfeita com os bancos pardos reconhecidos de velhos, para dirigir teu rápido carro dourado de duas parelhas; ou se em Chipre com tua linda mãe, onde as mulheres casadas te louvam a cada ano, e as belas virgens se unem ao coro, o puro Adônis canta tua divindade; venha, toda atrativa, para a minha prece inclinada, a ti eu chamo, com mente sagrada e reverente.
Hino Homérico X
À da Citéria, nascida em Chipre, eu cantarei. Ela dá gentis presentes aos homens: sorrisos sempre estão em seu amável rosto, e amável é o brilho que se apresenta sobre ele. Eu te saúdo, ó deusa, rainha da bem-formada Salamis e da cinta marinha de Chipre; agracia-me com uma canção de júbilo. E então me lembrarei de ti e de outra canção também.
Hino Homérico VI
Canto à Afrodite imponente, bela e coroada de ouro, cujo domínio são as cidades cercadas por todo o mar de Chipre. Lá o hálito úmido do vento oeste a fez flutuar sobre as ondas do mar que geme alto em suave espuma, e lá as Horas de fios dourados deram-lhe alegremente as boas-vindas. Elas as vestiram com trajes celestes: em sua cabeça colocaram uma coroa bem tecida de ouro, e em suas orelhas furadas elas penduraram ornamentos de oricalco e ouro precioso, e adornaram-na com colares dourados sobre seu suave pescoço e seus seios brancos como a neve, jóias as quais as Horas de filetes dourados usavam elas mesmas sempre que iam à casa do pai se unirem às danças amáveis dos deuses. E, quando elas a tinham plenamente enfeitado, elas a trouxeram até os deuses, que a saudaram em boas-vindas quando a viram, dando-lhe as mãos. Cada um deles pediu para levá-la para casa e torná-la sua esposa, de tão grandemente deslumbrados com a beleza da Citéria de coroa violeta. Saúdo-te, deusa docemente premiada, de olhos modestos! Conceda que eu possa ganhar a vitória nesta competição e dirigir a ti a minha canção. E agora eu me lembrarei de ti e outra canção também.
Hino a Afrodite, de Proclus
Cantemos á linhagem daquela que nasceu Da espuma das ondas; Cantemos á real e imensa origem De onde partiram alados, os imortais Desejos. Destes, uns transpassam as almas com seus dardos Espirituais, e as incitam, feridas já pelo aguilhão Da nostalgia, a ascender até o alto, Buscando ardentemente o poder voltar a ver, Resplandecentes como a chama do fogo, As habitações de sua Mãe. Os outros, obedientes aos desejos do Pai E as previstas decisões que separam O mal do mundo, se esforça, por meio Da geração, em multiplicar a vida no universo infinito, Excitando nas almas o desejo de nascer sobre a terra. Há outras que incessantemente vigiam os diferentes Caminhos das intimas relações do matrimônio Para assim, conseguir que, gerando homens mortais, Possa de este modo construir, imortal a raça Dos homens, afligidos por infinitos males. Todos, enfim, se cansam em secundar as obras Da Citeréia, procriadora do Desejo. E quanto a ti, oh Deusa, - já que teu ouvido por toda ás partes está atento-, Seja que te estenda sobre o amplo horizonte Celestial e alí sejas, tal como se dizem, A alma divina do eterno universo; Seja que habites no seio do éter, Por cima das sete órbitas dos planetas, Derramando sobre tudo o que de ti provém. Infinitas energias, Escutá-me, e conduz, oh Venerável, Com a ajuda de teus impulsos mais justos, O penosíssimo caminho da minha dolorosa vida Apagando da minha alma o frio impulso Dos desejos não divinos!
Hino Homérico V
Ó Musa, conta-me as obras de Afrodite de ouro, deusa de Chipre, que infunde o doce desejo nos deuses e domina as estirpes dos homens mortais, e os pássaros que voam no céu, e todos os animais, quantos, inumeráveis, nutre a terra, e quantos o mar: todos têm no coração as obras de Afrodite da bela coroa. Mas existem três deusas, as quais o ânimo ela não pode convencer, nem enganar. Uma é a filha de Zeus portador da égide, Atena dos olhos cintilantes: a ela não são caras as obras de Afrodite de ouro, Na verdade lhe são caras as guerras, e a obra de Ares, as lutas e as batalhas; e ama dar vida às obras admiráveis. Primeiro ensinou aos artesãos que vivem sobre a terra a construírem carruagens, e carros ornados de bronze; em seguida, às virgens das peles delicadas, nos seus leitos, ensinou obras admiráveis, ditando-as às mentes de cada uma. De nenhuma forma Afrodite que ama o sorriso subjuga ao amor Ártemis das flechas de ouro que ama os clamores da caça: a ela são caros os arcos, e a matança das feras sobre os montes, e as cítaras e as danças e os altos gritos, e os bosques escuros, e as cidades dos homens justos. Nem as obras de Afrodite são caras às virgens augustas, Héstia, que Cronos da foice recurvada gerou primeiro, e depois de novo por último, segundo o desejo de Zeus portador da égide; deusa venerável cobiçada por Poseidon e Apolo: mas ela certamente não consentiu, ao contrário firmemente os rejeitou, e pronunciou o juramento solene, ao qual nunca abdicou, tocando a cabeça do pai Zeus portador da égide, de permanecer virgem para sempre, ela divina entre as deusas. A ela Zeus, em lugar das núpcias, concedeu um alto privilégio: ela sentou-se ao centro da casa, recebendo muitos presentes, é venerada em todos os templos dos deuses, e próxima a todos os mortais é a mais venerada entre as deusas.
Esta Afrodite não pode convencer o ânimo, nem enganá-la; mas entre os outros seres não existe nenhum que saiba escapar-lhe, nem entre os deuses beatos, nem entre os homens mortais. E perturbou até mesmo a mente de Zeus que alegra-se do raio, que é o maior, e obtém o mais alto poder: e quando quer, iludindo o seu ânimo sábio, facilmente o faz unir-se com mulheres mortais, induzindo-o a esquecer-se de Hera, sua irmã e esposa, que entre as deusas imortais é de longe a mais bela; e mais gloriosa de qualquer outra a geraram Cronos da foice recurvada e Reia, sua mãe; e Zeus que formula eternos desenhos a escolheu como nobre e solerte esposa. Mas também nela Zeus infundiu no coração o doce desejo de unir-se a um homem mortal, de modo que rapidamente nem mesmo ela fosse imune a um leito mortal, e para que Afrodite que ama o sorriso, à presença de todos os deuses, não pudesse dizer com orgulho, docemente zombando, de haver induzido os deuses a unir-se com mulheres mortais que haviam gerado seus filhos mortais, e de haver induzido as deusas a unir-se com homens mortais. Então ele lhe inspirou no coração um doce desejo de Anquises, que neste momento, sobre os altos picos do monte Ida rica de fontes, costuma pastar os rebanhos, símile em aspecto aos mortais. E quando depois o viu , Afrodite que ama o sorriso o desejou, e a paixão capturou profundamente o seu ânimo Foi em direção à Chipre, e entrou no perfumado templo, em Pafos, onde possui um santuário e um altar perfumado. Quando entrou, fechou a porta resplandecente, e as Graças a banharam, e a ungiram com um unguento sobrenatural que oloriza os deuses que vivem eternamente, divino, dolce, que foi perfumado para ela. E depois de haver bem vestido todas as suas belas vestes, adonar-se de ouro, Afrodite que ama o sorriso se apressou em direção à Tróia, deixando o jardim perfumado, e cumpriu rapidamente a sua viagem, no alto, entre as nuvens. Chegou ao Monte Ida rico de fontes, mãe das feras, e foi diretamente ao recinto, através da montanha; atrás dela dóceis andavam lobos cinzas, ferozes leões, ursos, e velozes panteras ávidas de cabritinhos: ao vê-los se alegrava na mente e no coração, e infundia em seus peitos o desejo: e esses, todos ao mesmo tempo, deitavam-se a dois nos vales escuros. Afrodite no entanto chegava às bem construídas cabanas: e encontrou, deitado no recinto, separado dos outros, o herói Anquises, que havia recebido a beleza dos deuses. Os seus companheiros haviam seguido os bois, pelos pastos relvosos, todos, e ele, largado ao recinto, separado de todos, lá e cá se se movia extraindo da lira notas sonoras. Parou diante dele Afrodite, filha de Zeus, símile na estatura e no aspecto a uma virgem menina, de modo que ele avistando-a com os seus olhos não a temesse. Anquises a viu, e a observava, e admirava o aspecto, a estatura, e as brilhantes vestes. Ela vestia um manto mais reluzente que a chama do fogo; e usava pendente e encurvados, em espiral, brincos resplandescentes; em torno ao delicado colo usava maravilhosos colares, belos, de ouro, ricamente trabalhados: e como a lua brilhavam, maravilhosos de ver, sobre o peito delicado. O amor assaltava Anquises: e ele lhe dirigiu estas palavras: E lhe respondeu então a filha de Zeus, Afrodite: Ó Anquises, pleno de glória entre os homens nascidos sobre a terra, eu não sou certamente uma deusa: porque me fazes assemelhar aos imortais? Sou, ao invés, mortal, e mulher é a mãe que me gerou. Meu pai é Otreu, do nome ilustre -talvez tenhas ouvido falar da sua fama-, que reina sobre toda a Frígia dos belos muros. Mas eu bem conheço a vostra língua, como a nossa; de fato me criou na minha casa uma ama troiana, que sempre cuidou de mim, desde quando era bebê: lhe fui entregue pela minha mãe; por isso eu bem conheço também a vostra língua. Mas agora o deus do caduceu de ouro, assassino de Argo, me raptou às danças de Ártemis das flechas de ouro, que ama os clamores da caça. Nós- muitas ninfas, e meninas dignas de grandes riquezas- estávamos dançando, e em torno uma multidão infinita nos fazia corte: de lá me raptou o deus do
caduceu de ouro, assassino de Argo, e me levou por muitas terras trabalhadas pelos homens mortais, muitas não divididas e não cultivadas, onde as feras vorazes se movem pelos escuros vales; e pensava que não teria posto mais os pés sobre a terra geradora de cereais. Mas ele me dizia que seria chamada legítima mulher de Anquises, perto dele, no seu leito; e te geraria esplêndidos filhos. E depois de haver-me tudo explicado, e indicado o caminho, ele de novo retornou entre as estirpes dos imortais, o forte assassino de Argo; e eis-me, eu vim a ti: me obrigava a necessidade inflexível. Mas eu te suplico por Zeus, e pelos teus nobres pais -uma vez que, certo, humildes não te teriam gerado como és-: conduz-me virgem e inesperta de amor à presença de teu pai e da mãe diligente e dos teus irmãos, nascidos da tua mesma estirpe; para eles eu serei não indigna parente, mas digna. E manda rápido um mensageiro entre os Frígios dos velozes cavalos para informar meu pai, e a mãe ansiosa; esses te mandarão ouro em abundância , e vestes tecidas: e tu aceitas os muitos e magníficos dons como dote. Depois de haver feito estas coisas, celebra as bodas desejadas, honrada pelos homens e pelos deuses imortais. Com estas palavras, a deusa lhe infundiu na alma um doce desejo. O amor prendia Anquises; ele lhe dirigiu a palavra e disse: Assim dizendo a pegou pela mão, e Afrodite que ama o sorriso o seguia virando a face, e abaixando os belos olhos, em direção ao macio leito, o qual estava já pronto para o herói, coberto de suaves lãs; e sobre ele estavam peles de ursos e de leões do rugido profundo, que ele havia matado sobre as montanhas sublimes. E quando subiram sobre o leito bem trabalhado Anquises primeiro lhe tirou os esplêndidos ornamentos: as fivelas, os broches encurvados, a espiral, os brincos, os colares; lhe desatou o cinturão, a despiu das fúlgidas vestes, e a depôs sobre um trono das bordas de prata; enfim pela vontade e dizer dos deuses deitou-se, ele mortal, com uma deusa imortal, sem saber. E quando veio o tempo em que os pastores guiam às estradas, os bois e as gordas ovelhas dos pastos floridos, então a deusa lançou sobre Anquises um doce sono sereno, e ela vestiu as belas vestes. E depois que vestiu com graça todas as vestes, a divina entre as deusas se ergueu na cabana: a sua cabeça tocava o teto bem construído, e irradiava do viso a beleza imortal que se destina à Afrodite coroada de violetas. Despertou o herói do sono, lhe dirigiu a palavra, e disse: Assim falou; e ele, prontamente levantando-se, lhe deu ouvidos. Mas quando viu o colo e os belos olhos de Afrodite ficou aterrorizado, e virou os olhos; depois cobriu com o manto o belo rosto, e, suplicando-a, pronunciou estas palavras aladas: Ó deusa, súbito, não apenas te vi com os meus olhos, compreendi que tu eras uma imortal: e tu não me disseste a verdade. Mas, te peço por Zeus portador da égide, não deixe que eu habite entre os homens levando vida de inválido, e tenha ao invés piedade de mim: uma vez que não tem uma vida florida aquele que se deita com as deusas imortais. A ele então respondeu a filha de Zeus, Afrodite: Ó Anquises, pleno de glória entre os homens mortais, tenhas coragem, e não perturbes além da medida o ânimo: de fato não deves temer de sofrer um mal, não de mim, e nem mesmo dos outros beatos: uma vez que em verdade tu és caro aos deuses. Tu terás um filho que reinará sobre os Troianos e dos teus filhos nascerão sem fim outros filhos; o seu nome será Enéas, porque uma angustiante dor se bateu sobre mim por haver estado ao leito de um homem mortal. E sempre os nascidos da vostra estirpe serão semelhantes aos deuses pela majestade de aspecto, mais do que qualquer outro entre os homens mortais. Em verdade, o sábio Zeus raptou o dourado Ganimedes por causa da sua beleza, de modo que vivesse entre os imortais e na morada de Zeus versasse bebida aos deuses - prodígio de se ver, honrado por todos os imortais- obtendo o vermelho néctar da cratera de ouro. Uma dor inconsolável invadiu o ânimo de Tros, que não sabia onde o turbilhão divino houvesse levado seu
filho: desse instante, ele o chorava sempre ininterruptamente. 210 E Zeus teve piedade dele, e lhe deu, em troca do filho, cavalos do rápido passo, daqueles que levam os imortais. Estes lhe deu, de modo que os mantivesse como presente; e isso que aconteceu lhe expôs, a mando de Zeus, o mensageiro assassino de Argo: que o filho era imortal e imune da velhice , assim como os deuses. Depois de ter ouvido a mensagem de Zeus parou de chorar, e se alegrou no seu ânimo: e contente se deixava presentar com os cavalos rápidos como a tempestade. Assim, depois, a Aurora das flores de ouro raptou Titono, da vostra estirpe, semelhante aos imortais; e pediu a Zeus das negras nuvens que ele fosse imortal, e vivesse toda a eternidade: a ele Zeus consentiu com um aceno, e satisfez o seu desejo. Estúpida, não pensou na sua mente, Aurora venerável, de pedir a juventude, e de manter longe a velhice destruidora. De fato, enquanto ele estava na muito amável juventude, gozando o amor de Aurora das flores de ouro, que surge na boa manhã, morava perto das correntes do Oceano, nos confins da terra: mas quando os primeiros cachos brancos caíram da bela cabeça e do nobre queixo, do seu leito se absteve a Aurora venerável; todavia, mantendo-o nos seus aposentos, o nutria de comida terrena e de ambrosia, e lhe dava belas vestes. Mas quando com todo o seu peso onerou sobre ele a odiosa velhice e ele não conseguia mais mover-se nem erguer os membros, esta no seu ânimo lhe pareceu a decisão melhor: o exilou ao interno da casa, e serrou sobre ele as portas resplandecentes. A sua voz murmura sem fim, mas o vigor não é mais aquele que um tempo residia nos ágeis membros. Eu certamente não gostaria que tu, em tal estado, entre os imortais fosse imortal, e vivesse eternamente. Claro que se tu continuasses a viver assim como és agora na figura e no aspecto, e fosse chamado meu esposo, a dor não envolveria, em seguida, o meu forte ânimo. Agora ao contrário te envolverá a velhice cruel, inexorável, que depois não deixa mais os homens, devastadora, extenuante, que até mesmo os deuses têm ódio. Eu depois sofrerei grande reprovação por tua causa, todos os dias, para sempre, entre os deuses imortais, que até agora temiam as minhas palavras, e as tramas nas quais cedo ou tarde todos os imortais impelidos a unir-se com mulheres mortais: todos, de fato, à minha vontade subjugava. Mas agora não mais a minha boca ousará recordar estas coisas entre os imortais, uma vez que cometi uma grave culpa, indigna, inenarrável; perdi a razão e concebi um filho deitando-me com um mortal. Assim que ele ver a luz do sol o criarão as ninfas oréades, do florido peito, que habitam esta alta, divina montanha. Essas não se assemelham nem aos mortais, nem aos imortais: vivem muito, e comem a comida dos deuses, e amam a bela dança com os imortais. Com elas os Silenos, e o assassino de Argo, do agudo olhar, se uniam em amor no profundo das prazerosas grutas. Quando essas nascem abetos ou carvalhos da alta copa florescem com elas sobre a terra nutridora dos homens, belos, floridos sobre as montanhas sublimes. Se erguem inacessíveis, e os chamam plantas sagradas dos imortais; nem nunca os homens as cortam com ferro. Mas quando incumbe sobre elas o destino de morte primeiro as belas árvores se dissecam sobre a terra, a casca em torno seca, caem os ramos; e junto a alma das ninfas deixa a luz do sol. Essas criarão meu filho, mantendo-o com elas: e eu mesma- uma vez que quero dizer-te tudo aquilo que tenho em mente- passados quatro anos virei a ti de novo, portando-te um filho Assim que tu o avistar com os teus belos olhos, na sua flor, te alegrarás ao vê-lo: de fato será semelhante a um deus; e súbito o levarás a Tróia ventosa. E se alguém te perguntar, entre os homens imortais, quem é a mãe que o carregou no ventre, reponde-lhes como eu te imponho de não esquecer: “ De fato, dizem que seja filho de uma ninfa das rosadas faces, daquelas que habitam neste monte revestido de selva”. Se ao invés tu contares, e te vantajares com ânimo louco, de ter-se unido em amor com Afrodite da bela coroa,
Zeus, irado, te golpearás com o fulminante raio tudo te foi revelado; e tu, meditando no teu ânimo, preserva-te de nominar-me, e temas a ira dos deuses. Assim disse, e se lançou em direção ao céu percurso dos ventos. Salve, ó deusa senhora da hospitaleira Chipre: depois de haver começado por ti , eu passarei a um outro hino.














