@i-cecehanlee
Quando surgiam eventos sociais onde não encontraria alguma possibilidade de fazer negócios, mas era conveniente por questões de networking marcar a presença do sobrenome familiar, George Barclay sempre recorria à mesma solução: mandar o seu filho único para representá-lo. Daniel já nem se queixava, sabia a essa altura que era uma das suas responsabilidades e que não servia de nada discutir. A cada tantos meses uma ocasião dessas aparecia e lá estaria o herdeiro, de paletó novo e com um sorriso amistoso no rosto. O local selecionado da noite não era tão peculiar em si, mas as obras ali expostas eram mais do que isso. Entre drinks caros e conversas rasas, Dan se encontrava entre um estado de “tédio total” e “se controla pra não rir se não o negócio vai ficar feio pro seu lado”. Junto à um grupo de convidados que se posicionava ao redor de uma caixa de vidro em que continha uma casca de banana jogada em cima de meia dúzia de ovos, o jovem comprimiu os lábios, sem saber como reagir diante da tal obra de arte. Foi quando ouviu termos como “a fragilidade da incerteza humana” e “o risco da ambiguidade social” durante a explicação do guia que Daniel segurou a sua taça de martíni com mais firmeza e fechou os olhos, dando tudo de si para não rir do absurdo que estava presenciando.





