Desculpe o transtorno, preciso falar do Lucas.
Conheci ele na escola. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar algum filme americano de high school. Mas a escola em questão era o ITB que todos os alunos de Barueri gostariam de ir. Ele estudava no ITB. Nossa amiga estudava no ITB. Eu estudava no ITB. Nunca vou me esquecer de quando ele levava nossa amiga na sala. Quando todos os meninos iam jogar bola, ele ficava sentado. Quando iam para a diretoria por aprontarem, ele dormia. Quando chegavam na escola no horário, ele chegava atrasado por ter dormido demais. Os olhos, sempre imensos e castanhos, deixavam claro que ele estava sempre com sono. Foi paixão à primeira vista, Só pra mim, acho. Passamos algumas madrugadas conversando no ASK ao som de Jorge e Mateus. De lá, migramos para o e-mail. Do e-mail para o MSN, do MSN para o inbox, do inbox para o WhatsApp. Começamos a namorar quando ele tinha 15 e eu 14, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todos os filmes. Alguns várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de miojo. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos nomes para nossos filhos sem saber se teríamos filhos. Escrevemos juntos piadas, histórias de como seria nossa vida. Fizemos uma dúzia de novos amigos. Fizemos mais de 50 histórias imaginárias só nós dois - acabei de contar. Sofremos com os inimigos, rimos com os amigos. Viajamos a cidade dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ele que me mostrou. As outras três foi ele que cantou. Aprendi o que era sertanojo (ops), sertanejo e também "glória", profanidade, sua suja e outras palavras que o Word tá sublinhando em vermelho porque o Word não teve a sorte de ter namorado com ele. Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "Marley e Eu". Mais que no começo de "Up". Um dia, voltamos. E foi fácil. Rimos mais que no final de "As Branquelas". Mais que no começo de "Minha mãe é uma peça". Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ele comigo. Essa semana, pela quinquagésima vez, lembrei do quanto ele é importante para mim. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida.E de ter esse amor até hoje documentado em fotos - e em tantos vídeos, músicas e textos. Não falta nada.













