Fala-me desse teu silêncio frio, dessa tua boca amarga, dessa tua clavícula cheia de indícios, fala-me do teu passado distante, dos teus medos ocultos e das tuas verdades absolutas, me convida para assistir aquele filme francês, e para uma viagem sem volta, me embriaga com o teu mais caro vinho ou me faça feliz com o mais barato vinho, vires a minha amante, a minha corrente, ou tudo aquilo que você tencionar, esperar pela noite plácida e divina, desabotoar todos os botões antigos, tirar os nós, os laços, as roupas, a dignidade, abre-lhe o seio teu, só se tu quiseres ser calmaria e encontrar as largas folhas de um deserto que é só nosso, só teu, e tão meu.
Eduardo Alves, indeferindo.








