⟨ ❝ I R I N A D A L C A ❞
Irina Dalca tem 17 anos, e é uma puro-sangue. Está cursando o seu sétimo ano e foi selecionado para a casa Luft em Durmstrang. Algumas pessoas dizem que se parece com a famosa trouxa Willa Fitzgerald.
“No great mind has ever existed without a touch of madness.”
Varinha: Amieiro, 23 centímetros, rígido; Núcleo de fibra de coração de dragão
Patrono: Urso-Panda
Bicho-Papão: Irina se vê matando o próprio pai e concluindo com os desejos da mãe.
Espelho de Ojesed: Irina se vê reunida com a família do pai, apesar de todo o estigma por se tratar de uma mestiça, brincando com os meios-irmãos e com o título de médica-chefe do Hospital St. Mungus.
Clubes, Monitoria e Quadribol: Anulação de Maldições, Vôo em Dragão, Alemão, Estudos Náuticos.
Talvez o amor de contos-de-fada não conseguisse ligar pessoas que realmente existiam no mundo real, mas tampouco pode-se dizer que não exista na atualidade, ao menos em tese. Helene Dalca, uma bruxa puro-sangue romena e estudante de Durmstrang conheceu seu futuro marido durante mais uma das festividades dentre as escolas de magia. Ela, efusiva, curiosa e temperamental; ele, impassível e teimoso. Uma explosão verdadeiramente poderosa, mas que não só traria defeitos para uma linhagem pura, como também a completa ruína do patriarca da família. Helene perdeu toda a graça diante dos Dalca assim que apresentou o nascido trouxa diante de sua família. Julgaram-na uma traidora do sangue, manchando a impecabilidade de uma família milenar e tão pura por conta da tradição do casamento entre primos – tudo para manter os Dalca intocados quando a possibilidade de paixão ou um casamento minimamente inesperado dentre puro-sangues não ocorria. Andrej fora o ponto de rompimento entre Helene e seus pais, e a Romênia nunca mais foi susceptível à vivência do jovem casal, uma vez que a mulher não só estava cega de amor pelo trouxa, mas tivera a capacidade de roubar a poção de amortentia quando ainda era jovem, inocente e não tinha ciência das consequências de seus atos. Por conta de uma obsessão imatura, a bruxa renegara a sua família para se casar com um trouxa, com tudo aquilo que seus antepassados mantinham relação de ojeriza — o que poderia fazer se o amava, mesmo que pouco o conhecesse na época?
A mulher jamais contou aquele pequeno detalhe para os filhos nascidos do casamento, mas tampouco havia algo a ser contado. Amortentia não durou tempo o suficiente para que saíssem da Romênia, meramente permitiu que o maltrapilho Andrej Delschaft olhasse para a mulher com olhos diferentes, para que ela pudesse conquista-lo com seus atributos nada ortodoxos. Helene possuía a capacidade de convencê-lo de qualquer coisa, até mesmo de que estava apaixonado pela alemã; uma obsessão nada saudável, mas que deu frutos relativamente benéficos. Meses depois de desfazer o feitiço gerado pela poção proibida, a mulher o ameaçou com uma gravidez falsa para que ele continuasse ao seu lado enquanto sua mente maquinava todo tipo de plano mirabolante para mantê-lo consigo. O Delschaft poderia voltar a sua família por direito, para a sua verdadeira paixão francesa, mas a loira conseguira desliga-lo de qualquer laço com seus ascendentes, de qualquer tentativa de recompor uma vida destruída pela ambição de uma mulher; uma puro-sangue que estava longe de cumprir com os rituais puristas dos familiares, obcecada e perigosa, que faria de tudo para manter uma paixão juvenil por perto. Carregando seu filho por direito, ele não poderia abandoná-la, ou ao menos não poderia abandonar o pequeno bastardo que crescia no ventre da pseudo esposa. Depois de noites sem dormir em sua tentativa desesperada para mantê-lo consigo, finalmente Helene o conseguiu por uma noite, mesmo não sendo o suficiente para a concepção da solução para todos os seus problemas. Como última cartada, a mulher seduziu seu irmão mais velho — o único que ainda mantinha um contato minimamente saudável para consigo, drogando-o o suficiente com as poções mágicas as quais detinha para que ele concebesse a sua solução. Em uma noite de inverno, a gravidez falsa se tornou verdadeira, e Andrej jamais tomaria conhecimento daquele aspecto em especial. Para todos os efeitos, o pequeno monstrinho que habitava seu ventre era resultado das poucas noites às quais Helene e Andrej se deitaram.
Daquela mazela do destino, fruto de algo parecido com a raiva contida por meio de um Andrej embebedado, Irina nasceu, recebendo os olhos de seu pai e os lábios de pêssego que sua avó paterna mantinha com tanta graça, uma verdadeira Dalca, ainda que devesse se demonstrar como a combinação das duas Casas. Um mísero olhar para a menina, e o trouxa não pôde se manter muito longe da loira, apesar de todas as intempéries pelas quais passara com sua mãe; para todos os efeitos, ela era sua filha, e ele teria se tornado um ótimo pai, não fosse a outra metade da equação. Helene enfim tinha o que desejara, o que mais precisava em toda a sua vida — quem precisava de galeões quando se tinha aquele rosto angelical e uma magnitude aprazível? Todavia, os planos da bruxa caíram por terra assim que a filha completou quatro anos. Havia conseguido manter o homem até ali, com alguns ressaltos no caminho, mas nunca poderia imaginar que ele seria capaz de abandoná-la. Logo ela! Assim que Andrej despediu-se da garotinha loira que saltitava por todos os lados, chorando com a despedida, a mulher não teve outra opção, a não ser amaldiçoa-lo. Irina de nada mais a servia, se não conseguia mantê-lo consigo. Não renegara a sua família por capricho, e jamais poderia voltar a manter as boas graças com eles, então vira aquilo como uma afronta a si e à sua dedicação para com aqueles dois ingratos.
Por esse motivo, ao findar das despedidas calorosas, num momento de distração do trouxa enquanto abraçava a sua filha, prometendo-a de que voltaria e a retiraria daquele ambiente inóspito, fora surpreendido com a maldição imperius, lançada justamente pela mulher que jurara amá-lo, custasse o que custasse, em sua única herdeira. Se ela não poderia ter seu Andrej, nem Irina — a garota até mesmo fora nomeada com a alcunha da mãe do homem —, nem qualquer outra mulher que ele pudesse ter em sua vida o teria, também. Iria quebra-lo, destruí-lo de dentro para a fora. O amor obsessivo, bandido e mortal se tornou em ódio com o passar de poucos anos. Helene não era realmente poderosa, mas sabia focar seus instintos e sua concentração, e com um único comando, a garota que antes estava abraçando seu pai, passara a trazer uma expressão assassina no segundo seguinte, tomando em mãos o primeiro objeto cortante em mãos para danificar a face do pai; para mata-lo.
Não havia como resistir à Imperius.
Por sorte — não havia outra palavra para descrever o que ainda manteve a loira viva depois do início da maldição —, Helene não era tão inteligente quanto gostaria de aparentar. O bruxo meramente segurou a filha, que se debatia entre seus braços, jogando todos os objetos por perto com um feitiço enquanto Helene continuava parada, sorrindo como a bela sociopata que era. Ele não poderia mantê-la por muito mais tempo naquele estado, mas apenas uma aparatação foi suficiente para que suas crenças desvanecessem. Pelos próximos sete anos, a menina fora privada do convívio familiar e as visitas do pai eram raras, espaçadas e curtas. Por mais que desejasse continuar com o homem, conviver com ele, Irina simplesmente não conseguia controlar a vontade de destruir seu rosto completamente, terminar o trabalho que havia começado anos antes — conseguira marca-lo para o resto da vida com uma cicatriz que percorria do olho esquerdo ao queixo, mas algo dentro de si cravava por mais, por sangue. A mãe desaparecera do mapa durante todos aqueles anos enquanto Irina se ocupava com tarefas inúteis em hospitais mágicos, que tentavam curá-la das intempéries da maldição.
Afinal, Helene conseguira o que planejara. Destruíra o homem, de dentro para fora, mas a angústia não durou por muito tempo. Depois de todo o incidente, ele se casou novamente, constituiu uma família normal, de mestiços tal como a maior parte dos núcleos do mundo bruxo na atualidade, tal como ela mesma era considerava por conta de sua certidão e, por mais que lhe doesse o distanciamento para com a filha, o então auror não podia viver sua vida em torno de um acontecimento que sequer deveria ter existido. A única quebrada com toda aquela ilíada era Irina e até mesmo os traços de compreensão das pessoas passaram a se desvanecer com o tempo. Ela era um perigo para o próprio pai, mas não para a sociedade bruxa em geral.
Jamais imaginara que Durmstrang poderia aceita-la, especialmente por sua precedência, mas ao completar onze anos, a carta de da escola de magia não tardou a chegar. Ela se lembrava até mesmo do aroma que emanava, entretanto, a confusão que se instalara em sua mente se tornou latente. Todavia, nada foi capaz de barrar a empolgação da jovem para com o convite, com a oportunidade que se apresentava à sua frente — decerto preferiria frequentar Beauxbatons, a escola onde o pai passara seus melhores anos, podendo se conectar a ele da melhor forma possível, mas era uma honra sem igual para uma acreditada mestiça frequentar o lugar.
Talvez aquele tenha sido o dia mais feliz de sua vida, mas não poderia realmente se estender naquele assunto em particular. Com os galeões enviados via correio por seu pai, a Dalca pôde comprar todos os seus objetos especiais para o primeiro ano em Durmstrang. Os médicos do hospital fizeram questão em leva-la até a estação, mas Irina nunca saberia realmente se estavam tristes por sua partida ou aliviados; era uma dúvida que insistia em martelar sua cabeça. Sorteada para a Luft, uma casa de preceitos completamente distintos àquela que sua mãe e família frequentaram, inicialmente a loira só conseguia pensar em quão injusto tudo aquilo era: sequer podia se sentir como o próprio pai se sentira quando dentro de Beauxbatons, agora até mesmo as ligações com a família disfuncional da mãe não se apresentavam, mas logo entendeu o motivo para a escolha. Jamais sobreviveria em Feuer, e tampouco desejava, realmente.
Luft se tornou seu lar, ou segundo lar, já que nas férias de verão a menina era obrigada a voltar para o Hospital mágico, sendo mantida por um parente ausente e pouco confiável — e esse parente seria, obviamente, a própria avó materna, a mulher distante que a mantinha trancada a sete chaves para que ninguém descobrisse sobre seu paradeiro ou sobre a vergonha que acarretava à família, uma vez que o pai não possuía dinheiro suficiente para sustentar uma bastarda. Irina desenvolveu uma personalidade falsamente alegre demais, sonhadora demais; tudo para se distanciar da própria realidade e dos próprios demônios. De risadas leves, olhares tão inocentes como os de uma rena e opções políticas fortes, a bruxa tem dificuldades, entretanto, por se impor mais do que deveria em certas situações. Obviamente inteligente por figurar o corpo discente da Luft, a natureza curiosa e efusiva nunca a trouxeram verdadeiros frutos a não ser peripécias e olhares de desaprovação, dos quais, por mais que não consiga deixar de temer, ainda não a submetem a um verdadeiro senso de responsabilidade. Irresponsável quanto aos seus pertences, esquecida e levemente atordoada, não tem a memória muito boa; um dos traços que convergem da maldição a qual sua mãe a relegou quando pequena. Extremamente caridosa, por ter crescido em um ambiente hospitalar, pode-se dizer que Irina é dada a profissão médica com algum afinco. No mais, a menina tenta ser tão leve quanto pode, talvez temendo pelo abandono e pela ojeriza, o que figura em seu rol de defeitos e insanidades.














