Valsar era uma das maiores praxes quando ia a um baile — ao menos era assim em Osfrid —, mas fazê-lo sem que houvesse uma orquestra bem instruída a músicas à la mode da Capital? Bianca teria uma síncope caso visse o irmão, sempre tão pregado aos costumes, deixar aquele em especial escapar enquanto a ruiva rodopiava sozinha pelo espaço. Estava confortável demais sentado em uma das poltronas estratégicas, buscando tirar a própria atenção da ruiva com algumas palavras de Kant. Certamente, não havia obtido muito sucesso, os olhos chispavam na direção da Byrne em questão de segundos — não havia muito a ser feito, em realidade. Claro, Andrew poderia repreendê-la, como sabia que faria caso eventualmente a desposasse, mas, por ora, era muito mais gratificante observar os movimentos fluidos da moheriana, e tampouco seria considerado cortês de sua parte destacar todas as regras de etiqueta que Laoghaire quebrava. Por isso, quando ela ergueu uma das mãos em sua direção, o magistrado foi obrigado a piscar algumas vezes antes de entender do que se tratava. O óculos embaçou apenas por um segundo, e Hybern se forçou a limpar a garganta. “Não há música.” Balbuciou, simplesmente, certo de que aquela seria uma desculpa irrefutável a medida em que se ajeitava o terno com algum requinte, mantendo-se inerte ante os pedidos da ruiva. Havia muitos entraves que o impediam de dançar, a bem da verdade. A expressão de Laoghaire, entretanto, o convenceu do contrário e, por Uros, ele queria dançar com a mulher. “Creio que conheça os conceitos da valsa clássica, então. É a mais fácil de ser dançada sem que haja uma orquestra.” Concedeu, aproximando-se da ruiva a passos lentos, calculados. Ela poderia desistir daquilo a qualquer instante, mas sentiu que era justamente o que queria — Laoghaire não parecia ser o tipo de mulher que se submetia a algo pelo bem da conveniência. Assim que ela assentiu, Andrew deixou um sorriso educado perpassar os lábios ao tomar a mão direita da Byrne entre a sua, repousando a própria esquerda na cintura fina da Jade. De perto, parecia ser ainda mais diminuta, e Hybern foi forçado a abaixar o olhar, certo de que a proximidade não era, em absoluto, adequada. Caso os encontrassem naquela posição, o moreno teria muito a explicar e talvez devesse desembolsar o dinheiro por algo que não sabia se realmente queria. Assim que ela começou a mover os passos, entretanto, fora do ritmo da valsa, Hybern se viu acostumando-se com as novas passadas e jamais poderia reclamar da distância cada vez menor dentre os corpos. Não era um homem de muitas palavras — Uros havia dado ao homem dois ouvidos, dois olhos e uma boca por um motivo, de modo que Hybern seguia os preceitos com maestria —, mas tampouco as considerou necessárias no momento em que trouxe a Byrne para mais perto de si, apoiando o queixo ao topo da cabeça da ruiva a medida em que o rosto dela se aninhou em seu peito por instinto. Cheirava a… Ele não soube identificar no momento, mas lhe parecia familiar.