"I'm sorry, I screwed up."
Não tinha plena certeza do motivo de Ivory estar na sala de reuniões, tampouco o motivo de ele próprio saber o nome da humana, viu-se questionando a si mesmo, o cenho franzido ante a confusão que parecia se instalar em sua mente. De onde ele conhecia ela? Umedeceu os lábios, um mísero sorriso surgindo e sendo extinto quase no mesmo instante a medida em que olhava pelo restante do recinto, em busca de algum outro interlocutor que não ele. “Você quer dizer, eu?”Apontou para si mesmo, a cabeça levemente pendida para baixo, como se tentasse estabelecer entre a humana e ele uma linha um pouco mais horizontal, e não vertical, como a maior parte daqueles da sua espécie costumavam fazer. Não que ele se importasse com a igualdade de direitos entre humanos e grão-feéricos —— de fato, ele não poderia achar o tópico mais enfadonho, causando escapes mentais para lugares muito mais interessantes, como uma partida de qualquer jogo de tabuleiro que pudesse existir ——, mas parecia estranho não a tratar da mesma forma que trataria qualquer um ali, e encontrar a menina com uma careta arrependida não podia deixá-lo mais confuso do que já estava, então simplesmente negou levemente, os lábios umedecidos antes de soltar o ar rapidamente. “Ei, se acalme.” Pediu, as mãos indo de encontro ao antebraço da morena a medida em que tentava buscar em sua mente uma maneira de deixá-la mais à vontade no ambiente, agora completamente vazio, não fossem os dois. “Não é como se um erro possa te tornar descartável, não é?” Soltou uma risada fraca, mas negou logo em seguida, os olhos cerrados por um segundo enquanto engolia. Esquecera-se de que, evidentemente, era o que acontecia na Resistência, mas não parecia certo contar a ela, ainda que ele adorasse ser o portador das más notícias. “Ou é. Esqueça isso. Diga que fui eu quem fiz ——- não é como se pudessem me punir mais do que já punem, e, de toda forma, eles precisam de mim mais do que eu preciso deles.” Deu de ombros, incapaz de imprimir um pingo de emoção na voz enquanto virava o rosto. “Dessa forma você me deve uma.” Arqueou uma das sobrancelhas, antes que a morena retrucasse, e a escoltou até fora da sala de reuniões. Tinha assuntos com os quais lidar, e supervisores para os quais contar sobre suas novas artimanhas —— não sobrevivia há mais de trinta anos na Corte dos Sonhos (a mera menção ao nome o enervava, enojava-o) sem um mínimo de maldade, afinal.










