Precipitação
O normal era chover fininho. Calmo.
Aquela chuva que rega as tardes, molha jardins e umedece a alma. Serena, não precisa de guarda-chuva nem de sombrinha. É minuciosa. Não machuca quando cai, o corpo suporta. Revigora.
Mas, em um instante, formou-se um aguaceiro.
Se instalou naquele céu sem nem pedir. Densa, caiu forte. Dura. Incessante. Choveu o que o céu não suportava carregar. Se fez encharcar a terra. Desregrada, em uma pancada alagou o que pode. Molhou novamente as roupas já secas do varal.
Sem parar.
Sem parar.
Sem parar.
Depois parou.
(Aos amores que se formam e se transformam)
















