Simplesmente não dava para segurar a risada enquanto Jared fazia caras e bocas por trás da enfermeira voluptuosa. Ela tentava inserir a agulha do soro em uma das veias da minha mão esquerda sem sucesso, enquanto insistia com um tom irritado para que eu parasse de me mexer.
- Prontinho. Daqui a pouco eu volto para te verificar – avisou quando finalmente conseguiu fazer com que o liquido transparente chegasse as minhas veias. – Cuide dela. – Falou para Jared que a olhou inocentemente.
- Não preciso de babá. – Falei assim que a enfermeira deixou o quarto onde eu e uma outra criança acompanhada da mãe estávamos.
- Eu sei.
- Então?
- Estou apreciando um dos raros momentos em que você está com uma cara péssima. Talvez eu até tire uma foto e use contra você no futuro.
- Se manda, babaca.
- Ei, marrenta, tem crianças aqui. Abaixa o tom.
- Desculpe – falei olhando para a mãe da menininha que também tomava soro do lado oposto ao meu.
- Boa menina.
Revirei os olhos e desejei não ter desmaiado na frente dele.
-Para de rir e vai embora, Jared
- Sabe de uma coisa, Ana? Vou me sentar exatamente nessa cadeira aqui e esperar que te liberem.
- Não preciso que você...
- Eu sei, eu sei. Apenas durma coisa chata.
Ele se sentou na cadeira ao meu lado e sem pedir autorização estendeu o braço direito por debaixo da minha cabeça e repousou o outro no meu estomago, apoiando de forma serena e tranquila a cabeça no lado direito do meu corpo.
- Vamos apenas tirar um cochilo enquanto a enfermeira Úrsula não volta para te verificar, Ariel.
Não pude evitar soltar uma risadinha com a piada sobre a Pequena Sereia. Pensei em protestar, mandar ele tirar os braços de cima de mim e ir embora. Entretanto, odiava hospitais, o cheiro, as agulhas, as roupas brancas, me davam náuseas e com ele ali eu me sentia segura e confortável.
- Só vou fazer isso porque estou muito cansada.
Ele não se deu ao trabalho de responder. Melhor assim. Fechei os olhos e escutei o silêncio do quarto por alguns minutos, até ficar sonolenta o suficiente para jamais saber se o que ouvi foi produto de um sonho ou a realidade.
- Eu te amo, Anna. É por isso que estou aqui. Preciso ter certeza de que está bem para que eu possa estar bem.
Jared&Ana














