Sidewalls (2011)

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Sidewalls (2011)
Bahía blanca (Rodrigo Caprotti - 2021)
Medianeras, 2011 Dir. Gustavo Taretto
𝑴𝒆𝒅𝒊𝒂𝒏𝒆𝒓𝒂𝒔 dir. Gustavo Taretto (2011)
Sidewalls (2011)
Medianeras (2011)
Medianeras é uma massagem no ego dos solitários. Também é um filme que surge em momentos pontuais da minha vida.
Anualmente o repito, o que talvez o torne um de meus favoritos, porém não-admitidos. Ano retrasado, pior ano, fiquei com um rapaz que detesta esse filme, classifica-o como “arte menor”. Ano passado, era uma saudade.
Essa é a segunda madrugada que estou sem o meu computador. Comprado em julho de 2016 e ainda na garantia, sua carcaça quebrou inesperadamente. A marca é boa, dizem, mas o material é de péssima qualidade, ou, certamente, entraram na onda de fazer “notebook que vira tablet” literalmente de qualquer jeito. Enquanto tablet, o monitor esquenta. Dá tela azul, ele desliga. O simples ato de abrir e fechar talvez tenha feito com que ele se quebrasse exatamente próximo do encontro de monitor e teclado. Foi para os Correios e, em breve, estará na assistência.
Sendo assim, minhas opções cinematográficas ficam limitadas ao YouTube e, como tenho menino Caio de volta e porque brigamos ontem, achei conveniente assistirmos Medianeras.
Ele gostou muito. Medianeras ainda é a minha promessa de conhecer o cinema argentino, promessa que nunca vinga. Em vez disso, só repito esse filme. Menino Caio disse que, quando o meu computador voltar, podemos projetar um aprofundamento no cinema argentino. Concordei.
Devíamos ter assistido juntos. Juntos de verdade.
Todos os dramas modernos estão ali e, infelizmente, já são clichês: o medo da clausura dos elevadores, a facilidade da expansão tecnológica, os prédios cada vez mais altos cobrindo rios, os fios elétricos quase tapando o céu - e a fobia das multidões.
Eu gosto de Medianeras porque desencontros me agradam e encontros são acasos. Não é “se Mariana não tivesse olhado pela janela, jamais encontraria Wally na cidade”. Na verdade, Mariana precisou superar o medo de elevador para dar um sentido à sua vida conhecendo gente nova. Fazendo conexões bem “nada a ver”, me lembro de uma entrevista do Felipe Hirsch sobre a adaptação de A Menina Sem Qualidades para a MTV, em que ele disse que Inés Efron sugeriu Javier Drolas, o Martin, para interpretar Tristán. Em Medianeras, Inês passeia com cachorros e se envolve com o personagem de Javier, mas a relação está fracassada desde o início. Em A Menina Sem Qualidades, eles estão casados e foram felizes durante a juventude, apesar das diferenças. Até que chega a moça do título, só para autorizar e assinar o atestado de óbito daquela relação. Isso é um encontro.
Desencontro é quando você passa diversas vezes pelo amor da sua vida na livraria, para conhecê-lo anos depois. E repete até se convencer de que atrasos são inexistentes, pois tudo tem seu tempo certo.
Também perde-se muito tempo não encarando as pessoas por traumas anteriores, cansaço nítido ou medo da inadequação que interfere em novas relações. Da superfície ao fundo, Medianeras é sobre isso. É cinema argentino atemporal, é sobre todo mundo.