Don't know where it goes @Jawkins
Quase qualquer um no lugar de Cheryl estaria envergonhado, irritado ou com medo. Ela estava mais para aliviada. Se encontrava indo em direção à sala do conselheiro escolar, um homem que mal conhecia e passaria os últimos anos conversando praticamente toda semana sobre sua vida. Poderia parecer chato repetir sempre a mesma coisa sobre seu passado toda vez que encontrava-se na frente se um psicólogo ou orientador novo, mas para ela não era mais do que gratificante poder colocar tudo para fora sem ser rotulada como dramática. E sim, seria vista desse jeito caso saísse desabafando com qualquer um por aí, por isso era ótimo ter alguém que não fosse da sua idade e não tivesse a mesma rotina. Isso foi algo demorado para que a morena entendesse e aprendesse a gostar, já que no primeiro ano era obrigada pelos seus pais a visitar o psicólogo. Afinal, tudo quando se torna uma obrigação, deixa de ser divertido. Assim, quanto menos precisava das visitas, mais ela própria foi fazendo seu horário e deixando de seu jeito. Deixou a clínica de lado e ia na própria escola a partir dos quatorze anos. Nunca nenhum de seus conhecidos se arriscavam a perguntar o porquê das visitas semanais, já que ela não responderia de qualquer jeito.
Pelo que soube, o nome do homem era Maxwell e ele era novo na escola. Ótimo, então eram dois. Cheryl achava até melhor ser um homem, porque mulheres pareciam ficar ignorantes após ouvirem sua história, mas depois de um tempo tudo que transparecia em seus olhos era pena. Odiava que sentissem pena dela, então conselheiras não ajudavam muito, contando que acabava voltando mais estressada.
O lugar não era assim tão distante do dormitório, o que fez com que a garota chegasse alguns minutos antes do combinado. Cinco e meia da tarde, o melhor horário que encaixasse em sua rotina. Assim poderia treinar um pouco de quinta-feira, após fazer a digestão do que comesse no meio do dia. Chegaria cansada, é claro, mas não o bastante para ficar impossível de respirar enquanto falava. Seus treinos de tênis sem professor eram basicamente ficar rebatendo a bolinha contra a parede até que quebrasse seu próprio recorde sem que ela voasse para longe.
Parada segurando seu celular como se estivesse apenas descansando encostada na parede, Cheryl esperou menos de dois minutos ao lado da porta. Nunca foi paciente e tecnologia não era algo que a deixasse concentrada por muito tempo, então apareceu na frente da sala, batendo na porta já aberta. -- Posso entrar? Cheguei um pouco mais cedo, se o senhor não se importa. Assim pode me dispensar antes, se conseguir -- brincou, sorrindo de lado e observando a sala. Não era tão diferente das outras que já esteve, sem contar que esse conselheiro era bem mais... agradável de se olhar. Seria um pouco mais fácil do que qualquer velho ou mulher desagradáveis.
Ficou em pé por alguns instantes, só olhando e imaginando como seria. Poderia dar certo, ou não, como já acontecera com metade dos terapeutas. Cheryl esperava realmente que não fosse alguém sério, não sabia como lidar com essas pessoas, que não levavam suas piadas na brincadeira, o que tornava tudo mais complicado. Afinal, 60% do que ela falava era ironia ou brincadeira, o resto eram palavras sinceras e sem pensar demais antes de soltá-las. -- Cheryl Johnson, dezesseis, Áries, solteira e, tecnicamente, irmã caçula -- sentou-se, mantendo o rosto em uma expressão séria, para o caso do homem não ser tão amigável quanto parecia. -- Sua vez -- completou, segurando a risada apertando os lábios em um sorriso torto.









