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@cherylbomb
Nunca mais aposto nada na minha vida.
Arrependido?
Retarded or overjoyed? @Patryl
Para um sábado tão parado, Cheryl passou o começo do dia muito bem. Acordou cedo, tomou banho, colocou sua roupa de treino e passou a manhã na quadra logo após de comer um sanduíche na lanchonete. O tempo não estava nada mal, com uma brisa e céu aberto, mas mesmo assim calor o suficiente para correr seminu por aí.
E sim, ela havia acordado pensando na aposta que fez com Patrick e, por milagre, vencera. Poderia jogar tênis sempre, mas nunca tentou jogar tênis de mesa, algo que só havia visto algumas vezes na televisão, por isso sabia como segurar a raquete. Por sorte, o menino não jogava há muito tempo e parecia um tanto distraído, o que facilitou um pouco. Mesmo assim, se perdesse, não seria assim tão ruim. Afinal, teria de ir a um encontro com ele, não precisaria correr pelo campus usando apenas as roupas de baixo. E de qualquer jeito, nesse sábado, Patrick estava fazendo os dois, querendo ou não. Aquilo fez um pequeno sentimento de culpa e arrependimento passar pela cabeça de Cheryl, que logo tirou a ideia de mudar a aposta da cabeça. Seu orgulho não a deixaria fazer isso de qualquer maneira. Aposta era aposta, e ele havia aceitado no início.
Depois do almoço no refeitório, a morena trocou de roupa e desceu do dormitório até a sala de descanso, onde combinaram de se encontrar. Com o celular carregado o bastante e com a memória limpa, assim cabendo um novo vídeo, Cheryl pensou em mandá-lo uma mensagem de texto, mas não queria cobrá-lo demais. Só odiava ficar esperando, o que não durou muito. Logo menos Patrick já andava em sua direção, abrindo um sorriso -- um tanto maldoso -- no rosto da garota. -- Colocou sua melhor roupa de baixo? -- começou quando já estava próximo o bastante para a ouvir, impossibilitada de segurar o riso ao imaginar sua expressão. -- Vou ser boazinha, viu? Não precisa ir até o observatório. Vamos até o ginásio, mas vai ter que passar pela zona exterior -- explicou, séria. -- 'Tá bom pra você? -- perguntou descontraidamente, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
-- Sorte sua que hoje é sábado e muita gente sai para a cidade -- tentou consolá-lo, mesmo acreditando que não ajudaria muito. Se fosse com ela, não faria muita diferença. Cheryl só esperava que o diretor não notasse ou acabasse colocando-o em uma situação (ainda mais) desagradável. Poderia tomar toda a culpa, não tinha problema. Não se importava em levar sua primeira advertência no internato, mas não deixaria que ele se metesse em problemas por sua causa. Poderia dizer que havia o subornado, roubado suas roupas ou o chantageado. Acreditariam, Cheryl era uma ótima mentirosa.
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Hambúrguer, é? Então é das minhas. O único problema de comprar comida na cantina sempre é o orçamento. Minha família não está exatamente nadando em dinheiro.
Acho que a minha meio que me paga com boa comida para eu ficar dentro do internato.
Ainda estamos no outuno?
Parecem dois anos para mim, minha sala está às moscas, completamente vazia, coitada.
Estou aqui para ajudar e tratar, não para dar exemplos. E a propósito, você não teve uma consulta comigo semana passada?
Não vai ser um problema, você vai me ver por lá quase toda semana.
Tive sim, na verdade. E parece que vou ter outra semana que vem, é bom anotar, hm?
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
E você vive a base de que? Faz fotossíntese ou algo do tipo?
Confesso que seria bem mais fácil se fizesse. Não como nada verde, então a comida da cantina não é muito uma opção.
Na verdade eu prefiro comprar um hambúrguer na lanchonete.
Don't know where it goes @Jawkins
Quase qualquer um no lugar de Cheryl estaria envergonhado, irritado ou com medo. Ela estava mais para aliviada. Se encontrava indo em direção à sala do conselheiro escolar, um homem que mal conhecia e passaria os últimos anos conversando praticamente toda semana sobre sua vida. Poderia parecer chato repetir sempre a mesma coisa sobre seu passado toda vez que encontrava-se na frente se um psicólogo ou orientador novo, mas para ela não era mais do que gratificante poder colocar tudo para fora sem ser rotulada como dramática. E sim, seria vista desse jeito caso saísse desabafando com qualquer um por aí, por isso era ótimo ter alguém que não fosse da sua idade e não tivesse a mesma rotina. Isso foi algo demorado para que a morena entendesse e aprendesse a gostar, já que no primeiro ano era obrigada pelos seus pais a visitar o psicólogo. Afinal, tudo quando se torna uma obrigação, deixa de ser divertido. Assim, quanto menos precisava das visitas, mais ela própria foi fazendo seu horário e deixando de seu jeito. Deixou a clínica de lado e ia na própria escola a partir dos quatorze anos. Nunca nenhum de seus conhecidos se arriscavam a perguntar o porquê das visitas semanais, já que ela não responderia de qualquer jeito.
Pelo que soube, o nome do homem era Maxwell e ele era novo na escola. Ótimo, então eram dois. Cheryl achava até melhor ser um homem, porque mulheres pareciam ficar ignorantes após ouvirem sua história, mas depois de um tempo tudo que transparecia em seus olhos era pena. Odiava que sentissem pena dela, então conselheiras não ajudavam muito, contando que acabava voltando mais estressada.
O lugar não era assim tão distante do dormitório, o que fez com que a garota chegasse alguns minutos antes do combinado. Cinco e meia da tarde, o melhor horário que encaixasse em sua rotina. Assim poderia treinar um pouco de quinta-feira, após fazer a digestão do que comesse no meio do dia. Chegaria cansada, é claro, mas não o bastante para ficar impossível de respirar enquanto falava. Seus treinos de tênis sem professor eram basicamente ficar rebatendo a bolinha contra a parede até que quebrasse seu próprio recorde sem que ela voasse para longe.
Parada segurando seu celular como se estivesse apenas descansando encostada na parede, Cheryl esperou menos de dois minutos ao lado da porta. Nunca foi paciente e tecnologia não era algo que a deixasse concentrada por muito tempo, então apareceu na frente da sala, batendo na porta já aberta. -- Posso entrar? Cheguei um pouco mais cedo, se o senhor não se importa. Assim pode me dispensar antes, se conseguir -- brincou, sorrindo de lado e observando a sala. Não era tão diferente das outras que já esteve, sem contar que esse conselheiro era bem mais... agradável de se olhar. Seria um pouco mais fácil do que qualquer velho ou mulher desagradáveis.
Ficou em pé por alguns instantes, só olhando e imaginando como seria. Poderia dar certo, ou não, como já acontecera com metade dos terapeutas. Cheryl esperava realmente que não fosse alguém sério, não sabia como lidar com essas pessoas, que não levavam suas piadas na brincadeira, o que tornava tudo mais complicado. Afinal, 60% do que ela falava era ironia ou brincadeira, o resto eram palavras sinceras e sem pensar demais antes de soltá-las. -- Cheryl Johnson, dezesseis, Áries, solteira e, tecnicamente, irmã caçula -- sentou-se, mantendo o rosto em uma expressão séria, para o caso do homem não ser tão amigável quanto parecia. -- Sua vez -- completou, segurando a risada apertando os lábios em um sorriso torto.
O pessoal do refeitório está tentando me matar.
Não há outra explicação plausível pra essa gororoba que estão servindo. Seria mais prático, e provavelmente mais comestível, se só colocassem arsênio no meu prato.
Acho que seria um pouco antiético servirem arsênio, mas não seria tão diferente. Eu não como de qualquer jeito.
come see about me. ll Cheryl + Jude.
A transformação de dia em noite passou despercebida para a jovem Judith, que estava com os fones de ouvidos e a música ligada ao máximo possível. Enquanto descontava toda sua força na bolinha verde que rebatia na rede ou parede, não estava cantando, mas sabia a música tão bem que a letra aparecia em sua cabeça, e do mesmo jeito Jude não estava calma, era como se no momento que ela parasse de jogar fosse desabar. E Judith passou muito tempo não querendo demonstrar essa fraqueza, ela era uma lutadora, ia atrás das suas desvantagens, mas porquê era tudo tão difícil para ela? Em relação a tudo? Porque ela não poderia ser uma adolescente idiota como a maioria ali? Uma vida normal, sem preocupações tudo que deseja papai e mamãe dão. Jude estava com tanta raiva que na ultima bola atirou com tanta força que a bola bateu na parede, rebateu e depois bateu novamente. Se ela não quisesse quebrar a parede teria que diminuir a intensidade.
Jogou a raquete no chão, e foi até a toalha sentando no banco e regulando sua respiração. A água que já acabava. Tirou o fone de ouvido, deixando os pensamentos circularem novamente pela cabeça, uma péssima escolha, mas ainda o fez. Passou a mão pelos cabelos presos. E jogou um pouco de água na cara para refrescar, logo passou a toalha secando deixando aquela sensação calma, e fresca no rosto. A cabeça tombada para trás, a procura de ar. Logo quando recuperou o fôlego foi até a raquete novamente tentando recomeçar as sequências.
Os fones haviam voltado e Jude não escutava e não pensava em mais nada, talvez fora por isso que tomou um susto quando finalmente notou uma presença ali. Tirou os fones quando percebeu que a garota dirigia-se a ela enquanto falava. Deixou sua voz regular e o som alto do fone sair de sua mente para falar em bom tom. Enquanto isso analisou a morena a sua frente, tinha uma raquete muito melhor que a sua e parecia estar preparada, já havia visto-a em algumas aulas, mas ainda assim não lembrava do nome ou de ter alguma vez falado com ela, mas tentou manter uma cara não tão assustadora, pois estava toda suada e suja, mas Judith não queria discutir com mais alguém.
– Eu? Imagina, eu só estava descontando minha raiva. – falou apontando para algumas marcas da bola na parede. Alguns arranhões. Coçou a parte de trás da cabeça um pouco envergonha por aquilo. – Você joga, né? Parece profissional. – apontou para a raquete que tinha observado a um tempo, a garota deveria ser da liga ou algo assim que eram os jogadores do colégio, se tivesse tempo ela poderia tentar se arriscar a fazer algum esporte, mas no momento estava focada em passar de ano sem problemas. – Sou Jude, não ofereço a mão por estar suada. – comentou dando um fraco sorriso.
Eram poucas as pessoas que Cheryl acabava conhecendo em uma quadra de tênis, sem contar o professor e seus alunos, obviamente. Assim como pareciam poucas aquelas garotas que gostassem de praticar frequentemente, até garotos que achavam esporte de fraco. E sim, ela já ouvira muito disso, o que em sua visão era ridículo, todos os professores que já teve eram mais homens e masculinos que qualquer ex-namorado. Se era só porque não havia contato corporal quanto outros, então era uma desculpa sem nexo algum. Afinal, se fosse gay adoraria ter contato com os homens em jogos como basquete.
Quando a garota respondeu, Cheryl se sentou no mesmo banco, observando a raquete jogada no chão. Provavelmente era da outra, que como disse, estava com raiva. O que explicava ter jogado a raquete, além do cansaço. -- Para mim não tem coisa melhor para acalmar -- comentou, tentando manter o tom de incentivo, concordando com o que dissera. Esse era um dos motivos que ela era raramente vista nervosa. Olhou rapidamente para a direção que a mão da morena estava apontando, dando um riso nasal e voltando a atenção para a conversa. Seria legal se ela jogasse mesmo, Cherry queria conhecer uma das alunas, já que ainda não teve chance de fazer isso.
Pela pergunta, tentou disfarçar o sorriso que ia formando em seu rosto. Na verdade, estava um pouco envergonhada ao ter levado sua melhor raquete para um treino, acabaria detonando-a em algumas semanas se fosse fazer isso sempre. -- Jogo sim, há uns anos -- respondeu distraidamente, enquanto observava a própria raquete ao lado do banco. -- Foi meu presente de dezesseis. Tive que ficar sem festa por isso -- explicou, rindo baixo. -- Mas valeu a pena -- falou quase sem som. Não diria que quase implorou de joelhos para seus pais comprarem a raquete como a de seu "ídolo", um dos melhores tenistas do mundo. Pareceria ridículo.
-- Jude? Belo nome -- Realmente, Cheryl adoraria um nome como o de alguma música dos Beatles, ou qualquer banda antiga de seu agrado. Algumas bandas dessa década, para ela raras, são boas, mas não se comparam à qualidade da música do final do século XX. -- Bem, é um prazer. -- fez um pequena pausa, sorrindo sem mostrar os dentes -- Se quiser me acompanhar, vou treinar um pouco -- deu de ombros, pegando sua raquete. -- Mas parece que já está ficando ruim para jogar, não? -- perguntou, percebendo que o céu já escurecia. Pensou em sugerir que fossem comer alguma coisa, já que ficaria pior para treinar sozinha no escuro de qualquer modo. E Jude parecia ter passado um bom tempo naquele lugar.
Ainda estamos no outuno?
Amo meu trabalho mas preciso de férias!
É um caso de tédio ou morte.
Não estamos nem há dois meses aqui.
E o bom exemplo, senhor?
I don't care if you don't @Wattson
Era inegável que o novato não nutria amor algum pelas exatas, independente do quão fácil fosse para ele decifrá-las. Suspeitava, na verdade, que tal talento o havia sido dado justamente para que ele não perdesse tempo com algo que tanto desgostava. Infelizmente, os professores pareciam não compartilhar de sua linha de pensamento, para eles, era imprescindível que Theo passasse adiante seu conhecimento, independente da carranca adquirida pelo garoto ao ouvir tal ideia ser sugerida. Estranhamente, não demorou para que acatasse a sugestão - que soara estranhamente como uma ordem -, não era da natureza do menino lutar contra o que lhe era imposto, independente do quão odioso o fardo fosse. Havia sido bem doutrinado pelos pais ao longo dos anos, ao ponto de ter o comportamento imutável apesar da ausência de ambos. Sentia-se, de certa forma, adestrado. Ficou combinado que o rapaz ajudaria um aluno em certos dias da semana, os quais, num acesso de boa vontade, deixaram-lhe escolher.
Logo, lá estava ele, no fim da tarde de sexta-feira, acomodado numa das mesas da cafeteria (coincidentemente, uma das mais afastadas da entrada) tendo como companhia seus livros de matemática e uma xícara de café. Havia feito alguns apontamentos numa folha qualquer, apenas para não se perder em meio ao que deveria explicar. Não era bom com explicações, mesmo quando não eram públicas. Tinha poucos conhecidos, e muito menos amigos, havia se acostumado tanto ao anonimato, a ser um espectador dos outros, que a simples ideia de confraternizar por conta própria com uma colega o aterrorizava. Lhe faltava tato (e outrora, vontade) para lidar com pessoas da sua idade, inconscientemente, reconheceu que estaria mais a vontade se Edward estivesse ali, mesmo com todas as piadas e gracejos desnecessários.
Tamborilou os dedos sobre a mesa, rabiscando algo qualquer no canto de uma página enquanto uma música (que certamente teria feito sua mãe gritar) se fazia ouvir em seus ouvidos através de seu fone. As orbes claras focaram-se outra vez no relógio digital de seu celular, sua ”aluna” estava, inegavelmente, atrasada. E ele estaria mentindo se dissesse que não estava um tanto aliviado com a possibilidade dela não vir.
Um mês no internato e Cheryl já o considerava melhor que qualquer outro que já esteve. Não que havia estudado em tantos assim, mas o bastante para comparar escolas. Aquilo era como um acúmulo de experiências para ela, algo que pudesse fazê-la juntar histórias para contar aos outros depois. Em todo caso, nesses trinta dias já fizera amigos, treinou tênis, acabou com uma aposta e experimentou dar um mergulho na fonte do parque -- ou quase isso. Nem ao menos parou para pensar em estudar, o que com certeza resultou em problemas no fim. Tudo que é bom dura pouco, como dizia sua mãe constantemente quando o caçula morreu. Por mais que parecesse engraçado para um adolescente qualquer que não vivesse naquela família, o olhar que a mulher dava à filha não era nem perto de engraçado.
Devido às consequências, lá estava Johnson, arrumando-se para um encontro com um colega de classe. "Ah, se fosse um encontro mesmo" foi como terminou sua discussão consigo mesma em sua cabeça, assim que sua roupa já estava colocada. Se seu irmão soubesse o que estava indo fazer, provavelmente diria para dar em cima do garoto, talvez ele recompensasse a garota por ser inteligente e bonito. Talvez estivesse certo, se ela não fosse ir aprender algo que, na verdade, não achava realmente difícil. Só não tinha nenhum interesse em nada relacionado à escola, estudos e matérias que não eram práticas.
Com seu estilo de roupa esportiva de sempre, Cheryl caminhava sem pressa até a cafeteria, onde esperava que Theodore a esperasse. Odiava ficar esperando, por isso acabava atrasando-se propositalmente para compromissos que não eram se grande interesse. Não era certo, e ela sabia disso, mas não era como se importasse mesmo. E sim, Cheryl Johnson pareceria uma arrogante, ignorante e egocêntrica se pudessem ler seus pensamentos, mas não podiam. Então continuaria simpática com todos até conseguir completar sua vida em boa convivência com todos a sua volta. -- Desculpe o atraso, fiz de esperar demais? -- perguntou assim que encontrou o garoto em uma mesa do lugar -- Não precisa responder, sei que fiz, demorei muito para me arrumar. Deveria ter deixado de pentear o cabelo, não adiantou nada mesmo -- brincou, dando de ombros e sentando-se na cadeira que havia ao seu lado. Assim que parou os olhos no café na mesa, pareceu sentir sua boca secar em instantes. -- Para te manter acordado? Nesse caso, vou precisar de um também -- riu baixo -- Um segundo -- levantou-se rapidamente e fez o pedido, rezando para não demorar muito e acabar com a paciência de Theodore.
-- Então, por onde começamos? -- sorriu gentilmente, como qualquer uma daquelas loiras idiotas dos filmes americanos passados no colegial. Propositalmente, óbvio, já que Cheryl não era exatamente burra, idiota ou loira. Às vezes só parecia ser.
Streets made of desire @Brohnson
As tardes de sábado estavam revelando-se maçantes naquele ano letivo. Ansiava ardentemente pela noite, quando poderia sair para a cidade em busca de diversão. Seus amigos haviam enfiado-se em lugares desconhecidos, porque não conseguira encontrar nenhum deles. O tédio em si não era nenhuma novidade para Edward, já que ele poderia conversar até com a parede se estivesse sem companhia. Mas aquilo estava fora de seus padrões; flagrara a si mesmo encarando o teto do dormitório por mais ou menos dez minutos antes de voltar à realidade com o barulho estridente de seu iPhone perdido sobre os lençóis. Conferiu o sinal de internet em seu notebook mais uma vez antes de esticar-se para pegar seu celular. Era quase impossível captar a rede wi-fi da escola nos dormitórios, por isso não se surpreendeu ao ver apenas duas barrinhas brilharem em sua tela. Fechou o navegador, resoluto, e baixou o olhar para o celular. Uma nova mensagem piscava. Esperava ler o nome de qualquer pessoa, menos o de Cheryl. Um sorriso involuntário tomou conta de seus lábios, não imaginara que a garota fosse realmente entrar em contato com ele. Conhecera-a por acaso, e sua conversa fora resumida a uma porção de galanteios baratos vindos do menino. Eram colegas sophomores, mas ainda assim não sabia mais sobre ela que apenas seu nome. Respondeu a SMS da morena rapidamente, incontavelmente feliz por ter algo para fazer ao invés de ficar deitado à espera de um milagre o qual aumentasse a frequência do sinal de internet para o seu dormitório.
Largou os fones de ouvido e baixou a tampa do notebook, que reclamou com um estalido. Abandonou o computador para trás sobre a cama, a qual estava com as cobertas completamente desarrumadas. Os cobertores estavam amontoados desajeitadamente em um canto do colchão. Chutara-os para lá por preguiça de arrumá-los. Sua cama era a única malfeita do dormitório. Os colegas provavelmente estavam ocupados em algum lugar do campus, em atividades muito mais interessantes. Desceu da parte superior do beliche, com cuidado para não escorregar e acabar no chão. Era uma cena bastante comum nas manhãs. Arrependia-se constantemente do infeliz dia no qual escolhera a cama de cima, porque quase sempre acabava por bater a testa no teto do quarto. Já caíra - e mais de uma vez - durante seu sono irrequieto. Teria de lembrar a si mesmo de escolher uma cama mais próxima do chão no ano seguinte. Afastou aqueles devaneios de sua mente enquanto procurava uma roupa na completa bagunça de seu armário. Pegou as primeiras peças em sua frente, como sempre. Acabou vestido em uma camiseta estampada com uma silhueta de Gandalf com os braços abertos na clássica cena de Lord of The Rings, “you shall not pass”, e uma bermuda jeans qualquer. Calçou seus All Stars e então saiu do quarto. Voltou uma fração de segundo depois para buscar seus óculos, esquecidos sobre o notebook. Era o tipo de pessoa que provavelmente esqueceria a cabeça por aí, se ela não estivesse colada em seu pescoço.
Andou pelo trajeto até a fonte, onde Cheryl aguardava-o, sem muita pressa. Não estava exatamente ansioso para enfiar-se no meio de todas as plantas as quais adornavam a área externa da escola. Nunca fora um fã de natureza, especialmente porque o sinal da operadora de celular nunca pegava no meio das árvores. Lembrava dos acampamentos de verão organizados por sua antiga escola. Só valiam a pena para entupir-se de doces até os coordenadores mandarem-nos dormir. Odiava os insetos que eram atraídos pelo calor do mato, por isso mantinha-se em grande parte de seu tempo protegido pelas paredes do internato. De qualquer maneira, ainda assim concordara sem ao menos pensar no convite de Cheryl. Antes matar tempo com uma garota bonita, mesmo que rodeado de plantas, que passar o resto de seu sábado enfurnado na cama. Nem sequer tinha planos para seu sábado à noite, já que seus amados amigos haviam aparentemente ido para o inferno sem convidá-lo. Cumprimentou alguns conhecidos enquanto aproximava-se a passos largos da área externa. Não era um caminho comprido, mas sentia o esforço da caminhada roubar-lhe o fôlego dos pulmões. O único esporte que remotamente agradava Ed era a natação, e não era tanto assim. Estava tão concentrado em seus próprios pensamentos que demorou para notar Cheryl sentada na fonte.
Mais ainda demorou para aperceber-se da cômica cena a qual se desenrolava diante de seus olhos. Teve a sensação de mal ter piscado os olhos antes de ver a morena levantar-se do banco próximo à fonte e debater-se como se estivesse possuída por um demônio. Ergueu as sobrancelhas, confuso, e aumentou um pouco o ritmo de seus passos. Quando aproximou-se alguns metros da garota, notou o motivo de tanto desespero. Uma barata passeava tranquilamente pela coxa exposta pelo shorts da menina - e Ed não pôde deixar de notar que coxas. Um riso abafado ergueu o canto de seus lábios. Ria pela situação, e não pela morena em si. Já havia visto várias meninas em ataques da pânicos causados por insetos bem menores que uma barata, então não podia culpá-la. Apressou-se em alcançar Cheryl, e foi neste momento que a cena ficou ainda mais engraçada para qualquer espectador aventurado o qual estivesse ali na hora. Pareceu acontecer em câmera lenta; segurou o braço da morena com delicadeza para acalmá-la. Infelizmente, esqueceu-se do banco de pedra ali ao lado. Bastou um segundo para que Cheryl tropeçasse no assento e fosse em direção à água da fonte. Edward, em toda a sua falta de coordenação motora, tentou segurá-la em um abraço desajeitado. Não teve outra opção além de ser arrastado para dentro da fonte junto com a garota.
Sentiu a água encharcar suas roupas e a lente de seus óculos. Tirou-os e piscou algumas vezes para acostumar-se com o súbito borrão em sua vista. Não precisava realmente usá-los o tempo inteiro, mas evitava uma intensa dor de cabeça depois. Notou que a água cobria seu corpo até a altura do peito, e ajeitou-se. Imaginou como os outros estudantes estavam observando a cena; ao menos não ouvia nenhuma gargalhada. Olhou para Cheryl, a qual não parecia muito contente em estar molhada. Não conseguiu abafar uma risada a tempo ao ver a expressão no rosto da morena. O cabelo dela estava grudado em seu rosto, e ainda assim estava bonita. Quando parou de rir, instantes depois, Ed comentou - Ainda bem que eu gosto de água de qualquer maneira - não era bem uma tentativa de humor, mas quase todas as frases saíam de sua boca com um toque de piada. Baixou os olhos e viu que a barata continuava na perna da menina, agora no joelho. Ergueu o braço e espanou-a para longe, então voltou a olhar para Cheryl e sorriu - Baratas podem a sobreviver à explosões nucleares, mas duvido que saibam nadar - levantou-se, espirrando água para todo o lado. Agradeceu por não ter caído novamente, o que tratando-se dele, era bem possível. Jogou o cabelo molhado para trás, afastando-o de sua testa. Logo virou-se novamente para a morena e esticou a mão - Quer ajuda? - ofereceu, de boa vontade, com a mão estendida para Cheryl. Sentia a água escorrer por seu corpo, colando a camiseta em sua pele. Era um dia quente, logo não se importou com aquilo.
Por mais que estivesse envergonhada, desesperada e encharcada, Cheryl nem ao menos lembrou-se de olhar às pessoas a sua volta. Muito menos na barata, o que na verdade não deveria ter sido um problema grande desde o início. Mas sentir um inseto do lixo subindo pela sua perna não é algo muito agradável, ou comum. Ela sempre ria de crises por insetos que as garotas davam constantemente no seu primeiro internato, só que nunca havia chegado perto de uma barata para poder dizer se não era assim. Viveu numa rua tranquila com dois homens na casa durante quase toda sua vida, nenhuma barata era deixada para a mãe ou a filha mais nova matar.
Nesses primeiros segundos após a queda, Cheryl ficou em silêncio olhando fixamente para o banco a sua frente. Não como o culpasse, não pensava em nada, só tentava figurar a cena em sua mente. Se tivesse sorte, Edward havia filmado e não colocaria em nenhum lugar, só a mostrasse para que pudessem ficar rindo por um tempo. Mas foi quando a água que cobria todo seu rosto começou a esfriar e a fez acordar um pouco para o que acontecia. -- Sorte a sua, porque eu só gosto dela pra tomar banho -- reclamou, tirando o cabelo do rosto e jogando-o para trás. Era verdade, havia nadado na piscina de sua casa tão poucas vezes que poderia contar nos dedos. Não bebia água nem depois de comer doce, e, sem ser para higiene, a garota até preferia distância. Sim, tinha medo de nadar. Por isso sempre teve gatos, todos os cachorros a família acabavam aprendendo a nadar por vontade de seu irmão mais velho, Josh. Ela achava ridículo. O que se passa na cabeça de uma pessoa que ensina um cachorro a nadar? Queria vê-lo tentar com o gato. -- Não devo ter entrado num lugar com tanta água há uns quatro anos -- comentou, depois de parar alguns segundos para pensar e lembrar-se. Realmente, a última vez foi numa viagem à praia, que nem ao menos se recordava de quando foi. Fez questão de tentar esquecer, já que quase perdeu seu outro irmão, que por pouco não afogou-se tentando aprender a surfar -- alguém que havia visto uma onda não mais de cinco vezes na vida. Já ela poupou-se a deixar a água alcançar até seu joelho, o que já deixava uma possibilidade dela de cair e ser levada. Esse medo já fez o ato de procurar conchas na areia muito mais divertido.
Estava sendo ridícula, não iria estragar seu dia só porque estragou seu cabelo e dignidade caindo em uma fonte no meio da escola. Foi quando se deu conta do que havia acontecido e uma gargalhada involuntária saiu, melhorando um pouco seu humor. -- Você está péssimo -- disse em tom de brincadeira enquanto olhava para o garoto, pouco antes de perceber a barata que continuava em seu corpo. Sem ter dado o tempo de estremecer-se toda, Edward já havia espantado o inseto, o que gerou um suspiro aliviado de Cheryl. -- Valeu -- agradeceu, torcendo o cabelo na tentativa de deixá-lo menos encharcado. -- Não as culpo, -- começou, em resposta à informação dita pelo outro -- nadar não é assim tão fácil -- E sim, ela fazia questão de repetir seu desagrado à água, pelo menos naquele momento. Nunca deixou que soubessem que isso era na verdade um medo anormal de afogar-se, porque sabia que não levariam a sério.
Observou Edward levantar-se, sem saber se o acompanhava ou continuava feito uma idiota sentada dentro da fonte. Estaria mais frio se saísse da água, mas só de estar nela já fazia a segunda opção desagradável. Percebeu que gastava tempo demais pensando naquilo quando ele já oferecia ajuda. -- Obrigada -- falou distraidamente, logo depois de segurar sua mão e se colocar de pé sobre a água. Chacoalhou as pernas após pular o banco, parando um momento para olhar para os lados. Não tinham feito tanto escândalo, já que haviam poucas pessoas e elas olhavam distraidamente algumas vezes. -- Poderia ter sido pior... eu poderia ter caído sozinha -- pensou alto enquanto tirava o excesso de água da roupa.
O Sol estava forte, o que facilitava os dois a se secarem. Do mesmo jeito, a água estava gelada e às vezes Cheryl estremecia involuntariamente. -- Os vestiários do ginásio são longe daqui? Preciso trocar essa roupa -- Não sabia se os dormitórios eram mais perto que o ginásio, mas acreditava que o garoto não teria permissão de entrar no dormitório feminino ou vice-versa. Na verdade, não tinha certeza de nada do que pensava sobre aquele lugar, ainda não tinha conhecimento de tudo. -- E eu devo ter alguma troca no meu armário -- completou, dando de ombros, ao mesmo tempo que mantinha as mãos cobrindo os braços -- A menos que algum dos dormitórios fique mais perto ou você prefira sair por aí molhado -- acrescentou, fazendo uma careta e soltando um pequeno riso descontraído no final da frase, sem deixar de incluir a última opção como uma possibilidade.
Streets made of desire @Brohnson
Ficar sentada durante a tarde toda de uma segunda feira não era exatamente o que Cheryl Johnson tinha em mente. Na realidade, ela não tinha exatamente nada em mente. O que poderia preocupar qualquer um, mas para a morena era apenas um incentivo para que fizesse o que queria e desse vontade, deixando abertas possibilidades de qualquer um que chegasse e quisesse sair da mesmice. Não estava funcionando. Querendo ou não, a garota continuava sentada em frente a fonte na zona exterior da King's School. Se estava gostando? Bem, ela definitivamente preferia ouvir alguém sozinho aparecer por ali. Não queria ter de se intrometer em duas amigas andando ou um casal que sentava por ali, portanto um solitário seria a melhor opção. Não se sentiria mal em incomodá-lo.
A visão e o barulho da água da fonte caindo deixava aquilo um pouco melhor. Ou não tão mal. Afinal, ela não gostava de água, apenas longe dela. Olhando assim, Cheryl parecia mais uma antissocial depressiva perdida numa escola que não queria. Longe disso, só estava entediada. Era realmente difícil alguém ver a morena depressiva ou preocupada, algo que ela mesma não lembra de si assim.
Logo tudo fez suas vontades evaporarem, fazendo Johnson voltar a mesma coisa. Aquele excesso de plantas, de algum jeito, não estavam ajudando. Ela nunca foi muito fã da natureza e verde, não eram tranquilizantes como muitos diziam. Só a estressavam, atraiam insetos e pinicavam. Foi quando a ideia de chamar alguém, que deveria ter tido há muito tempo, veio a sua cabeça. Pegou seu celular, arrastou com o dedo os contatos para baixo e leu o primeiro nome que veio na cabeça. "Mãe", não. "JoBro", seu irmão mais velho, não. Bem, não estava dando certo. Queria alguém novo, seria mais fácil para arrumar um assunto, então chamou Edward. Os dois se conheceram há pouco tempo, mas na primeira conversa tinham o número de telefone um do outro. Cheryl gostava de ter o número de todos seus conhecidos, o que acabava dando um bom trabalho para a memória do seu celular. Afinal, já havia estudado em três internatos diferentes.
Alguns minutos depois que ela viu a resposta do garoto, sentiu alguma coisa subir em sua perna. Inicialmente pensou que tivesse mexido a perna e alguma planta passou pelo seu pé, porém a planta se movia, subiu do seu pé ao joelho em milésimos. Estava com um shorts mais ou menos um palmo e meio acima do joelho, portanto conseguiu enxergar o que era. Não sabia se felizmente ou infelizmente, já que era uma barata. Não era de Cheryl agir escandalosamente, principalmente por coisas como essas -- insetos. Entretanto a primeira reação da morena foi gritar baixo e agitar-se feito louca, chacoalhando toda parte do seu corpo. Sem perceber se Edward já estava ou não ali, a garota tropeçou. Não via nada, mas sentiu alguém a segurando pelo braço. Se tivesse mesmo, a pessoa não deveria ter se dado tão bem quanto ela. Estava ao lado da ponte, o que a fez tropeçar no banquinho e cair na água. A sua única vontade era de sair dali e correr para o dormitório, sem saber se ria ou chorava.
come see about me. ll Cheryl + Jude.
Já era a quinta vez naquela semana que Jude errava o caminho, estava querendo praticar algum esporte. Algo para tirar toda a tensão que estava por culpa de sua mãe ter colocado-a naquele internato, queria se livrar da culpa de não se dar bem nas matérias, queria se livrar dos pensamentos irritantes de seu irmão. Resumindo, ela queria muito praticar algum esporte e colocar todos os seus pensamentos e esforços nele. Naquele internato existiam várias opções, mas Jude escolheu tênis por ser mais familiar com o esporte. Só que ela nunca conseguia acertar o caminho, ignorou seus pensamentos e tentou novamente achar a grande quadra de tênis.
Quanto mais andava pelo internato mais Judith acreditava que ele era enorme, talvez ele nunca tivesse um fim. Claro, aquilo era mentira, tudo tem um fim, mas ela não estava ligando para seus pensamentos. O andar de Jude era lento, mas pesado como se estivesse se arrastando o tempo inteiro. Ao notar a quadra soltou um suspiro de alivio, era muito bom ela não estar andando em círculos como da última vez. Em uma pequena salinha que era algo como um vestiário Jude prendeu seu cabelo, e colocou seu antigo uniforme de tênis. A saia de prega com a blusa pólo, o tênis muito bem amarrado.
Seu rosto continuou imparcial enquanto entrava na quadra, ninguém estava ali. Era apenas ela e seu equipamento. Pegou a primeira bola e quicou ela no chão para sacar, relaxou os ombros e começou com os movimentos repetitivos de ir atrás da bolinha, sacar novamente, quando batia na rede, ela rebatia. Movimentos constantes e o suor em seu rosto logo já aparecia, passou uma toalha nele e hidratou-se com uma garrafa de água que havia trazido. Logo, continuou com seus lances, ela não queria ficar parada por muito tempo e voltasse a pensar. Só queria acertar na bola como se a inofensiva bola verde tivesse cometido algo contra ela.
O tempo passava e já poderia notar a tarde virando noite, e Jude não estava querendo sair dali tão cedo. Os ventos aumentavam fazendo com que colocasse mais força em suas sacadas. Estava tão focada que mesmo que alguém estivesse ali ela não teria percebido, continuou com seus lances enquanto notava o ultimo raio de sol sumindo, junto com a vontade de voltar para o internato.
Estava ali há um bom tempo e fazia três dias que Cheryl Johnson não trainava, nem ao mesmo havia pensado em fazer isso. Algo na cabeça dela já imaginava que isso iria acontecer quando entrasse na King's School. Seu primeiro internato era tão ridículo para ela que foi a fase mais entediante de sua vida. Não só mais entediante como a melhor para seu treinamento de tênis. Era diário, seja na quadra, numa parede ou até numa sala vazia. Era seu costume, quando não tinha nada para fazer aquela era a melhor solução. Afinal, tinha seus benefícios. Satisfazia seu tédio e não era uma total perda de tempo, já que ajudava no seu esporte. Esperava que tivesse algum resultado no seu futuro como tenista, se é que conseguiria isso. Uma professora, talvez? Cheryl tinha muita expectativa disso até entrar no segundo internato. Foi quando se envolveu com mais amizades masculinas e acabou tendo momentos de rebeldia. Não exatamente rebeldia, porque não tinha uma ideia na cabeça na qual rebelava-se, mas vivia com pessoas - adolescentes - que tinham. Assim, perdia o tempo saindo para qualquer lugar que a levavam, bebendo e até fumando. É claro, a última coisa uma ou outra vez, que por mais que fosse imprudente, tinha noção e medo do vício. Resumindo, o treinamento foi deixado para segundo plano. Ao invés de quatro a cinco vezes por semana, eram duas, dependendo dos compromissos. Agora na King's School aproveitaria para sair nos finais de semana, como podia. Era uma escola enorme e com uma variedade extremamente grande de coisas para fazer, o que tornava difícil manter as responsabilidades.
Só tinha que terminar de fazer a tarefa, com uma angústia fora do normal, louca para sair daquele dormitório e ir jogar. A janela enorme que ocupava quase uma parede toda daquele lugar agora estava a ponto de atingir sua inutilidade por algumas horas. Logo menos ela teria que levantar e acender a luz. Na sua cabeça, impôs que teria que terminar tudo que estava fazendo até que o Sol se ponha. Ou melhor, até que fique impossível de fazer o mesmo sem levantar-se. E se saísse da cama, seria para ir à quadra.
Para sua felicidade, geografia não era nem perto um problema. Era sua matéria favorita, logo era mais prazeroso de estudar. Assim, Cheryl terminava com mais rapidez e facilidade. Não demorou muito para que já estivesse chegando com sua raquete. Estava levando sua preferida, o que era uma surpresa, não a usava para treinos assim. Havia pagado mais de 300 dólares por ela em uma viagem aos Estados Unidos. Equivalia a mais ou menos 190 libras. Era muito, por isso foi presente de aniversário de dezesseis anos. O nome dela era Jett, pela Joan Jett ser uma de suas cantoras favoritas. E sim, ela dava nomes para suas raquetes.
A morena deixou sua Youtek Graphene Speed Pro 18/20 no banco quando viu uma outra garota já usando a quadra. Era ótimo, assim não precisava treinar com a parede como fazia sempre que o professor não estava. -- Você joga? -- aproximou-se até chegar atrás dela, com uma distância boa o bastante para não ser atingida pela raquete caso a assustasse.
New message ✉ Cheryl ⇄ Edward
Edward: Encarar o teto do dormitório conta como estar ocupado?
Cheryl: Achava que eu que estava com tédio, haha. Estou na frente da fonte, não quer me encontrar aqui pra fazer alguma coisa?
New message ✉ Cheryl ⇄ Edward
Cheryl: Hey, está ocupado?
Eu ficaria feliz em ajudar você com isso.
Se você diz..