Sketches of the terror twins cus they make me laugh
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Sketches of the terror twins cus they make me laugh
Jia Lee: The world is my oyster
Aviso: o scenario contém altas doses de surto, plágio inspiração no desenho/seriado animado Juniper Lee, acusação a furo de roteiro e preguiça de extensão da própria MadCity, quarta parede e eu sinceramente me pergunto até onde eu vou pelo meu entretenimento pessoal, sempre pensando em podia render mais... Mas até quando?
Na mesa do café da manhã, enquanto Sohyun decide se vai comer os waffles veganos e sem gluten da mãe ou esperar até chegarem no templo e conseguir que seus tios comprem qualquer coisa com Bacon pra ela, Jia se move de maneira desconfortável na própria cadeira, como se acabasse de ter tomado consciência de algo importante, mas não conseguia explicar aquele sentimento, e nem entender o que ele significava.
— Já se perguntou como é que continuamos aparecendo por aqui... Sem ainda termos um pai? — A caçula sussurra como se fosse um segredo pra irmã mais velha, que parece contemplar a pergunta ao jogar um morango orgânico — direto da horta da mãe — dentro da boca. — Sohyun, é a coisa mais esquisita do mundo. Saber que você existe, e que essa pessoa existe, mas ainda não saber quem é ela.
— É tudo uma questão de planejamento e tempo. Somos todos peças de uma história e é normal que ela seja inserida aos poucos. — Sohyun sorri na direção de Jia, e depois se vira na cadeira, olhando pra pessoa que acompanhava elas pela leitura, que ganhou a atenção de Jia também. — Todos nós vamos saber o que vem por aí, em breve.
Jia olhava fixamente pro ponto no meio do nada, as mãos apoiadas no rosto, fazendo as bochechas parecerem ainda mais gordinhas do que o normal, com um único pensamento na mente: aquilo não era nem de longe a coisa mais esquisita que já tinha acontecido em sua vida.
Quando tinha cinco anos, ficou perdida num parque nacional durante um piquenique em família. Tenta não culpar os pais e os tios porque a essa altura, já tinha muitos primos e era simplesmente impossível cuidar de todas as crianças ao mesmo tempo. Se lembra de estar perto do tio Sunghoon fazendo perguntas aleatórias, inspirada a encher seu HD de criança pequena com toda informação inútil que conseguisse reunir, e no segundo seguinte, estava andando por uma trilha acompanhando uma borboleta azul e rosa.
Não guardou a posição das árvores, nem as nascentes de água ou pedras no caminho que teve que pular, seu único foco era acompanhar aquela criatura que voava bem em cima de sua cabeça como se fosse um guia, sentindo uma ansiedade esquisita no estômago. Achou que logo poderia virar as costas e voltar pra família e contar sobre o que tinha visto, mas quando se virou, num espaço vazio de grama alta rodeado por árvores muito diferentes das outras, não viu a trilha, e nem estava mais sozinha.
Sabia que a família tinha lhe ensinado a não falar com estranhos, mas a senhora idosa ali, com a borboleta em seu ombro, parecia tudo, menos uma estranha. Jia nunca tinha conhecido os avós por parte de mãe, e até pensou que aquela só poderia ser uma aparição de um parente distante.
Ela se parecia com ela, se parecia muito com ela, e estava sorrindo. Não parecia que queria fazer mal.
— Lee Ji-Ah, aquela que trás o equilíbrio e tem a força de um dragão...
Não parecia malvada, mas com certeza era louca.
— Só tenho cinco anos e ainda uso fralda pra dormir. — A interrompeu, as sobrancelhas erguidas em confusão, e podia jurar que aquela senhora quis acabar com ela ali mesmo.
— Enquanto uma menina normal, sim. — A mais velha solta um suspiro, prosseguindo. — Mas agora você ouviu o chamado, agora você é a Jeonsa. A guerreira da sua geração.
Jia abre a boca, então a fecha, a mão minúscula aperta a barra do vestido.
— O que é uma... Jeonsa?
— Caramba, garota. Sua família jogou a cultura no lixo?
Normalmente as Jeonsa não sabiam que eram, bem, Jeonsa, mas a anciã pensou que não ia ser uma tarefa. Eles tinham computadores agora, deviam ter dado no mínimo uma pesquisada. As crianças daquela era não sabiam mais sobre folclore coreano? Estava ali pra repassar um manto, não dar aula de história.
Fez uma nota mental de assombrar todos os adultos daquela família, pela graça.
— Olha, tampinha, tudo que eu sei é que na minha vez ninguém nem teve a hombridade se me sentar num banquinho e contar que a droga da minha vida ia ser um inferno depois de seguir essa borboleta maldita, então se considere privilegiada por eu estar me dando o trabalho. — A anciã então caminha na direção de Jia, que tinha os olhos arregalados agora e a respiração presa na garganta. Ia ser sequestrada e nunca mais veria seus pais e irmã, sua tia Minji com certeza a mataria. — Você vai cuidar desse mundo, quer queira, quer não, porque eu não tô mais aguentando essa barra sozinha.
A anciã ergue Jia pelas tranças, com uma força fora do comum pra alguém da idade dela, e usa a outra mão pra apertar suas bochechas até sua boca se abrir. A borboleta sai voando do ombro da anciã, e entra na boca de Jia.
— Você é Jeonsa agora, e é seu dever, o maior de todos eles, lutar pela sua família e pela continuidade do mundo dos homens.
Depois daquilo, nada nunca mais foi o mesmo.
Se lembra de acordar nos braços da mãe e dos tios parecerem super preocupados ao seu redor, a clareira que tinha tido a conversa com aquela senhora tinha sumido, e foi encontrada dormindo contra uma árvore nem muito longe da trilha que tinha seguido mais cedo. Pensou até que tinha batido com a cabeça em algum lugar, enquanto descansava a cabeça no ombro da mãe, e todos os adultos viraram as costas pra floresta.
Viu milhares de pares de olhos olhando em sua direção, uns maiores que outros, e outros menores, e não fazia ideia de que formas e criaturas eram aquelas, mas tinha certeza que a partir daquele dia, nunca mais deixaria de saber da existência delas.
— Jia, tente parecer mais feliz!
— Mas eu tô tentando!
Não aguentava mais sustentar aquele sorriso enquanto posava pra fotos dentro daquele hanbok rosa e azul, achando a roupa desconfortável e quente demais. Poxa, não podia passar o chuseok no templo andando de jeans pra baixo e pra cima, como os simpatizantes do feriado e descendentes que já tinham entregado o legado pra Buda? Odiava aquela coisinha presa no começo do cabelo e caindo na testa, era questão da tia Minji virar pra olhar pro tempo e ia ser livrar pelo menos do enfeite.
Mas com o canto dos olhos castanhos e redondos como os de uma boneca, igualzinho os da mãe, viu uma comoção se formar entre as ahjummas sentadas nos degraus em só um dos muitos templos lotados em Nova York naquele dia. E uma pessoa normal pensaria que era só uma corrente de vento levantando as saias daquelas senhoras e elas estavam mesmo era fazendo escândalo por nada, mas Jia sabia.
Sentia o cheiro e presença de goblins pequenos a metros e metros de distância.
— Se a senhora me der licença... — A mais jovem abre o leque e um sorriso na direção da tia, Hui, batendo os cílios longos em uma apresentação dramática. — Vou através de um kimbap antes que minha mãe chegue com os biscoitos de aveia.
Estava sempre comendo, então era uma desculpa plausível pra desaparecer dali e ninguém ia sentir a falta dela, o que era bom, porque assim que saiu da vista dos parentes, os goblins perceberam ela, e deu-se ali uma enorme batalha, sangrenta e violenta, atrás do templo.
Jia não sabia de onde vinha a força e nem precisão nos movimentos. Nunca tinha pisado em uma academia de luta antes e nem fazia questão de treinar no geral; era a força da Jeonsa, a primeira delas, que lhe permitia os reflexos perfeitos e movimentos fluidos pra ninguém nem desconfiar que estava usando caixas de madeira abandonadas pra matar aquelas criaturas verdes malvadas. Quando derrotou o último deles, descabelada, mordida, arranhada e com vários hematomas, contemplando os restos mortais das criaturas como uma verdadeira guerreira vencedora, a mãe a encontrou ali.
— Ei, estávamos procurando você pra buscar sorvete.
E era como se nada estivesse acontecendo. Jia nunca ia se acostumar com o fato de que era a única que conseguia ver e sentir as criaturas, mas lutar conta elas também. A mãe não via os corpos no chão, e também não via seu hanbok manchado de sangue e gosma de Goblin. Pra Sarang Lee, sua filhinha, fofa e inofensiva, estava só se esgueirando da obrigação de fazer parte do chuseok e estava tudo bem.
— Posso tomar algum sabor com leite? — Jia pergunta, o sangue seco na bochecha fazendo seu sorriso fofo parecer aterrorizante, mas só pra ela.
— Você pode ter tudo o que quiser, minha pequena pérola.