Autoestima e relacionamento
(T) Bia (I) João Pirolla (D) 30.06.2016
Na minha história com TA, considero o momento da recuperação muito marcante. Recentemente, percebi que essa minha história pode me ensinar não só sobre autoestima, mas também sobre relacionamentos.
Vou retomar meu processo de cura resumidamente. Depois de quase dois anos de anorexia nervosa, eu admirava os amigos e principalmente a família à minha volta pelo empenho em me ajudarem com a anorexia... Mas era uma admiração um tanto distanciada. Até que nessa mesma época eu me apaixonei pela primeira vez de forma não platônica...
E um dia, sozinha em casa, tive o seguinte pensamento: parece que ter um sentimento intenso por alguém, e mesmo pela vida, voltou a ser possível. E é exatamente um sentimento de amor que motiva as pessoas à minha volta a não desistirem de mim.
Sei que no fim a paixonite pelo cara durou pouco e ele nem soube do meu TA, mas o clique que tive a respeito de eu ser uma pessoa amada (e que valia a pena amar) fez com que eu própria passasse a amar a mim mesma muito mais do que qualquer outra pessoa naquele momento. E eu cuidei de me nutrir direitinho até atingir o peso ideal sem uma vez sequer pensar em voltar atrás.
Mas o que então eu quis dizer no começo do texto, quando falei em ter aprendido sobre relacionamentos? Acho que esse é um ensinamento indireto da minha história, quando venho a refletir sobre o passado e usar a experiência para o presente.
Em relacionamentos familiares, amorosos e amizades, há momentos em que colocamos em dúvida se merecemos tal pessoa tão boa em nossas vidas. Hoje eu consigo responder sem hesitar: sem dúvida.
Há tantos momentos de carência em que nos esquecemos de que as outras pessoas também têm seus defeitos que, no fim, a cabeça “prega uma peça” e resolve que não somos bons o suficiente. As consequências nefastas disso envolvem os tão comuns relacionamentos abusivos – dos quais quase todo mundo tem sua história.
Acho que a história que contei traz a polêmica conclusão de que a pessoa a quem mais se deve dedicação é a si mesmo. E, parando para pensar, isso não é nunca impedimento a amar o outro, e sim um complemento essencial.
Bia
Estudante do último ano da faculdade. Sou sonhadora, apesar de ouvir bastante "você é muito racional...". Apaixonada por livros, filosofia e por línguas estrangeiras. Estou aprendendo a gostar das tecnologias que facilitam a vida, apesar de ainda ser uma usuária resignada do facebook. Fã incondicional dos amigos, especialmente dos mais antigos. Participar disso aqui abre muitos horizontes. Espero poder compartilhar um pouco das minhas experiências e mostrar que todos nós temos algo a "des-distorcer".
João Pirolla
Nasci em 1981 na capital paulista. Artista autodidata, desenvolvo trabalhos autorais desde 2002. Tive minha primeira obra publicada na revista eletrônica Ideafixa na edição com o tema "Underground", em 2010. Influenciado por mestres como Robert Crumb, Harry Clarke e Lourenço Mutarelli, colaboro para revistas (Rolling Stone, Mundo Estranho), participo de exposições coletivas e individuais e atuo na publicidade e no cinema, produzindo 'storyboard' e 'concept art'. No início de 2015, meu primeiro grande trabalho editorial, "O Dia Em Que Sherlock Holmes Morreu", uma coletânea com 17 contos de Arthur Conan Doyle traduzidos por Daniel Knight, foi lançado pela editora Tordesilhas.
















