Lembra do primeiro julgamento do Magneto?
A Marvel está produzindo uma minissérie chamada: “O Julgamento de Magneto”.
Não sei se você sabe, mas o primeiro julgamento do personagem foi em X-Men 200 de dezembro de 1985.
A edição, escrita por Chris Claremont, com arte de John Romita Jr. e Dan Green é parte de uma das grandes aporrinhações do roteirista, que precisou adaptar conceitos porque o editorial mudou o rumo de algumas de suas histórias.
Claremont tinha um plano para a edição 150 do título que envolvia uma Jean Grey lobotomizada sendo tentada pelo poder da Fênix. O ponto é que Jim Shooter, fazendo a sua melhor rainha de copas mandou que cortassem a cabeça da ruiva.
Ele teve que criar duas histórias as pressas:
A edição 150 veio com uma história sobre o Magneto, onde ele passa dos limites e acaba matando toda a tripulação do submarino Russo Leningrado. Já a edição 161 mostraria Erick e Xavier contra o Barão Strucker.
E pronto, estava pavimentada a estrada para a edição 200 do título.
Na edição, que seria um divisor de águas na vida do Mestre do magnetismo, ele seria julgado em Paris, o que causou um tremendo caos na cidade porque um grupo de terroristas, que se identificavam como os X-Men começaram a promover diversos ataques terroristas caso Magneto não fosse libertado.
Na verdade, nem os X-Men sabiam quem eram naquele momento. Parte deles havia retornado de uma aventura Asgardiana, outra parte estava na Mansão tentando entender a história de Rachel Summers, que afirmava ser a filha do Ciclope de um futuro alternativo.
Enquanto isso, seu pai estava as voltas com o nascimento de Nathan Charles, o bebê que viria a se tornar o Cable e estava exercitando suas habilidades de pai medíocre, querendo abandonar a esposa prestes a dar a luz, algo que ele faria sem dó nem piedade pouco depois disso.
E ao redor disso, tinha o dilema do Professor X, cujo corpo recém-clonado estava morrendo.
Completamente perdidos, os X-Men foram arrastados para a confusão em Paris
E precisaram lidar com Fenris, os gêmeos do Barão Strucker, que por acaso, também eram mutantes.
E sim, os tais terroristas eram eles.
Enquanto os mutantes X-Men saiam na porrada com os filhotes da ditadura nazista, Magneto, que estava dando uma de bom menino em seu julgamento, resolveu proteger os humanos que o viam como o Adolf Hitler do fim do século.
Aqui vale um adendo. Apesar de eu ainda não ter dito isso, a acusação do magneto teve James Jaspers como representante e Gabrielle Haller foi sua advogada de defesa.
Sabe quem também é Haller? David Haller, o Legião, é filho de Gabrielle e Charles Xavier.
Quanto ao Jaspers, bem… Mad Jim Jaspers foi um personagem criado por Alan Moore para as aventuras do Capitão Britânia. Ele tem o poder de alterar a realidade a seu bel prazer.
E Claremont gostou tanto do conceito que resolveu usar o personagem no evento Queda dos Mutantes.
E foi por isso que ele apareceu nessa edição. O autor tinha planos que foram frustrados pelo editorial. Quando a queda aconteceu, ele teve de criar outro personagem em cima da hora para fazer as vezes de antagonista.
Quando toda a confusão é resolvida, Xavier cai duro e chama o amigo pra tocar os X-Men na sua ausência. No fim da edição, ele foi levado por sua amada Lilandra pro espaço, onde ele poderia ser tratado.
Sim, a raposa foi convidada pra cuidar das galinhas. E ele ficou do lado dos anjos até o final da década. O que até funcionou porque o tom das histórias dos X-Men foi ficando cada vez mais pesado e Magneto praticamente só cuidava dos Novos Mutantes.
O uniforme do magneto é muito feio. John Romita Jr. tem muitas habilidades, mas não é estilista.
A história é interessante, mas tipo assim… seguindo o exemplo da edição 150, foi uma edição comemorativa sem muito glamour. Tem praticamente o mesmo número de páginas que as edições normais, mas serviu como ponto de virada tanto para os X-Men como para o Magneto, que mudou de lado por uns tempos.
Por mais que retirar o Professor X do título por uns tempos já seja uma ideia batida, essa foi a primeira vez em que o personagem retornou como vilão. Que foi o que aconteceu durante a saga dos Skruls Guerreiros que começou por volta da edição 275.
A intenção foi amadurecer um pouco o título e seus temas, mas bem… o editorial não quis isso.
O Ciclope, que já vinha sendo mostrado como um idiota desde a morte da Jean Grey, ganhou um novo demérito: marido e pai ausente. Ele até tentou dar uma sossegada com a Madelyne Pryor, que lembrava demais a Jean, por motivos que descobriríamos depois, mas ele queria fugir das responsabilidades o tempo todo.
Se você é fã da Capitã Marvel, saiba que o tratamento razoável que ela tem tido é recente. Carol Danvers sempre foi uma personagem que ninguém sabia o que fazer com ela, tanto que nessa fase dos X-Men ela tinha sido mandada pro espaço. Ela virou a Binária, a Fênix dos Piratas Siderais.
Foi a partir dessa edição que Kitty Pryde descobriu que era míope e que apesar de ser uma X-Men, precisaria usar óculos. Ela não conseguiu ler os cartazes e achou que estava vendo uma das muitas manifestações antimutantes que estavam acontecendo em paris naquele momento, só que… aqueles eram pró mutantes.
É da primeira fase do Claremont nos X-Men? É bom e vale uma lida. Praticamente todos os bons conceitos da franquia foram criados nessa fase.
A fase até tem umas derrapadas, mas vale muito apena.
E isso é tudo. Até a próxima semana.
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