O dia em que o Bizarro morreu!
Esta história foi publicada no século passado, então, sim, tem spoiler.
Na coluna da semana passada falamos sobre o Superman reimaginado por John Byrne após a Crise nas Infinitas Terras e o seu primeiro encontro com um certo Homem Morcego de Gotham City. Byrne tinha como missão reimaginar toda a história do Kryptoniano, mantendo suas principais características, sua essência, e, ao mesmo tempo, torná-la mais atual, atraindo novos leitores; como resultado, o herói permaneceu como um dos mais poderosos, mas perdeu sua “divindade, tornando-se mais humano.
Os vilões também foram reimaginados, como Lex Luthor, que deixou de ser um cientista maluco e tornou-se um magnata egocêntrico disposto a matar o herói por ele se recusar a entrar para sua folha de pagamento, e por tê-lo prendido a mando do prefeito, como visto na quarta edição de “Man of Steel”, minissérie em seis edições. Logo na sequência, na quinta edição, Byrne nos mostra outro dos vilões mais conhecidos da galeria do Homem de Aço: Bizarro!
Para o escritor, a cópia imperfeita do Superman, o Planeta Bizarro e tudo mais ligado ao vilão, simplesmente não se encaixavam com a releitura do herói, e, por essa razão, precisavam mudar. A nova versão de Bizarro está ligada justamente a Lex Luthor e sua obsessão em liquidar com o novo protetor de Metrópolis.
Luthor arquiteta a fuga do Dr. Teng, um chinês especialista em clonagem, com o objetivo de criar o seu próprio Superman, um que obedeça a suas ordens. Ok, esse lance de “odeio o Superman, mas quero uma cópia dele para brincar” soa meio como uma paixão reprimida do careca, mas vamos em frente.
Teng até consegue criar uma cópia do Superman, mas, uma vez que se trata de um alienígena, algo que Teng só descobre ao tentar a clonagem, ela apresenta um “defeito de fabricação”, começando a se desfazer assim que entra em contato com o ar.
Certo, uma cópia de um produto original, com defeito, vinda da China, é quase como se Byrne antecipasse a inundação de brinquedos piratas nos camelôs.
O Superman Bizarro, além de todos os superpoderes, também guarda algumas das memórias do Homem de Aço, incluindo seu trabalho no Planeta Diário e sua queda por Lois Lane. Assim sendo, ele parte voando em direção à Metrópolis, pratica uma série de boas ações, incluindo salvar a irmã de Lois Lane, Lucy, que ficou cega devido às substâncias químicas que foram jogadas em seus olhos por um sequestrador. Engraçado, eu pensava que acidentes com produtos químicos deixassem a pessoa cega, mas ampliassem seus outros sentidos e te dessem uma espécie de radar, imagino que não funcione sempre assim.
Lucy, que ficou cega, tenta se matar, saltando do apartamento de Lois Lane, rumo à morte certa, mas é salva pelo Superman Bizarro, que por não conseguir ver, ela reconhece como sendo o verdadeiro, ainda que um tanto calado.
Logo depois, o Bizarro (estou chamando-o assim, mas na história ele não recebe esse nome), trajando uma mistura de roupas de Clark Kent e Superman, decide ir trabalhar no Planeta Diário, causando enorme alvoroço. Interessante que ao ver sua cópia com a mistura de roupas, Clark fique com medo de que Lois descubra a verdade. Relaxa, rapaz, se ele não descobriu que você é o Superman apenas com uns óculos e um penteado diferente, não vai ser um Superman com terno e gravata que vai mudar isso.
Os dois acabam lutando no meio da cidade, e Superman que estava contendo seus golpes, percebe que a criatura vai acabar levando a melhor. Aliás, no meio do confronto, ela captura Lois Lane e a leva para o apartamento da repórter, onde está sua irmã, Lucy, onde tem início nova luta com o Superman.
Desta vez, Clark usa sua visão microscópica e descobre que a criatura não está de fato viva, que é “apenas um androide, um ser artificial, pouco mais que um robô”, e por isso, ele pode parar de se conter e descer a porrada no “vilão” (alguém avisa o Visão para nunca irritar o Superman, ele meio que não respeita formas de vida não orgânicas).
Ambos voam em rota de colisão, e o golpe do Homem de Aço explode o Bizarro em uma nuvem de poeira branca, poeira que em contato com os olhos de Lucy, elimina os efeitos dos produtos químicos que a deixaram cega, e lhe devolve a visão. O roteiro insinua que Bizarro sabia que a poeira poderia devolver a visão de Lucy e por isso se sacrificou.
Assim sendo, Byrne trouxe Bizarro de volta, não o chamou desse jeito e o matou logo na sua estreia, ainda que lhe dando um final onde ele “pratica o bem”.
Mais uma vez, se você quiser ler essa história, adquira a excelente “Man of Steel”, recentemente publicada pela Panini Comics em formato capa cartão, no Volume 1 de “A Saga do Superman”.
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