Eu era totalmente vulnerável. Não via amor em coisas simples e um sorriso direcionado a mim nem sempre me parecia verdadeiro. Talvez meu problema fosse uma síndrome, dessas que todo mundo tem. Começa com o constante medo. Medo das pessoas. Medo de amar. Medo do mundo. Não conhecemos nada além das quatro paredes que nos cercam. Um passarinho na janela do quarto nos causa a sensação de que estamos sendo vigiados e a brisa em nossa pele gera um terrível e doloroso desespero. Um grande desespero. Gritamos interiormente, em tom de súplica, por socorro, como se alguém pudesse nos salvar. Ledo engano. Aos nossos olhos, o céu torna-se o inferno. O belo torna-se feio. A tristeza ultrapassa a felicidade. E nós? Bem, nós continuamos trancados entre quatro paredes, temendo o ontem, o hoje e, principalmente, o amanhã.