precious blood — may&kali
Após um estressante dia no colégio, nada como sair para espairecer. No caso de Mayliss, nada como uma boa noite de caçada. Era a cidade vizinha, e ela havia ouvido falar sobre inquietações próximas a um antigo lago abandonado, onde sempre tinha o costume de ir junto da mãe. Existia uma casa que sempre deixavam em ótimo estado, e usavam como abrigo durante as poucas folgas que ela tinha. Os tolos que acreditavam em lendas antigas sobre o lugar ser lar de velhos fantasmas não se aproximavam, então era um lugar onde pairava a paz, e não o contrário. A memória fez sua usual carranca noturna vacilar, mas sabia que não era momento. Lembranças á parte, era hora do trabalho.
Seguiu silenciosamente pela floresta. A invenção da vez era uma arma de fogo, sempre com o mesmo símbolo desenhado, igual ao que carregava no pulso direito. Devido á proximidade com materiais militares por parte do pai, ela tinha acesso ao suficiente para produzir suas armas, e não faria a mínima diferença quando fosse conferida. Ou pelo menos até agora, não havia feito. As usuais flechas, agora aperfeiçoadas com comando de voz sempre a acompanhavam caso algo falhasse, além de ter as seringas com a mistura de substâncias líquidas preparada. Tinha também uma faca de prata banhada em água benta escondida no coturno.
Ela conhecia um dos atalhos menos usados, e seguiu com o carro até certo ponto, para depois caminhar a pé. Não demorou muito para que um dos vampiros aparecesse, tentando atacá-la de surpresa. Usando o comando de voz, uma das flechas acertou-lhe -- por sorte de sua criadora, diga-se de passagem --- no coração. Segundo as informações, era a partir dali que começavam a desaparecer pessoas, provavelmente estavam se alimentando de seu sangue, ou fortalecendo o bando de sanguessugas malditos. Ou ambos, já que os vampiros recém-nascidos eram os mais famintos por sangue. Seguiu um pouco mais adiante, e sentiu o peso de um corpo cair contra o seu, derrubando-a com força. Tentou desviar-se ao notar as presas a poucos centímetros de sua face, e usou sua força para chutá-lo para longe. Infelizmente, vampiros tem uma força superior, e de nada adiantou. Mais e mais chutes, até que por um momento o vampiro acabou por vacilar, lhe dando espaço suficiente para movimentar uma das mãos, mirando-a para um galho de árvore acima de ambos. No momento em que a flecha a acertou, o impacto fez com que o galho ficasse mais vulnerável. O vampiro avançou novamente, dessa vez ainda mais próximo. Com o auxílio do ombro, movimentou o braço para frente, evitando uma proximidade maior por pelo menos alguns segundos, tempos suficiente para usar seu comando de voz para disparar outras flechas, e finalmente o galho cedeu e caiu, acertando a cabeça do vampiro, que ficou zonzo, dando a May a oportunidade para levantar e pegar uma das seringas, enfiando a substância direto no pescoço da criatura, que agonizou e por fim pareceu morrer.
Mayliss apertou os pulsos roxos, e continuou seguindo. Avistou mais dois vampiros, escondendo-se e atirando á longa distância. A mira não era precisa o suficiente, mas o golpe foi eficaz o bastante para que conseguisse sair correndo e finalmente chegasse até a casa, escondendo-se. Por dentro da mesma, esgueirou-se por entre o corredor, atirando nos vampiros que apareciam, porém antes que conseguisse sequer reagir, acabou sendo pega por um deles, e fora obrigada a seguir pelo resto da casa. Seu plano de ataque já estava sendo elaborado enquanto seguia, porém o que viu na sala principal, onde haviam mais três vítimas fora definitivamente estranho. Uma das vampiras estava prestes a morder uma garota magrinha, com cabelos escuros, que estava se contorcendo um pouco, mas, no exato momento em que os dentes da criatura foram fincados, esta desmaiou instantaneamente, vomitando sangue enquanto estava inconsciente, até que ficou completamente seca. Todos ficaram espantados, incluindo a própria garota, e apesar de May estar tão espantada quanto, aproveitou o momento para utilizar sua arma nova, atirando com a mira mais precisa que conseguiu em todos os vampiros da sala. Os que chegaram para ver o que havia acontecido acabaram sendo acertados também. Alguns normalizaram-se mais rápido, e isso só a fez atirar mais, como se estivesse em algum game de tiros. Mais rápido do que uma bala, usou as flechas restante para completar o serviço, e as seringas como precaução. Quase escassa de armas, conseguiu exterminar o último. Seus braços doíam, e o pescoço estava ardendo devido as unhas que uma das infelizes havia cravado em seu pescoço. Em certo momento, haviam batido sua cabeça contra a mesa, e seu nariz sangrava, além de estar sentindo dores. Movimentou-se lentamente e olhou para todos na sala, ordenando que fossem embora, porém quando a garota que havia sido mordida fez um único movimento, apontou-lhe o braço que ainda continha duas flechas.
--- Nem pensar. Você fica. --- Falou, ainda ofegando. --- Será que você pode me explicar que merda foi aquela?












