Se havia algo em que Catherine realmente se considerava boa, era na dança. Durante a adolescência, tinha o costume de contar os dias para as festas que aconteciam no sábado ou domingo em sua casa, ou nas de artistas e cineastas. Apesar do péssimo relacionamento com o pai, ele sempre a levava para acompanhar gravações e fazer companhia em festas. Ela bem sabia que aquilo se devia ao fato de ser agradável e encantar os amigos dele. A simpatia dela era usada como moeda de troca, talvez até uma forma de corrigir a imagem de problemático dele. Cathy não se importava tanto com aquilo quando ganhava passe livre para dançar até os pés pedirem descanso. Era um momento de liberdade, em que podia rodopiar, e rir, e dançar ao som da música sem ser considerada estranha. Naquela noite, em meio ao nervosismo de estar na Seleção, percebeu que era bom ao menos ainda ter isso. Bebia espumantes, dançava, tomava copos d’água, voltava a beber, e a dançar, e a repetir o ciclo, feliz também por todos estarem protegidos com a máscara. Foi em um dos momentos que rodopiava pela pista de dança, segurando uma taça na mão, que acabou pisando no pé de um dos convidados. “Oh, perdão! Eu não tinha te visto”, disse, em meio a uma risada. Usou a mão livre para tirar uma mecha castanha da frente do rosto, ou melhor, da máscara, e sorriu abertamente. “Espero que meu salto não tenha te machucado tanto. Acho que estou um pouco animada com tudo isso”. @kenanboz
















