The fears that we never talk about // Charlie & Strike
Os corredores aparentavam estar vazios. Quase toda população de Hogwarts estava do lado de fora, nos gramados assistindo ao jogo de quidditch. Gryffindor versus Hufflepuff. Um grande amistoso que dava início a competição das Casas. Strike deveria estar do lado de fora, estivera anteriormente, mas voltara para dentro quando seus olhos não encontraram o que gostariam de ter encontrado. Estava prestes a pegar um lugar na arquibancada, o local em que costumava ficar lado a lado com sua prima antes da aula de voo que lhe repelira daquela área, quando mudou de ideia. Charlotte em seu segundo e terceiro ano suportava assistir ao menos aos jogos de sua Casa, mas deixara de aparecer com mais frequência até que se faziam dois anos que não colocava os pés no gramado. Strike respeitava completamente aquela atitude, mas não era aquela ausência que estava lhe incomodando. Não se falavam faziam duas semanas, desde que embarcaram no Expresso juntos basicamente. Todavia mandara um bilhete para que ela ao menos aparecesse naquele jogo, para que colorissem o rosto um do outro como faziam anteriormente. Então ela não aparecera, não aparecera e aquele peso de duas semanas se fizera pior com o descumprimento de um compromisso.
A ligação entre eles costumava ser mais forte e aquele estranhamento estava ocupando a mente do setimanista que corria os passos na direção da biblioteca. Mais três lances de escada, dizia a si mesmo quando seu pulmão implorara por misericórdia depois de tanto movimento por aquele terreno. Um misto de confusão se fazia em sua mente, Strike não gostava de confusão, estar confuso era um claro sinal de fraqueza e estar fraco significava estar vulnerável. Suscetível a emoções mais fortes. Acalmava sua própria respiração para diminuir o ritmo das batidas de seu coração quando parou em frente a porta da biblioteca, espalmou a mão direita no mogno gélido e empurrou-o com sutileza. Cumprimentara a bibliotecária com um sorriso singelo e procurou pelo livro que guardara na bolsa. “Já não era tempo” reclamara a velha senhora quando o mais jovem colocara o livro a sua frente, técnicas avançadas para poções volume 12. Sussurrou um pedido de desculpas e pegou outro livro dentro da bolsa antes de fechá-la e continuar o andar, agora menos apressado e controlado, em direção às mesas do fundo.
Encontrou Charlotte sozinha, como o esperado. Estava onde imaginou que estaria, sozinha na biblioteca ouvindo somente o som de sua respiração e a da bibliotecária - obrigada a estar ali e não do lado de fora juntamente ao corpo docente que também marcava presença no jogo. Sem dizer uma palavra, Luke afastou uma cadeira e sentou-se de pernas cruzadas, levou seu livro a mesa e demorou para abri-lo. Seus olhos estavam concentrados nos de Charlotte, que comumente não levantara o olhar, queria que ela soubesse sobre seu chateamento e não precisava de palavras para isso. Só precisava do olhar, eram assim desde crianças. Não era o mais extrovertido em sua família, muito menos o introvertido, mas sabia exatamente com quem poderia dividir tudo e essa pessoa não era seu pai ou sua mãe. Somente Charlie sabia de tudo, desde seu primeiro beijo até seu último encontro. Charlie sabia o quanto ficava feliz quando chovia ou o quanto não gostava da lama em sua bota quando nevava. Aqueles pequenos detalhes estavam guardados apenas para que sua quase irmã soubesse, a garota de olhos claros que encarou por exatos dois minutos antes de abrir o livro e ler dez páginas da escrita de Bukowski.
Fechou o livro ao término da décima página e inclinou-se sobre a mesa, precisou percorrer um longo percurso com o braço para fechar o livro alheio também. “O que está acontecendo? ” Perguntou em um sussurro para que a bibliotecária não os incomodasse. “Você está fugindo de mim, Charlotte” afirmou com a testa crispada em dúvida “Tenho certeza que meu bilhete chegou até você, teria entregue em mãos se não tivesse tão ocupada com poções e tudo mais” revirou os olhos com o tom de voz beirando a desafeto “Mackenzie disse que o bilhete estava em mãos, além das milhões de mensagens que deixei em seu celular, então por que não apareceu? “. Quidditch e Charlie sempre foi assunto complicado, mas Luke estava mais do que acostumado a ter o que queria, pelo menos daquela garota.











