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Eu gostaria de fazer algumas observações sobre a execução de Marielle Franco, que me parece, estão passando sem serem consideradas. As linhas identitárias estão atribuindo este assassinato a condições que, embora sejam parte da questão, não correspondem à contradição principal da questão. Marielle não morreu por ser mulher nem por ser negra, muito embora o racismo e a misoginia sejam bases lançadas pelo Estado burguês e também o sustentem. Marielle morreu porque atuava contra os que detém o poder nesse Estado, denunciava sua política genocida, desafiava os algozes do povo, não se corrompeu e dedicou sua vida e toda sua energia à esta luta, por todos os meios que considerou possíveis. Seu sangue foi derramado pelos cães de guarda da classe que nos explora e mata e que fará de tudo para não perder o poder. Enquanto este punhado de homens não forem removidos de suas posições - e creio que já é possível admitir que isso não se faz de maneira pacífica - continuaremos assistindo o derramamento do sangue de muitos dos mais valentes de nossa classe e dos milhares de inocentes que morrem sob genocídio ano após ano. Ignorar isto e levar esta tragédia pra disputa identitária, afirmando que a motivação do crime foi o gênero ou a raça, apenas nos distancia da verdade de que o Estado burguês-latifundiário e a classe que o dirige devem ser destruídos, que essa é uma disputa por PODER e não por representatividade, que essa democracia é uma farsa e que a via parlamentar é uma ilusão que está custando caro ao nosso povo. Por último, o que fizeram com Marielle é também uma advertência a todos os que lutam, disso não há qualquer dúvida, e se nos amedrontarmos esses ratos terão, mais uma vez, conseguido o que planejaram.
Alexandra Kollontai