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Agosto (que mês)
Agosto chegou ao fim e, migas, que mês. Apenas chegou nas livrarias O LIVRO DA CAPITOLINA - o lançamento acontece dias 06 e 12 na Bienal do Livro aqui no Rio de Janeiro. É o melhor livro do mundo <3 sério, não é porque é feito pelas minhas amigas e tem um texto meu (mentira, é por isso também), mas tá muito muito lindo. Dá muito orgulho desse projeto e é incrível que várias adolescentes tenham, finalmente, acesso a um conteúdo feminista que se preocupa com a segurança e a felicidade das mulheres.
Eu e Bebê 1:
Eu e Bebê 2:
Além dessa notícia maravilhosa, esse mês gravei o primeiro episódio do vlod Leitura das Minas que faz parte da coluna de literatura da Capitolina. O vídeo só vai ao ar semana que vem, mas vocês podem assistir a apresentação aqui - e de quebra conhecer as outras vloggers maravilhosas da Capitô:
Agora, vamos aos livros lidos durante o mês e segura que também foi forte:
Presos que Menstruam da Nana Queiroz.
Livro incrível e importante. Eu tive o prazer de escrever sobre ele e entrevistar a Nana para a Ovelha.
Olhos D'Água da Conceição Evaristo. Conceição Evaristo escreve de um jeito tão poético e forte que seu livro em poucas páginas produz um peso devastador. Leitura importante para sair dos eixos brancos e universitários que ditam a literatura (nacional). Há força, poesia e criação pelos cantos das cidades que desconhecemos em nossa ignorância privilegiada. É incrível que seus textos possam ser ao mesmo tempo doces e violentos.
Amy & Matthew da Cammie McGovern
Eu detestei esse livro e larguei na metade. O que me incomodou foi a trama em que uma garota - que já tem uma vida suficientemente difícil - resolver ajudar um garoto complicado a lhe dar com seus problemas psíquicos. E, ai, gente, até quando essas histórias de minas musas/inspiradoras/amigas cuidadosas que se ocupam mais dos problemas de alguns caras do que com suas próprias questões? Eu quero ler histórias de amor em que todo mundo saiba cuidar de si mesmo e se ame, porque sim.
Todos nós adorávamos Caubóis da Carol Bensimon.
AMEI esse livro. Carol escreve de um jeito delicinha que te envolve rápido. Fala sobre/como as pessoas do meu tempo sem soar forçado. Amo/sou o jeitinho trouxa e arrogante de Cora.
Devia ter, na época, a idade que tenho hoje, não mais de vinte e seis nem menos de vinte e dois, mas quando a gente está na adolescência não crê que as pessoas dessa faixa etária ainda possam ser chamadas de jovens, achamos ao contrário muito natural que elas nos ensinem biologia ou português, que tratem nosso braço quebrado, que nos vendam um violão, afinal já parecem tão distantes, tão seguras, tão adultas, e só quando chegarmos nessa idade é que perceberemos que o abismo não era intransponível, que sequer havia um abismo, que apenas os detalhes nos separavam...
Vai, Brasil da Alexandra Lucas Coelho.
Meu prazer ao ler esse livro é um pouco narcisista. Muita coisa que a gente vivencia no Rio passa despercebida. Não digerimos a beleza, o absurdo e o caos. Então é bom ver Alexandra contar sobre minha própria cidade. Porque é uma estrangeria que se apropria rápido dos lugares. Parece que pra criar vínculo, basta provar um bom prato. Ela narra o Rio e pedaços do Brasil a partir da sua experiência - e descreve comida, gente, som, sentimento. Jornalismo ainda pode ser maravilhoso. E me deu a sensação de que não estou só no meio dessa bagunça, porque compartilhamos lugares, álbuns, autores e expectativas. Vai, Brasil situa meus vinte e alguns anos em algum inconsciente coletivo.
Os Casos de amor de Nathaniel P. de Adelle Waldman.
Fiquei um tanto desgraçada da cabeça lendo esse livro. Nathaniel P. é aquela figura recorrente do intelectual de esquerda que é totalmente contra o machismo, mas incapaz de desconstruir - ou no mínimo, reconhecer - sua própria misoginia. Adelle Waldman descreve dinâmicas tóxicas e abusivas de um modo tão exato que em alguns momentos foi perturbador demais. No meio do Vênus retrógrado, esse livro me obrigou a lidar com todos os relacionamentos ruins que tive no passado e constatar que é preciso muita autoestima e feminismo pra sair disso com saúde mental. Recomendo muito, mas fica o aviso que é pancada
Sinto que você quer pensar que o que está sentindo é realmente profundo, como alguma merda profundamente existencial. Mas, para mim, parece a coisa mais cansativa e banal do mundo, o cara que fica interessado em uma mulher até o momento em que ele percebe que a tem. Querer só o que você não pode ter. A aflição dos idiotas superficiais de qualquer lugar... Estou sendo dura, mas me dê um tempo. Se o que você diz é verdade, se você tem algum tipo de “problema”, isso meio que é foda pra mim também. Não posso sentar aqui e tentar fazê-lo se sentir melhor. É como o ladrão pedindo à vítima que simpatize com a sua compulsão incontrolável de roubar as pessoas...Me dê alguns anos até que você esteja no leio de morte ou algo assim.
Where does Nate P. fall?
(Image via LiteraryMan.com)