Quando você muda sua energia, você muda sua vida. Quando você muda seu estado de ser, você muda toda a sua realidade.
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Quando você muda sua energia, você muda sua vida. Quando você muda seu estado de ser, você muda toda a sua realidade.
As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra.
Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu
Funerais não são para gente morta. São para os vivos.
O ódio que você semeia》Andie Thomas
- O que temos de mais precioso que as lembranças? - pergunta ele. - Elas nos definem, formam nossa identidade.
- Recursão
Então era isso que eles queriam: mentiras. Mentiras maravilhosas. Era disso que precisavam. As pessoas eram idiotas. Seria fácil para mim.
Misto Quente - Charles Bukowski.
Só vivemos uma "experiência de amor verdadeiro" com uma pessoa que está na outra ponta do Fio Vermelho
-Akai ito
As Meninas, Lygia F. Telles
Breve sinopse (que não faz jus ao livro): Lygia F. Telles reúne três garotas universitárias em um pensionato durante a ditadura militar brasileira. Isso é tudo que possuem em comum, o lugar onde residem e o regime político em que se encontram, uma vez que estão em bolhas sócio-econômicas completamente diferentes e possuem, portanto, aspirações igualmente distintas. As meninas, Lorena, Ana Clara e Lia se entrelaçam através da convivência e pelo compartilhamento de problemas durante o período de greve da faculdade.
Tenho As Meninas da Lygia Telles desde 2017, deveria ter lido esse livro nesse mesmo ano para um vestibular paulista durante meu último ano do ensino médio e talvez eu tenha dito para minha professora de literatura que eu o li. A verdade é que não prestei o vestibular paulista e essa edição linda de capa dura (que foi um presente do meu irmão durante uma de suas viagens a São Paulo) ficou parada na minha estante até que uma amiga me convenceu a dar uma chance à Lygia (íntimas né).
O meu Eu três anos mais novo tinha ficado preso na citação “Os olhos, em verdade vos digo etc etc etc” do capítulo inicial e achado a narração por meio do fluxo de idéias extremamente confusa. Hoje, muitos livros mais tarde e, quem sabe, mais madura, me vi completamente apaixonada tanto por As Meninas quanto pelas meninas.
É um livro que de início pode causar certa estranheza pela forma como é narrado e pela honestidade que lida com certos temas, alguns deles ainda latentes no imaginário brasileiro, como falas e pensamentos abertamente racistas de uma das personagens, memórias que recontam abusos sexuais, violência doméstica, suicídio e homofobia sofridos através dos anos. É de fato uma leitura que requer atenção.
Vou deixar aqui um comentário da própria autora sobre as personagen: Sobre as personagens, Lygia Fagundes Telles n’O Estado de São Paulo em 1995: “As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até eu anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repete, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós”.
O que me atraiu no livro foi isso, as meninas (ainda me pergunto, por que não mulheres?) são reais, são humanas, estão vivas em nós e denunciam nossos pensamentos pré-concebidos, preconceituosos. Honestamente? Me via muito na figura escapista de Lorena “(...) que alegria quando fico aqui sozinha. Sozinha.”, na forma como acabou por se perder em sua própria bolha e em como o contexto da ditadura não podia ser percebido em sua rotina, fechada em si mesma, completamente distante do caos social. Então eu diria que acima de tudo foi uma leitura dolorosa, mas extremamente necessária.