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sad headcanon
Quando Sirius foi retirado da tapeçaria Black, doeu. Ainda que sua proximidade com o primo não fosse tão ampla quanto a que este tinha com Andromeda, ainda era família. Apreciava a companhia dele em tempos de juventude, quando a distinção de casas não os capturara e Narcissa permitia-se ser criança por algumas horas, longe da dissimulada camada social em que seria inserida. Provocando-se com frequência, Sirius poderia ter sido mais do que um primo se tivesse permitido que este fosse um irmão. Então viera Hogwarts e os problemas começaram, Gryffindor não era uma casa de ampla popularidade entre os Black, vermelho e dourado jamais ornamentou as paredes pintadas de verde e, alguns casos, azul, porém não fora somente isso. O circulo de amizades formada posteriormente apenas os afastou, mas os laços criados e fortificados não são como seda, o corte não é fácil como um rasgar de panos, Narcissa o observou de longe, tentando colocar prudência em sua cabeça ainda com sua pouca influência sobre as decisões do primo. Mas ela o amava. Aquele menino de cabelos longos e escuros que mal conseguia ficar parado, cuja mente era tão cheia de ideias ricas em criatividades, além das travessuras que Narcissa apenas fazia se fosse ao seu lado. Apesar da diferença de idade, eram amigos, por um curto periodo de tempo. A saída da casa de Walburga, o seu rosto queimado da tapeçaria, tudo isso a Black mais nova conseguiu aguentar de cabeça erguida.
Mas quando fora Andromeda, nem mesmo a mais forte das estruturas conseguiria mantê-la de pé. A irmã do meio era sua âncora, a encosta que sempre poderia voltar quando os mares estavam tempestuosos demais, a estrela mais brilhante no meio de tanta escuridão. Era sua confidente em momentos de dúvidas, segredara alguns de seus medos e anseios, o mesmo sangue corria por suas veias e alguns traços de sua personalidade vieram de Andromeda. Lembrava-se com clareza das noites em que corria para o quarto da irmã pelo temor dos segredos da noite, o medo irracional das crianças pelo escuro, e esta dizia-lhe que tudo ficaria bem. Entretanto, não ficou, o seu medo pelo escuro cresceu e tornou-se outra coisa, mais sólido e horrendo. Storge, o amor grego que mais afetava o âmago de Narcissa, o afeto familiar. Era tão natural quanto a respiração, emotiva com suas camadas distintas e forjada em ferro e fundida fundo em suas estranhas. Seu amor por Andromeda transcendia qualquer fator exterior, mas quando esta fugiu com um trouxa, dor alguma foi comparada. Sofrera decepções anteriores e posteriores, não era ser excludente de dor, a sentia em suas veias, pulsava tão forte quanto o sangue, mas Andromeda foi a dor mais sólida de todas. Enquanto retiravam as coisas de seu quarto, Narcissa esgueirou-se em busca de algo que pudesse manter, uma lembrança com seu bálsamo, regada com a essência de memórias agora tão longínquas. Todas as noites, durante semanas, Narcissa chorava com os abafos do travesseiro, pela irmã perdida, pelas lembranças retiradas. A mera menção seu nome foi proibida como se fosse uma palavra profana, o ligeiro contato seria visto como traição ao sangue, e um comentário sobre o ocorrido era cortado como uma faca ao alvo. Passara por todos os estágios do luto, a negação — a realidade foi contestada, defendeu-se psicologicamente contra o problema. Raiva — culpou a si mesma por não ter notado os sinais de rebeldia, por ter acreditado que Andromeda jamais seria capaz de deixá-la e, mais do que isso, a culpou. Barganha — criara diálogos internos sobre como conseguia trazer Andromeda de volta, fazê-la ver que estava cometendo um erro, que seus pais a aceitariam se houvesse arrependimento sincero. Debilidade — retirou-se em um mundo somente seu, melancólica, se isolando de qualquer um que tentasse se aproximar, abrindo brecha apenas para Lucius que, de alguma forma, sempre conseguia alcançá-la. Quando as lágrimas secaram viera, por fim, a aceitação. Não havia algo que pudesse ser feito, sua irmã era uma traidora e deveria ser tratada como inexistente mas os laços eram fortes demais.
Children are afraid of the dark because they have nothing real to work with. Adults are afraid of themselves.
















