Amores oceanos (não se permita afundar).
Quando eu era criança costumava brincar de ser marinheiro, costumava acreditar que o marinheiro corajoso era aquele que via beleza em tempestades e trovões dentro de uma embarcação. Quando cresci, descobri que estava certo, navegar pelos seus olhos durante os primeiros dias que te conheci. foi a embarcação mais tranquila que eu poderia fazer, era prazeroso seguir as ondas dos seus sonhos e flutuar em suas alegrias, mas o inesperado aconteceu, me perdi em meio as tempestades de seus medos e fui atingido pelos trovões de todo o seu ódio e abuso, eu não queria te deixar em todo aquele caos, e então lembrei como eu dominava a terra, como em caminhos e estradas meu coração tinha seguido por tanto tempo atrás, eu queria te levar até lá, mas eu não te conhecia por completa, e agora, era uma pena saber e sentir que com chumbo amarrado nas minhas artérias, meu coração estava afundando e eu o via desmoronar diante dos meus olhos, também senti meus pulmões encherem de água, e bom deparado com isto, naquele instante descobri que não te conhecia por inteira, descobri que o que os biólogos falavam era verdade, “É impossível conhecer um oceano por completo, conhecemos melhor o espaço”, e foi aí que compreendi que você tinha uma misteriosa zona abissal e que era impossível de eu chegar até lá, seus sentimentos se escondiam nas fossas das marianas e o seu coração não era tão pacífico quanto o nome, eu parti, eu finalizei essa embarcação, bebi, chorei e as tempestades passaram. E agora todas as noites eu peço e rezo também para que caso um dia se eu me afogar em outro amor profundo como o seu, seja ele agora Índico, Atlântico, Glacial ártico ou Glacial Antártico, que seja possível que no final eu grite bem alto: TERRA Á VISTA!
Por: Surreal Subversivo.

















