Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, por Benjamin Alire Sáenz, editora Seguinte, 2014, tradução de Clemente Pereira.
Então. Senta que lá vem textão.
Certo. Eu comprei esse livro em 2014 na minha gana de ler livros com temas LGBT. Pesquisei na internet por alguns títulos, e basicamente comprei alguns livros na mesma época: Will & Will, Garoto encontra Garoto e Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo. Acho que li no Goodreads que o último era um livro um pouco menos explícito sobre isso que os outros, mas não tenho certeza. Então não quis começar por ele, apesar de ser de longe o mais atraente – a capa é linda e macia de pegar, o cheiro é muito gostoso, e parece em geral ter uma ótima qualidade.
Cheguei em casa remoendo e doida para ler os livros. Sempre gostei muito de ler romances homo e ler um livro que não fosse uma fanfic parecia atraente demais. Abri Garoto encontra Garoto e comecei a ler. Depois do primeiro capítulo, quis jogar o livro fora. Não me atraiu nenhum pouco. Pensei que deveria esperar para continuar depois. Algumas semanas depois, peguei Will & Will. Eu juro que entendi a intenção dos autores com os dois pontos de vista e as duas formas distintas de escrever.
Estava completamente decepcionada com os livros de temas LGBT que escolhi. Foram dinheiro jogado fora porque eu definitivamente não queria lê-los. Deixei pra lá e os livros ficaram guardados. Alguns anos depois (sim, anos) acabei decidindo ler Fangirl. Me identifiquei horrores e quis demais ler Carry On, já que era também um romance LGBT e, bem, sendo da autora de Fangirl, seria bom, né?
Bem, comprei o livro em inglês. 50 pilas. Acabei descobrindo que era uma pseudo-fanfic Drarry (eu sou viciada em Drarry, então pensei: “MEU DEUS, esse livro vai ser maravilhoso”). Da autora de Fangirl, pseudo-fanfic Drarry... Ótimo. Né?
O livro me deu uma sensação de que seria interminável. O personagem principal não é interessante. O casal não é interessante. Eu me decepcionei mais uma vez.
Pensei: Caramba, sério que não tem nenhum livro homo que seja bom nesse universo? Cadê esses autores maravilhosos de fanfics incríveis fazendo livros?
Bem, deixei passar. Há algumas semanas atrás, no entanto, lembrei que tinha o último livro, comprado em 10/10/2014. Acho que como era seu aniversário de compra, ele acabou me chamando. Enfiei na bolsa e jurei que iria ler em algum intervalo do trabalho. Não li. Meu trabalho está reduzindo e muito meu tempo de leitura, mas eu jurava que conseguiria. Algum dia. Algum dia.
Bem, passaram pelo menos cinco dias, e o livro na bolsa.
Esse sábado passado, no entanto, decidi sair com umas amigas do trabalho. Fomos para o centro da cidade, almoçamos, conversamos, nos divertimos. Quando foi na hora de voltar pra casa, as três iriam para paradas de ônibus diferentes. Meu ônibus sempre demora anos para passar, e eu estava esperando há uns bons cinco minutos quando pensei.
Sentei no banco da parada de ônibus, pesquei o livro dentro da bolsa, e comecei a ler. Comecei a ler sem empolgação, já pensando nas minhas outras decepções. E o livro não começa lá tão empolgante. Aristóteles é um adolescente de 15 anos dramático e cheio de tristeza no coração. Nada o deixa feliz, nada é empolgante. Eu sou uma adulta, e sinceramente, apesar de ser dramática, dramas adolescentes já não fazem mais parte da minha vida.
Aristóteles – que tem o nome do avô, mas não gosta e prefere ser chamado de Ari – é um americano de descendência mexicana. E ser mexicano para sua família é muito importante. Ele é o filho mais novo de quatro – duas gêmeas, muito mais velhas que ele, e um irmão do meio, igualmente muito mais velho, do qual ninguém fala o nome. Bernardo foi preso.
Por ter esse peso em suas costas de saber que seu irmão tinha sido preso, Ari vive com sua mãe em seu pé, governando sua vida para que ele não se meta com más companhias. E seu pai não ajuda. O homem foi para o Vietnã e voltou mudado. Não conversa e não diz nada para ninguém além do essencial.
Ainda assim, sua mãe quer que ele arranje amigos, e quando chega o período de férias de verão, ela quer que ele saia de casa e se divirta. Ari decide ir para a piscina, apesar de não saber nadar. E quando está lá, boiando, alguém lhe oferece para ser seu professor de natação.
Dante Quintana também é descendente de mexicanos, mas não se sente tão mexicano assim. Ele ama arte e literatura, ama as estrelas e desenhar. Ari considera que Dante é muito melhor do que ele em tudo, mas mesmo assim, viram amigos. Uma amizade que vai crescendo à medida em que Dante vai, aos poucos, quebrando a armadura ao redor de Ari e tornando-se seu melhor amigo.
O livro se divide em seis partes, e essas seis partes são preenchidas de momentos essenciais na vida dos dois, e descobertas que acontecem de forma a modificar e aumentar o que os garotos conhecem. A descoberta de um amigo, a descoberta de um melhor amigo, a descoberta da dor, a descoberta de seus próprios sentimentos. Tantas descobertas no decorrer de dois anos (que é o tempo em que se passa o livro, de 1987 à 1989), algumas tão óbvias, outras tão difíceis.
A descoberta do que significa compreensão, lealdade, desejo. Não quero falar sobre todos os acontecimentos da história, seriam spoilers que eu não gostaria que me contassem, mas o que posso dizer é:
Sim. Eles terminam juntos.
Sim, eles continuam sendo melhores amigos.
O livro não me fez chorar, e nem é muito complexo. Ele tem uma linguagem incrivelmente simples, e é de leitura rápida. Li em um dia, desde a parada de ônibus, no caminho para casa, indo e voltando dos afazeres domésticos. É um livro que vale a pena ser lido, se você gosta desse tema. Recomendado para adolescentes de 15 anos para cima, ele é um livro tipicamente adolescente feito para adolescentes. Me deixou frustrada, me fez rir, me fez ficar apaixonada por eles, tanto por Ari quanto por Dante. Definitivamente me fez procurar por fanfics, e me curou de minhas decepções.