Tchucos, algumas pessoas vão desejar nunca terem te conhecido. Talvez por você as ter machucado de alguma forma, talvez por te considerarem alguém fútil demais, militante demais... Ou apenas por ser gay. Algumas pessoas têm esses pensamentos enraivados e, por uma coisa ou outra, vão desejar nunca terem te conhecido. Mas algumas dessas pessoas também possam ter te machucado, deixando cicatrizes que você tentará se curar por anos.
Quando terminei o meu primeiro namoro sério eu disse a mim mesmo: “chega, basta, muda Brasil”! Porque eu não queria sofrer novamente. Considero esse o primeiro erro do primeiro passo, pisar cuidadosamente em ovos para não sofrer. Por consequência desse amor em ruínas, fiquei mais cauteloso quando se trata de me relacionar com outras pessoas. Mas nunca me fechei totalmente para que oportunidades pudessem acontecer. Então, num dia de verão, eu conheci Lorenzo Rodriguez. Ele era uma pessoa muito especial, uma pessoa engraçada, com uma conversa interessante, ríamos e ríamos e ríamos... Mas, tchucos, eu o conheci na pior fase da minha vida. Ah, não posso deixar de mencionar, Lorenzo Rodriguez era uma vadia.
Eu estava passando por um momento difícil. Tinha crise familiar e, ainda por cima, o término recente de um namoro cheio de planos para o futuro que não houve. Fomos apresentados em uma fila e, em meio às luzes, dançamos pela primeira vez juntos. Eu achava interessante essa fase de solteiro em ter essa adrenalina de conhecer alguém novo. Hoje, não mais. O primeiro beijo, que houve entre mim e Lorenzo Rodriguez, foi alguns meses depois de eu ter terminado meu primeiro namoro e, tanto eu quanto ele, ainda sentíamos algo pelos exs. É engraçado como o universo move as peças para as coisas acontecerem e pessoas se conhecerem. A vadia que era Lorenzo Rodriguez também havia terminado recentemente. Nosso beijo foi algo avassalador e, mesmo bêbado, o toque de nossos lábios foi algo que eu nunca esqueci. Se envolver com uma pessoa que ainda está em processo de cura por um amor passado é algo complicado, mas que eu vou falar depois.
Eu tinha terminado e pensado: “chega, basta, não quero passar por tudo isso novamente”. Mas, como uma boa vadia sedutora que era, Lorenzo Rodriguez foi aquela pessoa que me fez repensar sobre essas novas prioridades emocionais. Meses, anos depois desses términos, eu ainda tinha contato com Lorenzo Rodriguez. Ele parecia se importar comigo, e nós conversávamos sobre tudo. Ele me ajudava, me dava conselhos e tudo parecia ser recíproco. O nosso pseudorelacionamento foi uma via de mão dupla, mas é engraçado como o universo joga pessoas em sua vida para te ensinar algumas lições. Lorenzo Rodriguez era uma vadia com um coração partido por problemas que eu não me atrevi a me meter demais. Às vezes coisas pessoais devem ser lidadas em silêncio e você só precisa estar ali do lado para segurar caso algo caia.
Pela primeira vez, depois de um relacionamento conturbado, rodeado de problemas, eu me senti livre para abrir meu coração. Hoje eu acho interessante o modo como o universo uniu Lorenzo Rodriguez a mim, com o intuito de me fazer crescer com essas decisões e repensar sobre o que realmente é o amor. Eu não amei Lorenzo Rodriguez, ele sempre soube que meu coração pertencia a outro. Mas eu amei o modo como Lorenzo Rodriguez me fazia acreditar que eu poderia amá-lo de uma forma surreal. O problema é que ele não soube caminhar comigo, no meu tempo. Às vezes você vai trombar com pessoas maravilhosas no seu caminho e simplesmente terá de deixá-las. Ou essas pessoas terão de te deixar. Às vezes você poderia ter tido tudo se as consequências ou se algo entre vocês fosse diferente. Eu me entreguei a Lorenzo Rodriguez da mesma forma que havia me entregado para o amor da minha vida, mas não fui retribuído. Ele tinha meu coração na palma da mão e brincou com ele.
Tchucos, Lorenzo Rodriguez era uma vadia com problemas pessoais que ainda sentia algo pelo ex e, ao contrário de mim, não se permitiu viver algo novo. Se algum dia ele ler esse texto, saberá que eu falo dele. Lorenzo Rodriguez você é uma vadia, mas poderíamos ter tido tudo se as condições fossem diferentes.