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Morei quase um ano, quem sabe um dia volto
Ci sono angoli ancora da assaporare, da ritornarci
Litoranea Baia Verde, Gallipoli - Foto mie
Está é uma foto relativamente antiga. O personagem nela e a vida que o acompanhava já não existem mais - embora julgasse nesta vida viver até o fim de seus dias. O último ano os varreu para os relatos da história. Foi um ano de muitas perdas, e, algumas delas, todos partilhamos juntos. Em minha pouca experiência, sempre que as perdas ultrapassam certo limite, aquilo que fomos até aquele momento se perde também. Não se trata de perder tudo. O suficiente para no que resta não se reconhecer mais o mesmo. Por apego, podemos forçar este reconhecimento, devotados a um ídolo vazio. Aceitar a perda, todavia, implica aceitar uma espécie de mudança que se vive como uma forma de luto. Imagino que se possa dissimular esse luto, e dele se distrair por uma série de ocupações. Ao contrário, sei da possibilidade de se ressentir da perda, e não viver o devido luto da própria história. Há que ser digno de seu luto, para chegar onde ele leva. Queria eu ser, mas é tão difícil. E o que resta de nós pesa em sua duração o mesmo tanto daquilo que se perdeu. Transcorrido seu tempo e seu espaço, as lembranças daquele passado não parecem mais nossas. Como um filme, vivemos aquela história, mas ela foi de outro. A intimidade, que antes parecia indissolúvel, agora está desfeita. De seu passado se afasta como de um estranho, alguém que se chegou até a estender amizade, dado a conveniência das circunstâncias; mas, agora, desfeita a ilusão de compatibilidade, afastam-se ligeiro um do outro, constrangidos pela confiança indevida, dividindo como última cumplicidade o acordo tácito de fingirem sequer terem se conhecido.
I need this 🔙✈️🌊