Talvez meu destino seja sentir
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Talvez meu destino seja sentir
Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer
Maria do Rosário Pedreira
Eu e pilha de roupa. Eu e a olheira. Eu e o trânsito. Eu e o caos. Eu e a coluna. Eu e a solidão surreal que se apossa de mim. Eu e a sensação de ser mais infeliz do que todo mundo no mundo.
Errar pode ser tão incrível quanto acertar, basta conseguir enxergar os pontos positivos, mesmo que isso demore. Quando a gente menos espera já está pronto pra outra, mais forte e menos bobo. Podemos morrer de saudade sim, mas de amor jamais. A grande sacada é entender que tudo passa, até uva passa, meu amigo (a piada foi horrível, sim eu sei), e por mais bizarras que possam parecer, todas as situações nos fazem evoluir de alguma forma, porque até um pé-na-bunda nos empurra para frente.
Acho bonito a coisa de ter uma religião mas não nasci com essa graça
Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer – que não saltei da ponte,
nem enchi os pulsos de sangue, nem
me deitei à linha, lá longe.
Ainda bem
que não atei a corda à viga do tecto, nem
comprei na farmácia, com receita fingida,
uma dose de sono eterno.
Ainda bem
que tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo de não morrer completamente
e ficar para aí – ainda mais perdida do que
antes – a olhar sem ver.
Ainda bem
que o tecto foi sempre demasiado alto e
eu ridiculamente pequena para a morte.
Se tivesse morrido de uma dessas vezes,
não ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto escrevo este poema, que pode
não parecer – mas é – um poema de amor.
Maria do Rosário Pedreira
Primeiro, você quer que o tempo passe. Passado algum tempo, você só quer ter mais tempo. Passado ainda algum tempo, você entende, finalmente, que o tempo é uma mentira.
Quero viver como se estivesse indo embora daqui (estou), por isso quero viver com gula até o último minuto.