what you know. @landstan
Com o simples ato de abrir a porta e um sorriso, Landon dispensou sua classe. Todos saíram apressados, causando um pequeno tumulto. Por dentro, ele sentia uma ponta de tristeza por ter que se separar de seus pupilos, e em seguida, uma ponta de esperança afasta esses maus pensamentos, o lembrando que eles teriam outra aula amanhã. A ponta de tristeza surge novamente: seria uma aula prática. Landon prefere aulas teóricas como a que acabou de concluir – todos sentados em suas carteiras, conversando e aprendendo – do que treinamentos práticos na arena de terra. Escrevendo em uma lousa, o homem consegue ensinar todos de uma vez, e ajudar em particular os que tiverem dificuldades. Na arena, não. Ele só pode ditar o que se deve fazer no máximo duas vezes, e em seguida, não pode dar apoio extra para aqueles que apresentarem problemas na atividade. O que Landon quer é dar um abraço em cada um que falha nos testes, mas pelas regras, deve lecionar sobre os erros e deixar seus estudantes se sentirem ainda mais humilhados. Landon odeia o CCM (Código de Conduta do Mestre) mais do que qualquer coisa na Gênesis. Ele tenta ao máximo não soar bravo ou frio com seus alunos, e essa é sua maior falha em ser mestre: ensinar sem ser rígido. Embora seus discípulos são os mais satisfeitos com o treinamento e os mais sorridentes de toda a base, geralmente são os que mais demoram a passar de fase. Mas o loiro tenta não se deixar levar por esses sentimentos. Ele não é como Rabastan, e nunca vai ser.
O som característico do sinal limpa a sua mente, e deixa um objetivo bem claro: comida. Há dias que Landon não se alimenta direito por usar os vinte minutos do horário de almoço para reforçar os estudos de alguns alunos com dificuldades, mas hoje teve sorte, e nenhum deles veio atrás de si com problemas nos exercícios. Os passos aéreos que dava pelo corredor tornaram-se pesados assim que avistou uma dobradora de água chorando encostada na parede. Era uma pré-adolescente, provavelmente nova, e Landon criou em empatia por ela – o que não é novidade, ele sente empatia por todos — sabia o quão difícil era ingressar na Gênesis. Quando perguntado o motivo das lágrimas, a menina respondeu apontando para a arena de treinamento da água. Ligando um ponto ao outro, Landon sorriu para ela, e notando leves ferimentos no braço dela, lhe disse para ir até à enfermaria. A garota concordou, e logo sumiu nos difusos corredores da base secreta.
O loiro passou seu cartão de mestre no portão automático, e ele se abriu sem fazer nenhum barulho. Acompanhando as enormes placas de metal, Landon também foi silencioso, e adentrou a área de treinamento. Rabastan, em toda a sua glória de mestre moralmente ambíguo que obtém bons resultados de seus alunos usando de técnicas incomuns, lecionava uma turma que estava sendo dispensada no momento que Landon entrara no local. Os rostos abatidos e o silêncio dos jovens mostravam que esta havia sido uma aula difícil, e Landon teve a impressão que todas as classes eram assim. Os estudantes saíram em uma única fila organizada, todos calados. O que aterrorizava Landon era que ele conhecia aquele tipo de silêncio: não era respeito, era medo. O homem esperava ser atropelado pelo mini caos que acontece ao fim de suas aulas, mas aquilo era o completo oposto.
Decidido a não julgar os métodos do outro mestre, ele desviou da fila indiana e adentrou mais fundo na fria arena. Somente a presença de Rabastan era suficiente para tornar o ar pesado e gélido. O último estudante fechou os portões, e Landon aproximou-se do mestre de água. — Ei, Rabbit! — Ele chamou o homem que estava de costas para si. Pegando-o de surpresa, Landon passou o braço em volta do pescoço de Rabastan quando este se virou para o ver. O braço do loiro parecia se encaixar perfeitamente, como se o pescoço do outro fosse o exato suficiente para ele. Rabastan sempre era o suficiente para Landon. — Eu poderia comer um búfalo inteiro agora! Dá pra ver na sua cara que você também tá faminto, e olha só, eu estava indo justamente para o refeitório! — Landon notou que a expressão de Rabastan realmente parecia com fome, mas era a expressão que ele mostrava para todo mundo então era difícil saber o que realmente se passava por trás dos olhos claros. Algo no fundo do loiro dizia que não era coisa boa.
Ainda dentro do espaço pessoal de Rabastan e com o braço ainda mais envolvido no pescoço do moreno, Landon iniciou uma caminhada para fora da arena. Os corredores estavam pouco movimentados, e em silêncio – a zona consensual e confortável na qual eles vivem na maior parte do tempo –, chegaram ao refeitório. O caos já estava estabelecido antes dos dois mestres adentrarem o recinto, e como Landon não poderia rir do tomate que acertou o peito de Rabastan em cheio? Enquanto esperava o amigo se limpar, o loiro se prontificou a reconhecer seus alunos, e ao invés de ajudar a diminuir a bagunça como requisitado por seus superiores, ele auxiliou os jovens na guerra de comida que estavam tendo com os dobradores de fogo. Um minuto inteiro de intensa adrenalina e diversão, e Landon lembrou que era um adulto, e deveria ser o responsável ali. Fugiu com pressa das bombas de gás sonífero, (e ele pode ou não pode ter jogado areia nos olhos dos dobradores de fogo junto de seus estudante nesse momento) e fingiu estar dando uma lição de moral neles. Com uma piscadela e um sorriso curto, ele os guiou para fora do refeitório. Quando voltou, encontrou Rabastan despistando alunos com facilidade. Até mesmo Landon temeu o olhar do moreno, e afastou-se até ele terminar seu trabalho.
A bagunça restante foi deixada nas mãos dos faxineiros. Landon, Rabastan e outros Mestres ficaram esperando do lado de fora, para garantir que nenhum desordeiro tentasse entrar. Após uma dezena de minutos recheada de fome, um funcionário avisou que tudo estava limpo. O estômago de Landon, que estava prestes a roncar, lhe forçou a entrar no recinto. Algumas pessoas ainda trabalhavam, mas no geral, estava tudo arrumado – e com certeza, bem melhor do que antes. O loiro perguntou sobre o horário que a comida sairia, e a resposta negativa o desanimou. Não havia mais nada. "Não tem nada mesmo?", perguntou para o chef, que decidiu ir procurar alguma raridade na dispensa. Enquanto isso, Landon sentou em uma mesa, ao lado do mestre de água. — Cara, eu passei dias sem almoçar e quando venho, acontece isso. Por que eu sou tão azarado, Rabbit? Parece que o karma nunca quer trabalhar do meu lado. — Ele desabafou, encostando por instinto a cabeça no ombro de Rabastan. Era largo e confortável, o suficiente para Landon. Rabastan sempre era o suficiente.











