Jogo finito x Jogo infinito
Após ler o livro Relógio do Longo Agora, de Stewart Brand, tirei algumas conclusões sobre tudo o que fiz e o que deixei de fazer desde a minha formatura em Comunicação Social no ano de 2003. Esta data, diga-se, representa um marco para minha vida. A partir deste período aconteceram várias situações, decisões, alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, investimentos, retornos, despesas e perdas.
Regia minhas ações sob o intuito de fazer algo e ter o retorno em médio ou curto prazo. O tempo encarregou-se de ensinar sobre paciência, perseverança, esperança e realização. O livro de Brand, leitura altamente recomendada em nossos dias, veio de encontro a todas as minhas expectativas. Principalmente no último capítulo, que faz um paralelo entre dois paradigmas interessantes.
Olhamos para nosso cotidiano sob os modelos lançados pelo autor: Jogo Finito versus Jogo Infinito. O primeiro fala a respeito de vencedores e perdedores, competição, sobrevivência e disputas decisivas em curto prazo. O segundo trata de continuidade, de compartilhamento, aprimoramento, consenso, causas e efeitos em longo prazo.
Jogo Finito
O propósito é vencer
O aprimoramento se dá pela sobrevivência dos mais fortes
Os vencedores excluem os perdedores
Os vencedores ficam com tudo
Objetivos são idênticos
Simplicidade relativa
As regras são estabelecidas de antemão
As regras parecem concursos de debates
Competir por mercados maduros
Disputas de curto prazo decisivas
Jogo Infinito
O objetivo é aprimorar o jogo
O aprimoramento se dá pela elaboração do jogo
Os vencedores ensinam melhores jogadas aos perdedores
As vitórias são amplamente compartilhadas
Os objetivos são variados
Complexidade relativa
As regras mudam por consenso
As regras parecem com uma gramática de nossas primeiras palavras
Criar novos mercados
Longo prazo
(apud Mastering the Infinite Game, de Charles Hampden-Turner e Fons Trompenaars, 01997)
A comparação nos leva a pensar sobre a relevância de nossas tarefas. Qual o legado vamos deixar por meio de nossas ações? O que esperar? Qual a expectativa de nossos próximos? Qual a nossa relação com o mundo que nos cerca?
Se você ler o livro de Brand vai perceber tal relação e olhar os problemas da humanidade sob a ótica do tempo e da responsabilidade. Eu explico de forma simples: jogamos lixo na rua e pensamos automaticamente que ele vai sumir, nos esquecemos de como a matéria demora a se decompor e acabamos por poluir o ambiente. Ação de um. Imagine sendo de muitos, em um período longo de tempo?!
O agora, para muitos, representa o hoje, o imediato. Porém, uma ação feita neste agora pode resultar em grandes conquistas do amanhã. Depois de aprender isto, coloquei uma dose de calma em meu coração e esqueci um pouco a pressa - ou a pressão pessoal imediatista. Quero concentrar na tarefa de hoje com o foco no longo agora. Aprimorar, compartilhar, aprender a cada dia algo novo. Fazer o jogo infinito. Pense nisso!
Publicado originalmente em 23/03/2012, por Senoux.












