Longe.
A lonjura é algo subjetivo. Para quem se desloca tão somente de automóvel ou para quem padece das pernas, um quarteirão todinho já é muito longe. Para mim, que passei mais da metade de minha vida andando a pé, longe é o que esgota um dia inteiro sem que eu logre alcançar o destino onde me espera um compromisso inadiável.
Lembro, com satisfação, das vezes em que, saindo da Escola Municipal Zumbi dos Palmares, no Conjunto Rosana Collor, voltei para casa a pé, isto é, até as proximidades do antigo Hospital do Açúcar, no Farol. Não encarava tal caminhada como um desafio físico, e sim como um prazer, o de apreciar o que cada passo dado descortinava ao meu olhar.
Mas longe é algo curioso. Do pensamento à expressão vocal, gasta-se poucos segundos numa sílaba tônica, embora longa, tanto em português quanto em francês ou em espanhol (loin, lejos). O roceiro tem até um jeito interessante de exprimir a lonjura ao esticar o beiço num "É bem ali..." Engraçado, dizer a lonjura não gasta mais tempo do que dizer a proximidade ( perto, près, cerca). O pensamento tem pressa!













