{You can’t save them all}
A noite já chegava quando o incêndio finalmente foi controlado e lentamente o movimento foi diminuindo na cena da tragédia. Nathan sabia que a verdadeira loucura estaria no hospital e pela primeira vez em muito tempo, agradeceu por não ser médico. Seu trabalho acabaria rápido. E ele mal podia esperar para ir para casa e abraçar os filhos com firmeza. Tinha resgatado todo tipo de pessoas, incluindo crianças e mal podia imaginar algo assim acontecendo com as suas. Precisava adicionar “passeios de balão” a coisas que seus meninos estavam proibidos de fazer, junto a “usar drogas” e “sequer olhar para um carro depois de beber”.
“Ainda temos uma desaparecida.” Um dos seus colegas disse, revisando a lista de vítimas que a empresa de balões tinha fornecido. Nathan imaginou que teria sido um engano e que talvez alguém tivesse a levado sem conferir sua identidade, mas era difícil pensar em sair dali até que todos estivessem a caminho.
“Aqui! Equipe médica!”
Nathan e seu colega correram na direção do chamado, o outro carregando a prancha, ele carregando uma das bolsas de primeiros socorros.
Perto dos outros que tinham visto hoje, a vítima parecia quase pacífica. Era uma mulher jovem, talvez com seus vinte anos. Todo o seu corpo estava coberto de cortes pequenos. Os bombeiros disseram que talvez ela tivesse caído do balão direto nas árvores. Havia, porém, três cortes mais profundos, um no seu abdômen, um no seu lado direito, próximo ao quadril e outro no seu lado esquerdo, sob o seio. Até então, ela estivera coberta por uma parte da estrutura coberta de tecido, que a mantivera escondida. Só quanto o tecido queimou é que eles conseguiram encontrá-la, mas ela já estava inconsciente.
Debaixo do que restava da estrutura era quente e a fumaça estava concentrada, tornando difícil de ver. Apesar da máscara de proteção, Nathan sentiu os olhos arderem e não se deixou tossir. Os dois checaram por sinais de fratura e colocaram a paciente sobre a prancha. Debaixo dela, na grama, uma mancha escura mostrava que ela havia perdido muito sangue.
Já na área de primeiros socorros, eles fizeram o possível para conter os sangramentos, mas logo perceberam que era preciso chegar no hospital o mais rápido possível. As pontas azuis dos dedos da moça indicavam a falta de oxigênio no sangue, o que podia ser resultado da perda de sangue, do choque, da inalação da fumaça ou ainda um sinal de que os cortes tinham sido mais profundos do que ele imaginava. Nathan foi atrás enquanto seu companheiro foi na frente.
A viagem foi longa e difícil, com o monitor cardíaco indicando uma pulsação rápida, mas fraca. A respiração da moça também era curta e difícil, apesar do respirador preso ao seu rosto. Assim que chegou ao hospital, Nathan mergulhou na loucura, já não sabendo quantos pacientes tinha trazido da mesma maneira. Mas diferente da última vez, já não havia tantos médicos por perto, e ele se viu incapaz de deixar o lado da mulher jovem quando ninguém veio atendê-la.
“@lorikhxtali! Lori!” Ele chamou, ainda segurando as bandagens sangrentas. “Tenho um caso de choque hipovolêmico e inalação de fumaça. Possível perfuração de pulmão. Ela precisa de uma sala de cirurgia e uma equipe de trauma. Tem alguém disponível?”

















