Yo! Como estão galerinha?
Então esse é um pedido lá do antigo tumblr, que eu havia começado por lá e decidi finalizar. Acabou que eu desenvolvi muito mais do que esperava e ele ficou simplesmente gigante! Espero que ainda gostem de oneshots enormes hsauhs Por favor, me digam o que acharam <3
Contagem de palavras: 3,962
— Você pode colocar o açúcar na bandeja sempre que houver alguém na sala de reuniões. — Marie dizia enquanto pegava o pequeno açucareiro e acomodava entre as treze xícara de café. — Louis gosta do café dele todos os dias pontualmente às nove, você não pode atrasar. — Seu tom era de aviso. Marie era uma senhora com os cabelos já grisalhos, se vestia formalmente e tinha um sorriso no rosto ao me passar as instruções. — Vamos. — Ela disse se afastando da mesa, e eu pequei a bandeja com as duas mãos.
Assim que chamou em frente á sala de reuniões, Marie sorriu para a secretária que estava sentada em sua mesa, que sorriu e informou que o chefe já estava à espera do café. Entramos na sala enorme, haviam apenas três pessoas sentadas na grande mesa.
— Com licença, senhor, seu café. — Marie disse em um tom totalmente diferente, comedido e quase sussurrado. O homem sentado na ponta da mesa apenas fez um movimento com os dedos, e nós nos aproximamos. Coloquei as xícaras em frente às três pessoas ainda em silêncio. — Senhor Tomlinson, está é a senhorita s/s. Ela estará me substituindo após meu período de aviso prévio. — O homem ergueu os olhos dos papéis que lia, com a xícara presa entre os dedos e me olhou. Meu corpo enrijeceu assim que seus olhos se fixaram em meu rosto. Ele deu um sorriso, cheio de desdém.
— s/n, quanto tempo. — Soprou, com ironia.
— Senhor Tomlinson, é um prazer revê-lo. — Falei com o tom mais formal que consegui.
— Eu imagino. — Me deu mais um sorriso cheio de cinismo. — Podem ir.
Saímos da sala enquanto eu levava a bandeja colada ao corpo, meu rosto inteiro pegava fogo e minha pulsação estava a mil.
— De onde você o conhece? — Marie cochichou assim que entramos na pequena copa.
— Estudamos juntos, no ensino médio. — Sussurrei de volta. Secando as mãos suadas em minha saia. — Esperava que ele não se lembrasse de mim. — Confessei.
— Espero que tenham sido amigos, ou sua vida aqui será um inferno. — Marie disse em um suspiro.
Assim que cheguei em casa, tirei os saltos e fui recebida por um par de braços gordinhos de corriam em minha direção.
— Como foi no trabalho? — Amélia perguntou assim que a ergui em meu colo.
— Foi bom, todo mundo é legal. — Menti. E me dirigi até a cozinha ainda com a pequena no colo. — Deram muito trabalho? — Perguntei á Clare que estava sentada da mesa junto de Pedro fazendo o dever de casa.
— Você sabe que eles são ótimos. — Ela disse sorrindo. Passei a mão pelos cabelos de Pedro que resmungou enquanto pintava uma árvore com seus lápis de cor.
Larguei Amélia em uma das cadeiras e peguei a quantia em dinheiro que já estava separada para Clare em minha carteira.
Ela agradeceu e depois de alguns minutos foi embora.
Fiz o jantar e depois de uma luta que pareceu eterna para que Amélia permanecesse na cama, consegui finalmente entrar no meu banho.
A primeira semana de trabalho passou por mim como um rolo compressor. A rotina de dar café da manhã para as crianças, levá-los para a escola e estar a tempo na empresa para servir o café de Louis pontualmente às 9h estava me deixando exausta. Por sorte não trocamos mais do que um "bom dia" nestes dias, e eu já me sentia menos nervosa toda vez que tinha que bater em sua porta com a xícara fumegante.
Na sexta feira, me sentei na copa para almoçar. Eram os restos do jantar da noite anterior, e por mais que eu tivesse certeza de que não me deixaria satisfeita, não fiz nada a mais. Por mais que o novo emprego pagasse bem, sustentar duas crianças, pagar uma babá e manter uma casa não era nada fácil.
Louis entrou pela porta estreita, com o habitual terno escuro, os cabelos penteados para trás.
— Em quinze minutos terei uma reunião. Leve café e alguns biscoitos. — Ele disse em seu tom de ordem.
— Sim senhor. — Falei engolindo minha comida, com a mão na frente da boca. Louis encarou meu pote com uma sobrancelha arqueada. Eu não podia comprar um pote específico para levar comida, então levava qualquer pote genérico que pudesse ser colocado ao microondas.
— O que é isso? — Ele perguntou apontando para minha refeição.
— E você trouxe nessa merda? E se algum cliente visse? Providencie algo melhor. — Colocou as mãos nos bolsos.
— Senhor, eu não posso. — Falei baixando meus olhos. E fui surpreendida por uma gargalhada vinda do homem. Cheia de ironia.
— Quem diria. — Falou com asco. — A grande s/n que não tinha tempo pra ninguém, não pode nem comprar um pote melhor para comer. — Cuspiu. — Enquanto eu, que não era bom o suficiente, é quem paga a porra do seu salário. — Ele se abaixou, colocando as mãos sobre a mesa. Meus olhos ardiam, e minha vontade era correr para baixo da mesa como uma criança pequena.
— Eu nunca disse que não era o suficiente… senhor. — Falei com dificuldade.
— Ah, por favor. Não se faça de sonsa, s/n. Eu corria como um cachorro atrás de você, e você me tratava como um merda. — Ele praticamente gritou.
— Senhor… eu nunca o tratei mal. — Engoli em seco. — Me desculpe se foi o que pareceu…
— Bom, foda-se isso. — Ele se ergueu novamente. Seu rosto estava vermelho de raiva. — Vou ter uma reunião às 18h e quero que você sirva café quinze minutos depois. — Ele ordenou.
— Senhor, eu não posso… — Minha voz saiu em um fio.
— Dê um jeito, ou não precisa mais vir amanhã. — Ele disse saindo. Assim que entrou em sua sala, um burburinho dos funcionários se iniciou. Eles falavam apontando para a copa sem a menor discrição, me fazendo sentir um lixo.
Liguei para Clare enquanto preparava o café, pedido que ficasse um pouco mais e prometendo pagar mais algum dinheiro pelo imprevisto.
Assim que os executivos saíram, a secretária de Louis se dirigiu a copa dizendo que eu já estava liberada para ir embora. O que fiz quase correndo.
Depois de um sábado inteiro chovendo, o domingo amanheceu ensolarado, e as crianças me imploravam que os levasse ao parquinho no centro da cidade.
Depois de muita insistência acabei cedendo.
Arrumei Amélia com um macacão cor de rosa com flores desenhadas, um par de Maria chiquinhas e o tênis da mesma cor da roupa. Pedro já estava praticamente pronto, apenas precisei amarrar seus cadarços para que pudéssemos sair.
Por mais que fossem gêmeos, Pedro era muito mais independente que Amélia. Ele gostava de se vestir sozinho e dispensava qualquer ajuda para comer ou ir ao banheiro, diferente da irmã.
Caminhamos por muitos minutos até o parque, e assim que chegamos eles saíram correndo de mãos dadas até um escorregador.
Me sentei em um banco que me dava visão de onde eles estavam. Pousei a bolsa que continha algumas guloseimas para eles no chão, e peguei meu livro que estava junto.
Sempre cuidado onde estavam, consegui ler algumas páginas.
— São seus filhos? — Meu corpo gelou quando reconheci a voz. Ergui meus olhos do livro, dando de cara com um Louis muito diferente das últimas semanas. Ele vestia um conjunto de moletom preto, com o capuz escondendo os cabelos. Ele se sentou ao meu lado. — Aquele é o meu. — Disse apontando com o dedo indicador, para um menino loiro que brincava no mesmo brinquedo.
— São meus irmãos. — Informei, e ele assentiu com um movimento de cabeça. Voltei meus olhos para o livro, mas não consegui ler uma letra sequer com a sua presença.
Depois de minutos que pareciam uma eternidade, Amélia, Pedro e o garotinho loiro se aproximaram correndo, completamente esbaforidos.
— Estamos morrendo de fome. — Amélia falou com o drama de sempre, me fazendo sorrir. Entreguei um pacote de biscoitos para cada, junto de uma caixinha de suco de maçã.
— Não precisa. — Louis falou quando ofereci ao menino a mesma coisa, que olhou para o pai quase fazendo um beicinho.
— Está tudo bem. — Eu falei oferecendo novamente. O garotinho pegou, dando um largo sorriso.
— Agradeça, Freddie. — Louis disse, seu tom era de autoridade, mas diferente da que usava no escritório, era um pouco mais contido.
— Muito obrigado. — O menino disse com a boca cheia e eu sorri em resposta. Os três se afastaram, falando animadamente sobre qual super herói seriam na próxima brincadeira.
— Costuma passar os finais de semana com seus irmãos pequenos? — Louis perguntou assim que eles se afastaram o suficiente para não ouvir.
— Eles moram comigo. — Falei encarando meus dedos, esse era um assunto que me trazia péssimas lembranças.
— Foi por isso que aceitou uma vaga como copeira? -— Eu podia sentir seus olhos ainda em mim, minha pele queimava.
— Não conseguiu nada na sua área? — Seu corpo agora estava virado para mim. Para quê tantas perguntas?
— Precisei largar a faculdade quando Amélia e Pedro nasceram, ainda não consegui retornar. — Disse sentindo um nó se formar em minha garganta.
— E os pais dele? Porque não ficaram com eles? — Encarei Louis, ele estava com os braços cruzados, sua expressão era de curiosidade.
— Não sei quem é o pai deles. — Admiti. — Minha mãe…— Suspirei, sentindo meus olhos marejarem. — Ela faleceu quando eles tinham dois meses. Desde então somos nós três. — Sequei rápido a lágrima que escorreu. E desviei meus olhos para as crianças que brincavam animadamente.
— Eu… sinto muito, não devia ter falado dessa forma. — Louis disse depois de algum tempo.
— Está tudo bem. — Afirmei forçando um sorriso. — O senhor não teria como saber.
Depois de mais algum tempo, quando já começava a escurecer, chamei Amélia e Pedro para irmos embora. Depois de alguns resmungos, consegui convencê-los ao prometer um delicioso macarrão com salsichas. Meus pequenos se despediram dos amigos, e saímos caminhando pelo mesmo caminho em que viemos.
Eu me arrastava pela rua, uma mão segurando a de Pedro e a outra equilibrando Amélia que dormia com a cabeça pendurada em meu ombro.
— Precisa de uma carona? — Me virei ao ouvir a voz de Louis. Ele estava dentro de um carro preto, que eu já havia visto no estacionamento da empresa. Antes que eu pudesse responder, ele desceu do carro, e pegou Amélia do meu colo, que se aninhou nele.
— Não precisa, estamos perto de casa. — Menti. Ainda faltavam uns bons minutos caminhando, principalmente no ritmo em que estávamos.
— Não estamos nada. — Pedro falou, e eu o repreendi, apertando sua mão levemente. Louis riu, e abriu a porta de trás, revelando um Freddie sorridente. Pedro sem esperar qualquer autorização, entrou e se sentou ao lado do novo amigo. E Louis acomodou Amélia ao lado dos dois, que ainda estava adormecida.
Como não restavam lugares no banco traseiro, aceitei o convite silencioso de Louis, que abriu a porta do passageiro para mim. Informei o endereço e ele dirigiu com calma.
— s/n faz o melhor macarrão com salsicha do mundo! — Pedro dizia animado. Eu já podia ver a nossa casa se aproximando, o que me deixava mais calma.
— Pai, posso comer o macarrão da tia? — A voz de Freddie surgiu, fazendo com que Louis assumisse uma postura mais dura. Ele estacionou em frente a minha casa e virou levemente o corpo para olhar para o filho.
— Talvez na próxima, amigão.
— Mas amanhã eu vou para a casa da minha mãe! — Disse fazendo um beicinho, exatamente como Louis fazia quando me chamava para algum lugar em nossa adolescência.
— Eles podem jantar com a gente. — Pedro disse. — Não é mesmo, mana? — Freddie agora me dirigia uma expressão de súplica, acompanhado pelo meu irmão que fazia o mesmo. Louis me olhava de lado, esperando uma resposta.
— Claro… Se vocês quiserem… — A comemoração barulhenta dos dois garotos acordou Amélia, que quando soube que o novo amigo jantaria conosco também comemorou.
Me xinguei mentalmente enquanto entrava em casa. Não deveria ter aceitado o jantar Mal tínhamos o que comer, mais duas pessoas seriam uma despesa que eu não tinha como cobrir. Principalmente depois de ter que pagar um extra para Clare da sexta-feira.
— Você quer ajuda? — Louis perguntou, enquanto eu cortava as salsichas para colocar no molho. Ele estava nos últimos vinte minutos sentado na mesa da minha cozinha enquanto mexia no celular. Amélia e Pedro levaram Freddie para conhecer seu quarto, e permaneceram lá brincando mais um pouco.
— Não precisa. — Forcei um sorriso. Agora Louis olhava atentamente pela cozinha. Senti meu coração apertar. Aquele certamente não é o tipo de ambiente que ele está habituado. Por mais que não fosse exatamente pequena, minha casa era muito simples. Minha mãe havia decorado com todo carinho quando nos mudamos para a Inglaterra, quando eu tinha 6 anos. E desde seu falecimento, seis anos atrás, ela não tem tido muita manutenção.
Algumas paredes estavam com a tinta descascando, haviam alguns armários manchados da época em que as crianças começaram a caminhar e passavam qualquer coisa pelas portas e as manchas nunca mais saíram.
— Gostaria de um pouco de vinho? — Ofereci, na tentativa de tirar sua atenção das minhas paredes.
— Por favor. — Ele disse.
Peguei a garrafa de vinho barata no armário que havia em cima da pia, e dois copos. Depois de servir, me virei para ele e ofereci um.
— Não tenho taças, me desculpe.
— Não é um problema. — Ele disse pegando o copo da minha mão, roçando levemente seus dedos nos meus, e então levou o liquido aos lábios.
— A qualidade também não é da melhor. — Admiti.
— Você parece esquecer que me conheceu adolescente.— Ele disse com certo humor na voz. — Se me oferecessem gasolina em uma garrafa de vodka eu beberia. — Não pude segurar o riso após sua confissão, o que o fez abrir um sorriso bonito.
Voltei minha atenção ao jantar, e em alguns minutos o macarrão estava pronto. Louis se prontificou a chamar as crianças, e logo todos estavam sentados a mesa.
Depois de brincarem mais um pouco, Louis pegou o filho no colo que já estava quase adormecido. O acompanhei até a porta com Amélia praticando agarrada á minha perna.
— Boa noite, s/n, muito obrigado pelo jantar, estava ótimo. — Ele disse assim que saiu pela porta.
— Boa noite, senhor. — Louis deu um último sorriso e se dirigiu ao carro.
Já eram quase duas horas da tarde. Terminei de preparar o costumeiro café de Louis, que ele tomava todos dias após a refeição.
— Com licença. — Falei ao entrar em sua sala.
— Você já almoçou? — Ele perguntou assim que coloquei a xícara em sua frente.
— Sim senhor. — Menti. Como não havia sobrado nada do jantar, não levei nada para o almoço, e o meu estômago já reclamava.
— Eu passei pela copa no seu horário de almoço e não te vi comendo nada. — Ele disse levando o café á boca.
— Estou de dieta. — Inventei, forçando um sorriso e torcendo para que ele não ouvisse meu estômago me chamar de mentirosa.
Voltei para a copa, começando a preparar os lanches para a conferência que haveria mais tarde. Estava cortando os pães dos sanduíches, quase chorando pela tortura de preparar alimento enquanto estava faminta quando ouvi uma leve batida na porta.
— Você é s/n/c? — O rapaz que tinha um capacete de ciclismo em sua cabeça perguntou, e eu assenti. Ele tirou uma embalagem de sua mochila de entregas e me estendeu.
— Eu não pedi nada, deve ser um engano. — O rapaz conferiu novamente e nota, e me olhou, dizendo que o nome que constava realmente era o meu. — Eu não tenho dinheiro… — Admiti, e ele sorriu.
— Já está pago. — Falou colocando a embalagem na mesa. — Um bom almoço. — Desejou antes de sair.
Conferi o nome na nota, e realmente era o meu, mas não constava o nome do pedido. Decidi comer, pois meu estômago já me torturava. Ao abrir a embalagem, me deparei com um hambúrguer muito bem servido, acompanhado de batatas fritas e um refrigerante.
Dei a primeira mordida com vontade, meu corpo inteiro agradeceu. Pela grande janela de vidro da copa, pude ver Louis passando, ele parou por um segundo, deu um sorriso e seguiu seu caminho.
Foi ele.
Terminei de organizar a mesa nos fundos do auditório, alguns funcionários da limpeza terminaram os últimos detalhes antes da conferência.
— O hambúrguer estava bom? — Dei um pulo ao ouvir a voz muito perto do meu ouvido. Me virei rápido, dando de cara com um Louis sorridente. — Dieta, hum? Deveria ter inventado uma desculpa melhor. — Louis disse levando uma das mãos até a bandeja de sanduíches, pegando um e o mordendo.
— Estava ótimo, senhor, muito obrigado. — Falei sentindo meu rosto queimar. — Prometo lhe pagar assim que possível.
— Não precisa me pagar um hambúrguer, s/n. — Ele disse revirando os olhos.
— Eu não gostaria de ficar em dívida com o senhor. — Falei encarando meus pés.
— Fica pelo jantar de ontem então. Okay? — Concordei com um movimento de cabeça, ainda sem conseguir encará-lo. — Você pode ir para casa. Não vou precisar dos seus serviços por hoje.
— Obrigado, senhor. — Falei quase sem voz, passando por ele em direção da copa.
O que está acontecendo comigo? Meu rosto queimava, meu coração batia forte. Respirei fundo e peguei minha bolsa.
A semana transcorria calma, Louis já não era rude comigo e até mesmo sorria toda vez que eu lhe servia café, fazendo minhas pernas fraquejarem cada vez mais. E tomar banhos muito frios em casa toda vez que me lembrava.
— Bom dia. — Louis disse pela manhã, assim que entrei em sua sala.
— Bom dia, senhor. — Falei sentindo o frio na barriga que vinha me atormentando há dias.
— Freddie gostaria de ver os seus irmãos antes de ir embora. — Ele disse se encostando na cadeira, me encarando.
— Isso seria ótimo, eles ficariam muito felizes.
— Pretende levá-los ao parque neste final de semana? — Deu um gole em seu café.
— Na verdade, eles fazem aniversário nesse sábado. — Cocei minha nuca. — Geralmente ficamos em casa nesse dia.
— Não. — Falei sentindo meu coração pesar. Infelizmente não era possível fazer uma festa, por mais que eu quisesse e muito. — Normalmente assistimos filmes da Disney o dia todo. — Admiti.
— Uma tarde de cinema seria ótimo. — Louis falou, fazendo meu coração dar um pulo. — Isso se você quiser nossa presença, é claro… — Seus olhos estavam fixos nos meus.
Terminei de fazer o segundo balde de pipocas enquanto Pedro e Amélia escolhiam o primeiro filme. Assim que a campainha tocou, eles correram para a porta, gritando de felicidade quando Louis entregaram dois pacotes á eles.
— s/n, ganhamos presentes! — Pedro disse depois de agradecer e abraçar o amigo.
— Obrigado. — Falei baixinho, e Louis piscou um olho para mim.
As crianças se acomodaram no colchão que eu havia colocado no chão, com um balde de pipocas no colo de Amélia que estava no meio dos meninos.
Eu e Louis nos sentamos no sofá atrás deles, e eu coloquei o segundo balde entre nós. A primeira música de Z.O.M.B.I.E.S começava a tocar, Pedro e Amélia que já haviam visto aquele filme pelo menos dez vezes cantaram junto, fazendo com que nossos convidados rissem da animação.
— O senhor pode ir se quiser. — Sussurrei quando vi Louis negar a terceira ligação em pouco tempo. — Posso ficar com Freddie se quiser.
— Não precisa me chamar de senhor fora da empresa. — Ele disse sussurrando também, se inclinando em minha direção. — E eu quero descobrir se a garota e o zumbi vão ficar juntos. — Piscou, fazendo meu rosto queimar novamente.
Quando o segundo filme da franquia começou, decidi começar a fazer o jantar. Não seria nada demais, apenas alguns cachorros quentes caseiros acompanhados de refrigerante. Vi quando Louis entrou na cozinha, pé por pé, um tipo de embalagem em seus braços.
— Eles estão tão distraídos que nem me viram sair. — Ele falou baixinho, colocando a caixa em cima da mesa, e abrindo, revelando um bolo lindo. Confeitado com chantilly branco e alguns morangos. Então colocou a mão no bolso, tirando duas velas de “7” e cravando no bolo.
— Meu deus, Louis, não precisava. — Falei emocionada, colocando as mãos sobre a boca.— Você já gastou com os presentes, não deveria gostar com um bolo também. — Falei sentindo uma lágrima escapar. Antes que eu pudesse secá-la, Louis se aproximou, secando com o polegar.
— Está tudo bem. — Falou baixinho. — Vamos chamá-los? — Perguntou e eu assenti.
Louis foi até a sala, enquanto eu acendia as duas velinhas.
Ver meus irmãos felizes enquanto cantávamos parabéns e eles assopraram as velinhas não tinha preço, meu coração estava cheio, batia feliz.
— Eu não sei como agradecer. — Falei quando ficamos sozinhos na cozinha. As crianças pegaram seus lanches e foram comer enquanto terminavam de assistir o filme. Me encostei na bancada que separava a sala da cozinha, observando Louis roubar um morango da cobertura do bolo e comer.
— Você não precisa agradecer. — Ele falou se aproximando, apoiando as mãos na bancada atrás de mim. — Sabe, eu queria me desculpar com você. — Falou baixinho, com os olhos colados aos meus.
— Se desculpar pelo quê? — Disse engolindo em seco.
— Fui um otário com você quando chegou na empresa. — Eu tentava me concentrar no que ele me dizia, tentando não me perder nas duas piscinas azuis que me encaravam. — Acho que era ego ferido. Por você não me querer anos atrás. — Ele estava ainda mais perto, sua testa quase colada na minha. Eu podia sentir o cheiro do morango escapando do hálito quente.
— Você não precisa se desculpar. — Falei suspirando pela proximidade. — Eu era uma megera mesmo. — Fazei soltando sorrindo.
— Uma megera linda… — Ele sussurrou, colando seu nariz no meu. Meu corpo inteiro tremia, o frio na barriga me deixava sem ar, minha pele parecia inteiramente arrepiada. Fechei meus olhos em antecipação, e gemi baixinho quando senti seus lábios tocarem os meus.
Uma das mãos de Louis foi para minha nuca, se infiltrando entre o meu cabelo, aprofundando o beijo ainda mais. Sua língua fazia movimentos rápidos, acariciando a minha minha. Meu lábio inferior foi preso entre seus dentes e levemente sugado no final do beijo. Eu estava completamente sem ar, minhas mãos estavam no peito de Louis e eu nem lembrava de as ter colocado lá.
Ele me encarava, e eu podia sentir minha pulsação pelo corpo inteiro.
— Você não faz ideia do quanto eu quis isso desde que você entrou na minha sala pela primeira vez. — Confessou.
— Acho que eu também. — Falei em um sussurro. Louis ia colar seus lábios no meu novamente, umas a risada das três crianças nos tirou do transe.
— Meu pai beijou a irmã de vocês! — Freddie disse orgulhoso, fazendo meu rosto queimar, e Louis rir. Escondi meu rosto em seu peito, sentindo sua pulsação tão alterada quanto a minha.
Entrei na grande sala da presidência sentindo um frio na barriga ainda maior que nas vezes anteriores. Louis foi embora no final da noite com um Freddie adormecido nos braços, e não nos falamos durante o domingo inteiro.
Assim que deixei a bandeja em cima de sua mesa, ele se levantou, agarrando minha cintura e colando sou corpo no meu, selando nossos lábios.
— Quase não dormi pensando em você. — Ele sussurrou com os lábios contra os meus.
— Eu também. — Confessei no mesmo tom. Louis aprofundou o beijo, colando seu corpo ainda mais em mim, podia sentir a ereção crescente na calça social bater contra a minha barriga, me causando um incômodo na região íntima. — Eu preciso ir. — Falei sem fôlego ao separar a boca da sua. Louis deixava beijos molhados em meu pescoço, quase levando minha sanidade com eles. — As pessoas vão estranhar se eu demorar demais.
— Okay. — Concordou com a boca ainda contra a minha pele. — Almoça comigo hoje? Fora daqui? — Pediu subindo os beijos para o meu maxilar.
— Okay. — Concordei, ganhando um último beijo, mais rápido dessa vez.
Saí da sala sentindo meu corpo inteiro ferver.
Não sabia como seria daqui para a frente, mas algo me dizia que seria bom, muito bom.