Sabe aqueles imagines mais curtinhos e bem especĂficos? Eles servem principalmente para imagines de "uma cena sĂł" de algum momento bem em especĂfico.
A mĂșsica ecoava alta em todos os cantos: dos carrinhos de comida, dos vendedores ambulantes de bebida, da banda que tocava alegremente mĂșsicas que eu nĂŁo entendia uma palavra. As pessoas dançavam e cantavam alegremente, movendo seus corpos sob o sol escaldante do Rio de Janeiro, numa confusĂŁo de glitter, suor e alegria.Â
A empolgação era contagiante, mas minha bateria social jĂĄ estava chegando no final.Â
Posso ficar a madrugada inteira em live com o Army ou bebendo com meus hyungs, mas festa⊠Ah, isso exige uma energia que eu nĂŁo consigo produzir em grande escala.Â
Ao contrĂĄrio do Hobi hyung.Â
Esse sim sabe viver.Â
Quando a equipe informou que verĂamos o carnaval brasileiro em primeira mĂŁo, Hoseok deu um berro tĂŁo alto que quase fez Yoongi hyung ter um infarto pelo susto.Â
A viagem ao Brasil foi uma ideia coletiva do grupo para comemorar o aniversĂĄrio do Jung. Ele adora o paĂs, ama as pessoas e, acima de tudo, ama saber que o consideram um brasileiro de coração e de alma.Â
Ă o primeiro aniversĂĄrio dele fora do serviço militar, achamos que merecia uma comemoração Ă altura para seus 32 anos.Â
â Ai, hyung! NĂŁo precisa partir pra agressĂŁo, porra.Â
â Foi sĂł um tapinha pra vocĂȘ ficar esperto. Continue a histĂłria, ela estĂĄ curiosa. â Kim diz antes de sair de perto, baixando sua mĂĄscara de Pierrot ao voltar a pular no meio das pessoas que passam por nĂłs.Â
â Taehyung, tem uma garota bonita te chamando ali, olha. â aponto para um canto qualquer, sĂł para ver se ele sai de perto e me deixa continuar a nossa conversa em paz.Â
Por sorte, realmente havia uma garota chamando por ele.Â
Ătimo, agora ele vai se distrair.Â
Voltando⊠Onde eu parei mesmo? Ah sim, lembrei. Pois bem, deixamos Salvador para o ano que vem, porque o Rio de Janeiro pareceu mais a cara do Hobi.Â
â Que bom que estĂĄ curtindo, hyung, mas cuidado, nĂŁo fique mostrando o rosto assim. â adverti.
Hoseok estala a lĂngua.Â
â NĂŁo se preocupe, todos estĂŁo tĂŁo empolgados e bĂȘbados que nĂŁo vĂŁo notar.Â
Ajeito a minha mĂĄscara no rosto.Â
â Deveria tirar isso um pouquinho, o Namjoon nĂŁo estĂĄ aqui pra puxar sua orelha. â ele fala rindo, bebericando sua cerveja.Â
Namjoon, Yoongi e Jin tinham ficado no hotel. Hoseok se prontificou a ficar âresponsĂĄvelâ pela maknae line inteira quando decidimos sair para curtir os blocos na rua.Â
EstĂĄvamos num cantinho da calçada, perto de uma barraca de bebidas que estava praticamente Ă nossa disposição, jĂĄ que nosso tradutor deixou acordado com o ambulante uma generosa quantia em dinheiro. Eu jĂĄ havia tomado uma quantidade considerĂĄvel de cerveja, assim como Tae, Hobi e Jimin.Â
Foi quando me deu um estalo.Â
Olhei ao redor e vi Taehyung dançando com um grupo de garotas vestidas de fada, Hoseok estava ao meu lado. SĂł faltava o Park.Â
â Caralho, cadĂȘ o Jimin?!
â Serve aquele ali? â Jung apontou para o lado.Â
NĂŁo muito longe de onde estĂĄvamos, Jimin estava atracado aos beijos com duas garotas.Â
NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo ouviu errado.Â
Era um beijo triplo.Â
A risada me escapa na mesma hora.Â
â E foi ele quem disse que nĂŁo ia fazer nada, que ia sĂł curtir o momento etc etc etc. â debocho.
Hobi solta uma gargalhada sincera, batendo as mĂŁos ao lembrar das palavras do nosso amigo minutos antes de sairmos do hotel.Â
Saquei o celular e tirei uma foto no mesmo minuto. Isso com certeza seria motivo de zoação por meses entre nĂłs.Â
â AliĂĄs, tem uma garota que nĂŁo para de te olhar desde que paramos aqui. â o mais velho comenta comigo.Â
Olho na direção que ele indica e entĂŁo a vejo.Â
Antes que eu desse um passo na direção dela, a loira fez o primeiro movimento.Â
Percebendo isso, Hoseok saiu de perto e se virou para conversar com Taehyung que estava pegando mais uma cerveja com o senhor Elias, nosso âpersonal ambulanteâ.Â
â Vai precisar de ajuda? â nosso tradutor, Lucas, pergunta ao notar a aproximação da garota.Â
â NĂŁo, eu me viro. â rio sem graça, mas no fundo apavorado com a possibilidade de me ver conversando com uma brasileira sabendo praticamente porra nenhuma do idioma local.
A garota sorri para mim e eu para ela. Seus olhos castanhos estĂŁo adornados por uma maquiagem brilhante, com pedrinhas coladas de um jeito que desenhava uma constelação inteira no rosto bonito.Â
â E foi assim que eu te vi e criei coragem pra vir aqui falar contigo. â explico a ela.Â
Eu a encaro surpreso â e confuso â e entĂŁo ela prossegue.Â
â AtrĂĄs de mim, ali no cantinho perto da ĂĄrvore. â ela volta a falar â TĂĄ vendo uma morena peituda com um arco dourado que parece raios de sol?Â
Olho discretamente para o local que ela descreve e vejo a garota em questĂŁo.Â
â Sim, tĂŽ sim. â respondo de modo cĂșmplice, finalmente entendendo o rumo da conversa â visivelmente aliviado â O que tem ela?Â
Luma sorri e se aproxima mais, fazendo meu pobre coração palpitar como nunca antes.Â
â EntĂŁo eu sou apenas um bode expiatĂłrio? â faço um bico.Â
â Claro que nĂŁo, mas eu precisava de um motivo pra chegar em vocĂȘ. Ă aquela velha histĂłria de âpegar dois coelhos de uma vezâ. Se bem que sĂł me interessa pegar um. â sorri com malĂcia, me olhando no fundo dos olhos.Â
Ai, puta que pariu⊠Bem que disseram que as brasileiras nĂŁo brincam em serviço.Â
â EntĂŁo, se eu te ajudar, o que eu ganho? â compro o flerte e me arrisco.Â
â Todos os beijos que vocĂȘ quiser, biscoitinho.Â
â Biscoitinho? â pergunto intrigado â O que significa?Â
â Ă o diminutivo pra âcookieâ em portuguĂȘs. â explica me fazendo rir.Â
Luma me dĂĄ detalhes da sua ideia, que na verdade era bem simples, consistia apenas em apresentar a amiga Ă Hoseok. Mas eu calculava as açÔes na minha cabeça, afinal, estamos no meio de um bloco de carnaval no Centro do Rio de Janeiro munidos apenas de mĂĄscaras, protetor solar e nosso tradutor. Dispensamos os seguranças na cara e na coragem, segurando na mĂŁo de Deus e torcendo pra nada dar errado.Â
As pessoas se apinhavam ainda mais para aproveitar o refresco bem-vindo. O chĂŁo â repleto de confete, serpentina e bebida derramada â virou uma armadilha escorregadia para quem nĂŁo estivesse usando um tĂȘnis com o mĂnimo de aderĂȘncia.Â
Foi entĂŁo que Luma e eu ouvimos um grito e um barulho seco de dois corpos colidindo em direção ao chĂŁo.Â
POV HoseokÂ
Beleza, beleza, beleza⊠Deixa que eu assumo a narração daqui pra frente.Â
â Mas, hyung-Â
â VocĂȘ quer mesmo contar como eu e a Eduarda terminamos a noite? â pergunto ao mais novo com um sorriso cheio de intençÔes.Â
â Nem a pau! Ainda estou traumatizado por ter escutado a cama batendo na parede.Â
â Como se vocĂȘ e a Luma nĂŁo tivessem feito o mesmo.Â
â Aish⊠â resmungou e saiu andando.Â
Ok, hora de vocĂȘs ouvirem os fatos pela boca de quem viveu o momento mais absurdo â e incrivelmente delicioso â do dia.Â
A mĂșsica, a energia, as pessoas, o calor. Tudo no Rio de Janeiro me fazia sentir em casa mesmo estando a muitos quilĂŽmetros de distĂąncia da minha casa de verdade.Â
Eu estava no paraĂso!Â
O Brasil sempre teve um lugar especial no meu coração. Fiquei tĂŁo empolgado quando os rapazes contaram da viagem que fiquei dois dias inteiros sem dormir.Â
Mas enfim, voltemos ao presente.Â
Como o Jungkook jĂĄ contou, Luma queria apresentar sua amiga para mim, a morena peituda com arquinho de sol.Â
Ela se levanta enquanto eu continuo sentado no chĂŁo e estende a mĂŁo para mim, me ajudando a levantar, ainda falando sem parar.Â
â VocĂȘ deve ser gringo e nĂŁo tĂĄ entendendo porra nenhuma. â continua a falar ainda sem olhar pra mim direito â Iâm sorry! I am too much⊠desastrada!Â
O portuglĂȘs me arranca uma risada alta.Â
E sĂł entĂŁo ela realmente me vĂȘ, e seus olhos me prenderam.Â
Eram castanhos, profundos e brilhavam com uma mistura de pĂąnico e identificação imediata. Eu via as engrenagens da cabeça dela girando a mil por hora. Ela nĂŁo estava apenas assustada, mas processando tudo, analisando a situação â e a mim â como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça impossĂvel.
â Luma, corre aqui, eu acho que colocaram alguma coisa na minha caipirinha de pitaya. Eu to vendo a cara do J-Hope nesse sujeito e- â ela interrompe a fala ao notar que o copo em sua mĂŁo estava vazio.Â
O drink arroxeado havia virado uma pintura abstrata na minha camisa de linho â pelo menos na parte que nĂŁo estava abotoada â e eu nĂŁo poderia me importar menos com aquilo.
A boca dela nĂŁo parava um segundo. Ela disparava palavras em portuguĂȘs que eu nĂŁo entendia, mas a melodia da voz dela era engraçada e doce ao mesmo tempo. E entĂŁo, ela soltou uma sequĂȘncia de palavrĂ”es â que eu sabia da existĂȘncia porque perguntamos os maiores absurdos ao nosso tradutor â com uma naturalidade que me fez querer rir alto.Â
A morena de cabelos cacheados passa a mĂŁo pela minha camisa numa tentativa vĂŁ de limpĂĄ-la. E por mais que eu estivesse adorando sentir as mĂŁos macias passando pelo meu abdĂŽmen, segurei seus pulsos finos com gentileza para parĂĄ-la.Â
Ah, e que boca⊠Carnuda, naturalmente rosada, tĂŁo beijĂĄvel.Â
Engulo seco fingindo que nĂŁo vi a cena simplĂłria e ao mesmo tempo absurda de tĂŁo sexy, concentrando toda minha energia em arrumar o arquinho que personifica raios de sol sobre os cabelos cacheados.Â
â Acertou. Sou completamente apaixonada pelo sol. â diz de bate pronto.Â
Ela poderia estar apenas falando do astro rei, mas sinto no tom suave da sua voz que aquilo nĂŁo foi sĂł sobre a estrela central do nosso sistema solar.Â
â Gosto da luz que ele emana, da forma como ele me aquece sem nem sequer me tocar diretamente. â ela continua dando um passo na minha direção â Da forma como tudo ao redor se ilumina quando ele aparece.Â
Baixo os olhos encontrando os orbes escuros e intensos fixados nos meus.Â
â Cuidado, Eduarda⊠Falar assim do sol pode fazer ele achar que tem concorrĂȘncia.
Ela inclina a cabeça.
â ConcorrĂȘncia?
Dou um passo adiante, diminuindo mais ainda a distĂąncia entre nĂłs.Â
A loira se posiciona ao lado de Eduarda. Quando o refrĂŁo começa, as duas iniciam a coreografia.Â
â Em cima do jet ski, vou rebolar pra tu⊠â elas cantam junto com empolgação, uma atrĂĄs da outra fazendo o movimento de dança que lembra uma moto sendo pilotada.Â
Ela repete os movimentos junto comigo, puxando minha mĂŁo para a sua cintura no momento em que a coreografia se enfileira. Na parte que ela rebola, Eduarda acopla o corpo no meu e remexendo o quadril daquele jeito criminoso mais uma vez.Â
As gotas dâĂĄgua escorrem pela pele dourada de uma forma quase obscena. Quanto mais ela rebola em mim, mais duro eu fico.
A bermuda fica cada vez mais incĂŽmoda, a cueca mais e mais apertada.Â
â TĂĄ aprendendo? â pergunta, ofegante, sem parar de se mover.
â Acho que vou precisar de mais aulas â respondo com a voz mais grave do que deveria.
O ritmo desacelera por um instante antes de subir de novo. Eduarda aproveita a pausa, vira de frente, deslizando as mĂŁos pelo meu peito Ășmido da ĂĄgua, do suor e da bebida que ela derrubou em mim nĂŁo muito tempo antes.Â
As pessoas ao redor viram um borrĂŁo.Â
A mĂșsica se torna sĂł um zumbido distante.Â
O mundo se reduz ao espaço mĂnimo entre a boca dela e a minha.
Ela ajeita minha mĂĄscara no meu rosto, toca meu maxilar com a ponta da unha do dedo indicador. Um tracejado que faz minha pele pegar fogo.Â
â Ă loucura falar que eu quero muito beijar vocĂȘ, Duda? â pergunto quando nossos narizes se tocam.Â
As lĂnguas travam uma guerra afoita, desesperada.Â
Tudo ao nosso redor simplesmente silencia.Â
O beijo se quebra aos poucos, o bastante para recuperarmos o fĂŽlego para mais um.Â
Meus dedos se infiltram nos cabelos cacheados, puxando-os com uma força comedida que faz ela arfar.Â
O som me deixa a beira da insanidade.Â
â Porra, Duda⊠â ofego.
â Me diz que seu hotel nĂŁo fica longe daqui. â a pergunta me faz rir, mas de nervoso, porque fica longe pra caralho e o trĂąnsito com certeza estĂĄ pior do que na hora que viemos.
â Destranca logo esse caralho, Hobi⊠â pede ansiosa.Â
â EstĂĄ com pressa? â desço os beijos ombro, clavĂcula, puxando a alça do top dourado para baixo o suficiente para libertar o que eu tanto queria.Â
Deslizo minha lĂngua faminta pelo mamilo durinho, chupando com vontade. Repito a ação no outro seio, dando atenção total a ambos, mordendo bem de levinho os bicos.Â
â Porra, que delĂcia⊠Quero chupar vocĂȘ inteirinha, linda. â confesso ao destravar o carro e abrir a porta do banco de trĂĄs.Â
Eduarda se livra da minha camisa arrebentando os dois Ășnicos botĂ”es que a mantinha fechada, fazendo os mesmos voarem para algum canto do veĂculo. Ajudo ela a se livrar do top, fazendo os seios fartos caĂrem pesados e ainda mais convidativos.Â
Acaricio a pele macia, pinçando os mamilos com meus dedos enquanto nos beijamos ferozmente, fazendo a temperatura dentro do carro ficar insuportĂĄvel de tĂŁo quente.Â
Me afasto dela sĂł pelo tempo de ligar o ar condicionado do carro, e quando retorno meu olhar para ela, o shortinho curto e a meia arrastĂŁo jĂĄ nĂŁo estavam mais em seu corpo.Â
Eduarda geme alto, rebola sob mim, puxa meus cabelos sem qualquer piedade enquanto aperta os prĂłprios seios. Eu a olho de baixo, como um completo rendido.Â
â Responde, puta! â ordeno, xingando do jeito que ela pediu mais cedo.Â
â Sim! JĂĄ bati tanta siririca pensando no seu pau socado dentro de mim que vocĂȘ jĂĄ deve ter me visto gozando nos seus sonhos, seu puto gostoso do caralho! â rebate.Â
Inferno de mulher. Â
Volto minha lĂngua para o meio das suas pernas, chupando com desejo. Os gemidos dela ficam cada vez mais fora de controle e mais altos, ela estĂĄ bem perto e eu nĂŁo consigo mais postergar o momento. Quero sentir ela gozando na minha lĂngua o quanto antes.Â
Me levanto e me sento no espaço livre ao lado dela, secando meu queixo molhado com as costas da mão. Não consigo tirar o sorriso satisfeito da cara ao ver a cena da morena ofegante ali tão perto.
Puxo a garota pelos cabelos, afastando ela do meu p4u, vendo um fio de saliva unindo a lĂngua afoita ao meu membro.Â
â Sei que vocĂȘ gostou de mamar isso aqui, â bato meu pĂȘn1s na carinha bonita â mas eu nĂŁo quero gozar ainda e quero muito sentir vocĂȘ rebolando em mim do jeitinho que vocĂȘ estava fazendo quando estĂĄvamos dançando.Â
Ela sorri com a mesma malĂcia de sempre, mas antes de se sentar no meu colo eu tenho um insight: nĂŁo tenho camisinha alguma comigo.Â
â Duda, espera, â a interrompo, me sentindo horrĂvel ao ver seu semblante ficar confuso â e-eu nĂŁo tenho camisinhaâŠÂ
â Ainda bem que sou uma mulher muito bem precavida, hm? â diz de um jeitinho adorĂĄvel, me dando um selinho e tocando a ponta do meu nariz com o indicador.Â
Rapidamente ela destaca uma unidade e me entrega. Eduarda acompanha cada movimento meu enquanto rasgo a embalagem e deslizo o lĂĄtex pela minha extensĂŁo.Â
â Vem cĂĄ me dar essa b0cetinha, vem, cadela. â comando.Â
â Porra, Hoseok⊠VocĂȘ parece ainda maior desse jeito. â exclama enquanto começa a se mover em cima de mim.Â
Ela coloca minhas mĂŁos na sua cintura curvilĂnea, no limite da curva da lombar com a bunda, me fazendo sentir os movimentos que ela provoca enquanto cavalga.Â
Dessa vez ela começa devagar, rebolando lentinho assim como na hora que dançamos. As mĂŁos dela vĂŁo pros meus ombros, descendo e arranhando de leve meu peitoral.Â
Ela curva o tronco na minha direção, me dando acesso livre para beijar seu colo e os sei0s gostosos.Â
Estalo um t4pa forte na nĂĄdega esquerda dela e incentivo ela a aumentar o ritmo.Â
â Desocupa o motelmĂłvel, Hobi hyung! â Taehyung exclama â Vamos logo embora antes que Jungkook faça coelhinhos no meio da rua e antes que o Jimin fuja pra transar com um trio de garotas vestidas de Meninas Superpoderosas.Â
Jeon me ouvia com atenção, apoiando a cabeça em uma das mĂŁos e assentindo de vez em quando.Â
Estava explicando sobre o plano de Iago para envenenar o casamento de Otelo e DesdĂȘmona quando Lisa chegou.Â
Usando uma quantidade quase enjoativa de perfume e mais maquiagem do que o normal, ela praticamente me expulsa quando me empurra da cadeira.Â
Jungkook arregala os olhos com sua atitude e eu apenas suspiro, fazendo a volta na mesa e sentando em outra cadeira.Â
â Me atrasei? â Ela pergunta, passando a mĂŁo no braço do garoto.Â
â Quarenta minutos. â Eu respondo, sendo completamente ignorada por ela. â Enfim, OteloâŠÂ
â Vai mesmo ficar falando sobre esse assunto chato, S\N? â A garota me interrompe. â Temos tantas coisas mais legais para conversar, nĂŁo acha, kookie? â Ela força uma risadinha fina.
â Iago usa o lenço de DesdĂȘmona para enganar Otelo e ele achar que ela o traiu com CĂĄssio. â Volto a falar. â Otelo fica possesso de ciĂșmes e mata DesdĂȘmona.Â
â O quĂȘ? â O garoto abre a boca, chocado. NĂŁo consigo evitar abrir um sorrisinho com sua animação.Â
â Sim. Depois, quando descobre que era tudo uma mentira, ele se suicida com uma espada, sobre o corpo de DesdĂȘmona. â Jungkook cobre a boca com as mĂŁos e arregala os olhos, fazendo com que fiquem ainda maiores.Â
â VocĂȘ sabe que eles morrem no final, nĂŁo sabe? â Eu digo. Jungkook coloca a mĂŁo na boca novamente, agora, tentando evitar a risada quando notou a careta de Lisa.Â
â Podemos fazer uma adaptação. â Sugere.Â
â Eu nĂŁo quero mudar o assunto do trabalho. â Jungkook murmura. â Eu gostei da histĂłria.Â
Sentindo o meu ego levemente inflado, nĂŁo consegui evitar o sorrisinho que se formou em meus lĂĄbios, recebendo um chute por baixo da mesa.
â Ai!Â
â O que foi? â Jungkook pergunta, arregalando os olhos. Lisa me encara com uma carranca.Â
â Na-da. â Minto, passando a mĂŁo sobre minha canela dolorida. Olho para o meu celular, jĂĄ haviam algumas mensagens da minha mĂŁe me mandando voltar. â Eu preciso ir. Podemos continuar amanhĂŁ?Â
â Começo a guardar as minhas coisas na mochila.Â
10 minutos depois, ainda estava no mesmo lugar, sentindo minha pele arrepiar com o frio. Uma chuva forte estava chegando e eu torcia para chegar em casa antes que isso acontecesse.Â
â Ainda estĂĄ aqui? â Jungkook fala alto, me assustando. Ele estava sentado em sua bicicleta.
â O ĂŽnibus ainda nĂŁo passou. â Dou de ombros.Â
Eu penso na ideia por alguns segundos e acabo aceitando.Â
Me aproximo, sentando no bagageiro. Jungkook coloca a mochila ao contrĂĄrio, pendurando-a em seu peito.Â
â NĂŁo vai se segurar? â Vira o rosto, me olhando.Â
Engulo em seco, passando os braços em sua cintura. Tentando ao mĂĄximo manter nossos corpos separados.Â
Jungkook pedala em um ritmo bom. Nem muito rĂĄpido, nem tĂŁo devagar.Â
Sinto meu coração acelerar com a aproximação, mas nĂŁo deixo de me sentir preocupada caso Lisa descubra sobre a carona.Â
â Ă aqui? â Ele pergunta,parando de pedalar.Â
â Ă sim. â Sorrio, descendo do bagageiro. â Obrigado por me trazer.Â
â Foi um prazer.Â
Observo quando Jungkook se afasta, agora pedalando muito mais rĂĄpido do que antes, na direção oposta.Â
Entro em casa, cumprimentando minha mĂŁe e avisando que tomaria um banho antes de jantar.Â
Assim que entro no meu quarto, sinto meu celular vibrar, e suspiro ao ver o nome de Lisa.Â
O sĂĄbado passa de forma lenta. E dou inĂcio ao trabalho, mesmo que nĂŁo tenhamos combinado quem faria o que. Sabia que no final, a parte de Lisa sobraria e eu precisaria arcar com aquilo se quisesse ter a nota integral.Â
No domingo, acordo mais tarde do que durante a semana.Â
Jå era quase horårio do almoço quando desci as escadas, ainda descabelada e usando meu pijama de unicórnios.
â Bom dia! â Jungkook diz sorrindo. Como se o fato dele estar cortando uma cebola enorme na cozinha da minha casa fosse algo normal e rotineiro. â Dormiu bem?Â
â O que estĂĄ fazendo aqui? â Pergunto confusa.Â
â Ei, vocĂȘ acordou. â MamĂŁe diz entrando na cozinha com um sorriso enorme no rosto. â Terminou de cortar a cebola, Jun? â Jun? Que droga tĂĄ acontecendo? â NĂŁo vai trocar de roupa, S\N?Â
Arregalo meus olhos, lembrado de repente do pijama.Â
Saio correndo escada acima, sentindo meu rosto quente de vergonha.Â
Tomo um banho rĂĄpido, tentando criar coragem para descer novamente quando batidinhas na porta chamam a minha atenção.Â
â Entra, mĂŁe! â Digo alto, ligando o secador para tirar um pouco do excesso de ĂĄgua do meu cabelo.Â
â NĂŁo sou a sua mĂŁe, mas posso entrar? â O garoto pergunta, colocando a cabeça para dentro.Â
â Po-de. â Forço um sorriso.Â
Jungkook se aproxima, me observando secar o cabelo por alguns segundos. Ele dĂĄ dois passos em minha direção, tirando o secador da minha mĂŁo e começado a imitar os movimentos que antes eu fazia.Â
Senti meu coração acelerar. Aquilo era clichĂȘ, jĂĄ havia visto aquela mesma cena em dezenas de dramas na tv.Â
â Obrigado. â Desvio os olhos do espelho, sentindo quando ele começa a passar a escova com cuidado pelos fios do meu cabelo. â Por que estava cortando cebola na minha cozinha? â Jungkook ri da minha pergunta.
â Ela nĂŁo era assim. â Eu suspiro. â Somos amigas desde criança, acho que uma parte de mim ainda torce para que ela volte a ser a garotinha que era antes.Â
â E se nĂŁo voltar? Vai deixar que ela te humilhe o resto da vida?Â
A pergunta de Jungkook me pega desprevenida.Â
A verdade era que eu jĂĄ estava farta com as atitudes de Lisa hĂĄ tempos demais.Â
â JĂĄ pensou na possibilidade das pessoas nĂŁo se aproximarem de vocĂȘ por causa dela? â Encaro Jeon, sem saber exatamente o que dizer.Â
â Eu⊠â Antes que eu possa tentar inventar uma desculpa, do andar de baixo, mamĂŁe nos chama para almoçar.
Salva pelo gongo.Â
Comi praticamente em silĂȘncio. Diferente da minha mĂŁe e de Jungkook, que nĂŁo pararam de falar por sequer um segundo.
Eu nĂŁo entendi em que momento o garoto virou o melhor amigo da minha mĂŁe, mas a interação entre os dois parecia algo rotineiro. Conversavam com tanta intimidade, rindo tanto que pareciam fazer isso o tempo inteiro.Â
â Tia, se importa se S\N e eu fazermos nosso trabalho no quarto dela depois do almoço? â Ele pergunta, de repente.
â Claro que nĂŁo, Jun. Mas comportem-se. â A Ășltima palavra me faz arregalar os olhos e desejar um grande buraco onde eu pudesse me enfiar.Â
Quando terminamos a comida, eu juntei os pratos para lavar.Â
Ăramos apenas eu e a minha mĂŁe durante os finais de semana, jĂĄ que papai trabalhava em um hotel e geralmente precisava ficar por lĂĄ.Â
EntĂŁo, como ela cozinhava, eu ficava responsĂĄvel pela limpeza.Â
â Deixa que eu faço. â Jungkook se aproximou, tentando tirar a esponja da minha mĂŁo, mas eu consegui desviar.Â
â VocĂȘ jĂĄ ajudou com o almoço, me deixa fazer isso.Â
â A ĂĄgua vai estar gelada. â Ele nega com a cabeça, tentando mais uma vez.Â
Coloco as mĂŁos nas costas, mas aquilo obviamente nĂŁo era o suficiente para impedir Jeon Jungkook.Â
Era um tipo de abraço estranho, mas que fez meu coração acelerar e a minha respiração ficar fora do ritmo.Â
Quando foi que ele ficou tĂŁo perto?Â
Os olhos escuros desceram pelo meu rosto, parando na minha boca.Â
Jungkook engoliu em seco e puxou o ar com força.Â
Ele parou de tentar tirar a esponja da minha mĂŁo, mas nĂŁo desfez o abraço. Tentei dar um passo para trĂĄs, talvez para fugir daquela hipnose que ele me causava. Mas meu corpo encontrou com a pia.Â
Jungkook sorriu fraco, aproximando ainda mais o seu corpo do meu.
Meu coração batia tĂŁo forte que eu tinha certeza de que o garoto podia ouvir.Â
Jeon mordeu o lĂĄbio inferior, deixando Ă mostra a pequena pintinha que decorava aquela parte de seu rosto.Â
O momento parecia passar em cĂąmera lenta, me deixando ainda mais nervosa.Â
Eu nĂŁo sabia se ele estava brincando comigo. Se sabia sobre os meus sentimentos e decidiu que eu seria sua nova brincadeira.Â
â Eu disse para sua mĂŁe que farĂamos o trabalho. â Murmura.Â
â Vamos fazer. â Eu digo, pegando meu notebook e sentando na cama. â Ontem eu comecei o trabalho, mas nĂŁo fiz muita coisa. Estava separando os pontos importantes da histĂłria e algumas falas que gostaria de ressaltar.Â
Abro o meu exemplar de âOtelo, o Mouro de Venezaâ, mostrando todas as marcaçÔes que fiz com os post-its.Â
Ele pegou o livro, se oferecendo para ajudar a catalogar tudo e sentou ao meu lado na cama.Â
Por quase uma hora, focamos totalmente no trabalho, sem sequer nos olharmos.Â
â Me desculpa. â Jungkook disse de repente, me fazendo tirar os olhos da tela do notebook. â Pelo beijo. â Pressiona os lĂĄbios em uma linha fina. â Acho que interpretei os sinais da forma errada.
â Sinais?Â
â Sim⊠â Ele coça a nuca. â Eu achei que vocĂȘ poderia gostar de mim. Sempre parece nervosa quando eu chego perto e algumas vezes achei que tinha visto vocĂȘ me olhando durante o intervalo ou os treinos do time de basquete. â Ele junta as mĂŁos sobre o colo, brincando com os prĂłprios dedos. â Achei que esse trabalho seria a oportunidade perfeita para me aproximar.Â
â VocĂȘ queria se aproximar de mim? â Digo atĂŽnita.Â
â Queria. â Ele solta em um muxoxo. â Nunca consegui encontrar um assunto para me aproximar, achei que o trabalho faria isso por mim⊠nĂŁo deveria ter beijado vocĂȘ sem permissĂŁo, deixei que os meus sentimentos falassem mais alto, desculpaâŠ
â Sentimentos? â Repito baixinho.Â
â Eu gosto de vocĂȘ. â Murmura baixinho. â JĂĄ faz um tempoâŠ
â G-gosta de mim? â Gaguejo.Â
â Gosto. â Ele suspira. â Acho que vou embora⊠depois combinamos para terminar o trabalho, okay? Caso a Lisa nĂŁo faça a parte dela, podemos dividir, vocĂȘ nĂŁo deveria fazer sozinha. â Ele se levanta da cama.Â
Isso era realmente estranho, vasculhei a embalagem a procura de alguma pista, entĂŁo um bilhete dobrado me aguardava, a caligrafia era pequena e cuidadosa, com as mĂŁos trĂȘmulas, desdobrei o papel.
"Espero que ainda se lembre da promessa. Feliz aniversĂĄrio, docinho."
"Docinho."
Docinho?!
Apenas uma pessoa no mundo me chamava assim.
Por um instante, quase pude ouvir a voz dele, sussurrando.
Uma lĂĄgrima escapou antes que eu pudesse conter. Passei a mĂŁo rapidamente pelo rosto, tentando afastar esse momento de fraqueza. Eu nĂŁo podia me deixar levar, nĂŁo agora. Olhei para a comida Ă minha frente, respirei fundo, e antes que mudasse de ideia, joguei tudo no lixo.
â Senhorita Aurora, chegaram alguns presentes para a senhorita. SĂŁo... sĂŁo muitos â O porteiro, tinha um tom quase divertido na voz. â Onde quer que eu os deixe?
Presentes?
â Pode mandar subir, deixe na porta, por favor.
Quando abri, uma fileira de caixas, pacotes e balÔes esperava por mim, envolto em papel colorido, com fitas e laços, em cima de cada caixa, havia um bilhete pequeno.
O vapor preenchia o banheiro enquanto eu me deixava relaxar na ĂĄgua morna. Fechei os olhos e respirei fundo, como se cada gota pudesse lavar o peso do que eu tinha sentido mais cedo, por um instante eu podia simplesmente... nĂŁo pensar.
NĂŁo havia bilhetes.
NĂŁo havia saudades.
Apenas eu, a ĂĄgua quente, e o som suave da ĂĄgua caindo.
Saà do banho sentindo-me um pouco mais leve, como se tivesse deixado as emoçÔes da manhã escorrerem pelo ralo.
Quando a campainha tocou, abri a porta, e lå estava ele, com aquele sorriso que me fazia esquecer todo o caos, Gabriel vestia um moletom azul marinho e calça jeans. Ele me olhou de cima a baixo e vi seu sorriso se alargar.
â Uau, Aurora, vocĂȘ estĂĄ linda. â Deixou um rĂĄpido selinho em meus lĂĄbios.
â Obrigada, vamos?
â Claro.
Tranquei a porta atrås de mim, entrelaçando meu braço no dele enquanto caminhåvamos para o carro, eu não sabia ao certo o que Gabriel tinha planejado para o nosso almoço, mas o lugar que Gabriel escolheu era aconchegante e charmoso, um pequeno bistrÎ com luzes suaves e mesas de madeira, decorado com um estilo simples, mas acolhedor. Não era sofisticado, mas tinha um calor especial, Gabriel abriu a porta para mim, me guiando para uma mesa perto da janela, ele puxou a cadeira para mim, o que me fez sorrir de leve, assim que ele ocupou seu lugar à minha frente, notei seu olhar penetrante, enquanto corria os olhos pelo cardåpio.
â Confia em mim? â Ele fechou o menu de repente, me surpreendendo. â Posso escolher para nĂłs dois? Prometo que vai ser bom.
â Tudo bem, eu vou confiar, entĂŁo.
â Vou fazer valer a confiança, eu prometo.
â Murmurou, antes de chamar o garçom e fazer o pedido, em voz baixa, sem revelar nada a mim.
â Espero que o casal esteja aproveitando o almoço. â O Garçom que nos atendeu apareceu em nossa mesa.
â Estamos, sim! Obrigado. â Pude ver o rosto corado de Gabriel ao responder.
Quando o garçom se afastou, Gabriel voltou a atenção para mim, com aquele sorriso travesso.
â O que foi? â perguntei, sem conseguir evitar o riso.
â Nada â ele disse, ainda sorrindo. â SĂł acho engraçado que tenhamos mesmo cara de casal.
â Acho que o fato de ficarmos dando comida na boca um do outro pode ter ter dado essa impressĂŁo.â falei, rindo.
â Talvez... Ăs vezes⊠nĂŁo sei, Ă s vezes penso em vocĂȘ como⊠vocĂȘ sabe, minha namorada.
Meu coração acelerou, o sorriso desaparecendo aos poucos, aquela confissão, por mais sutil que fosse, despertou uma sensação que eu tentava sufocar.
â Gabi, eu⊠eu realmente gosto do que temos agora. Ă simples, estĂĄ bom assim⊠nĂŁo estĂĄ?
Houve um breve silĂȘncio Gabriel baixou o olhar, a mĂŁo deslizando levemente sobre o garfo, como se procurasse as palavras certas.
â Claro⊠claro, desculpa, nĂŁo queria te pressionar, sĂł foi um comentĂĄrio bobo.
â EstĂĄ tudo bem, de verdade. â Coloquei minha mĂŁo sobre a dele, sentindo seu corpo relaxar sob meu toque. â Eu só⊠preciso de mais um pouco de tempo, entende? Mas quero que vocĂȘ saiba que eu estou curtindo muito estar com vocĂȘ, muito mesmo. â Olhei em seus olhos com toda a sinceridade que podia reunir.
â Ah, senhorita Aurora! â o porteiro me chamou assim que entrei no saguĂŁo. â Chegou mais alguns presentes para a senhorita. Um total de treze, na verdade.
Senti meu estĂŽmago se apertar
â Treze presentes? â Gabriel perguntou, claramente intrigado. â Uau!
â Teve mais pela manhĂŁ. â O porteiro comentou e eu quis socĂĄ-lo por isso.
â Aurora, quem... quem enviou tudo isso? â Ele tentou manter o tom casual, logo que entramos no elevador.
â Eu... â Hesitei, tentando encontrar uma resposta que nĂŁo levantasse mais suspeitas. â Minha famĂlia, minha mĂŁe gosta de exagerar nessas coisas de aniversĂĄrio.
Ele riu, embora a expressĂŁo em seu rosto continuasse desconfiada, ao chegar Ă porta do meu apartamento, ele colocou os Ășltimos presentes no chĂŁo e olhou para mim, ainda curioso.
â Bem, sua famĂlia realmente sabe como fazer vocĂȘ se sentir especial.
â Ă, eles sĂŁo assim. â Menti.
O olhar dele passeou pelos presentes em cima da mesa, percebi que ele tentou pegar um dos bilhetes presos aos pacotes.
Antes que ele pudesse pegar puxei mais perto, pegando o bilhete junto.
Eu sabia que, se deixasse ele ver algum dos bilhetes, tudo ficaria mais complicado, precisava de uma desculpa.
Gabriel sorriu, ligeiramente desapontado, talvez por sentir que eu estava tentando encerrar o encontro de maneira bruta, mas eu nĂŁo podia lidar com isso com ele aqui.
â Claro, claro... NĂŁo quero atrapalhar. â Ele deu um sorriso um pouco tĂmido. â A gente se vĂȘ depois.
Assenti, sentindo um aperto no peito ao vĂȘ-lo assim.
â Com certeza, vou deixar a chave reserva com vocĂȘ, quando chegar, eu quero encontrar uma comemoração digna, hein? â brinquei, tentando aliviar o clima e espantar a tensĂŁo do momento assim que dei a chave a ele.
â Pode deixar, vou fazer com que seja o aniversĂĄrio mais inesquecĂvel de todos.â Ele se inclinou deixando um beijo em meus lĂĄbios.
então percebi o bilhete que eu tinha tirado da vista de Gabriel, ainda estava entre meus dedos, com um suspiro, passei o polegar sobre o papel, sentindo o papel meio amassado antes de abri-lo.
"1 presente para cada ano que vocĂȘ iluminou o mundo, vocĂȘ continua sendo importante para mim."
Fechei os olhos, tentando controlar a onda de raiva que subia no peito, mas era impossĂvel.
â Importante? TĂŁo importante que ele nem se quer sabe quantos anos estou fazendo! SĂŁo 24 anos! Porra! Eu estou fazendo 24 anos, seu idiota! â Gritei jogando o pequeno papel longe.
Nós nos acomodamos em uma mesa reservada para a noite, com vista direta para as ruas movimentadas lå embaixo. O garçom apareceu rapidamente, deixando um cardåpio luxuoso em nossas mãos. Georgia, ao meu lado, admirava o ambiente, enquanto meu pai, jå analisava o cardåpio com olhar meticuloso.
Escolhemos pratos dignos de um restaurante Michelin. Para começar, vieiras grelhadas com emulsĂŁo de limĂŁo siciliano e lĂąminas de trufas. O aroma era delicado, o sabor impecĂĄvel, mas o silĂȘncio em nossa mesa era constrangedor.
â Estive conversando com o reitor sobre o seu progresso na faculdade. â Meu pai lançou um olhar para mim. â Ele me disse que suas notas estĂŁo subindo novamente, jĂĄ estava na hora.
â Tenho tido ajuda para estudar⊠isso tem feito muita diferença.
â O reitor mencionou algo curioso, parece que hĂĄ rumores sobre um professor da sua universidade envolvido com uma aluna.â Suspirou recostando-se na cadeira com uma expressĂŁo pensativa. â Por acaso vocĂȘ estĂĄ ciente dos boatos?
Por um instante, senti minha espinha congelar.
â Um professor com uma aluna? â Minha mĂŁe, ergueu as sobrancelhas, horrorizada. â Que absurdo! NĂŁo consigo imaginar um comportamento mais inadequado.
â NĂłs precisamos voltar ainda hoje, mas prometemos voltar em breve, afinal, logo teremos nosso primeiro netinho. â Sua mĂŁo acariciou minha barriga.
 â Cuida de vocĂȘ, tĂĄ? E qualquer coisa, me liga. â Georgia me abraçou.
â Cuide-se, Aurora. â Meu pai me deu um abraço breve.
â EntĂŁo, vamos aproveitar. â Me puxou para o meio da sala.
A mĂșsica começou a tocar mais alto, preenchendo o ambiente com uma batida animada, um cheiro delicioso de pizza se misturava ao perfume doce das flores, no balcĂŁo da cozinha estava o tradicional âdrink especialâ da Lily, com um toque de frutas frescas e guarda-chuvinhas coloridos. Minha casa parecia outra, cheia de vida e energia, era como se cada detalhe tivesse sido pensado para me fazer sentir especial e eu mal conseguia parar de sorrir.
Eu não esperava tanta gente, mas havia algo nessa bagunça animada que me fazia sentir viva. Meu aniversårio estava acontecendo ali, naquele momento, eu não queria pensar em nada que pudesse me puxar para baixo. Passei um bom tempo aproveitando a festa. Dancei com meus amigos, ri com eles, comemos e jogamos, eu realmente estava aproveitando e por algumas horas esqueci de todas as coisas que me atormentavam.
â Ei, Aurora. â Senti uma mĂŁo pousar suavemente na minha cintura.
Me virei e dei de cara com Gabriel, que estava ainda mais bonito do que eu me lembrava. Talvez fosse o efeito dos hormĂŽnios, ou talvez fosse sĂł o fato de eu estar realmente afim dele naquele momento, mas, com aquele sorriso suave e encantador, ele conseguiu desarmar qualquer resistĂȘncia minha.
â Posso roubar a aniversariante por um tempo? â ele perguntou, antes que eu pudesse protestar, jĂĄ segurando minha mĂŁo com delicadeza.
Ele riu, senti minha respiração falhar quando ele segurou meu rosto com as mãos, deslizando os dedos em minha pele.
â Aurora... â ele sussurrou, o olhar intenso, como se estivesse gravando cada detalhe de mim. â Tenho algo pra vocĂȘ.
Ele se afastou, tirando uma caixinha de veludo do bolso, ele abriu-a lentamente, revelando um colar delicado com um pingente de coração prateado, eu mal conseguia acreditar na perfeição do presente, ele era tão atencioso.
â Ă lindo.
â Agora vocĂȘ vai carregar um pedacinho de mim, onde quer que vĂĄ.
Enquanto ele se inclinava para colocar o colar, senti a respiração prender quando seus dedos roçaram a pele do meu pescoço, seu toque deixou um rastro de calor que parecia irradiar por todo o meu corpo.
â Gabriel⊠nem sei como agradecer. â Sussurrei, a voz um pouco trĂȘmula, sentindo o metal frio sob os dedos.
Eu estava me perdendo completamente nele, as mãos dele desceu para minha cintura tentando explorar meu corpo, senti um frio na barriga, uma mistura de medo e ansiedade, sem saber o que fazer, tomei a mão dele e a direcionei delicadamente para o meu seio direito.
â Aqui. â murmurei, enquanto acariciava sua palma, guiando-a apalpar ainda mais firme, tentando esconder a insegurança que sentia.
A cada movimento, eu sentia um arrepio diferente, uma parte de mim ainda estava tensa, com receio de que ele descobrisse, mas sensaçÔes que ele me proporcionava me deixava sem fÎlego fazendo esquecer rapidamente qualquer coisa, eu podia sentir ele entre minha pernas, duro, se movendo contra mim e agora eu desejava que o momento nunca terminasse.
Os låbios dele deslizaram pelo meu pescoço, um suspiro escapou de meus låbios antes que eu pudesse me conter, eu mal conseguia processar a intensidade do que estava sentindo, eu precisava de mais.
Eu queria ele.
Eu precisava dele.
Mas entĂŁo, a porta entreabriu com um ruĂdo leve e ouvimos uma risada suave.
â Nossa⊠Me desculpem , volto depois. â Era Lily, cobrindo os olhos com um sorriso brincalhĂŁo que mal conseguia disfarçar.
â Isso! â Falei frustada, mas Gabriel riu, saindo de cima de mim.
â Tudo bem, acho melhor voltarmos para a festa.â Ele afastou uma mecha do meu cabelo, me encarando por mais um segundo, antes de me ajudar a levantar.
Eu e Gabriel trocamos um olhar, entre sorrisos e respiraçÔes ofegantes, a essa altura Lily jå tinha nos deixados nós a sós de novo.
â Depois a gente continua. â Ele sussurrou com um sorriso malicioso. â Mas vocĂȘ pode ir na frente eu vou precisar de mais alguns minutos.
â Tudo bem. â Eu ri, olhando para o enorme problema que estava entre suas pernas.
Ainda sentia o gosto do beijo e o calor do toque dele, quando passei pela porta ajeitando minha roupa. Voltei para a sala, onde a mĂșsica ainda pulsava e a animação se espalhava pelo apartamento.
â Desculpa mesmo atrapalhar vocĂȘs, mas o vizinho do 206 apareceu e tava meio irritado, ele reclamou do barulho.
O corredor agora parecia mais silencioso, eu estava prestes a bater na porta do senhor Hippie quando meu corpo congelou, como se um imĂŁ me prendesse ali, imĂłvel, por um segundo, quase acreditei que fosse um sonho ou pior, um pesadelo.
â Eu nĂŁo vim aqui pra me desculpar, Aurora, eu nĂŁo vim pra pedir perdĂŁo ou pra dizer que sinto sua falta. VocĂȘ jĂĄ sabe disso.
Ela sabia exatamente o que estava fazendo comigo. Eu queria odiå-lo por estar ali, por fazer meu coração bater mais råpido.
â EntĂŁo por que veio? PorquĂȘ enviou aqueles presentes? E aliĂĄs, vocĂȘ me enviou vinte e trĂȘs presentes, Harry, mas eu completei vinte e quatro anos. VocĂȘ nem sequer se deu ao trabalho de lembrar quantos anos eu tenho e ainda diz que sou importante para vocĂȘ?
â E eu deveria ser grata por isso? â A cada palavra, sentia o gosto amargo da exaustĂŁo. â Por vocĂȘ entrar e sair da minha vida quando quer, por me deixar aos pedaços e depois voltar com esses gestos vazios? Eu nĂŁo aguento mais isso, Harry. â Ele tentou dar outro passo, mas levantei a mĂŁo, parando-o. â Por que vocĂȘ continua fazendo isso? Eu jĂĄ deixei claro que nĂŁo quero vocĂȘ na minha vida. Por que insiste em cumprir essa promessa idiota, uma promessa que eu nunca te pedi para fazer? Eu nĂŁo quero isso! Eu nĂŁo quero mais nada com vocĂȘ. â Ele ficou em silĂȘncio, me observando. â Por que vocĂȘ nĂŁo consegue me deixar ir? â Continuei, a voz quase um sussurro. â Era sĂł fingir que nada aconteceu. Por que tem que complicar tudo? Por que nĂŁo pode simplesmente me deixar em paz?
â Harry... eu queria... eu queria te contar... Eu... Eu estou...
Como eu poderia dizer?
Como encontrar coragem para confessar algo que poderia mudar tudo entre nĂłs?
Antes que eu me decidisse, senti uma lĂĄgrima escorrer pelo meu rosto, se misturando ao toque dele.
Uma parte de mim queria que ele entendesse, que ele percebesse o que eu carregava dentro de mim, que eu ainda tinha uma parte dele comigo, uma parte que, por mais que eu tentasse, não conseguia renunciar, mas eu tinha medo.
â Eu estou grata! Por isso⊠por tudo, Harry. â Era o mĂĄximo que eu consegui dizer.
Ele ergueu a mĂŁo, com um carinho quase insuportĂĄvel, limpou minha lĂĄgrima com o polegar.
â NĂŁo era para vocĂȘ chorar, Aurora. â Sua voz estava suave, ele me segurou ainda mais firme. â Eu sĂł queria que vocĂȘ tivesse um dia inesquecĂvel, como eu prometi que faria.
Suas palavras me atravessaram, por um momento, senti uma felicidade estranha e dolorosa.
Ele ainda se importava, de alguma forma, ele ainda se importava.
â Mas eu estou feliz. â murmurei, sem saber se dizia aquilo para ele ou para mim mesma. â Hoje, aqui... Com vocĂȘ, eu estou feliz.
E era verdade.
Naquele abraço, naquele instante, eu conseguia acreditar nisso.
Obviamente eu nĂŁo me sinto pronta - e nem sei se estarei um dia, pra escrever com o Liam. EntĂŁo, nĂŁo me julguem pela falta dele na enquete. Vou esperar o resultado e postar na segunda
Apoio seu corpo alto e pesado no meu. Seu braço longo fica sobre os meus ombros e nĂłs caminhamos em direção Ă suĂte.Â
â Me desculpa. â Ele fala baixo, as palavras emboladas como se a lĂngua fosse maior que o normal. â Eu precisei ir para um jantar da empresa e perdi o seu aniversĂĄrio. â Harry lamenta.Â
Um sorriso bobo se forma em meus lĂĄbios.Â
Bom, pelo menos ele havia se lembrado.Â
â NĂŁo tem problema. â Eu digo, terminando de desatar o nĂł de sua gravata. â Por quĂȘ bebeu tanto? â Bufo, fingindo estar brava.Â
Eu sabia como Styles era fraco para bebida. Uma taça de vinho era o suficiente para deixĂĄ-lo com as bochechas vermelhas e o sorriso solto. Mas o cheiro forte de ĂĄlcool deixava claro que ele havia bebido muito mais do que uma taça de vinho.Â
â Vou recompensar vocĂȘ. â Ele diz, depois que eu retiro seu paletĂł. Harry ergue as mĂŁos grandes, segurando minhas duas bochechas. Seus olhos estĂŁo quase fechados, as bochechas muito vermelhas. â Feliz aniversĂĄrio, querida.Â
â Obrigado, H.Â
O meu coração bate forte.
E, para a minha surpresa, Harry puxa o meu rosto em direção ao seu.
Seus lĂĄbios cheios e macios tocam os meus, me fazendo arregalar os olhos antes de fechar.Â
O primeiro e Ășltimo beijo que trocamos fora a dois anos, no dia em que dissemos sim em frente ao juiz de paz.Â
Depois de uma longa e sincera conversa durante o jantar de noivado, decidimos seguir em frente.Â
Começamos com uma amizade. Harry era educado, gentil e sensĂvel. Sempre me tratando com muito respeito.Â
O grande problema foi quando meu coração começou a confundir as coisas. E eu acabei irremediavelmente apaixonada pelo meu marido.Â
Me contentei com a amizade de Styles. Fazendo o meu melhor para esconder os sentimentos que cada vez mais se tornavam mais fortes.
A cada sorriso que ele me dirigia, cada mĂnimo elogio educado. Meu coração batia como louco. O frio na barriga me atingia e eu conseguia ficar ainda mais boba por ele.Â
Solto um suspiro quando a lĂngua quente toca meu lĂĄbio inferior.Â
Harry me puxa para mais perto, seus dedos se perdem no meu cabelo.
Nosso primeiro beijo foi apenas um selar. E foram incontĂĄveis as vezes que eu me perguntei como seria beijĂĄ-lo de verdade.
Mesmo que o sabor alcoĂłlico fosse forte, ainda era bom. Mesmo que o beijo demonstrasse desejo, ainda era delicado.
Seus lĂĄbios eram quentes e macios, sua lĂngua afoita e curiosa, explorando cada partezinha da minha boca.
Meu coração batia tão forte que eu podia senti-lo retumbando em meus ouvidos. Minha pele inteira estava arrepiada.
O beijo foi quebrado com dezenas de selinhos e eu sorri como uma boba.
Harry sorriu de volta, passando o polegar em minha bochecha.Â
E então disse as palavras que acabaram completamente com a minha ilusão e o fio de esperança ao qual me agarrei.
â Minha HelenaâŠÂ
O meu sorriso se fechou, e quase pude ouvir o som do meu coração virando um amontoado de estilhaços.Â
Harry caiu para trĂĄs na cama, em um sono profundo.Â
Segurei o soluço que tentou escapar, mas as lågrimas jå haviam começado a escorrer de forma vergonhosa.
A conversa me faz sentir ainda pior. Mas, pelo menos, ele nĂŁo se lembra de ontem.Â
Decido sair da cozinha, mas antes que eu faça isso, sua mĂŁo grande segura o meu pulso, me mantendo no cĂŽmodo.Â
â Eu fiz algo que magoou vocĂȘ, nĂŁo foi? â Seus olhos castanhos me encaravam cheios de culpa, mesmo que sequer soubesse o motivo. â Pode me dizer. â Incentiva.
â NĂŁo ria. â Ele coloca a mĂŁo sobre o peito, como se estivesse mortalmente ofendido. O que, obviamente, me faz rir alto. â Vem. â Estende a mĂŁo, praticamente me arrastando para fora da cama.Â
Suas mĂŁos vĂŁo para os meus ombros, me empurrando para fora do quarto.Â
Ainda estou sonolenta, mas meu estĂŽmago revira de fome e minha boca saliva assim que chegamos no andar de baixo e o cheiro da comida perfuma o lugar inteiro.Â
â VocĂȘ fez tudo isso? â Falo surpresa com a quantidade de pratos disposta na mesa.
â Duvidando dos meus dotes culinĂĄrios, senhora Styles? â Ele pergunta erguendo uma sobrancelha, puxando uma cadeira e me fazendo sentar.
â Estou pensando em voltar para a faculdade. â Falo de repente. Harry ergue os olhos, a boca tĂŁo cheia de comida que suas bochechas ficam infladas.Â
Eu precisei trancar a faculdade de design por conta do casamento. Mais uma das exigĂȘncias do meu pai.Â
â De forma alguma. â Ele nega com a cabeça. â Eu acho Ăłtimo, S/N. â Sorri. â EstĂĄ gostando da comida?
â EstĂĄ tudo uma delĂcia. â Falo com sinceridade. â Por quĂȘ decidiu cozinhar tanto?Â
â Queria me desculpar com vocĂȘ⊠â Meu corpo trava. â Ontem acabei me esquecendo do seu aniversĂĄrio. â Harry suspira. â Me desculpe por isso, S/N.Â
â EstĂĄ tudo bem. â Eu afirmo, mesmo que nĂŁo seja 100% verdade.Â
Nos dias em que se seguiram, eu me concentrei em voltar para a faculdade. Consegui destravar minha matrĂcula e voltei Ă s aulas.Â
A primeira semana passou voando e por dias inteiros quase nĂŁo vi o meu marido.Â
O que era bom.Â
Esse era o primeiro passo para esquecer esse amor unilateral.Â
Eu precisava me dedicar a esquecĂȘ-lo, e enfiar a cabeça nos livros, correr atrĂĄs de prazos de trabalhos e provas seria o ideal para tirĂĄ-lo da minha cabeça e do meu coração.
Mesmo que eu me lembre de seus lĂĄbios contra os meus cada vez que feche os olhos.
Harry
Solto um suspiro baixo, sentindo meus olhos arderem depois de revisar mais de cinquenta relatĂłrios. Encaro a foto de Helena sobre a minha mesa, sentindo o mesmo sentimento de melancolia de sempre.Â
Era difĂcil saber que voltaria para casa agora e nĂŁo seria recebido por seu sorriso ou suas piadas ruins.Â
Por mais que morar com S/N nĂŁo fosse necessariamente ruim, ela nĂŁo era Helena.Â
A minha Helena.Â
â JĂĄ vai? â Brad pergunta quando eu saio da minha sala.Â
â S\N? â Chamo baixinho ao ver a garota na sala, sem querer assustĂĄ-la.Â
Mas, ela sequer se mexeu.Â
Me aproximei com cautela.Â
S\N estava com os braços sobre a mesinha de centro, o rosto apoiado em um deles e os olhos fechados em um sono profundo. Seus livros e cadernos estavam espalhados por todo o lado e ela parecia realmente cansada.Â
Quase nĂŁo a vi desde que voltou a vida acadĂȘmica. Os nossos horĂĄrios nĂŁo batiam, e para falar a verdade, eu nĂŁo me esforçava para encontrĂĄ-la.
Mesmo que nĂŁo quisesse admitir, desde aquele maldito sonho, eu venho me perguntando como seria beijĂĄ-la de verdade.Â
A olho mais um momento antes de sair, fechando a porta atrĂĄs de mim.Â
Deixo seus livros e cadernos exatamente onde estĂŁo, temendo guardĂĄ-los em algum lugar errado e estragando sua linha de raciocĂnio durante os estudos.Â
Vou para a cozinha, sentindo meu estĂŽmago reclamar.
Grudado no microondas hĂĄ um bilhete, um post-it igual aos que estavam grudados nos livros de S\N.
âSeu jantar estĂĄ pronto! Aqueça por dois minutos e depois descanse! EstĂĄ trabalhando demais ;)â
Ela parece notar minha presença, vira o rosto e me oferece um sorriso.
â Bom dia, H.Â
Eu respiro fundo, sem conseguir entender o que estĂĄ acontecendo comigo.Â
Minha pele inteira estĂĄ arrepiada, um calor insuportĂĄvel me deixa inquieto.
Em passos largos atravesso a cozinha, sem conseguir mais segurar essa vontade.Â
Seguro sua cintura com as minhas mĂŁos. S\N arregala os olhos, mas nĂŁo me afasta.Â
Encaro seus lĂĄbios avermelhados, sentindo a minha prĂłpria boca formigar.Â
Curvo o pescoço, fecho os olhos e solto um suspiro quando sinto o contato de seus lĂĄbios nos meus.Â
S\N solta um gemido baixo, suas mĂŁos tocam o meu peito e eu aprofundo ainda mais o contato.Â
Passo um dos braços por baixo do seu corpo, erguendo-a e colocando-a sobre a bancada.
Desço minha boca, marcando sua pele cheirosa.Â
Ela geme baixinho, joga a cabeça para trĂĄs.Â
Enlouquecido.Â
Ă assim que eu me sinto.
Completamente entorpecido por essa mulher.Â
Infiltro as mĂŁos por baixo da camisa enorme, apertando suas coxas entre os meus dedos.Â
Meu corpo inteiro pede por ela, implora por ela.Â
â H⊠â Ela geme, e me enlouquece ainda mais.Â
â Eu quero tanto vocĂȘ. â Sussurro aquela verdade. S\N sorri para mim, com os lĂĄbios inchados pelos nossos beijos.Â
â Eu sou sua. â Ela sussurra.Â
Sua mão acaricia meu pau por cima da calça de moletom, me fazendo gemer.
Porra, eu preciso dessa mulher. Agora.Â
Puxo minha camiseta para fora, e como se estivesse tĂŁo ansiosa por esse momento como eu, S\N empurra minha calça para baixo, junto da cueca.Â
Eu suspiro, hipnotizado quando ela puxa a barra da prĂłpria camiseta para fora.Â
Enrolo o braço em sua cintura, puxado-a mais para a beirada da bancada. Ataco sua boca gostosa, arrasto a calcinha fina para o lado e encaixo meu pau em sua entrada quente e Ășmida.Â
Ela solta um gemido alto contra meus lĂĄbios quando embalo o corpo para a frente.Â
â Bom dia, H. â Brad fala assim que eu saio do elevador.
â Bom dia. â Falo rĂĄpido, passando pela sua mesa como um foguete e entrando na minha sala.
Me sinto um adolescente na puberdade, nĂŁo um homem de 30 anos de idade.Â
Sento na minha mesa, esfrego as mĂŁos no rosto e tento afastar aqueles pensamentos de mim.Â
Duas batidas na porta me fazem suspirar e eu mando que Brad entre.
Por quase vĂĄrias horas contei a ele toda a minha histĂłria. Como minha infĂąncia foi solitĂĄria e meus pais trabalhavam demais para prestar atenção em mim e no meu irmĂŁo mais velho. Como a adolescĂȘncia foi ainda pior e eu nĂŁo passava de um garoto confuso e carente de atenção. Como eu conheci, me apaixonei e perdi Helena.Â
E entĂŁo, como S\N entrou na minha vida.Â
Nos primeiros dias, me senti receoso de contar a ele sobre o contrato. NĂŁo era exatamente uma coisa legal.Â
Mas, depois de algumas sessÔes, me senti mais confortåvel para dizer.
Para a minha surpresa, essa prĂĄtica ainda era comum entre as famĂlias ricas da Coreia. Algo horrĂvel, na minha opiniĂŁo.Â
Kwan, dividia a mesma opiniĂŁo de Brad. Acreditava que eu estava me apaixonando por S\N.Â
Mas, eu segui negando.Â
â Estou bem. â Respondo abrindo um sorriso.Â
â E entĂŁo, algum avanço essa semana? â Ele pergunta, cruzando as pernas e ajeitando a posição em sua poltrona.Â
â O mesmo de sempre. â Dou de ombros.Â
Kwan se refere ao fato de eu continuar fugindo de S\N dentro da nossa casa.Â
Por mais que agora eu a veja mais do que no inicio da minha fuga idiota, ainda faço o meu melhor para nĂŁo acabar trombando com a garota pelas manhĂŁs, quando ela estĂĄ com pijamas curtos. Ou Ă noite, quando estĂĄ linda.Â
Deixei as flores no pequeno vaso de plantas, juntei as mĂŁos e fechei os olhos. Fiz uma prece breve antes de suspirar e finalmente encarar a foto de Helena na lĂĄpide.Â
NĂŁo tive coragem de voltar aqui desde o dia em que minha Helena começou seu descanso.Â
Na foto ela sorri, radiante. Antes do cĂąncer que a deixou tĂŁo debilitada.Â
â Eu sei que vocĂȘ nĂŁo gostaria de me ver triste⊠foi o que vocĂȘ disse antes de partir, nĂŁo foi? Que seria o meu anjo. â Seco um pouco meu rosto com a manga da camisa. â Eu nem sei se ela sente algo por mim. â Rio sem muito humor. â Eu tenho agido como um idiota com ela. Quando nos conhecemos, foi vocĂȘ quem me conquistou. Dessa vez, vou tentar ganhar o coração dela. Me ajude, sim? â Fungo. â Me ajude a ser feliz, por favor. â Respiro fundo. â Sempre vou amar vocĂȘ, Helena. Mas, acho que o meu coração pertence Ă S\N agora.Â
â Jantar comigo? â Ela ergue as sobrancelhas. â VocĂȘ nĂŁo janta em casa hĂĄ uns dois meses. â Ela diz, fazendo um beicinho triste.Â
Eu quero rir.Â
Nunca havia visto S\N tĂŁo bĂȘbada. E por mais que estivesse bravo pelo perigo que ela correu, precisava admitir que estava uma gracinha.Â
â Eu sei. â Suspiro e me ajoelho Ă sua frente, começando a desamarrar o cadarço dos seus tĂȘnis. â VocĂȘ me desculpa?Â
â Eu sempre desculpo vocĂȘ. â Ela revira os olhos, me deixando levemente confuso. Tiro seus tĂȘnis e as meias, colocando no chĂŁo ao lado da cama.Â
â Vamos pelo menos tirar a maquiagem, hum? â Ofereço e ela afirma com a cabeça. Pego em sua mesa um pacote de lencinhos umedecidos e me sento ao seu lado na cama.
S\N fecha os olhos quando eu começo a passar o lenço com a maior delicadeza em sua pele.Â
Meu coração acelera quando passo sobre seus lĂĄbios, sentindo minha boca secar por um momento.Â
Ela abre os olhos lentamente, encara o meu rosto e suspira.Â
â Haz?Â
â Sim?Â
Os olhinhos pequenos pela bebedeira fitam o meu rosto com atenção, ela solta um suspiro longo e um beicinho se forma em sua boca quando lĂĄgrimas grossas começam a se formar. Exatamente como uma criança pequena.Â
â Eu nĂŁo sei do que estĂĄ falando, S/N. â Falo baixo, afastando mais lĂĄgrimas, o que sĂł dĂĄ mais espaço para as novas que deslizam em sua pele.Â
â Do meu coração. â Ela soluça. Eu arregalo os olhos. â Eu nĂŁo quero mais amar vocĂȘ, Harry. Por favor, me devolve ele. â Ela joga a cabeça para a frente, seus ombros balançam com o choro e eu me desespero.Â
â S/N⊠â Eu chamo, mas seu choro se torna mais alto. Mais sentido.Â
Eu nĂŁo vejo seu rosto, mas posso ver as lĂĄgrimas pingando em seu colo.Â
O meu coração dĂłi.Â
Engulo o nĂł que se formou em minha garganta e ergo seu rosto pelo queixo.Â
â VocĂȘ me ama? â Sussurro. Ela balança a cabeça positivamente. â Por quĂȘ nĂŁo me disse antes? â Com dois dedos afasto os fios insistentes do seu cabelo para trĂĄs da orelha, depois tento, mais uma vez, afastar as suas lĂĄgrimas.Â
â Porque eu sei que vocĂȘ nĂŁo me ama, Harry. â Lamenta. O meu coração aperta no peito e eu abro a boca para falar, mas uma das mĂŁos pequenas me pega de surpresa, esmagando os meus lĂĄbios. â VocĂȘ nĂŁo sabe quantas vezes eu jĂĄ quis ser a sua S/N. â Eu pisco algumas vezes. As duas palavras me atingem como socos. â Helena foi tĂŁo sortuda em ser sua. â Ela sussurra.Â
Com cuidado, eu seguro a mĂŁo que estĂĄ sobre a minha boca, tirando-a. S/N baixa a cabeça mais uma vez, mas eu nĂŁo permito.Â
Me aproximo mais na cama, me sentindo o ser mais desprezĂvel que existe.Â
Esse tempo todo, enquanto eu fugia dos meus prĂłprios sentimentos. NĂŁo pensei nos dela. NĂŁo pensei que poderia estar machucando o seu coração.Â
Seguro uma das suas bochechas, fazendo com que ela me olhe.Â
Nossos olhos se encontram e o meu coração acelera em uma velocidade preocupante.Â
Ela estĂĄ bĂȘbada.Â
EstĂĄ sensĂvel.Â
E eu sou um idiota por pensar em beijĂĄ-la nessa situação.Â
Como um ĂmĂŁ, eu me aproximo, fecho os olhos e toco meu nariz com o seu. Espero que ela me empurre, me xingue. Mas isso nĂŁo acontece.Â
S/N ergue o queixo, deixando um selar leve e salgado pelas lĂĄgrimas. E entĂŁo se afasta, colocando os dedos na minha boca mais uma vez.Â
â S/N. â Ela diz, e eu ergo uma sobrancelha. â NĂŁo me chame pelo nome dela mais uma vez, Harry.Â
Eu engasgo.Â
S/N abre um sorriso triste e puxa as pernas para cima da cama, se deita de costas para mim.
â Pode sair do meu quarto, por favor? â Murmura baixinho.Â
â NĂłs precisamos conversar. â Ă tudo que eu consigo dizer.Â
Meu coração acelera, o ĂĄlcool corre ainda mais solto, faz ainda mais efeito.Â
As borboletas que eu pensei que nunca mais apareceriam, voam pela minha barriga.Â
A sensação de estar apaixonado.Â
Que eu achei que nunca mais sentiria.Â
Uma pontinha de culpa me atinge. Eu nĂŁo deveria fazer isso. Eu sou casado. Eu amo aâŠ
â Minha Helena.Â
O sorriso de S/N se fecha. Mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, o sono me atinge e eu caio na cama.Â
Sonhando com ela.
Com a minha S/N.Â
Abro meus olhos, sentindo meu corpo inteiro suado e meu coração batendo em uma velocidade descomunal.Â
NĂŁo foi um sonho.Â
Meu beijo com S\N foi real. E eu fiz a maior das besteiras, chamando-a pelo nome de outra mulher.Â
Olha para o relĂłgio na mesa de cabeceira, quase nove da manhĂŁ.Â
SerĂĄ que ela jĂĄ levantou?Â
Saio do quarto, notando que a porta do quarto de S\NÂ estĂĄ entreaberta. Bato, mas nĂŁo obtenho resposta. Empurro a porta de leve, ouvindo o barulho de seu chuveiro.Â
â Bom dia. â Eu digo. Ela me olha por menos do que um segundo antes de baixar a cabeça e murmurar uma resposta para o meu cumprimento. â Fiz sopa de algas e chĂĄ pra vocĂȘ. â Aviso, jĂĄ servindo a sopa na tigela. Largo a comida acompanhada de uma colher sobre a mesa.Â
â Obrigado. â Ela diz baixo.Â
â EstĂĄ com dor?Â
â SĂł um pouquinho. â Diz, tomando a primeira colher da sopa. Em nenhum momento ela me olha. Seus olhos permanecem baixos, assim como o seu tom de voz. E isso me dĂĄ a certeza de que ela lembra sobre tudo na noite passada.Â
â Precisamos conversar, nĂŁo acha?Â
â NĂŁo podemos esquecer? â Ela resmunga. â Eu estava bĂȘbada eâŠ
â VocĂȘ disse que me ama. â Corto sua desculpa, jĂĄ sentindo meu coração acelerar com a ansiedade. â Ă verdade?Â
â Harry, por favor. â LĂĄgrimas se juntam nos cantinhos dos seus olhos.Â
â Me diga. â Eu peço. â VocĂȘ me ama, S\N?Â
Ela suspira, passa a pontinha da lĂngua pelos lĂĄbios e assente.Â
Um sorriso involuntĂĄrio se forma em meus lĂĄbios e eu curvo o pescoço, tocando sua boca com a minha.Â
Ouço seu suspiro surpreso e espero mais um pouco, deixando apenas selinhos leves antes de aprofundar o beijo.Â
Empurro a lĂngua com calma, sendo recebido de forma tĂmida. S\N coloca as mĂŁos em meus ombros, mas nĂŁo me empurra. Seus lĂĄbios macios e quentes acariciam os meus com delicadeza.Â
Separo nossos lĂĄbios quando a necessidade de respirar se torna mais forte.Â
Com a respiração desregulada, abro meus olhos para vĂȘ-la.Â
S\N estĂĄ tĂŁo abalada quanto eu, seus lĂĄbios inchados e os olhos cheios de incertezas.Â
â Me desculpa. â Começo a dizer. â Eu nĂŁo queria ter machucando vocĂȘ, S\N. â Me mantenho perto dela, ainda abraçando seu corpo e segurando sua nuca. â Eu deveria ter sido mais cauteloso com os seus sentimentos.Â
â Eu nĂŁo estou entendendo. â Ela murmura baixinho.Â
â Eu lembro do nosso beijo no seu aniversĂĄrio. â Ela arregala os olhos de leve. â Eu achei que tinha sido um sonho. â Suspiro. â VocĂȘ nĂŁo falou nada e eu me convenci que nĂŁo havia acontecido de verdade. Mas sĂł ontem eu percebi que foi verdade e que eu fui um idiota. â Ela me olha com atenção. â Eu nĂŁo chamei vocĂȘ pelo nome de Helena. Enchi a cara aquela noite por me sentir culpado por nĂŁo conseguir parar de pensar em vocĂȘ. â Admito.Â
â O quĂȘ?Â
â Eu me sentia culpado por começar a me apaixonar por vocĂȘ. â Suspiro. â Por isso eu praticamente fugi nessas Ășltimas semanas. Eu queria me convencer de que nĂŁo estava me apaixonando, mesmo que Brad e o meu terapeuta digam o contrĂĄrio.Â
As bochechas de S\N ficam vermelhas, ela abaixa a cabeça, escondendo o rosto em meu peito. NĂŁo consigo evitar a risada, fazendo um carinho leve em seus cabelos.Â
â Eu estava bĂȘbada, nĂŁo pode usar minhas palavras contra mim. â Ela reclama, erguendo o rosto para me olhar, fazendo um beicinho com os lĂĄbios. Eu deixo um beijo ali, fazendo-a sorrir. â EstĂĄ mesmo apaixonado por mim?Â
â Totalmente. â Admito, apertando ela mais contra mim.Â
â Acho que ainda estou sonhando. â Ela suspira, passando os braços em minha cintura, me abraçando de volta. Eu curvo o pescoço, mordendo sua bochecha de leve. â Ai!Â
â O que acha de irmos embora? â Harry sussurra em meu ouvido. Seu braço estĂĄ apoiado em minha cintura e jĂĄ deve ser pelo menos a quinta vez que ele sugere de ir embora desde que chegamos Ă festa de aniversĂĄrio de um dos maiores investidores da empresa.Â
â Querido, chegamos hĂĄ uma hora. â Relembro.Â
â Eu sei. â Resmunga, ficando de frente agora, e segurando minha cintura com as duas mĂŁos. â Ă pedir demais uma noite tranquila ao lado da minha esposa? Sem precisar ficar dando sorrisos falsos para um monte de gente chata?Â
Harry afastou meu cabelo, apoiando todo em um dos ombros e deixou um beijo molhado em minha nuca. Um suspiro escapa dos meus lĂĄbios e eu tenho certeza de que ele nota minha pele inteira arrepiar.Â
â Eu jĂĄ disse o quanto estĂĄ linda hoje, querida? â Murmura, com a voz rouca. Fecho os meus olhos, sentindo minha boceta pulsar dentro da calcinha jĂĄ encharcada.Â
Me entrego ao beijo, soltando suspiros baixos. Escuto quando Harry empurra a porta para que ela feche e em seguida começa a caminhar com passos cuidadosos enquanto empurra meu corpo em direção da cama.Â
Harry separa os nossos lĂĄbios, me encarando com os olhos cheios de um desejo velado. Seu peito sobe e desce rĂĄpido, e suas mĂŁos encontram as minhas, em um pedido silencioso de permissĂŁo. Em resposta, liberto o vestido, que acumula em minha cintura.Â
Harry respira fundo, seus olhos passeiam pelos meus ombros e colo. Mais uma vez ele me olha.Â
â VocĂȘ pode fazer o que quiser. â Sussurro. Ele morde o lĂĄbio inferior e assente.Â
Meu corpo estĂĄ sensĂvel, e toda a vontade que eu tenho dele se torna ainda mais desesperada.Â
Harry dĂĄ atenção aos meus dois seios com as mĂŁos e a boca antes de voltar a explorar o restante do meu corpo. Seus lĂĄbios deixam marcas invisĂveis por toda a parte.Â
Ele beija minha barriga e desce ainda mais. Com os olhos nos meus, puxa com delicadeza a calcinha azul clarinho para fora do meu corpo.Â
Ouço quando ele murmura um palavrĂŁo antes de voltar a beijar minha pele.Â
Gozo revirando os meus olhos e chamando alto pelo nome dele. Harry abraça o meu corpo, entrando fundo uma Ășltima vez e escondendo o rosto em meu pescoço. Posso sentir as contraçÔes de seu membro a medida que seu gozo escorre entre as minhas pernas.Â
Alguns segundos depois, ele ergue o rosto, sorri cansando e beija os meus lĂĄbios antes de sair de mim e deitar ao meu lado.Â
Encaro o teto, tentando controlar minha respiração e meu coração acelerado.Â
Harry me puxa, me fazendo deitar em seu braço. Me viro, ficando de frente para ele e acariciando de leve seu peito suado com a ponta dos dedos.Â
â Eu te amo. â Deixo um beijo em seu peito antes de deitar.Â
Apoio seu corpo alto e pesado no meu. Seu braço longo fica sobre os meus ombros e nĂłs caminhamos em direção Ă suĂte.Â
â Me desculpa. â Ele fala baixo, as palavras emboladas como se a lĂngua fosse maior que o normal. â Eu precisei ir para um jantar da empresa e perdi o seu aniversĂĄrio. â Harry lamenta.Â
Um sorriso bobo se forma em meus lĂĄbios.Â
Bom, pelo menos ele havia se lembrado.Â
â NĂŁo tem problema. â Eu digo, terminando de desatar o nĂł de sua gravata. â Por quĂȘ bebeu tanto? â Bufo, fingindo estar brava.Â
Eu sabia como Styles era fraco para bebida. Uma taça de vinho era o suficiente para deixĂĄ-lo com as bochechas vermelhas e o sorriso solto. Mas o cheiro forte de ĂĄlcool deixava claro que ele havia bebido muito mais do que uma taça de vinho.Â
â Vou recompensar vocĂȘ. â Ele diz, depois que eu retiro seu paletĂł. Harry ergue as mĂŁos grandes, segurando minhas duas bochechas. Seus olhos estĂŁo quase fechados, as bochechas muito vermelhas. â Feliz aniversĂĄrio, querida.Â
â Obrigado, H.Â
O meu coração bate forte.
E, para a minha surpresa, Harry puxa o meu rosto em direção ao seu.
Seus lĂĄbios cheios e macios tocam os meus, me fazendo arregalar os olhos antes de fechar.Â
O primeiro e Ășltimo beijo que trocamos fora a dois anos, no dia em que dissemos sim em frente ao juiz de paz.Â
Depois de uma longa e sincera conversa durante o jantar de noivado, decidimos seguir em frente.Â
Começamos com uma amizade. Harry era educado, gentil e sensĂvel. Sempre me tratando com muito respeito.Â
O grande problema foi quando meu coração começou a confundir as coisas. E eu acabei irremediavelmente apaixonada pelo meu marido.Â
Me contentei com a amizade de Styles. Fazendo o meu melhor para esconder os sentimentos que cada vez mais se tornavam mais fortes.
A cada sorriso que ele me dirigia, cada mĂnimo elogio educado. Meu coração batia como louco. O frio na barriga me atingia e eu conseguia ficar ainda mais boba por ele.Â
Solto um suspiro quando a lĂngua quente toca meu lĂĄbio inferior.Â
Harry me puxa para mais perto, seus dedos se perdem no meu cabelo.
Nosso primeiro beijo foi apenas um selar. E foram incontĂĄveis as vezes que eu me perguntei como seria beijĂĄ-lo de verdade.
Mesmo que o sabor alcoĂłlico fosse forte, ainda era bom. Mesmo que o beijo demonstrasse desejo, ainda era delicado.
Seus lĂĄbios eram quentes e macios, sua lĂngua afoita e curiosa, explorando cada partezinha da minha boca.
Meu coração batia tão forte que eu podia senti-lo retumbando em meus ouvidos. Minha pele inteira estava arrepiada.
O beijo foi quebrado com dezenas de selinhos e eu sorri como uma boba.
Harry sorriu de volta, passando o polegar em minha bochecha.Â
E então disse as palavras que acabaram completamente com a minha ilusão e o fio de esperança ao qual me agarrei.
â Minha HelenaâŠÂ
O meu sorriso se fechou, e quase pude ouvir o som do meu coração virando um amontoado de estilhaços.Â
Harry caiu para trĂĄs na cama, em um sono profundo.Â
Segurei o soluço que tentou escapar, mas as lågrimas jå haviam começado a escorrer de forma vergonhosa.
A conversa me faz sentir ainda pior. Mas, pelo menos, ele nĂŁo se lembra de ontem.Â
Decido sair da cozinha, mas antes que eu faça isso, sua mĂŁo grande segura o meu pulso, me mantendo no cĂŽmodo.Â
â Eu fiz algo que magoou vocĂȘ, nĂŁo foi? â Seus olhos castanhos me encaravam cheios de culpa, mesmo que sequer soubesse o motivo. â Pode me dizer. â Incentiva.
â NĂŁo ria. â Ele coloca a mĂŁo sobre o peito, como se estivesse mortalmente ofendido. O que, obviamente, me faz rir alto. â Vem. â Estende a mĂŁo, praticamente me arrastando para fora da cama.Â
Suas mĂŁos vĂŁo para os meus ombros, me empurrando para fora do quarto.Â
Ainda estou sonolenta, mas meu estĂŽmago revira de fome e minha boca saliva assim que chegamos no andar de baixo e o cheiro da comida perfuma o lugar inteiro.Â
â VocĂȘ fez tudo isso? â Falo surpresa com a quantidade de pratos disposta na mesa.
â Duvidando dos meus dotes culinĂĄrios, senhora Styles? â Ele pergunta erguendo uma sobrancelha, puxando uma cadeira e me fazendo sentar.
â Estou pensando em voltar para a faculdade. â Falo de repente. Harry ergue os olhos, a boca tĂŁo cheia de comida que suas bochechas ficam infladas.Â
Eu precisei trancar a faculdade de design por conta do casamento. Mais uma das exigĂȘncias do meu pai.Â
â De forma alguma. â Ele nega com a cabeça. â Eu acho Ăłtimo, S/N. â Sorri. â EstĂĄ gostando da comida?
â EstĂĄ tudo uma delĂcia. â Falo com sinceridade. â Por quĂȘ decidiu cozinhar tanto?Â
â Queria me desculpar com vocĂȘ⊠â Meu corpo trava. â Ontem acabei me esquecendo do seu aniversĂĄrio. â Harry suspira. â Me desculpe por isso, S/N.Â
â EstĂĄ tudo bem. â Eu afirmo, mesmo que nĂŁo seja 100% verdade.Â
Nos dias em que se seguiram, eu me concentrei em voltar para a faculdade. Consegui destravar minha matrĂcula e voltei Ă s aulas.Â
A primeira semana passou voando e por dias inteiros quase nĂŁo vi o meu marido.Â
O que era bom.Â
Esse era o primeiro passo para esquecer esse amor unilateral.Â
Eu precisava me dedicar a esquecĂȘ-lo, e enfiar a cabeça nos livros, correr atrĂĄs de prazos de trabalhos e provas seria o ideal para tirĂĄ-lo da minha cabeça e do meu coração.
Mesmo que eu me lembre de seus lĂĄbios contra os meus cada vez que feche os olhos.
Harry
Solto um suspiro baixo, sentindo meus olhos arderem depois de revisar mais de cinquenta relatĂłrios. Encaro a foto de Helena sobre a minha mesa, sentindo o mesmo sentimento de melancolia de sempre.Â
Era difĂcil saber que voltaria para casa agora e nĂŁo seria recebido por seu sorriso ou suas piadas ruins.Â
Por mais que morar com S/N nĂŁo fosse necessariamente ruim, ela nĂŁo era Helena.Â
A minha Helena.Â
â JĂĄ vai? â Brad pergunta quando eu saio da minha sala.Â
â S\N? â Chamo baixinho ao ver a garota na sala, sem querer assustĂĄ-la.Â
Mas, ela sequer se mexeu.Â
Me aproximei com cautela.Â
S\N estava com os braços sobre a mesinha de centro, o rosto apoiado em um deles e os olhos fechados em um sono profundo. Seus livros e cadernos estavam espalhados por todo o lado e ela parecia realmente cansada.Â
Quase nĂŁo a vi desde que voltou a vida acadĂȘmica. Os nossos horĂĄrios nĂŁo batiam, e para falar a verdade, eu nĂŁo me esforçava para encontrĂĄ-la.
Mesmo que nĂŁo quisesse admitir, desde aquele maldito sonho, eu venho me perguntando como seria beijĂĄ-la de verdade.Â
A olho mais um momento antes de sair, fechando a porta atrĂĄs de mim.Â
Deixo seus livros e cadernos exatamente onde estĂŁo, temendo guardĂĄ-los em algum lugar errado e estragando sua linha de raciocĂnio durante os estudos.Â
Vou para a cozinha, sentindo meu estĂŽmago reclamar.
Grudado no microondas hĂĄ um bilhete, um post-it igual aos que estavam grudados nos livros de S\N.
âSeu jantar estĂĄ pronto! Aqueça por dois minutos e depois descanse! EstĂĄ trabalhando demais ;)â
Ela parece notar minha presença, vira o rosto e me oferece um sorriso.
â Bom dia, H.Â
Eu respiro fundo, sem conseguir entender o que estĂĄ acontecendo comigo.Â
Minha pele inteira estĂĄ arrepiada, um calor insuportĂĄvel me deixa inquieto.
Em passos largos atravesso a cozinha, sem conseguir mais segurar essa vontade.Â
Seguro sua cintura com as minhas mĂŁos. S\N arregala os olhos, mas nĂŁo me afasta.Â
Encaro seus lĂĄbios avermelhados, sentindo a minha prĂłpria boca formigar.Â
Curvo o pescoço, fecho os olhos e solto um suspiro quando sinto o contato de seus lĂĄbios nos meus.Â
S\N solta um gemido baixo, suas mĂŁos tocam o meu peito e eu aprofundo ainda mais o contato.Â
Passo um dos braços por baixo do seu corpo, erguendo-a e colocando-a sobre a bancada.
Desço minha boca, marcando sua pele cheirosa.Â
Ela geme baixinho, joga a cabeça para trĂĄs.Â
Enlouquecido.Â
Ă assim que eu me sinto.
Completamente entorpecido por essa mulher.Â
Infiltro as mĂŁos por baixo da camisa enorme, apertando suas coxas entre os meus dedos.Â
Meu corpo inteiro pede por ela, implora por ela.Â
â H⊠â Ela geme, e me enlouquece ainda mais.Â
â Eu quero tanto vocĂȘ. â Sussurro aquela verdade. S\N sorri para mim, com os lĂĄbios inchados pelos nossos beijos.Â
â Eu sou sua. â Ela sussurra.Â
Sua mão acaricia meu pau por cima da calça de moletom, me fazendo gemer.
Porra, eu preciso dessa mulher. Agora.Â
Puxo minha camiseta para fora, e como se estivesse tĂŁo ansiosa por esse momento como eu, S\N empurra minha calça para baixo, junto da cueca.Â
Eu suspiro, hipnotizado quando ela puxa a barra da prĂłpria camiseta para fora.Â
Enrolo o braço em sua cintura, puxado-a mais para a beirada da bancada. Ataco sua boca gostosa, arrasto a calcinha fina para o lado e encaixo meu pau em sua entrada quente e Ășmida.Â
Ela solta um gemido alto contra meus lĂĄbios quando embalo o corpo para a frente.Â
â Bom dia, H. â Brad fala assim que eu saio do elevador.
â Bom dia. â Falo rĂĄpido, passando pela sua mesa como um foguete e entrando na minha sala.
Me sinto um adolescente na puberdade, nĂŁo um homem de 30 anos de idade.Â
Sento na minha mesa, esfrego as mĂŁos no rosto e tento afastar aqueles pensamentos de mim.Â
Duas batidas na porta me fazem suspirar e eu mando que Brad entre.
Por quase vĂĄrias horas contei a ele toda a minha histĂłria. Como minha infĂąncia foi solitĂĄria e meus pais trabalhavam demais para prestar atenção em mim e no meu irmĂŁo mais velho. Como a adolescĂȘncia foi ainda pior e eu nĂŁo passava de um garoto confuso e carente de atenção. Como eu conheci, me apaixonei e perdi Helena.Â
E entĂŁo, como S\N entrou na minha vida.Â
Nos primeiros dias, me senti receoso de contar a ele sobre o contrato. NĂŁo era exatamente uma coisa legal.Â
Mas, depois de algumas sessÔes, me senti mais confortåvel para dizer.
Para a minha surpresa, essa prĂĄtica ainda era comum entre as famĂlias ricas da Coreia. Algo horrĂvel, na minha opiniĂŁo.Â
Kwan, dividia a mesma opiniĂŁo de Brad. Acreditava que eu estava me apaixonando por S\N.Â
Mas, eu segui negando.Â
â Estou bem. â Respondo abrindo um sorriso.Â
â E entĂŁo, algum avanço essa semana? â Ele pergunta, cruzando as pernas e ajeitando a posição em sua poltrona.Â
â O mesmo de sempre. â Dou de ombros.Â
Kwan se refere ao fato de eu continuar fugindo de S\N dentro da nossa casa.Â
Por mais que agora eu a veja mais do que no inicio da minha fuga idiota, ainda faço o meu melhor para nĂŁo acabar trombando com a garota pelas manhĂŁs, quando ela estĂĄ com pijamas curtos. Ou Ă noite, quando estĂĄ linda.Â
Deixei as flores no pequeno vaso de plantas, juntei as mĂŁos e fechei os olhos. Fiz uma prece breve antes de suspirar e finalmente encarar a foto de Helena na lĂĄpide.Â
NĂŁo tive coragem de voltar aqui desde o dia em que minha Helena começou seu descanso.Â
Na foto ela sorri, radiante. Antes do cĂąncer que a deixou tĂŁo debilitada.Â
â Eu sei que vocĂȘ nĂŁo gostaria de me ver triste⊠foi o que vocĂȘ disse antes de partir, nĂŁo foi? Que seria o meu anjo. â Seco um pouco meu rosto com a manga da camisa. â Eu nem sei se ela sente algo por mim. â Rio sem muito humor. â Eu tenho agido como um idiota com ela. Quando nos conhecemos, foi vocĂȘ quem me conquistou. Dessa vez, vou tentar ganhar o coração dela. Me ajude, sim? â Fungo. â Me ajude a ser feliz, por favor. â Respiro fundo. â Sempre vou amar vocĂȘ, Helena. Mas, acho que o meu coração pertence Ă S\N agora.Â
â Jantar comigo? â Ela ergue as sobrancelhas. â VocĂȘ nĂŁo janta em casa hĂĄ uns dois meses. â Ela diz, fazendo um beicinho triste.Â
Eu quero rir.Â
Nunca havia visto S\N tĂŁo bĂȘbada. E por mais que estivesse bravo pelo perigo que ela correu, precisava admitir que estava uma gracinha.Â
â Eu sei. â Suspiro e me ajoelho Ă sua frente, começando a desamarrar o cadarço dos seus tĂȘnis. â VocĂȘ me desculpa?Â
â Eu sempre desculpo vocĂȘ. â Ela revira os olhos, me deixando levemente confuso. Tiro seus tĂȘnis e as meias, colocando no chĂŁo ao lado da cama.Â
â Vamos pelo menos tirar a maquiagem, hum? â Ofereço e ela afirma com a cabeça. Pego em sua mesa um pacote de lencinhos umedecidos e me sento ao seu lado na cama.
S\N fecha os olhos quando eu começo a passar o lenço com a maior delicadeza em sua pele.Â
Meu coração acelera quando passo sobre seus lĂĄbios, sentindo minha boca secar por um momento.Â
Ela abre os olhos lentamente, encara o meu rosto e suspira.Â
â Haz?Â
â Sim?Â
Os olhinhos pequenos pela bebedeira fitam o meu rosto com atenção, ela solta um suspiro longo e um beicinho se forma em sua boca quando lĂĄgrimas grossas começam a se formar. Exatamente como uma criança pequena.Â
â Eu nĂŁo sei do que estĂĄ falando, S/N. â Falo baixo, afastando mais lĂĄgrimas, o que sĂł dĂĄ mais espaço para as novas que deslizam em sua pele.Â
â Do meu coração. â Ela soluça. Eu arregalo os olhos. â Eu nĂŁo quero mais amar vocĂȘ, Harry. Por favor, me devolve ele. â Ela joga a cabeça para a frente, seus ombros balançam com o choro e eu me desespero.Â
â S/N⊠â Eu chamo, mas seu choro se torna mais alto. Mais sentido.Â
Eu nĂŁo vejo seu rosto, mas posso ver as lĂĄgrimas pingando em seu colo.Â
O meu coração dĂłi.Â
Engulo o nĂł que se formou em minha garganta e ergo seu rosto pelo queixo.Â
â VocĂȘ me ama? â Sussurro. Ela balança a cabeça positivamente. â Por quĂȘ nĂŁo me disse antes? â Com dois dedos afasto os fios insistentes do seu cabelo para trĂĄs da orelha, depois tento, mais uma vez, afastar as suas lĂĄgrimas.Â
â Porque eu sei que vocĂȘ nĂŁo me ama, Harry. â Lamenta. O meu coração aperta no peito e eu abro a boca para falar, mas uma das mĂŁos pequenas me pega de surpresa, esmagando os meus lĂĄbios. â VocĂȘ nĂŁo sabe quantas vezes eu jĂĄ quis ser a sua S/N. â Eu pisco algumas vezes. As duas palavras me atingem como socos. â Helena foi tĂŁo sortuda em ser sua. â Ela sussurra.Â
Com cuidado, eu seguro a mĂŁo que estĂĄ sobre a minha boca, tirando-a. S/N baixa a cabeça mais uma vez, mas eu nĂŁo permito.Â
Me aproximo mais na cama, me sentindo o ser mais desprezĂvel que existe.Â
Esse tempo todo, enquanto eu fugia dos meus prĂłprios sentimentos. NĂŁo pensei nos dela. NĂŁo pensei que poderia estar machucando o seu coração.Â
Seguro uma das suas bochechas, fazendo com que ela me olhe.Â
Nossos olhos se encontram e o meu coração acelera em uma velocidade preocupante.Â
Ela estĂĄ bĂȘbada.Â
EstĂĄ sensĂvel.Â
E eu sou um idiota por pensar em beijĂĄ-la nessa situação.Â
Como um ĂmĂŁ, eu me aproximo, fecho os olhos e toco meu nariz com o seu. Espero que ela me empurre, me xingue. Mas isso nĂŁo acontece.Â
S/N ergue o queixo, deixando um selar leve e salgado pelas lĂĄgrimas. E entĂŁo se afasta, colocando os dedos na minha boca mais uma vez.Â
â S/N. â Ela diz, e eu ergo uma sobrancelha. â NĂŁo me chame pelo nome dela mais uma vez, Harry.Â
Eu engasgo.Â
S/N abre um sorriso triste e puxa as pernas para cima da cama, se deita de costas para mim.
â Pode sair do meu quarto, por favor? â Murmura baixinho.Â
â NĂłs precisamos conversar. â Ă tudo que eu consigo dizer.Â
Meu coração acelera, o ĂĄlcool corre ainda mais solto, faz ainda mais efeito.Â
As borboletas que eu pensei que nunca mais apareceriam, voam pela minha barriga.Â
A sensação de estar apaixonado.Â
Que eu achei que nunca mais sentiria.Â
Uma pontinha de culpa me atinge. Eu nĂŁo deveria fazer isso. Eu sou casado. Eu amo aâŠ
â Minha Helena.Â
O sorriso de S/N se fecha. Mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, o sono me atinge e eu caio na cama.Â
Sonhando com ela.
Com a minha S/N.Â
Abro meus olhos, sentindo meu corpo inteiro suado e meu coração batendo em uma velocidade descomunal.Â
NĂŁo foi um sonho.Â
Meu beijo com S\N foi real. E eu fiz a maior das besteiras, chamando-a pelo nome de outra mulher.Â
Olha para o relĂłgio na mesa de cabeceira, quase nove da manhĂŁ.Â
SerĂĄ que ela jĂĄ levantou?Â
Saio do quarto, notando que a porta do quarto de S\NÂ estĂĄ entreaberta. Bato, mas nĂŁo obtenho resposta. Empurro a porta de leve, ouvindo o barulho de seu chuveiro.Â
â Bom dia. â Eu digo. Ela me olha por menos do que um segundo antes de baixar a cabeça e murmurar uma resposta para o meu cumprimento. â Fiz sopa de algas e chĂĄ pra vocĂȘ. â Aviso, jĂĄ servindo a sopa na tigela. Largo a comida acompanhada de uma colher sobre a mesa.Â
â Obrigado. â Ela diz baixo.Â
â EstĂĄ com dor?Â
â SĂł um pouquinho. â Diz, tomando a primeira colher da sopa. Em nenhum momento ela me olha. Seus olhos permanecem baixos, assim como o seu tom de voz. E isso me dĂĄ a certeza de que ela lembra sobre tudo na noite passada.Â
â Precisamos conversar, nĂŁo acha?Â
â NĂŁo podemos esquecer? â Ela resmunga. â Eu estava bĂȘbada eâŠ
â VocĂȘ disse que me ama. â Corto sua desculpa, jĂĄ sentindo meu coração acelerar com a ansiedade. â Ă verdade?Â
â Harry, por favor. â LĂĄgrimas se juntam nos cantinhos dos seus olhos.Â
â Me diga. â Eu peço. â VocĂȘ me ama, S\N?Â
Ela suspira, passa a pontinha da lĂngua pelos lĂĄbios e assente.Â
Um sorriso involuntĂĄrio se forma em meus lĂĄbios e eu curvo o pescoço, tocando sua boca com a minha.Â
Ouço seu suspiro surpreso e espero mais um pouco, deixando apenas selinhos leves antes de aprofundar o beijo.Â
Empurro a lĂngua com calma, sendo recebido de forma tĂmida. S\N coloca as mĂŁos em meus ombros, mas nĂŁo me empurra. Seus lĂĄbios macios e quentes acariciam os meus com delicadeza.Â
Separo nossos lĂĄbios quando a necessidade de respirar se torna mais forte.Â
Com a respiração desregulada, abro meus olhos para vĂȘ-la.Â
S\N estĂĄ tĂŁo abalada quanto eu, seus lĂĄbios inchados e os olhos cheios de incertezas.Â
â Me desculpa. â Começo a dizer. â Eu nĂŁo queria ter machucando vocĂȘ, S\N. â Me mantenho perto dela, ainda abraçando seu corpo e segurando sua nuca. â Eu deveria ter sido mais cauteloso com os seus sentimentos.Â
â Eu nĂŁo estou entendendo. â Ela murmura baixinho.Â
â Eu lembro do nosso beijo no seu aniversĂĄrio. â Ela arregala os olhos de leve. â Eu achei que tinha sido um sonho. â Suspiro. â VocĂȘ nĂŁo falou nada e eu me convenci que nĂŁo havia acontecido de verdade. Mas sĂł ontem eu percebi que foi verdade e que eu fui um idiota. â Ela me olha com atenção. â Eu nĂŁo chamei vocĂȘ pelo nome de Helena. Enchi a cara aquela noite por me sentir culpado por nĂŁo conseguir parar de pensar em vocĂȘ. â Admito.Â
â O quĂȘ?Â
â Eu me sentia culpado por começar a me apaixonar por vocĂȘ. â Suspiro. â Por isso eu praticamente fugi nessas Ășltimas semanas. Eu queria me convencer de que nĂŁo estava me apaixonando, mesmo que Brad e o meu terapeuta digam o contrĂĄrio.Â
As bochechas de S\N ficam vermelhas, ela abaixa a cabeça, escondendo o rosto em meu peito. NĂŁo consigo evitar a risada, fazendo um carinho leve em seus cabelos.Â
â Eu estava bĂȘbada, nĂŁo pode usar minhas palavras contra mim. â Ela reclama, erguendo o rosto para me olhar, fazendo um beicinho com os lĂĄbios. Eu deixo um beijo ali, fazendo-a sorrir. â EstĂĄ mesmo apaixonado por mim?Â
â Totalmente. â Admito, apertando ela mais contra mim.Â
â Acho que ainda estou sonhando. â Ela suspira, passando os braços em minha cintura, me abraçando de volta. Eu curvo o pescoço, mordendo sua bochecha de leve. â Ai!Â
â O que acha de irmos embora? â Harry sussurra em meu ouvido. Seu braço estĂĄ apoiado em minha cintura e jĂĄ deve ser pelo menos a quinta vez que ele sugere de ir embora desde que chegamos Ă festa de aniversĂĄrio de um dos maiores investidores da empresa.Â
â Querido, chegamos hĂĄ uma hora. â Relembro.Â
â Eu sei. â Resmunga, ficando de frente agora, e segurando minha cintura com as duas mĂŁos. â Ă pedir demais uma noite tranquila ao lado da minha esposa? Sem precisar ficar dando sorrisos falsos para um monte de gente chata?Â
Harry afastou meu cabelo, apoiando todo em um dos ombros e deixou um beijo molhado em minha nuca. Um suspiro escapa dos meus lĂĄbios e eu tenho certeza de que ele nota minha pele inteira arrepiar.Â
â Eu jĂĄ disse o quanto estĂĄ linda hoje, querida? â Murmura, com a voz rouca. Fecho os meus olhos, sentindo minha boceta pulsar dentro da calcinha jĂĄ encharcada.Â
Me entrego ao beijo, soltando suspiros baixos. Escuto quando Harry empurra a porta para que ela feche e em seguida começa a caminhar com passos cuidadosos enquanto empurra meu corpo em direção da cama.Â
Harry separa os nossos lĂĄbios, me encarando com os olhos cheios de um desejo velado. Seu peito sobe e desce rĂĄpido, e suas mĂŁos encontram as minhas, em um pedido silencioso de permissĂŁo. Em resposta, liberto o vestido, que acumula em minha cintura.Â
Harry respira fundo, seus olhos passeiam pelos meus ombros e colo. Mais uma vez ele me olha.Â
â VocĂȘ pode fazer o que quiser. â Sussurro. Ele morde o lĂĄbio inferior e assente.Â
Meu corpo estĂĄ sensĂvel, e toda a vontade que eu tenho dele se torna ainda mais desesperada.Â
Harry dĂĄ atenção aos meus dois seios com as mĂŁos e a boca antes de voltar a explorar o restante do meu corpo. Seus lĂĄbios deixam marcas invisĂveis por toda a parte.Â
Ele beija minha barriga e desce ainda mais. Com os olhos nos meus, puxa com delicadeza a calcinha azul clarinho para fora do meu corpo.Â
Ouço quando ele murmura um palavrĂŁo antes de voltar a beijar minha pele.Â
Gozo revirando os meus olhos e chamando alto pelo nome dele. Harry abraça o meu corpo, entrando fundo uma Ășltima vez e escondendo o rosto em meu pescoço. Posso sentir as contraçÔes de seu membro a medida que seu gozo escorre entre as minhas pernas.Â
Alguns segundos depois, ele ergue o rosto, sorri cansando e beija os meus lĂĄbios antes de sair de mim e deitar ao meu lado.Â
Encaro o teto, tentando controlar minha respiração e meu coração acelerado.Â
Harry me puxa, me fazendo deitar em seu braço. Me viro, ficando de frente para ele e acariciando de leve seu peito suado com a ponta dos dedos.Â
â Eu te amo. â Deixo um beijo em seu peito antes de deitar.Â
Situação: !Ex namorado! x Harry Styles x !Ex namorada! x Leitora
Eu a observo de longe. A forma como seus lĂĄbios repuxam para cima, como ela fecha os olhos para rir, a careta que faz ao beber do copo de uma das amigas.
O incĂŽmodo em meu estĂŽmago deixa claro o ciĂșmes que nĂŁo deveria existir.
Fui eu quem colocou um ponto final nisso, quem acabou com tudo.
EntĂŁo por quĂȘ me sinto tĂŁo incomodado quando o braço do cara ao seu lado paira do descanso de sua cadeira?
Os cabelos loiros estĂŁo soltos sobre os olhos, o tom vermelho em suas bochechas deixam claro que estĂĄ bĂȘbada e feliz.Â
â Com os meus amigos. â Respondo simplesmente.
â Quer dançar?Â
â Eu nĂŁo danço. â A garota arregala os olhos por uma fração de segundo, mas eu perco minha atenção quando vejo a morena que sussurra algo no ouvido do homem e se afasta, desviando dos outros que dançam no salĂŁo.Â
Deixo minha bebida em cima do balcĂŁo, ignorando a garota a minha frente e seguindo a Ășnica que me interessa.Â
S/N nĂŁo me nota.Â
Ela entra no banheiro feminino e eu me sinto um idiota quando faço o mesmo.
â Harry? â Pergunta assustada, me olhando pelo reflexo do espelho. â O que estĂĄ fazendo aqui?Â
â Ă uma festa, nĂŁo posso?Â
â VocĂȘ estĂĄ no banheiro feminino. â Avisa. Quase rindo de mim.
â Quem disse? â Ela vira. Encostada na pia e com os braços cruzados sobre o peito, ressaltando os seios no vestido preto.Â
â VocĂȘ disse. â Falou com ironia. â Quando terminou.Â
â Bem rĂĄpida vocĂȘ, hum?
â Esperava que eu fosse sofrer o resto da vida? â Ergueu uma sobrancelha, um desafio. NĂŁo consigo conter o sorriso. Sua lĂngua afiada sempre me agradou.Â
â VocĂȘ nĂŁo respondeu a minha pergunta. Quem era aquele cara? â Minha voz sai grossa quando eu me aproximo, encurralando-a entre os meus braços, agora apoiados no mĂĄrmore da pia.Â
â Um amigo. â Disse baixo. Posso ver quando ela engole seco e nĂŁo consigo nĂŁo sentir uma pontinha de orgulho. EstĂĄ tĂŁo afetada com a proximidade quanto eu.
â SĂł amigo?Â
â Por enquanto sim. â Um sorriso se abre em seus lĂĄbios vermelhos. Ela estĂĄ me desafiando, de novo.Â
â Por que nĂŁo o dispensa? Posso cuidar de vocĂȘ.Â
â Por que eu faria isso? â Devolve a pergunta. â Ele estĂĄ lĂĄ, me esperando.Â
â Ele nĂŁo vai saber cuidar de vocĂȘ, love. â Joguei baixo, chamando-a pelo mesmo apelido que sussurrei em seu ouvido tantas vezes.Â
â Como pode estar tĂŁo certo disso?Â
â SĂł eu sei cuidar de vocĂȘ. â Aproximei mais o rosto, sentindo o cheiro do vinho de seu hĂĄlito se misturar com a fragrĂąncia familiar de orquĂdea do seu perfume. Viciante. â SĂł eu sei te tocar como vocĂȘ gosta. SĂł eu sei fazer vocĂȘ gozar direito, love.Â
â VocĂȘ nĂŁo pode ter certeza.Â
â Posso sim. â Sorri. â Se nĂŁo fosse verdade, vocĂȘ nĂŁo estaria aqui. â Ela ofega. â Eu sei que vocĂȘ quer.Â
Destravo carro com o controle e abro a porta de trĂĄs, me enfiando com rapidez.Â
S/N nĂŁo fala nada. Ela entra e sobe diretamente no meu colo, atacando a minha boca no mesmo segundo.Â
Enfio os dedos na carne de suas coxas e ela ondula a cintura sobre mim. As pontas dos meus dedos se infiltram na barra do vestido curto e ela sorri no meio do beijo.
â Precisamos ser rĂĄpidos. â Murmura. A encaro como confusĂŁo. â Ă aniversĂĄrio de Jane. â Sua melhor amiga.Â
Empurro a calça e a cueca para as coxas. A garota se ergue, levanta o vestido e revela a calcinha minĂșscula. Ela puxa o tecido pro lado e suspira quando me posiciono em sua entrada.Â
Mas entĂŁo, seu corpo trava.
â Camisinha. â Sussurra.Â
â Eu nĂŁo tenho. â Admito.Â
â Merda. â Ela xinga.
Deito a cabeça no banco, frustrado como o inferno. Sequer pensei em comprar camisinhas, faziam meses que eu nĂŁo as usava. E nem pretendia fazer nada quando fui Ă quele bar com os meus amigos.Â
â Foda-se. â Ela murmura, sentando de uma vez.Â
Solto um rosnado ao me sentir mergulhar em seu calor. Encharcada, como sempre. S/N joga a cabeça para trĂĄs, sorrindo abertamente enquanto usa as pernas para subir e descer.Â
Pego sua cintura com força e impulsiono contra ela, fazendo o som retumbar e o carro balançar.Â
â SĂł vocĂȘ e a tatuadora. â Ronronou. Estreito meus olhos em sua direção, e como resposta ela empina ainda mais, tomando minha visĂŁo com a boceta pingando.Â
NĂŁo consigo me controlar, dando uma lambida longa que a faz gemer.Â
Porra.Â
Que saudade desse gosto.Â
Meu pau sofre um espasmo.Â
Me afundo nela de uma vez, vendo estrelas com o aperto. S/N joga a cabeça para a frente e geme alto.
Sinto quando suas paredes começam a me apertar ainda mais. TĂŁo pertoâŠ
A puxo pelos ombros, fazendo com que fique ajoelhada e rio quando ela resmunga.Â
â VocĂȘ sĂł vai gozar quando eu deixar, love. â Sussurrei em seu ouvido.Â
Prendo o pescoço alvo com uma das mĂŁos, e ela revira os olhos, abrindo um sorriso sacana.Â
â VocĂȘ quer gozar, querida? â Pergunto indo fundo, mas devagar o suficiente para fazĂȘ-la resmungar. â Responda, S/N.Â
â Quero. â Sopra.Â
â VocĂȘ vai voltar para essa festa, com a minha porra escorrendo entre as suas pernas, entĂŁo vai inventar uma desculpa para ir embora e voltar aqui. Eu vou levar vocĂȘ para casa, e vocĂȘ vai gozar quantas vezes eu quiser na nossa cama, entendeu?Â
â S-sim. â Assentiu rĂĄpido, tentando mover a cintura.
â Boa garota. VocĂȘ pode gozar agora, love. â Deixei um beijo atrĂĄs de sua orelha.Â
Meto sem dĂł.Â
Arrancando gemidos e suspiros da boca bonita. Ela se move contra mim, me arrastando junto com ela para o ĂĄpice de nossos corpos.Â
Aperto seu corpo com força contra o meu quando sua boceta me estrangula. Derramo dentro dela, mordendo seu ombro e revirando os olhos.
PorraâŠÂ
Ela deixa o corpo cair no banco, sorrindo cansada e respirando fora de ritmo.Â
â Como vou voltar lĂĄ assim? â Perguntou.
â Como uma boa garota. â Provoquei. â VocĂȘ tem cinco minutos, ou eu vou lĂĄ te buscar.
Ela arregala os olhos, mas assente. Saindo do carro tentando arrumar o tecido do vestido. Suas pernas estĂŁo trĂȘmulas e ela tenta arrumar o cabelo com os dedos.Â
O prazo sequer termina quando ela senta ao meu lado no banco do passageiro.Â
NĂŁo digo nada, apenas dou partida.Â
NĂŁo sei onde estava com a cabeça quando terminei tudo entre nĂłs, mas hoje ela nĂŁo sai da minha cama antes de voltar a ser minha.Â
Situação: !Ex namorado! x Harry Styles x !Ex namorada! x Leitora
Eu a observo de longe. A forma como seus lĂĄbios repuxam para cima, como ela fecha os olhos para rir, a careta que faz ao beber do copo de uma das amigas.
O incĂŽmodo em meu estĂŽmago deixa claro o ciĂșmes que nĂŁo deveria existir.
Fui eu quem colocou um ponto final nisso, quem acabou com tudo.
EntĂŁo por quĂȘ me sinto tĂŁo incomodado quando o braço do cara ao seu lado paira do descanso de sua cadeira?
Os cabelos loiros estĂŁo soltos sobre os olhos, o tom vermelho em suas bochechas deixam claro que estĂĄ bĂȘbada e feliz.Â
â Com os meus amigos. â Respondo simplesmente.
â Quer dançar?Â
â Eu nĂŁo danço. â A garota arregala os olhos por uma fração de segundo, mas eu perco minha atenção quando vejo a morena que sussurra algo no ouvido do homem e se afasta, desviando dos outros que dançam no salĂŁo.Â
Deixo minha bebida em cima do balcĂŁo, ignorando a garota a minha frente e seguindo a Ășnica que me interessa.Â
S/N nĂŁo me nota.Â
Ela entra no banheiro feminino e eu me sinto um idiota quando faço o mesmo.
â Harry? â Pergunta assustada, me olhando pelo reflexo do espelho. â O que estĂĄ fazendo aqui?Â
â Ă uma festa, nĂŁo posso?Â
â VocĂȘ estĂĄ no banheiro feminino. â Avisa. Quase rindo de mim.
â Quem disse? â Ela vira. Encostada na pia e com os braços cruzados sobre o peito, ressaltando os seios no vestido preto.Â
â VocĂȘ disse. â Falou com ironia. â Quando terminou.Â
â Bem rĂĄpida vocĂȘ, hum?
â Esperava que eu fosse sofrer o resto da vida? â Ergueu uma sobrancelha, um desafio. NĂŁo consigo conter o sorriso. Sua lĂngua afiada sempre me agradou.Â
â VocĂȘ nĂŁo respondeu a minha pergunta. Quem era aquele cara? â Minha voz sai grossa quando eu me aproximo, encurralando-a entre os meus braços, agora apoiados no mĂĄrmore da pia.Â
â Um amigo. â Disse baixo. Posso ver quando ela engole seco e nĂŁo consigo nĂŁo sentir uma pontinha de orgulho. EstĂĄ tĂŁo afetada com a proximidade quanto eu.
â SĂł amigo?Â
â Por enquanto sim. â Um sorriso se abre em seus lĂĄbios vermelhos. Ela estĂĄ me desafiando, de novo.Â
â Por que nĂŁo o dispensa? Posso cuidar de vocĂȘ.Â
â Por que eu faria isso? â Devolve a pergunta. â Ele estĂĄ lĂĄ, me esperando.Â
â Ele nĂŁo vai saber cuidar de vocĂȘ, love. â Joguei baixo, chamando-a pelo mesmo apelido que sussurrei em seu ouvido tantas vezes.Â
â Como pode estar tĂŁo certo disso?Â
â SĂł eu sei cuidar de vocĂȘ. â Aproximei mais o rosto, sentindo o cheiro do vinho de seu hĂĄlito se misturar com a fragrĂąncia familiar de orquĂdea do seu perfume. Viciante. â SĂł eu sei te tocar como vocĂȘ gosta. SĂł eu sei fazer vocĂȘ gozar direito, love.Â
â VocĂȘ nĂŁo pode ter certeza.Â
â Posso sim. â Sorri. â Se nĂŁo fosse verdade, vocĂȘ nĂŁo estaria aqui. â Ela ofega. â Eu sei que vocĂȘ quer.Â
Destravo carro com o controle e abro a porta de trĂĄs, me enfiando com rapidez.Â
S/N nĂŁo fala nada. Ela entra e sobe diretamente no meu colo, atacando a minha boca no mesmo segundo.Â
Enfio os dedos na carne de suas coxas e ela ondula a cintura sobre mim. As pontas dos meus dedos se infiltram na barra do vestido curto e ela sorri no meio do beijo.
â Precisamos ser rĂĄpidos. â Murmura. A encaro como confusĂŁo. â Ă aniversĂĄrio de Jane. â Sua melhor amiga.Â
Empurro a calça e a cueca para as coxas. A garota se ergue, levanta o vestido e revela a calcinha minĂșscula. Ela puxa o tecido pro lado e suspira quando me posiciono em sua entrada.Â
Mas entĂŁo, seu corpo trava.
â Camisinha. â Sussurra.Â
â Eu nĂŁo tenho. â Admito.Â
â Merda. â Ela xinga.
Deito a cabeça no banco, frustrado como o inferno. Sequer pensei em comprar camisinhas, faziam meses que eu nĂŁo as usava. E nem pretendia fazer nada quando fui Ă quele bar com os meus amigos.Â
â Foda-se. â Ela murmura, sentando de uma vez.Â
Solto um rosnado ao me sentir mergulhar em seu calor. Encharcada, como sempre. S/N joga a cabeça para trĂĄs, sorrindo abertamente enquanto usa as pernas para subir e descer.Â
Pego sua cintura com força e impulsiono contra ela, fazendo o som retumbar e o carro balançar.Â
â SĂł vocĂȘ e a tatuadora. â Ronronou. Estreito meus olhos em sua direção, e como resposta ela empina ainda mais, tomando minha visĂŁo com a boceta pingando.Â
NĂŁo consigo me controlar, dando uma lambida longa que a faz gemer.Â
Porra.Â
Que saudade desse gosto.Â
Meu pau sofre um espasmo.Â
Me afundo nela de uma vez, vendo estrelas com o aperto. S/N joga a cabeça para a frente e geme alto.
Sinto quando suas paredes começam a me apertar ainda mais. TĂŁo pertoâŠ
A puxo pelos ombros, fazendo com que fique ajoelhada e rio quando ela resmunga.Â
â VocĂȘ sĂł vai gozar quando eu deixar, love. â Sussurrei em seu ouvido.Â
Prendo o pescoço alvo com uma das mĂŁos, e ela revira os olhos, abrindo um sorriso sacana.Â
â VocĂȘ quer gozar, querida? â Pergunto indo fundo, mas devagar o suficiente para fazĂȘ-la resmungar. â Responda, S/N.Â
â Quero. â Sopra.Â
â VocĂȘ vai voltar para essa festa, com a minha porra escorrendo entre as suas pernas, entĂŁo vai inventar uma desculpa para ir embora e voltar aqui. Eu vou levar vocĂȘ para casa, e vocĂȘ vai gozar quantas vezes eu quiser na nossa cama, entendeu?Â
â S-sim. â Assentiu rĂĄpido, tentando mover a cintura.
â Boa garota. VocĂȘ pode gozar agora, love. â Deixei um beijo atrĂĄs de sua orelha.Â
Meto sem dĂł.Â
Arrancando gemidos e suspiros da boca bonita. Ela se move contra mim, me arrastando junto com ela para o ĂĄpice de nossos corpos.Â
Aperto seu corpo com força contra o meu quando sua boceta me estrangula. Derramo dentro dela, mordendo seu ombro e revirando os olhos.
PorraâŠÂ
Ela deixa o corpo cair no banco, sorrindo cansada e respirando fora de ritmo.Â
â Como vou voltar lĂĄ assim? â Perguntou.
â Como uma boa garota. â Provoquei. â VocĂȘ tem cinco minutos, ou eu vou lĂĄ te buscar.
Ela arregala os olhos, mas assente. Saindo do carro tentando arrumar o tecido do vestido. Suas pernas estĂŁo trĂȘmulas e ela tenta arrumar o cabelo com os dedos.Â
O prazo sequer termina quando ela senta ao meu lado no banco do passageiro.Â
NĂŁo digo nada, apenas dou partida.Â
NĂŁo sei onde estava com a cabeça quando terminei tudo entre nĂłs, mas hoje ela nĂŁo sai da minha cama antes de voltar a ser minha.Â
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