UMA IMAGEM
O vento arrasta as curtinas.
Tudo é já uma imagem,
mesmo o sobressalto do coração
é uma imagem que se apaga
depois do primeiro estremecimento.
O silêncio é uma metáfora,
uma analogia que se subentende
a fenecida imaginação Verão adentro,
espalha a matéria de que se fazem os meses
decorridos, corrige os dias em que o amor
foi um exercício de espera e exuberante escolha.
O vento arrasta as cortinas, a luz despede-se,
a vigília antecede a noite, os sentidos afinam-se.
Respiras ainda. Respira outra vez.
Luís Quintais











