sobre ser artista, queimar perguntas e atravessar mais um dezembro
No último mês desse ano flama, o ciclo chega quase ao portal do recomeço. Nesse ponto, os olhos treinados por temporadas a fio quase exigem a visão da retrospectiva. Enquanto isso, a profusão borbulhante em meu chafariz incongruente de descobertas implora pela formulação de novas perguntas.
Creio que esse seja meu verdadeiro método de sistematização de experiências. Formular perguntas pra queimar no eterno caldeirão de ideias acesas. Perguntas como joias, condensando a beleza das sensações, cristalizando instantes inesquecíveis. Perguntas como sementes de memória, enraizando e espiralando rizomas-poemas. Perguntas como nascedouros de mundos.
Tempo cresce em todas as direções. Nada é linear no pulso da criação artística. Tampouco sou dada a menos que a alta costura. Minha lua me dá a gana de mergulhar por inteiro sempre um pouco mais a fundo entre os precipícios e as fronteiras. Onde ainda não há um jeito de dizer, sabe como? É de lá que mando notícias. É desse lugar onde ninguém sondou ainda, pra onde vou constantemente, que preciso aprender a amplificar a minha voz.
Vou começar a contar.
.XXX.












