Ludina!!!
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Quartzo verde falsificado
O sol estava se pondo, a cidade havia ficado em tons de laranja. Lembro de ter fechado os olhos e respirado fundo numa duração de cinco segundos e desejei: universo, congele nesse momento. Momento em que fui apresentada a tranquilidade que sempre imaginei, a tranquilidade que só sentia lendo e escrevendo, a tranquilidade que achei ser impossível encontrar em outro alguém. Nas pontas dos dedos desenhava em minhas costas, nenhum pensamento, apenas arrepios causado por tua pele. Teu coração batendo estava virando minha música favorita. Poderia viver uma vida naqueles minutos. O céu que agora escurecia, teus olhos iluminava meu rosto. Beijei delicadamente tua bochecha e foi mais um beijo nela... Outro no queixo... Voltei na bochecha, e assisti teus olhos caírem. Sentir tua boca na minha fez dar outro sentido na calmaria. Depois daquele dia, me toquei, é impossível ter uma música favorita quando existe tua risada, existe o som das tuas palavras, existe emoção nas tuas memórias, é impossível ter algo favorito em você. Como vou dizer que minha imagem favorita é nossas mãos entrelaçadas se já te assisti tão de perto teus olhos fechados acompanhados de um sorriso bobo sentindo milhares de beijos que guardei durante a semana só para você? Vi desejo nos teus verdes, senti nervosismo de seus dedos, tatuei minhas digitais em sua pele, marquei minha boca em cada milimetro do seu pescoço, viajei toda madrugada em teus pensamentos, gravei cada tonalidade da tua presença, me enlouqueci com teus gestos, consigo escutar tua voz bem colada no meu ouvido, lembro de cada segundo e recordo ainda mais de sua decisão. Deveria ter previsto essa. Continuo sendo a outra, como fui em todas as vezes.
Por que apresentou calmaria se iria arrancar todo ar dos meus pulmões em um milésimo de segundo com sua partida?
-Lualina
Abril
Cômico fato de quanto mais fico sozinha maior a vontade de ficar assim num tempo indeterminado, ao mesmo tempo sensação constante de estar dormindo com fantasmas. Acho que esse sempre foi meu maior obstáculo, uma alma nostálgica só é apreciável quando tem suas inspirações finalizadas - nunca consegui terminar nada.
Tenho vontade de culpar meu signo e como todo meu mapa astral só fortalece todos esses estereótipos de instabilidade porém, também não terminei meu curso de astrologia que comecei mês passado para dar uma explicação didática. Só que problema está nisso também, necessidade absurda de sempre ter terceiros para justificar todas essas pequenas coisas que no final das coisas cabe apenas a minha pessoa.
Devo desculpas aos meus amigos, tenho andado distante ultimamente e dessa vez não pretendo voltar logo. Desculpas ao meu primeiro amor, errei tantas vezes que só fui me dar conta no momento que tudo desabou mas desse fantasma ainda sinto orgulho de carregar, ainda é muito vivo todo amor que foi multiplicado. Desculpas as minhas quase paixões, talvez eu tenha sido um pouco exagerada nem era tudo aquilo que sentia, definitivamente não partiram meu coração. E desculpa aos amores que inventei, fico entediada fácil, as vezes inventar esses cenários em minha cabeça deixa cotidiano divertido perante tantas telas em tanto tempo.
Acho que conclusão de tudo seja apenas: tenho monólogos infinitos dentro de mim que de fato nunca vão ser finalizados...
-Lualina
É sobre você.
Evito pensar em você e falho cada mísero segundo, já me deitei em todas posições possíveis desse sofá, decorei cada passo para atravessar outro cômodo, assaltei geladeira diversas vezes, intimidei reflexo do espelho incontáveis vezes e em todos momentos estava sua imagem gravada na minha mente. Ainda não me acostumei com a ausência, me sinto estúpida e voz do cazuza ecoa meus ouvidos. O que me revolta é que parecíamos um plural, estávamos em sincronia talvez o vacilo foi meu, somos pessoas intensas que se apaixona toda vez pelo momento com apenas uma diferença você se contagia pelo ritmo da música enquanto os dedos dançam em frente a uma pintura e eu me encontro na melancolia herdada dos meus fantasmas através de simples palavras. Teu maior desejo durante dias eram ser eternizadas em meus versos, enrolava porque achava muito cedo te escrever sem ao menos te decorar nas minhas digitais mas as circunstâncias me faz te dedicar esse texto que não irá ser tão leve e bonito quanto tuas músicas. Esse texto é sobre uma história que nunca chegou ter um começo. É sobre você. Sobre coisas que nunca te disse. Sobre coisas que tu nunca irá saber. É sobre não ter tirado teu rosto de minha mente desde o dia que nossos olhos se cruzaram, é sobre minha vontade de te conhecer melhor e me sentir invisível no mesmo momento mas isso já foi assunto, isso foi resolvido. O que não foi resolvido foi minha vontade absurda de entrelaçar teus fios de cabelo em meus dedos, te sentir teu fogo de perto e admirar teus olhos fechar rapidamente toda vez que o sorriso tímido tomar conta, era tão fácil te arrancar sorrisos, tuas gargalhadas fizeram parte dos meus sons preferidos, do mesmo jeito que o timbre da tua voz me deixava encantada, tuas histórias cheias de buracos e promessas vazias me fazia imaginar uma incrível cena segundos antes de uma catástrofe porém, nunca me importei, nunca fui de um histórico puritano mas tu se sentia segura toda vez que escutava minha voz expressar meus pensamentos e se divertia da minha facilidade de se contradizer em segundos. Fui boa para você, te causei inspiração, te dei esperança, fui estendendo minhas mãos aos poucos para te apresentar toda intensidade que cabe no meu peito e sua resposta foi clara e objetiva. Tu diz que a música teve um outro final, tornou-se amarga e meus escritos eram apenas palavras bobas. Me recusei acreditar e insisti mais uma vez jogando-me aos teus pés foi quando vi o filme passar de novo em minha cabeça até que senti teus passos em cima de mim acompanhado com outro qualquer, me dou conta que esse filme é só mais um amor inventado. Não negue, eu fui muito boa mas não suficiente para te fazer ficar. -lualina
Três de janeiro o céu é mais bonito
Faz muito tempo que tento te escrever mas todo instante palavras apenas brincam na minha cabeça rindo entrei si pela forma como continuo tentando achar definições para descrever todos sentimentos que me proporciona quando na real tudo poderia se resumir em "amor" porém, soa tão pequeno perto de tamanha intensidade. Além de que, deveria ser um crime tua existência ser definida e resumida em apenas em uma palavra enquanto cada detalhe individual teu radia países. Começando pela forma como teus pequenos cachos compõe esse cabelo tão macio que fica irresistível não bagunça-los toda vez que vier a oportunidade. Queria poder falar sobre teus lindos pares de olhos sem ao menos me hipnotizar por inteiro, se soubesse a dificuldade que me encontro para formular uma simples frase toda vez em que meus olhos se encontram ao teus, a sensação toda vez é de estar presa numa galáxia só tua e ter vivido lá por bilhões de anos sendo que na Terra foi conexões de dois segundos. Mas por favor, imploro para não sorrir perto de mim, é covardia fechar os olhinhos enquanto alarga a boca, tem noção do quanto me ganha tempo todo? Aliás, até aquela risada escandalosa me fascina... Talvez eu tenha endoidado de vez ou talvez esteja apenas com saudade de te ver bem pertinho sorrindo em transe por instantes após nossos lábios se encontrarem. Galáxias entraram em colisão naquele dia de setembro quando tua mão entrelaçou na minha enquanto seis e trinta e cinco da noite virou sorte no relógio. -lualina
Descobri amor.
Descobri que era amor quando borboletas no estômago não se faziam presente, ansiedade não é decorrente. Descobri amor quando deixei de me perder nos teus olhos, hoje faço trilha na tua íris assim que acordo porque é nesse horário que sol desperta só para beijar tua pele. É amor toda vez que me convida a dançar para acompanhar meus movimentos desengonçados sentindo junto comigo como dois corpos podem sim ser livres e soltos estando juntos. Descobri que era amor toda vez que minhas satisfações não eram necessárias, minhas falas eram escutadas pelo olhar e todas minhas perguntas são acompanhadas com as respostas de um sorriso brincalhão teu. Amor porque não sei evitar sorrir ao te cantar ou porque preparar café é mais gostoso quando se tem teu timbre perto do meu ouvido enquanto me entrelaça forte em teus braços. Está sendo amor toda vez que escuto tua música predileta, principalmente quando entendo tua obsessão naquela nova série. Encontro amor cada vez que deixa me convida a entrar em tua morada. Me encontro amando no mesmo instante que acaricia meu rosto, deslizando tuas mãos até encontrarem as minhas e entrelaçar suavemente contagiando nossos olhares de não perder nenhum segundo desse reencontro. Desvendei o amor quando meu dia ficava completo toda vez que a lua se fazia protagonista, nesse momento meu único desejo é dançar no céu de sua boca, tatuar minhas impressões na tua nuca e enrolar meus dedos em seus cabelos para te fazer minha cada segundo dessa noite porque sou tua toda vez que me conta os nomes das estrelas lá de cima mas não, nunca irei de fato aprender pois precisaria de toda minha atenção... Foi bem aqui que descobri que era amor; entender sobre as estrelas não é mais tão interessante quanto desenhar constelações imaginárias em cada detalhe do meu mais novo universo favorito. -lualina
Domingo, 22:05
Eu suplico que saía da minha mente e entre na minha rotina, talvez não seja natural querer tanto alguém que nunca trocou palavras profundas de fato mas se soubesse tamanha vontade das minhas digitais de percorrer por todas pintinhas espalhadas pelo teu corpo. Não dou iniciativas porque as chances de não sair como meus roteiros são tantas que não quero pagar para ver, posso tentar telepatia parar conseguir te ver assim tão de perto? Cruzo os dedos para não te encontrar entrelaçada nos braços de outro alguém mas se vier de acontecer, continuarei mantendo distância até seu rosto sair de uma mísera memória que duraram segundos. A gente nunca conversou, muito menos se tocou porém se estiver afim, tem um universo inteiro complexo dentro de mim esperando tu se aventurar.
-Lualina
Amarelo não é cor primária
Trocou os CDs nas mudanças de estações, os sons não poderiam estar mais frios. Porta aberta na esperança de tua volta, mesmo sabendo ser impossível andar numa nevada. Os livros já não são os mesmos, os acordes são monótonos, as cômodas estão quebradas e todos quadros perderam a cor. Mandei avisar todos jornais que amarelo não será mais cor primária. Amarelo será reflexão de todas minhas lágrimas que forçaram sair nos momentos em que te quis apagar da memória. Deixarei avisado: irei pintar todos quartos de azuis e teu nome nessa casa será proibido depois da meia noite. Tua presença não será mais bem vinda, assim como nosso último abraço será apenas um desconforto de zonas. Porém, lembrete continuará em todas árvores que me fizeram chegar a ti, ainda te amo profundamente mas estou cansada de guardar discos de cores mutáveis em meu lar.
-Lualina