Rough Night | Lydia & Austin
Após o dia do surgimento do domo, Lydia poderia classificar suas noites em basicamente duas categorias: as de calmaria e as de tédio completo. É claro que volta e meia ela podia ouvir uma ou outra cena de comoção entre os habitantes de Chester’s Mill, causando baderna devido à alguma decisão de racionamento instituída pelo seu ditador, digo, único vereador restante na cidade; quando não apenas para chamar a atenção das câmeras de filmagem das emissoras de televisão mundiais que acamparam por um tempo do lado de fora do domo apenas para acompanhar de perto a incrível história da cidade que fora misteriosamente isolada do mundo. É claro que o fenômeno fez muito sucesso nos primeiros dias, mas após a chegada dos militares e a conclusão da qause certa perpetuação daquele estado, Chester’s Mill não era exatamente uma cidade tão interessante assim de se acompanhar quando não se tinha progresso nenhum em querer salvá-la. Até quando a decisão o mundo exterior foi a de levantar acampamento e ir embora, isso gerou escândalo na população.
Lydia achava tudo muito divertido, apesar de disfarçar tal divertimento com sorrisos de otimismo, mesmo quando era chamada a participar de alguma manifestação dessas. Isso ela odiava porque, veja bem, para Lydia, antes continuar presa para sempre sob um domo misterioso do que ser perseguida por um bando de italianos nervosos consigo. A moça preferia manter sua cabeça no lugar, assim como não ter nenhum órgão muito vital de seu corpo perfurado com uma bala.
Esse tipo de evento sempre terminava com uma rodada de bebidas no bar da cidade, onde geralmente a maioria das pessoas se reunia durante a noite para tramar as novas manifestações do dia seguinte, para afogar-se num copo de bebida como uma tentativa de fazer o que estava acontecendo ter mais sentido se estando alterado pelo álcool, ou simplesmente para conseguir dormir durante a noite. Lydia bebia apenas para fazer o social e se manter incluída ao grupo. A última vez em que esteve completamente bêbada, não estava raciocinando no seu normal e acabou cometendo certas loucuras da qual ainda se arrepende hoje, mas bem pouco. Com o tempo, aprendeu a superar os erros do passado, principalmente uma vez que esta se tornara a sua cina para sempre, desde que viera morar em Chester’s Mill.
Nesse dia, contudo, não beberia sozinha, ou ao menos não por um motivo menos genuíno. Reconheceu sentado no balcão do bar o novato Austin Blake, um amigo de Diamond McFields que havia vindo acompanhá-la ao funeral de seus pais e acabara ficando como uma vítima da ocasião. Lydia o conheceu por ocasião no dia do domo, quero dizer, o conheceu melhor após tê-lo convidado para lhe seguir até o local onde uma das bordas daquela grande cúpula havia atingido o solo e poderia ser palpada. Não poderia dizer que tiveram uma união especial nem nada, pois ainda sabia muito pouco sobre o rapaz. No entanto, sua simplicidade e transparência a fizeram acreditar que ele poderia ser um rapaz confiável apesar de tudo. Naquela ocasião, ele estava sentado sozinho e, por força do hábito, Lydia procurou por Diamond em algum lugar, esperando que ela estivesse por perto no trabalho de consolar o amigo por ser obrigado a passar mais uma noite dentro daquela bolha. Felizmente, ou infelizmente, a única companhia dele àquela noite era uma garrafa de root beer.
— Noite difícil? — A recepcionista se aproximou, sentando-se no banquinho imediatamente ao lado do rapaz. O bartender se aproximou e ela pediu duas doses de whisky. Quando Austin pareceu se surpreender com o pedido da moça, ela sorriu. — Não se preocupe, uma dessas é pra você. Não vai conseguir o efeito que deseja bebendo só isso. — E então ela apontou com o queixo para a garrafa do que quer que Blake estivesse tomando. Os copos foram postos a frente de cada um deles e o bartender experiente não utilizou um medidor para colocar as doses, fazendo com que eles ganhassem um extra sem que pedissem. Lydia ergueu o seu copo e ofereceu-o para um brinde. — Bem, se não vamos brindar porque termos conseguido sair daqui ainda, brindemos porque continuamos vivos. Pelo menos por hora. — A moça deu de ombros e fez a borda do seu copo se chocar num tilintar característico ao encostar no de Austin. Ela bebericou um gole pequeno, sentindo cada nota amadeirada do whisky doze anos escorrer por sua garganta como deixasse sua marca ali para sempre. — Hum... Então, sabe de alguma novidade sobre o domo? Alguém teve mais uma boa ideia de como tentar atravessá-lo?












