As fumaças de nobreza sopravam Varrendo as donzelas Erguendo-se além de dias santos Desmanchando a noite com cigarras boêmias Há movimentação em cores, O almoço esteve servido E a parede Almodoviana engolia a janela Dostoiévskiana Em uma relação comunhão antropomorfizada Ás cinco abre os olhos Passa um outro ciclo Abriam-se então os lábios E mais a voltar-te para a cama de zinco As maçanetas sorriam As portas cantarolavam À margem dissonante De um cântico torto Anos de febre Festim de chumbo As cortinas não eram tão oriundas Pois serviam como cauda à deidades Corpo maciço ao maçarico Adereço endereçado ao gado Admirável cadavérico ovo A nuca luso-italiana atende por besta Corpo de centauro, olho de mosca Intimidade formiga, sensitividade felina Vestimenta canário, pranto homem Língua utilitarista, graça garça abençoada Helena sempre ébria Numa embriaguez morna Como toda a cidade És dia de folia, não te preocupes tanto amor...
O Auto da Antropomorfização, Pierrot Ruivo






