Hafiz, o grande e maravilhoso poeta Sufi da Pérsia, afirma: “Muitos dizem que a vida entrou no corpo humano pelo auxílio da música, mas a verdade é que a vida em si mesma já é música.” Que coisa terá feito com que ele dissesse tal coisa? Ele se referia a uma lenda que existe no Oriente, segundo a qual Deus fez uma estátua de barro à Sua própria imagem e pediu que a alma entrasse nela. A alma, no entanto, negou-se a ficar aprisionada, pois sua natureza consistia em voar livremente, sem qualquer limitação ou barreira de qualquer sorte à sua capacidade. Deus, então, pediu aos anjos que tocassem sua música. Os anjos tocaram-na e a alma atingiu um estado de êxtase e, nesse estado de êxtase, de modo a tornar aquela música ainda mais nítida, entrou no corpo. E afirma-se que Hafiz também disse: “As pessoas dizem que a alma, ouvindo aquela canção, entrou no corpo, mas, na realidade, a alma já era, em si, a própria canção. Trata-se de uma bonita lenda e, mais do que isto, um mistério. A interpretação dessa lenda explica-nos duas grandes leis. A primeira é que a liberdade é a natureza da alma e que para ela a maior tragédia da vida é a ausência dessa liberdade que pertence à sua natureza original; o mistério seguinte é que esta lenda nos revela que a única razão pela qual a alma entrou no corpo de barro ou matéria foi para experimentar a música da vida e para tornar essa música mais nítida a ela mesma. Quando somamos esses dois mistérios, vem à nossa mente. Ele consiste no ensinamento de que a parte ilimitada de nós mesmos torna-se limitada e presa à terra, afim de tornar esta vida, que é exterior, uma vida mais inteligível. Música - Sufi Inayat Khan #maedetudo #mãedetudo https://www.instagram.com/p/CFkVU-3JJ3b/?igshid=ij3xg9r74z2z












