Marcos Abalde: “Já chega de que qualquer documento de cultura seja um documento de barbárie”
Gañador do Premio Álvaro Cunqueiro 2011 cun texto a xeito de barricada, A Cegueira, co que reivindica un teatro poético, transgresor e arriscado, o novo dramaturgo Marcos Abalde (Vigo, 1982) reflexiona sobre o teatro galego e o universal, sobre o capitalismo e o naturalismo, sobre a “hexemonía da estupidificación” e o odio á cultura.
Vés de gañar o premio Álvaro Cunqueiro conA cegueira, un texto do que o xurado destacou o seu carácter aberto, transgresor e arriscado. Cres que a literatura dramática galega actual é conservadora?
Depende do que consideres “conservador”. Dum ponto de vista estético, há um domínio do teatro figurativo. No entanto, também começam a ser reconhecidas novas dramaturgias. Penso em Santiago Cortegoso ou em Vanesa Sotelo, por exemplo.
Nalgún outro lugar reivindicaches a tradición do teatro poético galego, e citaches os nomes de Otero Pedrayo e Xesús Pisón. Que pode achegar o teatro poético no teatro galego no século XXI?
Pois levantar umha barricada contra os administradores da morte, proclamar a greve geral contra a língua choca das telenovelas ou arremeter contra a ilusom de naturalismo. Eu nom conheço outra maneira de abraçar o horror do mundo se nom é criando um espaço fora da lógica do apartheid global.
Antes do Cunqueiro décheste a coñecer no teatro galego cun premio convocado en Catalunya. Bótase en falta en Galiza un premio para novas e novos escritores dramáticos ou para teatro vangardista similar ao Josep María Robrenyó?
É fundamental cuidar a gente nova e deixar de converter Galiza num criadouro de carne humana para a exportaçom. Infelizmente, este nom é um país para novos. As 315.155 pessoas que fôrom expulsas da Galiza entre 2003 e 2010 confirmam-no. Eu som dos excéntricos que pensam que temos direito a viver na nossa Terra.
Naquel texto, Canibalismo,a acciónten lugar en Saraxevo, considerada como a capital dunha Europa que semella estar constantemente en guerra, e con esta nova obra, A cegueira, sitúas a acción en Palestina, de novo nun escenario bélico.
O brutal ataque contra a classe trabalhadora que acaba de ser acometido com a reforma laboral é o enésimo exemplo da guerra civil em curso. O capitalismo está em guerra contra nós, contra a biosfera e contra o futuro. Por enquanto, imos perdendo. As obras tratam essa podredom que nos obrigam a tragar cada dia: a exclusom radical de ¾ partes da humanidade. Canibalismo reflexiona sobre o assassinato dum imigrante (o Sul no Norte). A cegueira sobre o extermínio de todo um povo (o Norte no Sul). Imre Kertész, num artigo sobre o Holocausto, fazia a seguinte reflexom: "Eichmann confessou no julgamento de Jerusalém nom ter sido nunca anti-semita, e ainda que o público presente na sala desatasse a rir, eu considero improvável que nom fosse sincero. Afinal de contas, para assassinar milhons de judeus, o Estado nom precisa anti-semitas, precisa bons gestores". Com certeza, os gestores da normalidade num sistema baseado na destruiçom do ser humano e da terra, nom som outra cousa que gestores da barbárie. Disso vai A cegueira, de como a gestom da barbárie vira norma sagrada.
Na edición deCanibalismo de Estaleiro Editora, inicias a escrita cun poema a xeito de manifesto onde a pegada de Antonin Artaud é evidente. En que se diferenza o teatro “edípico, reformista e parlamentarista” do teatro que ti propós? Desexas, como Artaud, liberar o teatro do logocentrismo?
A mim interessa-me um teatro que quebre o consenso social, que crie conflito, que sublinhe a guerra. O homem branco tem as maos cheias de sangue. Dá-me nojo o teatro para brancos feito por brancos. Odeio o cripto-fascismo da cultura ocidental. Já chega de que qualquer documento de cultura seja um documento de barbárie. Acho que o fundamental de Artaud é a insurreiçom contra o psicologismo. O teatro nom substitui a realidade, cria realidade. Neste sentido, é absurdo considerar o teatro naturalista como realista, porque ele próprio é a negaçom da realidade, simplesmente quer fazer um simulacro, umha fotocópia e renuncia a ser um laboratório da fantasia social. Também é verdade que dumha maneira ou doutra, no teatro sempre vai haver representaçom, repetiçom; o contrário seria improvisaçom pura. Um texto dramático sempre é umha proposta. Umha proposta que precisa ser completada.
Que repercusión tiveron estes premios, ademais do gaño económico? Púxose en contacto contigo algunha compañía interesada en levalos ao escenario?
Aumentarom a minha auto-estima ferida pola exclusom económica. Infelizmente, nom recebim telefonema de nengumha companhia.
Tendo en conta que as últimas tendencias estéticas do teatro contemporáneo ou posdramático, parten de premisas que priman o visual sobre o verbal, que entenden o texto como un mero pretexto para a posta en escena e favorecen a creación colectiva sobre a autoría individual, cal debería ser a función do dramaturgo ou dramaturga no teatro actual? Está en crise a literatura dramática?
O que está em crise é o valor da palavra. A atual hegemonia da estupidificaçom é o caldo perfeito para o darwinismo social militarizado. Eu estou farto de tanto esnobismo e autocomplacência. O problema é a falta de honestidade para achegar-se à realidade, por isso muitas vezes temos um teatro para zumbis. Para mim a palavra possui um lugar central. É preciso resgatá-la dos convencionalismos e dos think tanks de extrema direita. A palavra é fundamental para compreender o mundo. O inimigo sabe-o, por isso a tem seqüestrada.
Nunha presentación do seu último libro (Dramatículas, Laiovento) Afonso Becerra reivindicaba a existencia dun teatro para ler que non precise de ser levado á escena. Consideras, con Becerra, que non todos os textos dramáticos teñen que ter como última finalidade a posta em escena ou, pola contra, vinculas a escrita a unha ulterior representación teatral?
Há obras que merecem ser lidas e encenadas, outras que merecem ser só encenadas, outras que merecem ser lidas e encenadas várias vezes e também espetáculos que nom merecem ser nem realizados nem postos por escrito. A mim o palco ajuda-me a nom perder-me e ao mesmo tempo creio que é dos poucos espaços onde todos os mundos som possíveis. O que nom fago é escrever pensando em limitaçons orçamentárias nem à espera da compressom dos tecnocratas da troika.
Como imaxinas, pois, a posta en escena dalgún dos teus textos? Poderías nomear algunha directora ou director, algunha compañía, galega ou internacional, presente ou histórica, cuxo estilo encaixaría co que procuras expresar no teu teatro?
Suponho que no fundo A cegueira está pensada para o Teatro Laboratório de Grotowski. Na Galiza, as companhias que poderiam estar interessadas nom sei quais serám. Algumhas que me interessam a mim som Inversa Teatro, Teatro Nu, Cámara Negra, Chévere, Nut Teatro ou a Aula de Teatro da USC.
Se algo fica claro despois da lectura das túas obras, é a vontade transgresora e experimental, orientada a unha crítica violenta do sistema hexemónico. Calificarías a túa produción como Teatro Político?
Se até o pessoal é político, como o teatro nom o vai ser? O teatro pode ocultar a guerra, mas essa também é umha escolha ideológica. Eu o que tento é que a minha escrita nom seja racista, nem xenófoba, nem classista, nem neocolonialista, nem patriarcal, nem ultraliberal, nem etnocida, nem genocida. Se a isso lhe chamas “político” será político, mas o outro nom é “apolítico” precisamente. Eu o que nom quero é um teatro cúmplice, por isso penso o mundo a partir da exclusom, da expropiaçom, da despossessom e tento fazer um teatro contra a barbárie. Nesse caminho, vou agarrado dumha mao de Peter Weiss e da outra de Heiner Müller.
Que ten o teatro que non teñan outros xéneros como a narrativa ou a poesía para ser considerado o mellor medio para remover as conciencias?
Suponho que a presença física dos actores, a centralidade que tem o conflito, a procura da palavra necessária e a contençom temporal da representaçom.
Marcos Abalde, un dramaturgo... decrecentistaou indignado?
Com efeito, considero que o planeta tem uns limites, que a Terra gira em torno do Sol e que o “crescimento económico” nom tem nada a ver com a redistribuiçom da riqueza.
Sempre que podes editas os teus textos na normativa reintegracionista. A escolla lingüística modifica as vías de publicación?
Claro, reduze-as. Que esta situaçom se mantenha em 2012 é um bom indicador da saúde democrática deste Pais. Se o objetivo é o empoderamento lingüístico da populaçom, penso que as duas normativas deviam conviver em todos os âmbitos. Estaleiro Editora tem aplicado este princípio de maneira exemplar. Agora é a vez de Xerais ou Galaxia. É surpreendente que umha convençom ortográfica poda ser tam subversiva. O nacionalismo espanhol sabe que Portugal é um perigo e actua em conseqüência. Esta privaçom lingüística, cultural e política é mais um aspecto do processo etnocida que está a ser implementado na Galiza. Contudo, também cada dia aumenta o número de pessoas que toma consciência desta situaçom e tenta combatê-la. Por exemplo, na Revista Galega de Teatro começam a aparecer autores portugueses (Vieira Mendes ou Abel Neves) ou Cándido Pazó vai ao Festival de teatro da língua portuguesa em Rio de Janeiro.
Ademais de dramaturgo es un dos membros máis activos da editorial independente Estaleiro Editora. Como ves o futuro da edición de textos teatrais? É o teatro un xénero ben tratado polo sector editorial?
Estaleiro nom tem fins comerciais e nasce precisamente para lançar escritoras novas, textos arriscados e géneros marginais. O compromisso das e dos leitores permite pagar as tiragens sem especiais problemas tanto seja de teatro, de poesia ou de ensaio. Os concelhos poderiam substituir tanto prémio de poesia por algum de teatro, essa já seria umha ajuda bem importante para abrir umha nova colecçom. Um texto dramático tem a potencialidade de chegar a muita mais gente, muita mais que qualquer romance, no entanto, o sistema educativo transmite em geral um ódio pola cultura, a inteligência e o teatro que acaba pagando todo o mundo.
E xa para rematar, estás a escribir algunha outra peza actualmente ou a traballar nalgún proxecto que teña a ver co teatro?
Estes meses estivem a lhe dar voltas a um texto que vai tirar Laiovento. Vai ser um livro colectivo intitulado Banqueiros que quer reivindicar a funçom social do teatro e denunciar o espólio económico do fascismo financeiro, o que David Harvey tem descrito como acumulaçom por despossessom e os meios do regime chamam “crise”.