Os romances não são fáceis de se escrever, principalmente quando há muita chance da obra cair no clichê água com açúcar. Mas afinal, como se inspirar para escrever romances arrebatadores de corações?
O principal ingrediente para um bom romance é saber conduzir seu personagem para um arco sólido e colocar personalidade nele. Construir um romance requer um pensamento além das cenas românticas e fofas, é preciso organizar uma trama em que se desenvolva um tema, que você autor irá propor. A partir desse tema você estrutura os conflitos e desenvolve a história com pontos interessantes ao seu leitor, fugindo das cenas melosas que somente vão servir para encher de palavras o livro.
Contudo, para conseguir criar os conflitos, você precisará de inspiração, certo? E é aproveitando o clima de Valentine’s Day que vamos te mostrar algumas ideias para sair do bloqueio e criar o seu romance!
Além do clássico “leia histórias de romances”, uma boa opção para fermentar a cabeça com ideias é ler letras de músicas que falam sobre amor (ou sofrimento por ele). Dessa forma, você vai além do “ouvir” e percebe os conflitos descritos na letra, dando aquela luz de ideias! Ah, também vale pesquisar sobre como o cantor(a) criou a música, pois há tantos arcos que podem ser desenvolvidos através desses relacionamentos de famosos. Temos exemplos de Seether e Evanescence, Justin Timberlake e Britney, Camila Cabello e Shawn Mendes, etc…Porém, lembre-se de que é para se inspirar, a não ser que você queira criar uma fanfic, mas para fins comerciais, nem pense em colocar a história desses famosos como parte da narrativa!
Outra forma de buscar inspiração é ler sobre histórias reais! Sim, lembra daquela história de amor de seus avós? Ou da amiga que contou como superou o ex? Tudo é válido para ter ideias! Por isso, ouvir as histórias com atenção é tão importante quanto começar a compreender alguns sentimentos dos envolvidos. Isso cria verossimilhança e sua história fica mais real e concreta, além de te dar camadas profundas de sentimentos dos personagens. Portanto, da próxima vez que ouvir histórias das pessoas, ouça com clareza, desenvolva a atenção plena e vá criando (e anotando) todos os pontos que você captou. É bem provável que nos primeiros rascunhos, você anote mais sobre a história do que nesses detalhes, mas conforme for fazendo esse exercício, mais fácil será captar outros sentidos e sentimentos das pessoas.
Não podemos deixar para trás o audiovisual! O cinema está cheio de fontes de inspiração, principalmente nos romances. Vale muito a pena fazer maratonas daquelas histórias que combinem com a categoria e gênero da qual você quer escrever. Tendo uma visão mais nítida do romance, talvez te ajude a se inspirar em cenas, os atos de enredo e até mesmo nos personagens.
Por fim, não tem como deixar os livros de lado. Sim, leia muito sobre romances para conseguir escrever de forma mais fluída. Contudo, cada escritor tem sua personalidade na escrita, então, crie a sua!
Mesmo que você se inspire naquele autor(a), lembre-se que seu livro é uma obra 100% sua, precisando ter sua personalidade na escrita ali, as inspirações valem para expandir a mente, misturar arcos e tramas, desenvolver personagens, mas o mais importante é escrever de acordo com seu estilo.
Por fim, vamos de desafio? Crie um rascunho de ideias para uma história de romance a partir de uma música! Pode ser qualquer uma. Depois, conte para gente aqui quais foram as ideias que você teve! Aproveitem e compartilhem as ideias nessa semana de Valentine’s Day.
As sequências de obras literárias: Os cuidados para não escrever uma continuação ruim
Por: Mari Cunha
Como autores, quando pensamos em obras literárias ficamos na expectativa do sucesso e no momento em que muitas pessoas vão pedir por mais de nossa escrita. Porém, todo cuidado é pouco. Essa empolgação por fazer a vontade dos leitores, pode ser um caminho bem perigoso.
Manter a essência e o enredo fortificado da primeira obra é muito importante para não se perder nas sequências.
Há muitos exemplos que podem ser citados aqui como continuidade que não deram muito certo, mas você sabe ou já parou para pensar no motivo no qual não foi para frente o sucesso?
Muitos escritores já pensam em formar um legado com uma série de livros, porém, há muitos obstáculos durante a jornada que podem ser apenas barreiras a serem superadas ou realmente podem prejudicar o sucesso da continuação.
A questão é que o autor precisa estar altamente conectado à sua obra e não pensar em um segundo livro apenas pelo sucesso do primeiro. Claro que a cobrança dos leitores por uma continuidade deve ser pensada, mas há muito mais por trás da produção.
Se você está na expectativa de que as pessoas vão pedir um segundo livro, planeje meios para que isso funcione em sua sequência
Quando se pensa em sequência, o terreno precisa estar preparado e o escritor também. Se você almeja dar continuidade em sua obra, mas está incerto sobre isso, fortifique seu enredo, personagens e narrativa, para que assim você tenha material para um segundo livro. Caso haja chances de isso não acontecer, você precisa fechar um arco no seu primeiro livro e não deixar as pontas soltas prejudicarem a leitura.
Por isso, é importante ter uma direção já pré-definida sobre sua história. É muito difícil criar possibilidades sem ter uma base concreta da sua obra.. Lembre-se que mesmo que você tenha vontade de escrever um segundo livro, o seu primeiro tem que ter uma trama fechada, organizada e bem definida.
Não mude a essência de suas personagens nas sequências
Sim, as pessoas mudam. Porém, aquilo que foi aprendido e validado em seu primeiro livro não pode ser simplesmente esquecido pela sua personagem. Uma mudança drástica leva seu leitor a questionar se aquilo que leu no primeiro livro era importante ou simplesmente poderia ter ignorado toda a trama anterior. Assim, também vale para personagens sem mudança alguma. Não deixe que as aprendizagens sejam repetitivas, lembre de toda construção heroica do personagem e não deixe isso de lado na continuação. Para isso, é importante a famosa “ficha dos personagens”, assim, você não se perde na construção do novo enredo. Vale a pena fazer uma nova ficha, visando seu novo enredo e comparando com a anterior durante a escrita.
Planejamento é tudo!
O mais importante para se fazer uma sequência de sucesso é pensar nela antes de tudo. Assim, você planeja já divulgações, estratégias de enredo e temas que você irá abordar nos diferentes livros. Porém, se uma continuação aconteceu de repente, planejar muito antes de divulgar seu segundo livro é essencial. Busque analisar os caminhos que seu livro pode seguir e se seus leitores querem mesmo uma continuação ou apenas estão em êxtase pela sua história. Dependendo da sua interação com seu público, você pode perguntar diretamente a eles, mas sempre com suas estratégias já definidas, caso consiga o sim.
Cuidado com continuidades clichês
Spin-offs, Origens e Epílogos em um livro inteiro podem ser muito perigosos. Pense se realmente é necessário criar uma nova história para acrescentar elementos que não foram contados no primeiro livro. Por exemplo: Às vezes um personagem secundário fez muito sucesso na obra, mas será que vale a pena fazer um spin-off sobre ele ou ele funcionou dentro do enredo e da trama daquele primeiro livro? Assim também pode acontecer com as questões de origens e detalhes. Você pode apenas verbalizar aos seus leitores sobre esses detalhes, caso haja alguma curiosidade.
Mude o enredo, mas não mude a base da sua obra
Se você pensa em mudar a tonalidade e estilo do seu livro em uma sequência, cuidado! As mudanças podem acontecer, mas devem ser sutis. Não adianta fazer um livro de romance e transformá-lo em terror em sua continuação apenas porque você se cansou de escrever romances românticos. É preciso fazer uma pesquisa para ver se vale a pena a troca e se isso não vai influenciar no público alvo que você já conquistou. Por vezes, vale a pena fazer um livro totalmente novo e seguir em frente.
Não faça sequência por audiência
Por fim, muito cuidado com a cobrança de uma continuação pelo sucesso da primeira história. Se sua história foi concreta e pensada em um único livro e assim conquistou muita gente, não pense em expandi-lo apenas por isso e principalmente não se cobre por tal. É ótimo que as pessoas tenham gostado de sua escrita e história, mas antes de desenvolver uma sequência, veja se realmente vale a pena. Cuidado para não ir pela empolgação e se perder nos arcos e personagens, mudando-os completamente e fomentando uma história só por um enredo que está em alta e por personagens caricatos que “fazem sucesso”.
O mais importante é lembrar dos motivos pelos quais você acha que vale a pena dar continuidade a sua história. Escrever é pensar em possibilidades, mas também é ter estratégias para organizar uma narrativa cativante. Cultive seus leitores e crie em seus livros sempre novas sensações, isso vale para as continuidades. Cada livro é único e precisa de um cuidado especial.
E você, já escreveu continuações para seus livros? Comente sua experiência para gente!
Nós, autores, sabemos nossa cronologia, o arco e o enredo de nossas histórias, mesmo que às vezes nos perdemos em uma parte ou outra. Claramente, queremos que nossos leitores vivenciem cada vez mais dentro do universo que criamos, querendo que cada sensação, palavra e acontecimento seja sentida por eles. O que acontece é que queremos tanto isso que acabamos por “mostrar” demais e deixando nossa escrita com cara de roteiro de cinema, e apesar de ser bastante interessante, infelizmente não funciona dentro de uma obra literária já que há outros pontos que podem ser trabalhados e explorados na leitura.
O famoso “show don’t tell” é o ponto X aqui. Acredito que essa seja a grande separação entre um roteiro e uma escrita, a descrição. Dentro de um roteiro é preciso mostrar as ações, situações, lugares, enfim, cada detalhe para que se torne algo visual e que funcione dentro de uma tela, já na escrita, o que precisamos é criar aberturas para que o leitor vivencie o que escrevemos, mas de uma maneira subjetiva. Exatamente isso que você leu, subjetiva. A questão é que apesar de termos nossa história montada, escrita e moldada por nós, ela chega ao leitor através da maneira com que ele compreende a leitura e em como seus pontos dramáticos vão chegar ao leitor.
No roteiro essa subjetividade não existe, precisando apenas mostrar as cenas e as ações em que nelas acontecem. Vamos de exemplos:
Uma simples frase descritiva e reescrita para uma leitura:
Maria está em um bosque cheio de flores.
Roteiro:
Maria está caminhando pelo bosque, com um sorriso breve, observando a flor azul. Ela a pega, a analisando minuciosamente.
Escrita:
Maria caminhou pelas folhagens e seus passos ficaram mais lentos ao se deparar com aquela flor. Com um riso intenso e entristecido, segurou a flor azul e a observou. Ela ainda se lembrava daquele dia.
Perceba que no roteiro não se dá detalhes sobre memórias ou sobre sentimentos, é o que será mostrado em tela, diferente da escrita, em que se precisa detalhar a ação para que faça sentido estar dentro da narrativa.
Mas como o ator saberá sobre os sentimentos? Então, vamos pensar… Dentro de uma indústria cinematográfica há outros profissionais que darão vida ao roteiro e os atores, geralmente são chamados para que os detalhes sobre o personagem sejam construídos. Apesar do roteirista ter total liberdade para criar, não é ele que garante que a obra fique 100% daquilo que saiu de sua mente. Isso até acontece com o escritor de obras literárias, mas a vantagem é que não vemos nossa ideia sendo mudada bem na nossa frente hahaha.
As duas práticas são bem complementares, eu diria, porém, é preciso cuidado para uma não “contaminar” a outra.
Para os escritores de literatura, vale a atenção nos detalhes em excesso e as prolongadas descrições, isso tornará a escrita objetiva demais e não deixará com que seu leitor se aprofunde nas reais intenções e sua história, já que, como premissa, há sempre algo para ser contato à ele e disso, tirará uma lição (seja o personagem ou o leitor).
Já para quem gosta mais das práticas detalhistas, roteirizar é a escolha perfeita, sendo que neste caso, se quiser transmitir algum sentimento, deve-se focar em ações, descrições e objetividade, assim quando for à prova de fogo (telas), verá sua criação se tornando real.
Porém, não há um abismo de diferença entre os dois, há também seus pontos em comuns. Em relação aos atos e pontos de conflito, uma boa construção de enredo, personagens fortes, contexto adequado e consistência no conteúdo são, tanto a escrita de livros como o roteiro, de extrema importância.
O que vale é lembrar desses detalhes para não transformar seu livro em um roteiro de cinema e assim, não prender seus leitores de forma concisa e eficiente. Acho válido deixar essas definições detalhadas para se pensar em booktrailers ou até mesmo construir um roteiro de seu manuscrito, se caso seja de interesse transformá-lo em produto audiovisual.
E vocês, curtem colocar vida em suas histórias ou deixá-las para seus leitores a criarem na mente?
Dicas para o Bloqueio Criativo: Sorteie e Escreva!
Por: Mari Cunha
O temível monstro (bloqueio criativo) dos escritores assombra uma hora ou outra a mente, mas nada como uma dose de repelente para expulsá-lo.
Não tem como fugir quando estamos em um trabalho e de repente nos vemos estagnados sem ideias e um pouco “perdidos” dentro do universo criado. Às vezes, as razões são externas e não tem nada a ver com a produção da obra em si. Quando isso acontece é bom ter uma carta na manga, um respiro para sair um pouco do ambiente original (da obra que você está trabalhando duro) e ir para uma nova atmosfera, mas ainda voltada para a arte do desenvolvimento de enredos e não saindo da rotina de escrita.
Um exercício que pode ajudar nestes momentos é o de criar histórias e desenvolver enredos a partir de pontos temáticos, personagens, narrativa, locais, estilo narrativo, gênero aleatórios. O importante do exercício é não pensar demais, apenas sortear e escrever. Mas agora vamos ao interessante:
A ideia é apresentar possibilidades de narrativa para ser desenvolvida em um conto de até 3.000 palavras e assim, retirar um pouco o autor de sua obra mais importante para que organize melhor as ideias ou esteja mais tranquilo para sua revisão, por isso a importância do escrever sem culpa, apenas criar e digitar (ou escrever no caderno).
Vale a pena tentar cada vez mais adicionar novos tópicos para que tenha mais opções de construção de enredo e narrativa.
Primeiramente, anote em alguma folha vários estilos de personagens, como por exemplo; músico, ator, nadador, engenheiro, etc. Tente ser o mais amplo possível para adicionar cada vez mais personagens. Estes serão seus principais.
Depois, escreva vários tipos de personalidade como; atrapalhado, irritadiço, sorridente, desmotivado, alegre, amoroso, etc. Essas serão as características principais de seu principal.
Agora vamos aos detalhes. Sobre o que você irá escrever? Anote vários gêneros como; fantasia, romance, drama, comédia, etc.
Dependendo do gênero, você pode criar outros sorteios, por exemplo, se for um romance pode-se retirar um outro personagem para o par romântico.
Agora, adicione locais para sua trama, invente bastante, desde cafeterias até Polo Norte, Himalaia, etc. Pense aleatoriamente mesmo, assim fica mais divertido, vai!
Vale também sortear o estilo narrativo. Sua história será contada em 1ª, 2ª ou 3ª pessoa? Coloque narração ativa ou passiva, se joga no desafio!
Se quiser, também pode sortear temas gerais como: Invasão alienígena, Anos 50, Guerras, enfim… Lembrando que independente do que sair, temos o gênero central, hein!
Enfim, são inúmeras as opções e isso ajuda a deixar de lado um pouco aquela tensão de se focar em uma escrita só e te liberta um pouco do bloqueio. O interessante da amplitude é que acabamos criando mecanismos para adaptar a história dentro do que sorteamos e isso pode nos ajudar depois na resolução de algum ponto estagnado ou mal enganchado na obra que estamos trabalhando.
Preciso deixar aqui que a ideia retirei do site Reedsy, e lá você encontra uma ferramenta que dispõe um sorteio para criar um plot de uma história, porém a versão é em inglês. Se você se interessou o link está aqui: Reedsy: Plot Generator.
Criar é expandir ideias e se estamos muito estressados, ansiosos ou nervosos, acabamos por deixar nossa mente estagnada, cansada e sem ideias. Se liberta um pouco de seu original e se joga em novas aventuras curtas e intensas, aposto que sairá algo divertido e quem sabe uma proposta interessante para um próximo livro ou um desenvolvimento mais interessante para seu personagem?
Sabemos que nesta data do ano há inúmeros contos e histórias que são inseridas com tema natalino. Apesar de ser uma data bem famosa entre leitores e autores pelo enorme leque de opções sobre o tema, como podemos diferenciar uma obra dentre várias que se passam na data festiva?
Quem nunca ficou empolgado ou já ficou esperando pelo vasto catálogo de filmes e especiais natalinos durante o mês de dezembro? Por ter se tornado uma data bem comercial, muitos meios de comunicação aderiram a uma programação bem especial e natalina. E sabe por que isso acontece? Porque funciona!
A data reflete muito nos comportamentos pessoais. De modo mais consumista, essa é a época do ano em que mais clientes são agarrados por empresas, e isso acontece pela forma com que o Natal é colocado em nossa sociedade. Seja pelas luzes coloridas, o clima de harmonia, a sensação da chegada do final do ano ou pela aproximação das pessoas. Tudo isso promove o bem-estar, mesmo momentâneo, que gera lucros e bons investimentos no tema.
Da mesma forma que os centros comerciais e programas de televisão, ou até mesmo programas de streaming, surgem com conteúdos especiais e aderem à decoração mais chamativa para festa, isso também acontece no mundo literário. Além disso, essa época é uma ótima oportunidade para quem quer começar a se inspirar e escrever sua primeira história. Afinal, a temática leva muitos leitores a procurarem histórias com o tema, já que estão rodeados por essa informação.
Contudo, é bom lembrar que sua obra precisa se destacar das demais, já que o catálogo de opções de leitura fica cheio de contos natalinos ou histórias que se passam no Natal. Portanto, a maneira mais assertiva de ter sua obra como destaque está no seguinte princípio: Não adianta ter uma obra natalina e não se preocupar com o conteúdo. E o que isso significa? Significa que você precisa se aprofundar muito além do que contar algo que se passa no Natal ou colocar a festa dentro do enredo.
Primeiramente, é muito importante criar um conflito impactante dentro do gênero de sua história. Se for um romance, pense em mais do que apenas criar um romance de Natal ou que aconteça na data, envolva mais os sentimentos que a época pode gerar dentro de seu personagens e crie um conflito sólido a partir disso. Caso seja um thriller, pense um pouco mais do que o clássico “terror natalino”, invista nos medos e traumas, deixando um Stephen King dentro de si reinar hahaha. Claro que essas são sugestões amplas, mas encare sua obra como se, independentemente da época do ano, precisasse de uma boa construção de enredo.
Enfim, o ponto que sua obra irá se diferenciar das demais, que surgem nesses últimos meses do ano, é mais relacionado ao arco e conflito do que apenas estar envolvendo a época natalina. Pense que mesmo que sua história esteja em ascensão pela data, é a qualidade de sua obra que irá levar seus leitores para suas outras histórias!
Uma última sugestão é aproveitar o momento e criar outras formas de contar uma história dentro do seu tema favorito, ou até mesmo treinar a escrita transcrevendo uma história sua com o tema de Natal. Afinal, esses exercícios também ajudam muito nos bloqueios. Assim, você aproveita a data e segue o caminho da escrita junto à magia do Natal!
E você, já escreveu um conto natalino? Ou leu algum com a temática e acompanhou o autor depois? Conte toda sua experiência para a gente!
Afinal, essa etapa é fundamental para criar leitores fiéis e alavancar as leituras de sua obra!
Afinal, o que é público-alvo?
Quando escrevemos um livro nossa intenção é fazê-lo alcançar mais pessoas, certo? Porém, é importante compreender quem são essas pessoas que irão ler e se interessar pela sua obra e escrita. É possível criar uma forte camada de leitores, se seu livro for alvo de um certo público.
Portanto, para isso acontecer, algumas coisas devem ser consideradas como pensar para quem sua escrita deve ser direcionada. Isso cria seu público-alvo e te ajuda na hora de escrever e desenvolver sua história, uma vez que você estrutura uma “persona” na hora de escrever. Contudo, essa persona não pode interferir na sua narrativa, ok? Estamos falando sobre a linguagem usada e o conteúdo!
Vamos de exemplos:
Se você estruturar que seu público-alvo são os young adults, você considera os jovens entre 18 a 25 anos, então, sua linguagem não pode ser ilustrações coloridas e frases sobre o alfabeto nem conteúdo sobre divórcios e relacionamentos maduros. E sabe o motivo? Porque eles não vão se interessar! E isso compromete na hora de divulgar e distribuir sua obra.
É importante estabelecer seu público-alvo, direcionando os possíveis leitores para que isso engaje melhor sua história. Ainda assim, isso não impede que pessoas fora dessa métrica consumam seu livro, mas te auxilia na hora de divulgar.
Como criar meu público?
Primeiramente, é essencial que você estruture sua história. Ou seja, deixe para pensar em seu público-alvo após escrever toda a obra. Dessa forma, você não corre o risco de ficar engessado(a) na comunicação escrita entre seu público e história. Pense em etapas para elaborar seu livro e a partir disso faça uma sintese para criar o público-alvo.
Além disso, a categoria de sua obra também pode interferir na hora de escolher para quem você quer escrever. Sendo assim, se você quer recorrer à estratégias mais profundas, recomendo a pesquisa de mercado! Apesar do trabalho mais chatinho, é assim que você consegue saber para qual público cada categoria agrega mais e assim, cria seu plano de divulgação.
Apesar de você ter um público-alvo já estruturado, pode conseguir migrá-lo de uma forma bem orgânica para outros públicos: Com os meios de comunicações diferentes.
Exemplo:
Você quer divulgar sua obra young adult para um público maduro. Basta inserir uma comunicação mais atrativa para eles!
“Um romance espetacular que recria a juventude com atos de coragem e rebeldia.”
“Rio de Janeiro. É lugar para onde Gustavo e Paula decidiram fugir após uma conversa sobre as responsabilidades da vida adulta.”
Notou que em ambos os casos a história ainda permanece a mesma? Agora pense em qual público-alvo cada chamada seria mais atrativa. Lembrando de seu público exponencial, não te limita em divulgar para outros públicos, mas é preciso cautela! Não queira vender seu romance romântico em uma categoria de pessoas que amam terror violento sem que não haja nada que envolva isso!
Por fim, para estruturar seu público-alvo, lembre-se de: Entender o mercado da sua categoria, compreender para quem você escreve e divulgar muito para esse público. Assim, você verá diferença na hora de publicar sua história com muito mais views e leitores fiéis!
Mais uma vez, a Pixar consegue me imergir em suas animações carismáticas e cheias de emoção, agora trazendo Luca, filme que estreou neste ano de 2021, contando a história de “monstros marinhos” que, ao subirem para o solo, se transformam em pessoas (e isso pode não ser tão legal para alguns deles).
A história começa com Luca fascinado pelo mundo terrestre e seus segredos, enquanto sua família (precisamente, sua mãe protetora) tem calafrios só de ouvir falar em vida na terra. Em uma de suas “fugas”, Luca conhece Alberto, um monstro marinho corajoso, também amante da vida humana, que vive nas maravilhosas terras litorâneas da Itália, mostrando a Luca que seu medo o impede de vivenciar as melhores experiências de vida. A partir desta amizade, Luca finalmente descobre um mundo cheio de possibilidades e aventuras fora do fundo do mar, encontrando ali a felicidade plena e construindo seus propósitos de vida.
Confesso que os momentos em que Luca e Alberto exploram o “mundo” da superfície, representaram, para mim, momentos de crescimento pessoal, já que, a todo momento, Luca é impedido de ter sua própria visão acerca do mundo terrestre, sendo consumido pelas informações que sua família passa. Sua mãe representa muito bem o estigma de “super protetora”, incitando-o ainda mais a procurar por si as aventuras fora do fundo do mar, sendo que, a partir deste ponto, ele desenvolve sua própria visão de mundo, o que é, afinal de contas, seu crescimento.
O bordão “Silenzio, Bruno!” (usado por Alberto para silenciar seus medos, e apresentado à Luca com o mesmo objetivo) é recheado de peso emocional, já que os medos que Luca carrega, pela proteção de sua família, o impedem de realmente aproveitar aqueles momentos especiais e únicos. Importante ressaltar que, até este momento, nenhum perigo é apresentado a eles, todos os riscos (de vida, digamos assim) são estruturados por eles mesmos, com suas ideias mirabolantes de exploração. Alberto tem seus sonhos e expectativas de mundo, tendo como objetivo viajar com uma vespa para se aventurar e conhecer o mundo, e, em minha análise, acredito que a chegada de Luca o deu força para seguir, já que vemos um menino solitário e se sentindo abandonado ao longo da história.
Alberto e Luca decidem adentrar no pequeno povoado e lá descobrem como explorarão o mundo: participando de um concurso local para conseguirem dinheiro para comprar a vespa que os levará para a grande aventura. Um fato bem interessante é a construção de como Luca imagina o mundo afora, para ele, o mundo é feito de peixes flutuantes e grandes milharais haha, mas é interessante pensar que essa seria a expectativa de Luca, porém, quando é confrontado com a realidade, não se mostra decepcionado e, sim, ainda mais curioso.
O primeiro “vilão” é apresentado como um adolescente que se mostra impotente ao desafiar as crianças mais novas nos desafios do concurso, remetendo sua imaturidade e, talvez, representando seu medo de crescer e sua acomodação, afinal, mesmo não tendo mais idade para participar, ele insiste em continuar ali. É engraçado como ele não chega a ser um obstáculo para os meninos, visando que seus sonhos são maiores que os empecilhos, mas o garoto “bad boy”: Ercole (destaca-se como vilão italiano característico) enche tanto os nossos heróis, que há momentos no filme que ele se torna detestável (cade alguém para dar um basta neste jovem rebelde?).
Neste mesmo vilarejo, Alberto e Luca conhecem a corajosa e incrível Giulia (Santa Mozzarela!!!), a única que encara de frente o grande e chato Ercole, nascendo assim, uma forte amizade. A personagem é maravilhosa, forte, única, ao mesmo tempo que nos enche de empatia. As amizades dos três os despertam para questões de aprendizado: como a união, o altruísmo, as questões acerca sobre racismo e empatia.
Sem dar muito mais spoilers, a história caminha por alguns pontos de desenvolvimento como o processo de crescimento, as primeiras relações de amizade e, principalmente, fala sobre os desafios de se encarar o mundo, que, apesar de suas dificuldades, dos sofrimentos e da discriminação entre pessoas, podemos mandar nosso Bruno interno se calar e seguir com os nossos sonhos, nos apegando às pessoas que se importam, colhendo, assim, ótimos frutos desta vida e aproveitando a jornada de nossas aventuras. Mas apenas conseguiremos fazer isso saindo de nossas bolhas!
Outro ponto interessante é como o filme trata esse medo do externo como o rompimento do famoso “cordão umbilical familiar”, nos mostrando que os medos de nossos pais não podem ser obstáculos para nós, precisando romper com o estigma para se criar novas possibilidades. Viver e crescer é exatamente isso, se revelar ao mundo, vivenciando coisas boas e, infelizmente, coisas não tão boas, levando essas como aprendizado e buscando selecionar pessoas em nossas vidas que nos cercam de amor e que nos dão força para seguirmos. Afinal, mesmo que crescer seja doloroso, é a forma com que lidamos e com quem nos importamos que vai criar as memórias de nossas vidas, independente de nossas experiências.
Dando algumas olhadas acerca das opiniões deste filme, percebi que fica em aberto a relação de entendimento sobre o que o tema principal da história representa para cada um de nós, sendo que não há errado ou certo, afinal, as animações são tomadas por inúmeros conceitos, e nos sentimos mais próximos daquilo que mais pode nos representar.
Em relação à questão de produção, sinto que a Pixar ainda é um pouco reluta em produções de outras etnias, não dando o devido destaque à divulgação, diminuindo as chances delas para se tornarem grandes produções. Apesar de Luca estar abaixo de outras animações, o enredo é muito bem desenvolvido e marca sim como história, mesmo sendo simples e sem grandes dramas ou reviravoltas.
E você, já assistiu Luca? Conte sua opinião para nós!
O ato de escrever já delibera uma coragem absurda, principalmente quando não estamos no anonimato. A escolha de enredo, personagens e trama, podem ser atraídas pelo escritor, através dos processos mais “normais” do cotidiano; o observar e ouvir. Ao contar uma história somos envoltos pela projeção da realidade, seja ela realmente “real” ou inventada, e quando digo isso é que, não necessariamente precisamos contar aquilo que nos assombra ou contar nossa própria história do jeitinho que realmente aconteceu, mas precisamos lembrar que ao criarmos um universo de infinitas possibilidades, elas podem chegar às pessoas que passam pelos sentimentos, vivências ou conhecimentos que foram expostos.
Ao projetar palavras, precisamos saber que temos um poder em nossas mãos e, com ela, temos grandes responsabilidades (pegaram a referência?). Porém, é exatamente esse poder que nos permite entrar em um mundo em que toda nossa realidade vívida se esvai e podemos entrar em nosso intrínseco de memórias, sentimentos e autoaceitação. Se por mais que você acredite que sua história não tem contato com sua própria realidade, você pode ter razão, mas aquilo que saiu de sua cabeça no momento em que seus dedos tocaram as primeiras teclas para sua obra (ou alcançou a caneta para suas primeiras anotações), você se despiu de todas as armaduras do mundo “real” e está livre para criar aquilo que está no seu inconsciente, e ser afetado desta forma, já se compreende em um contato com sua realidade.
Não há histórias boas ou ruins, o que existe são processos que podem ser melhorados e análises críticas que são levadas para publicações e exposições que, claramente, nos dão energia e nos mantêm firmes, mas o que realmente importa é o que essa história representou para você (seja a história em si ou àquela em que no processo você criou para si) e no que ela te fez sentir. Talvez você deva estar se perguntando, mas se não vão ler minha história, por que eu deveria escrever? A resposta é simples: porque é seu desejo, porque, de alguma forma, a escrita traz algo de bom para você e isso pode parecer pouco nos momentos em que há tanta competição e busca por um lugar no sol (sabemos como artistas/autores brasileiros não são valorizados, infelizmente), que fazer algo por simplesmente nos fazer bem nunca parece uma boa ideia.
A intenção do texto é não ter intenção e depositar os pensamentos abstratos, de forma incoerente, mas realistas que fazem parte do “ser artístico” que precisa habitar no autor. A descrença por uma busca de uma história que tenha sua superficialidade (a palavra não usada de modo de ofensa, já que os processos de produção/edição/revisão/ de um livro são de extrema importância) é válida para resgatar o tesouro que temos em nossas mãos antes que vire apenas uma produção em massa, sem a diversão e imersão tão linda de se contemplar.
Eu poderia dizer que esse texto é parte do processo de autorreflexão, mas sei que, apesar de ser uma pontinha no meio de uma imensidão, não sou a única que simplesmente escreve para depositar uma ideia, e que por mais que possa ser visto como vexatório todo este processo de desconstrução para a construção de uma história, é preciso ter orgulho daquilo que foi o centro de toda sua obra. Os pensamentos artísticos são assim, abstratos, sem sentido e reais. Camadas profundas de cada pedacinho real do mundo, transformados em universos inteiros com infinitas possibilidades. Nós, escritores, temos esse poder tão magnifico em nossas mãos, que precisamos abrir mão de nosso perfeccionismo e soberba para alcançar o ápice (que é tão subjetivo quanto este texto).
Talvez este texto esteja aqui para te fazer não desistir ou simplesmente abrir sua mente para novas ideias, ou talvez, seja uma loucura tudo isso e você nem sabe como chegou aqui (talvez tentando entender o que não pode ser compreendido), mas tento buscar essa essência tão esquecida e usada por autores. Busquem aquilo que vem de vocês, o que querem contar, o que te faz vibrar de alegria nas primeiras letras. Busquem se conhecer, expandir a direção das observações, a escuta e o ouvir (estes últimos são totalmente diferentes um do outro), a palavra, e tome aquilo como verdade para si, para escrever um retrato de uma realidade que não é mais tão real.
Vivenciar o seu “ser autor” e contemplar sua realidade, é um poder incrível. Se divirta, aproveite e depois agregue isso ao trabalho árduo de um escritor.