Tudo bem, meu querido? Queria saber seu pensamento sobre esses magos e toda essa linha que envolve magia, por vezes satanismo, do ponto de vista "ateu", da ritualização considerada como puramente influencia mental, incorporações como manifestações de personalidade etc
Está tudo bem por aqui, espero que com você também, amizade. Agora, vocês querem me ver arranjando treta, né? kkkkk. Pois bem, lá vai.
Primeiro: falando pontualmente dos seus exemplos, o trabalho psíquico que permite manifestar influências mentais é válido, mas achar que tudo se reduz a isso é o mesmo que achar que para escrever bem é só estudar gramática. Agora, o negócio de incorporação sem entidade é uma marmotagem num nível que chega a me dar raiva. Na melhor das hipóteses, é uma aula de teatro experimental meio totoca da cabeça. Na pior, eles pegam um desavisado que tem uma mediunidade mais aflorada, e aí vai num lugar desses sem firmeza, sem limpeza, e sai cheio de kiumba. Por fim, o satanismo, mágico ou não, é o caminho mais perigoso que tem, porque as chances de acabar andando com nazista ou virar neopentec (ou ambos, que nem o baunilha lá) são altíssimas.
O que eu penso, em resumo, é que 1) esse pessoal só tá regurgitando New Thought misturado com junguianismo de boteco e acha que isso é superior às tradições espirituais, que são "supersticiosas", porque "acreditam em espírito" (o que, por sua vez, é o puro suco do pensamento colonialista, né? Tudo que não tem um verniz de ciência é lixo). E 2) eu tenho um pouco de pena, na real, porque é gente que claramente nunca teve nem um pingo de uma experiência de êxtase divino. E, assim, tudo bem, não é todo mundo que vai ter esse tipo de experiência avassaladora estilo Santa Teresa D'Ávila, mas às vezes a gente tem isso em conta-gotas, sim, aqueles momentos de revelação súbita no meio do cotidiano que podem servir como um ponto de partida para se pensar o divino, o numinoso, o sagrado, mas a cabeça da pessoa está tão viciada no pensamento materialista que reduz tudo a uma ideia de química cerebral que elas nem entendem como funciona. Em resumo, é aquele meme do Mickey:
Eu devo ter reproduzido uns discursos assim quando comecei, porque eu era bem materialista, mas ao mesmo tempo tinha um forte sentimento de devoção que eu poderia ter ignorado, mas decidi explorar e foi isso que me salvou de cair de vez nessa furada. Depois que você comunga com uma deidade, você não consegue achar que aquilo é só um arquétipo ou coisa da sua mente. Insistir nessa ideia é coisa de burro orgulhoso, que é o pior tipo de burro.















